VI Simpósio Brasileiro de Doenças Negligenciadas e II World Symposium on Neglected Diseases

America/Sao_Paulo
Salão de Convenções (UFLA)

Salão de Convenções

UFLA

Campus Universitário - Aquenta Sol, Lavras - MG, 37200-000
Joziana Muniz de Paiva Barçante, Raquel Ferreira, Yuly Andrea Caicedo Blanco
Descrição

O SIMPÓSIO

O Simpósio Brasileiro de Doenças Negligenciadas (SBDN) é o maior evento científico do Brasil dedicado às Doenças Negligenciadas (DNs).

 O evento tem como premissa ampliar as discussões científicas para além da academia, integrando ciência, prática profissional e divulgação científica, com foco em temas relevantes para profissionais da saúde, da educação, gestores públicos e a sociedade.

Em 2026, a Universidade Federal de Lavras (UFLA), em parceria com instituições nacionais e internacionais, realizará o VI Simpósio Brasileiro de Doenças Negligenciadas (VI SBDN) e o II World Symposium on Neglected Diseases (II WSND).

O evento será presencial, na Universidade Federal de Lavras, e reunirá pesquisadores, representantes de instituições de pesquisa, universidades, sociedades científicas e gestores públicos, promovendo o fortalecimento de redes de colaboração e o debate qualificado sobre os desafios das Doenças Negligenciadas no Brasil e no mundo.

​​A UFLA espera por você!

Clique em "Instruções gerais" no menu à esquerda para ter acesso ao passo-a-passo para realizar o seu cadastro Indico, inscrição, pagamento da taxa e submissão de resumos no evento.

    • 10:20 10:40
      Dia 1 - 22/05/2026: Bloco 1 - Exposição Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 10:20
        ABORDAGEM DA LEPTOSPIROSE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 20m

        A leptospirose é uma zoonose causada por bactérias do gênero Leptospira,
        transmitida pelo contato com a água ou solo contaminados por urina de animais
        infectados, sobretudo roedores. No Brasil, configura-se como importante problema
        de saúde pública, associado à vulnerabilidade socioambiental. Nesse contexto, a
        Atenção Primária à Saúde (APS) é fundamental na prevenção, detecção e
        tratamento da doença. Deste modo, esta pesquisa objetiva-se compreender a
        atuação da APS na prevenção e controle e controle da leptospirose. Trata-se de um
        estudo descritivo com abordagem qualitativa, baseado em revisão narrativa da
        literatura, realizado por meio da análise de publicações científicas sobre a
        leptospirose e a atuação da APS, disponíveis em bases de dados eletrônicas. A
        APS é considerada a porta de entrada do Sistema único de Saúde (SUS),
        desempenhando papel essencial na promoção e prevenção em saúde, em
        articulação com a vigilância em saúde municipal e regional, especialmente no
        atendimento a populações vulneráveis à leptospirose. Nesse contexto, destacam-se
        as equipes multiprofissionais, sobretudo a Enfermagem, na identificação precoce de
        casos suspeitos por meio de anamnese, exame clínico e investigação de fatores de
        risco, como exposição a enchentes, esgoto e atividades laborais de risco. Desta
        forma, é fundamental a qualificação profissional para a compreensão do perfil
        epidemiológico e planejamento de intervenções adequadas, incluindo o
        planejamento de ações em situações de enchentes e desastres naturais. Essa
        atuação se concretiza por meio de ações integradas de vigilância, prevenção e
        cuidado, incluindo a identificação de indivíduos expostos em áreas de risco,
        orientação à população quanto às medidas preventivas, notificação de casos
        suspeitos, articulação com a vigilância epidemiológica municipal e encaminhamento
        oportuno dos pacientes, garantindo continuidade do cuidado no sistema de saúde. A
        leptospirose permanece como importante problema de saúde pública no Brasil,
        fortemente associada a condições de vulnerabilidade socioambiental. Nesse
        contexto, a APS se destaca como componente estratégico no enfrentamento da
        doença, por meio de ações de vigilância, prevenção, identificação precoce de casos
        e articulação com a rede de atenção à saúde, contribuindo para a redução de
        complicações e da morbimortalidade.

        Palestrante: Isadora Musolino da Cunha (Centro Universitário de Lavras)
      • 10:20
        ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE CASOS CONFIRMADOS DE ESQUISTOSSOMOSE NO BRASIL ENTRE 2020 E 2024 20m

        A esquistossomose é uma doença parasitária causada pelo trematódeo
        Schistosoma mansoni, associada a condições de saneamento básico inadequadas.
        A transmissão ocorre quando indivíduos infectados eliminam ovos do parasito por
        meio das fezes, contaminando corpos d’água, como rios e lagoas. Nesses
        ambientes, os ovos liberam formas infectantes que atingem moluscos do gênero
        Biomphalaria, hospedeiros intermediários do ciclo, possibilitando posteriormente a
        infecção do hospedeiro definitivo. Diante disso, a doença está relacionada com as
        condições socioambientais, o contato com água contaminada e a deficiência de
        saneamento básico. O presente estudo teve como objetivo analisar a distribuição
        dos casos de esquistossomose no Brasil, no período de 2020 a 2024, com base em
        dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). No período
        analisado, foram registrados 13.025 casos confirmados, distribuídos em todo o
        território nacional. A região Sudeste concentrou o maior número de casos (8.715 -
        66,91%), seguida pela Nordeste (3.780 - 29,02%). As demais regiões apresentaram
        menor representatividade: Centro-Oeste (197 - 1,51%), Norte (181 - 1,39%) e Sul
        (152 - 1,17%). Entre as unidades federativas, destacou-se Minas Gerais,
        responsável por 7.302 casos (56,06%), seguido por Bahia (1.445 - 11,09%), São
        Paulo (1.076 - 8,26%) e Pernambuco (839 - 6,44%). Em relação ao sexo,
        observou-se predominância do sexo masculino em todos os estados analisados,
        com maior proporção em Minas Gerais, com 4.744 casos (36,42%), em comparação
        ao sexo feminino (2.555 - 19,62%). Portanto, os dados analisados reforçam que a
        infecção está fortemente associada à fatores de risco ambientais e
        comportamentais, especialmente o contato com água contaminada. Além disso, a
        alta concentração de casos em Minas Gerais pode estar relacionada à maior
        distribuição e densidade de moluscos do gênero Biomphalaria, contribuindo para a
        manutenção do ciclo do parasito na região, favorecendo a permanência da
        transmissão. Somando-se a isso, condições socioeconômicas desfavoráveis,
        incluindo a ausência de saneamento básico e o acesso limitado à água potável,
        contribuem significativamente para a manutenção e disseminação da infecção.
        Dessa forma, destaca-se a necessidade de fortalecimento de políticas públicas
        voltadas ao saneamento, à educação em saúde e ao controle do parasito S.
        mansoni
        , visando à redução da transmissão e dos impactos da doença.

        Palestrante: Maria Alice Guimarães
      • 10:20
        ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA FEBRE MACULOSA NO BRASIL COM ÊNFASE NO AMBIENTE DOMICILIAR 20m

        A febre maculosa é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela saliva de carrapatos, sendo o Amblyomma cajennense o principal vetor no Brasil. A enfermidade pode apresentar desde formas leves até quadros graves, com elevada letalidade quando não tratada adequadamente. Nesse contexto, destaca-se a importância do reconhecimento precoce da doença e da adoção de medidas de prevenção e controle. Este estudo propõe analisar as características epidemiológicas da febre maculosa no período de 2015 a 2025, com base em informações disponibilizadas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). Os casos confirmados avaliados foram os de ambiente de contaminação, onde o domiciliar apresentou maior número de casos, dentro dessa categoria a região sudeste se destacou com 55,25% das notificações, São Paulo apresenta o maior número de casos entre os estados (240), na sequência Minas Gerais (180), Rio de janeiro (63) e Espírito Santo (38). A região sul corresponde a 32,92% dos casos notificados, destacando-se Santa Catarina com maior número de ocorrências (304), seguida pelo Paraná (53) e pelo Rio Grande do Sul (10). As menores proporções de casos foram observadas no Nordeste, com 4,35%, o Centro-Oeste, com 1,38% e o Norte, com 0,11%. A maior concentração de casos no Sudeste e no Sul pode estar relacionada à ampla distribuição dos carrapatos vetores, à presença de hospedeiros animais e às condições ambientais favoráveis à manutenção do ciclo de transmissão. O predomínio de casos em ambiente domiciliar sugere exposição frequente da população a áreas com vegetação e animais no entorno das residências, favorecendo o contato com carrapatos infectados. Diante disso, as medidas de vigilância e controle da febre maculosa devem priorizar ações de educação em saúde, com ênfase na divulgação da doença, nas medidas preventivas e na orientação quanto à identificação de carrapatos.

        Palestrante: Renata Aparecida Correia
      • 10:20
        ASPECTOS CLÍNICO-PATOLÓGICOS DE DOIS POTROS DA RAÇA MANGALARGA MARCHADOR COM SALMONELOSE E SUA RELEVÂNCIA NO ÂMBITO DA SAÚDE ÚNICA 20m

        A salmonelose é uma enfermidade infectocontagiosa de etiologia bacteriana, causada por microrganismos do gênero Salmonella spp., frequentemente associada a quadros entéricos agudos, com possibilidade de evolução sistêmica. Sua ocorrência está diretamente relacionada a fatores predisponentes, como falhas no manejo sanitário e alimentar. Nesse contexto, o presente trabalho possui a finalidade de relatar dois casos de salmonelose em potros. Foram avaliados dois potros da raça Mangalarga Marchador, com histórico de ingestão de silagem de procedência inadequada. O primeiro animal deu entrada no hospital já em óbito, sendo observadas motilidade intestinal residual, mucosas cianóticas, presença de halo endotoxêmico na mucosa oral e leve distensão abdominal. O segundo potro apresentou diarréia escura por 4 dias e após episódio de privação hídrica acidental, evoluiu para desidratação severa e apatia. À admissão, apresentava tempo de preenchimento capilar de 4 segundos, mucosas pegajosas e arroxeadas com halo, desidratação estimada em 10%, esforço respiratório acentuado e alterações à ausculta cardíaca compatíveis com sopro hipovolêmico, caracterizando um quadro de pré-choque. No hemograma, observou-se leucocitose por neutrofilia e linfocitose associada à hiperfibrinogenemia e hemoconcentração. No perfil bioquímico, houve aumento de ureia, AST e lactato. Apesar da instituição de fluidoterapia e administração de hidrocortisona (4 mg/kg, IV), houve rápida evolução para óbito. Na necropsia, ambos os animais apresentaram alterações compatíveis com enteropatia aguda, incluindo conteúdo intestinal liquefeito e fétido, associado a lesões hemorrágicas. Histopatologicamente, observaram-se necrose de mucosa intestinal associada à trombose e presença de agregados bacterianos. Adicionalmente, foram evidenciadas alterações sistêmicas compatíveis com sepse, como lesões necróticas no fígado, congestão e hemorragia em múltiplos órgãos, trombose vascular e leucocitoestase. Diante do exposto, as lesões macroscópicas e histopatológicas associadas às manifestações clínicas observadas são sugestivas de salmonelose. Mediante a isso, evidencia-se a relevância na Saúde Única ao destacar o risco ocupacional a médicos-veterinários e demais profissionais expostos aos animais. Além de reforçar a influência de fatores ambientais na ocorrência da enfermidade, como a suspeita de ingestão de silagem de qualidade inadequada, bem como a possibilidade de transmissão indireta entre os animais.

        Palestrante: Rafaela de Toledo da Silva
      • 10:20
        ASPECTOS CLÍNICO-PATOLÓGICOS DE ENTERITE PIOGRANULOMATOSA ASSOCIADA A RHODOCOCCUS EQUI E SUA RELEVÂNCIA EM SAÚDE ÚNICA 20m

        Rhodococcus equi é um bacilo gram-positivo intracelular facultativo, amplamente distribuído no ambiente e importante agente de pneumonia piogranulomatosa em potros. Ademais, o agente possui manifestações extrapulmonares, como a enterite piogranulomatosa e abscessos em múltiplos órgãos. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo relatar o caso de um equino, de 5 anos, que apresentava prolapso retal associado a diarreia. À admissão no hospital veterinário, o animal manifestava hipermotilidade em todos os quadrantes do TGI, frequência cardíaca de 68 bpm, frequência respiratória de 54 mpm, turgor de 4 segundos, desidratação de 9%, mucosa hiperêmica com halo, desconforto, apatia e dificuldade para andar e se manter em pé. Em decorrência da deterioração progressiva do estado clínico geral, instituiu-se terapia com hidrocortisona (5 mg/kg, IV) e epinefrina (0,01 mg/kg, IV), contudo o paciente evoluiu para óbito na madrugada do mesmo dia. Na necropsia, observou-se presença de múltiplos nódulos e massas branco-amareladas ao longo do trato gastrointestinal, com destaque para o intestino delgado e grosso, associados a espessamento da parede, ulcerações e extensas áreas de aderências fibrosas entre alças intestinais e mesentério. Outrossim, visualizou-se linfonodomegalia colônica com formação de massa e de distensão do ceco com conteúdo líquido fétido. No fígado, evidenciou-se massa firme, heterogênea e aderida ao diafragma, enquanto no baço foram identificados nódulos branco-amarelados. Histopatologicamente, as lesões foram caracterizadas por enterite piogranulomatosa transmural, com proliferação de tecido conjuntivo fibroso, áreas de necrose e infiltrado inflamatório composto por macrófagos, linfócitos, plasmócitos e células gigantes multinucleadas. No fígado, observaram-se áreas de fibrose, proliferação de ductos biliares, necrose e infiltrado inflamatório crônico, além de focos de esteatose. Esses achados são compatíveis com processo piogranulomatoso disseminado, sugestivo de infecção por Rhodococcus equi. Mediante isso, evidencia-se sua relevância no contexto da Saúde Única, ao destacar o risco de infecção oportunista em humanos imunocomprometidos, sendo considerada uma zoonose minoritária, porém de grande importância quando se considera o risco ocupacional. Ademais, destaca-se que se trata de um agente ambiental amplamente distribuído no solo, o que reforça a dificuldade de seu controle sanitário.

        Palestrante: Rafaela de Toledo da Silva
      • 10:20
        AVANÇOS E DESAFIOS NA RESISTÊNCIA ANTIFÚNGICA EM MICOSES SISTÊMICAS – UMA REVISÃO INTEGRATIVA 20m

        As micoses sistêmicas configuram um importante problema de saúde pública, especialmente em indivíduos imunocomprometidos, estando associadas a elevadas taxas de morbimortalidade. Hodiernamente, escancarou-se o aumento expressivo dessas infecções, paralelamente à emergência da resistência antifúngica, o que limita as opções terapêuticas e agrava os desfechos clínicos. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada com base em artigos publicados entre 2021 e 2026 nas bases PubMed, Scopus, Cochrane e Google Scholar. Foram incluídos estudos completos, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a resistência antifúngica em micoses sistêmicas, seus mecanismos, implicações clínicas e estratégias de enfrentamento. Foram excluídos artigos duplicados, estudos sobre micoses superficiais, pesquisas sem correlação clínica, além de editoriais, resumos e publicações indisponíveis na íntegra. Foram contabilizados 1141, dos quais 20 foram selecionados após a aplicação dos critérios metodológicos. Assim, evidenciou-se um aumento significativo da resistência antifúngica, principalmente em espécies dos gêneros Candida e Aspergillus, incluindo patógenos emergentes multirresistentes. Entre os principais mecanismos identificados destacam-se mutações em genes-alvo (como ERG11 e FKS), superexpressão de bombas de efluxo, alterações na biossíntese do ergosterol, modificações na parede celular e formação de biofilmes, além de mecanismos epigenéticos e adaptações genômicas. Analisou-se ainda que o uso indiscriminado e prolongado de antifúngicos, especialmente em ambiente hospitalar, exerce forte pressão seletiva, favorecendo a emergência de cepas resistentes. Desse modo, tal questão compromete diretamente a eficácia terapêutica, estando associada a falhas no tratamento, aumento do tempo de internação e maior mortalidade. Além disso, destaca-se a relevância dos métodos diagnósticos, como testes de suscetibilidade e técnicas moleculares, para identificação precoce da resistência e melhor direcionamento terapêutico. A temática supracitada compõe crescente desafio para a prática clínica. Nesse contexto, estratégias como o uso racional de antifúngicos, monitoramento epidemiológico contínuo, implementação de programas de stewardship e o desenvolvimento de novos fármacos mostram-se fundamentais para conter a progressão da resistência e reduzir o impacto dessas infecções.

        Palestrante: Lucas do Amaral Cherem (UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO)
      • 10:20
        BOTULISMO ALIMENTAR NO BRASIL (2015–2025): ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA ASSOCIADA À TOXINA DE Clostridium botulinum 20m

        A neurotoxina botulínica produzida pelo agente etiológico Clostridium botulinum é a causadora do botulismo, uma doença neuroparalítica, rara e não contagiosa. Sua entrada no organismo pode ocorrer pela ingestão da toxina pré-formada no alimento, de extrema gravidade, causando quadro agudo e febril. Atualmente, o botulismo alimentar está associado principalmente a alimentos caseiros mal conservados e ao consumo de produtos industrializados de longa duração. O presente trabalho objetivou analisar os dados referentes ao botulismo alimentar no período de 2015 a 2025 através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). A partir dos dados disponíveis no período de 2015 á 2025, o Brasil registrou 69 casos de botulismo alimentar. Ao analisar a distribuição dos casos pelas regiões brasileiras, percebe-se que a região Sudeste destaca-se com 43,47% dos casos notificados, nesse cenário, São Paulo lidera com 13 registros, seguido por Minas Gerais (10), Rio de Janeiro (5) e Espírito Santo (2). Tal destaque no número de notificações pode ser explicado tanto pela maior densidade populacional quanto pela melhor estrutura de vigilância e capacidade diagnóstica. Em seguida, a região Nordeste responde por 26,08% das notificações, a Bahia (10) concentra o maior número de casos, seguida por Pernambuco (4), Ceará (3) e Rio Grande do Norte (1). Nas demais regiões, observa-se menor número de registros: o Norte concentra 14,49% dos casos, o Centro-Oeste 10,14% e o Sul 5,79%. Apesar da sua menor frequência em certas regiões, essa é uma doença bem grave, o que sublinha a necessidade crucial de reforçar as ações de vigilância e prevenção. Nesse cenário, é fundamental adotar cuidados com a higiene dos alimentos, em cada etapa — preparo, armazenamento, distribuição, e consumo. Ainda assim, o botulismo continua uma doença negligenciada, que muitas vezes é ligada a baixa percepção de risco, dificultando a efetiva implementação de medidas de vigilância e controle.

        Palestrante: Renata Aparecida Correia
      • 10:20
        COINFECÇÃO HIV-HISTOPLASMOSE: DESAFIOS CLÍNICOS E SOCIAIS EM UMA PACIENTE DE 19 ANOS 20m

        A histoplasmose é uma micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Histoplasma capsulatum, cuja infecção ocorre predominantemente por via inalatória. Embora costume se manifestar de maneira localizada, pode evoluir para a forma disseminada progressiva em indivíduos imunocomprometidos. No Brasil, a persistência de altas taxas de coinfecção, sobretudo com o HIV, mantém a doença como um desafio de saúde pública, dificultando o diagnóstico precoce e o manejo terapêutico adequado. Descrever as manifestações clínicas da histoplasmose em paciente com coinfecção por HIV, atendida em um hospital universitário de referência em Pernambuco. Paciente, 19 anos, sexo feminino, em situação de vulnerabilidade social, admitida com quadro de síndrome consumptiva, dor abdominal, tosse produtiva e episódios de distermia. Relatava histórico de uso crônico de substâncias psicoativas (cocaína, maconha e crack) e diagnóstico de infecção pelo HIV, sem terapia antirretroviral prévia. Ao exame físico, apresentava-se em estado geral grave, com sinais de choque séptico, emagrecida, desidratada e afebril. Possuía linfonodomegalia cervical bilateral, abscessos volumosos em couro cabeludo e distensão abdominal sugestiva de ascite. Exames laboratoriais confirmaram imunossupressão grave (anemia, leucopenia, plaquetopenia, hiponatremia e disfunção hepatorrenal). Iniciou-se anfotericina B de forma empírica, com resposta terapêutica favorável. O diagnóstico de histoplasmose foi confirmado por pesquisa de antígeno urinário, corroborando a hipótese clínica. A tomografia computadorizada de tórax e abdome revelou achados sugestivos de tuberculose disseminada: derrame pleural laminar bilateral, atelectasias subsegmentares e linfonodomegalias axilares e mediastinais. No abdome, observou-se ascite moderada associada a conglomerados linfonodais necróticos em cadeias retroperitoneais, ilíacas e raiz do mesentério. O diagnóstico de tuberculose permanece sob investigação. A associação entre HIV e histoplasmose representa um desafio crítico à saúde pública, frequentemente culminando em formas disseminadas da doença. Esse cenário é agravado pela vulnerabilidade da população em situação de rua, haja vista as dificuldades no acesso aos serviços de saúde, o atraso no diagnóstico e a baixa adesão ao tratamento, fatores que contribuem para a pior evolução clínica. Este relato ressalta a importância de políticas públicas voltadas ao combate da histoplasmose, sobretudo em pessoas vivendo com HIV.

        Palestrante: Lucas do Amaral Cherem (UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO)
      • 10:20
        COMUNICAÇÃO DIGITAL COMUNITÁRIA COMO FERRAMENTA DE VIGILÂNCIA ENTOMOLÓGICA NA DOENÇA DE CHAGAS EM ÁREA URBANA 20m

        A vigilância passiva, baseada na notificação voluntária de triatomíneos pela população, é um pilar essencial para o controle da doença de Chagas em áreas urbanas. Com a popularização das redes sociais, a comunicação digital tem se tornado um canal estratégico para a educação em saúde. O objetivo deste trabalho foi relatar a contribuição do uso de aplicativos de mensagens instantâneas na sensibilização comunitária para a identificação de vetores em Lavras, Minas Gerais. Após a confirmação laboratorial de um exemplar de Panstrongylus megistus infectado por Trypanosoma cruzi em uma residência urbana, a moradora, pesquisadora da área, utilizou o grupo de mensagens do bairro para realizar uma intervenção educativa. A ação consistiu no relato do caso real somado ao compartilhamento de cartilhas digitais oficiais da vigilância sanitária. Após a divulgação, um novo registro foi realizado por outro morador, que identificou um inseto com características compatíveis com triatomíneo do gênero Panstrongylus em uma praça pública da mesma localidade. Embora este segundo espécime não tenha sido capturado para análise laboratorial, o evento demonstrou um aumento imediato na percepção de risco da comunidade. A disseminação de informações técnicas em linguagem acessível via grupos de rede social ampliou rapidamente a circulação de informações no território. Conclui-se que a comunicação digital comunitária, quando baseada em informações confiáveis, fortalece a vigilância participativa ao estimular o envolvimento dos moradores na identificação e notificação de possíveis vetores, contribuindo para o monitoramento epidemiológico de doenças negligenciadas em áreas urbanas.

        Palestrante: Julia Lobato Campos Gomes (Bacharela em Medicina Veterinária, UFLA)
      • 10:20
        DESENHO E VALIDAÇÃO IN SILICO DE INICIADORES ESPECÍFICOS PARA GENES DE Leishmania infantum 20m

        A leishmaniose visceral zoonótica permanece como uma das principais doenças negligenciadas, com impacto significativo em saúde pública e desafios persistentes no seu controle, especialmente na identificação de cães assintomáticos, principais reservatórios urbanos do parasito. A Reação em Cadeia de Polimerase é uma das ferramentas mais versáteis da biologia molecular, amplamente utilizada na detecção de patógenos. No entanto, sua acurácia depende da especificidade dos iniciadores, que devem reconhecer exclusivamente o DNA do alvo, sem amplificar sequências de organismos filogeneticamente próximos ou do hospedeiro. Essa especificidade é frequentemente comprometida pela alta similaridade genômica entre espécies do gênero Leishmania, favorecendo amplificação inespecífica. Esse cenário é particularmente crítico em espécies com pouca divergência genética, como Leishmania infantum, dificultando o diagnóstico específico. Diante disso, assegurar a especificidade dos iniciadores é essencial para a confiabilidade dos ensaios moleculares. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo desenhar e avaliar, in silico, iniciadores específicos para L. infantum. Foram selecionados três genes-alvo: HSP60 (proteína de choque térmico 60), CPB (cisteína peptidase B) e G3PD (gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase), avaliados quanto à especificidade, propriedades termodinâmicas e simulação de amplificação por e-PCR. Os iniciadores direcionados aos genes HSP60 e CPB apresentaram propriedades adequadas e elevada especificidade, sem evidência de amplificação em genomas de hospedeiros. As simulações indicaram amplificação específica para HSP60, com amplicon único no cromossomo 32, e para CPB, no cromossomo 8, ainda que este último tenha apresentado múltiplos sítios potenciais de ligação. Em contraste, o iniciador para G3PD não apresentou viabilidade. Em conjunto, os resultados reforçam a importância da validação in silico no desenvolvimento de ensaios de PCR, contribuindo para a redução de falhas experimentais e para o direcionamento das etapas de validação em bancada.

        Palestrante: Jaqueline Pereira (UFLA)
      • 10:20
        DISTRIBUIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA LEPTOSPIROSE NO BRASIL: ANÁLISE POR FAIXA ETÁRIA E REGIÕES (2015–2025) 20m

        A Leptospirose é uma doença infecciosa de caráter zoonótico, causada por bactérias do gênero Leptospira. Sua transmissão acontece pelo contato direto ou indireto com o agente infectado. Associada a fatores comportamentais e socioambientais, é mais frequente em áreas de baixa renda, com impactos sociais e econômicos relevantes. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, tecidos ou urina de animais infectados, ou indiretamente por água, solo ou vegetação contaminados, com penetração pelas mucosas ou pele íntegra ou lesada. O presente estudo analisou o perfil epidemiológico da leptospirose no período de 2015 a 2025, com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). Com base nas informações de casos confirmados por faixa etária, as idades entre 20-39 anos obtiveram maior número, com destaque da região sudeste com percentual de 29,89%, São Paulo concentra o maior número de casos (2.181), seguido por Rio de Janeiro (778), Minas Gerais (702) e Espiríto Santo (301), a região sul apresenta uma taxa de 33,76%, Rio Grande do Sul lidera o número de registros (1.969), em seguida Paraná (1.441) e Santa Catarina (1.065). O restante das regiões apresentaram menor número de registros da doença, a porção norte registrou um índice de 16,06%, nordeste com 18,03% e o centro-oeste com 2,25%. Conclui-se que a leptospirose apresentou distribuição epidemiológica desigual no Brasil no período analisado, com maior acometimento de adultos jovens e concentração de casos nas porções Sul e Sudeste. Esses achados reforçam a influência de fatores socioambientais na ocorrência da doença e evidenciam a necessidade de fortalecer ações de prevenção, vigilância epidemiológica, saneamento básico e educação em saúde, especialmente nas áreas mais afetadas.

        Palestrante: Renata Aparecida Correia
      • 10:20
        ESPOROTRICOSE FELINA EMERGENTE EM LAVRAS-MG: ANÁLISE DO PERFIL DOS CASOS NOTIFICADOS ENTRE 2024-2026 20m

        A esporotricose é caracterizada como uma micose de implantação, provocada por fungos do complexo Sporothrix spp.. Essa doença negligenciada, tornou-se um problema de saúde pública, configurando-se como uma zoonose emergente especialmente no Brasil, onde a principal espécie associada a essa via é S. brasiliensis. Os felinos domésticos se destacam por serem os principais acometidos e transmissores da doença. A transmissão se dá por meio de ferimentos ocasionados por arranhadura, mordedura ou pelo do contato direto de lesões sem proteção e ainda através de gotículas eliminadas durante o espirro dos felinos, podendo comprometer a pele, o sistema linfático e outros órgãos. Nesta perspectiva, o presente estudo objetivou analisar o perfil epidemiológico da esporotricose felina no município de Lavras, com enfase na possível associação entre o sexo dos felinos dométicos e ocorrência de infecção. O estudo de corte transversal e descritivo, analisou dados secundários provenientes da Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) no período de janeiro de 2024 a março de 2026. Foram analisados no total 113 registros de esporotricose, revelando maior ocorrência da doença em gatos machos (61,4%), com as fêmeas compondo (31,6%) dos registros. Em relação à situação de domicílio, verificou-se que a parcela predominante dos animais (62,8%) eram errantes, ao passo que os domiciliados corresponderam a (37,2%) dos casos. Esses indicadores relacionam-se ao comportamento típico da espécie, como o costume de afiar as unhas em troncos e enterrar dejetos com o solo, favorecendo a presença do fungo de baixo das unhas. Ademais, a postura de defesa territorial dos machos os sujeita a confrontos, ocasionando a transmissão do fungo por meio de mordidas e arranhões. No caso das fêmeas, a transmissão ocorre principalmente durante o acasalamento, uma vez que o macho pode morder a região cervical da parceira para imobilizá-la durante a cópula. Com base nestes dados, pode-se concluir que a esporotricose ocorre com maior frequência em gatos machos com acesso à rua, evidenciando a associação entre o sexo dos felinos e a ocorrência da infecção. Assim, ressalta-se a necessidade de estratégias como ações de educação em saúde sobre a zoonose, elaboração de panfletos informativos, campanhas de castração gratuita e orientações para não permitir que os felinos tenham acesso à rua, visando promover a integração de Uma Só Saúde e diminuir a propagação da esporotricose felina no município.

        Palavras-chaves: felinos domésticos; machos; errantes; zoonose
        Apoio ou financiamento: FAPEMIG, CNPq e UFLA

        Palestrante: Estéfane Pereira da Silva (Cerimonial)
      • 10:20
        HANSENÍASE NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE POPULAÇÃO INDÍGENA E POPULAÇÃO GERAL, NO PERÍODO DE 2015 A 2024. 20m

        A hanseníase, causada por Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica e negligenciada que permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais e limitações no acesso aos serviços de saúde. Sua persistência está associada à manutenção da transmissão ativa e a desafios na detecção precoce dos casos, sobretudo em populações vulnerabilizadas. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo analisar a ocorrência de hanseníase no estado do Rio de Janeiro no período de 2015 a 2024, com ênfase na comparação entre a população indígena e a população geral. Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram analisadas as taxas de incidência (por 100 mil habitantes). A população indígena foi estimada pela média dos Censos do IBGE de 2010 e 2022, enquanto a população geral foi obtida por meio de projeções anuais do DATASUS/IBGE. No período analisado, foram registrados 8 casos de hanseníase na população indígena e 7.886 casos na população geral. A incidência acumulada na população indígena foi de 50 casos por 100 mil habitantes, superior à da população geral (45 casos por 100 mil habitantes). A incidência média anual foi estimada em aproximadamente 5,0 casos por 100 mil habitantes/ano na população indígena e 4,6 casos por 100 mil habitantes/ano na população geral. Observou-se acentuada instabilidade nas taxas anuais na população indígena, com ausência de registros em 2021, seguida de aumento em 2022 e 2023, com valores superiores a 6 casos por 100 mil habitantes. Esse padrão pode estar relacionado à redução das ações de vigilância durante a pandemia de COVID-19, com subnotificação e represamento de casos, sugerindo cenário de endemia oculta. A população indígena apresentou variações ao longo do período, enquanto a população geral apresentou menor variabilidade nas taxas anuais, o que pode sugerir diferenças na regularidade da detecção dos casos. A ausência de registros em 2024 na população indígena pode refletir dados preliminares e fragilidades na vigilância. Os achados evidenciam a manutenção da hanseníase como endemia no estado, com maior frequência em populações específicas, reforçando a necessidade de fortalecer a vigilância ativa e passiva, ampliar o diagnóstico precoce e intensificar estratégias territorializadas para interrupção da transmissão.

        Palestrante: Sr. Thiago de Oliveira Loures (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)
      • 10:20
        LEISHMANIOSE VISCERAL: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS E FATORES ASSOCIADOS (2015- 2025) 20m

        A leishmaniose visceral (LV) é uma zoonose causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida ao ser humano pela picada da fêmea do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis) infectada. Nas Américas, o principal agente etiológico é Leishmania infantum. Clinicamente, a doença caracteriza-se por febre prolongada, perda de peso, hepatoesplenomegalia, anemia e comprometimento imunológico, podendo evoluir para óbito em decorrência de complicações como hemorragias, infecções bacterianas, anemia grave, diarreia e alterações cardíacas. No Brasil, a vigilância epidemiológica da LV é realizada por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), coordenado pelo Ministério da Saúde, responsável pelo registro e monitoramento de doenças de notificação compulsória. Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição espacial e temporal dos casos confirmados de leishmaniose visceral entre 2015 e 2025, com base em dados do SINAN, identificando os estados mais afetados e discutindo a influência de fatores socioeconômicos na manutenção e expansão da doença. Foram analisadas as variáveis Unidade Federativa de infecção, ano de notificação e casos confirmados no período proposto. Observou-se elevada concentração de novos casos nos estados do Maranhão (4.249 casos), Minas Gerais (3.020), Pará (2.657), Ceará (2.617), Bahia (1.799), Tocantins (1.472) e Piauí (1.430). Em relação aos casos de recidiva, destacaram-se Maranhão (479), Minas Gerais (252), Ceará (223), Tocantins (109), Piauí (106), Bahia (82) e Pará (74). Os dados indicam que a maior incidência nessas regiões está associada a determinantes socioeconômicos, como precariedade habitacional, deficiência de saneamento básico e acesso limitado aos serviços de saúde, fatores que favorecem a manutenção do ciclo de transmissão. Além disso, observa-se crescente urbanização da doença, possivelmente relacionada ao crescimento desordenado das cidades, especialmente em áreas periféricas com infraestrutura inadequada, aliado às mudanças climáticas que favorecem a proliferação do vetor. Conclui-se que a leishmaniose visceral permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, demandando o fortalecimento da vigilância epidemiológica, ampliação do diagnóstico precoce, intensificação das ações de controle vetorial e implementação de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais.

        Palestrante: Adrieli Alves Vieira (Mestranda em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)
      • 10:20
        MONITORAMENTO ENTOMOLÓGICO DE Aedes aegypti (DIPTERA: CULICIDAE) COM USO DE OVITRAMPA NA MORADIA ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS 20m

        As arboviroses, vírus transmitidos por artrópodes, como do gênero Orthoflavivirus responsável pela dengue, constituem um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. O mosquito Aedes aegypti, principal transmissor desse vírus, possui grande adaptação ao ambiente urbano. No Brasil, os ciclos sazonais de chuva e calor estabelecem as condições favoráveis para a incidência dessas doenças. Este trabalho tem como objetivo monitorar a ocorrência de A. aegypti, na moradia estudantil da UFLA, relacionando sua presença com fatores ambientais. Utilizou-se uma ovitrampa confeccionada com garrafa PET previamente higienizada com água e detergente. Foi cortada a cerca de 17,5 cm e revestida com papel contact preto, contendo uma palheta de eucatex, medindo aproximadamente 4,90cm x 13cm, utilizada como substrato para oviposição. O atrativo consistiu em uma solução de 80% de água e 20% de infusão de feno misturados e fermentada em BOD por 24 horas a 28 °C. A armadilha foi instalada no bloco dois da moradia estudantil, possuindo 126 moradores, e inspecionada semanalmente, durante três semanas, a cada 7 dias, a armadilha era retirada e a identificação de ovos e de estágios imaturos feita. Paralelamente, efetuou-se uma inspeção ambiental, com o intuito de verificar possíveis locais, ao redor da ovitrampa, favoráveis para a reprodução do mosquito, revelando a ausência de recipientes com água parada, mas constatando a presença de um córrego, mata densa nas proximidades da armadilha e diversos vasos de plantas espalhados pelo bloco. Ao fim do levantamento, registraram-se: na primeira semana, 80 ovos e 0 larva (clima ensolarado); na segunda semana, 197 ovos e 10 larvas (semana chuvosa); e, na terceira semana, 170 ovos e 0 larva (semana ensolarada). A partir de análises morfológicas, a espécie encontrada foi identificada como A. aegypti. Baseado nestes resultados, pode-se concluir que elementos ambientais, como as condições sazonais de chuva e calor, associados à presença e às ações humanas desempenham um papel crucial na disseminação do A. aegypti. Essas circunstâncias enfatizam a importância da constante supervisão entomológica para a proteção dos residentes e funcionários da moradia estudantil.
        Palavras-chaves: Arboviroses; Saúde Pública; Controle de Vetores; Fatores Ambientais.
        Apoio ou financiamento: CAPES, CNPq, FAPEMIG e UFLA.

        Palestrante: Estéfane Pereira da Silva (Cerimonial)
      • 10:20
        PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO DA LEISHMANIOSE VISCERAL EM GESTANTES NO SEGUNDO TRIMESTRE GESTACIONAL (2015–2025) 20m

        A leishmaniose visceral é denominada como uma das principais doenças zoonóticas transmitidas por vetores no Brasil. Atualmente, apresenta ampla distribuição no território nacional, e seu controle representa um desafio tanto para a medicina veterinária quanto para a saúde pública. O agente etiológico é Leishmania infantum, sendo a fêmea do flebotomíneo Lutzomyia longipalpis, popularmente conhecido como mosquito-palha, responsável pela transmissão. Entre os reservatórios identificados, o cachorro é considerado o mais importante no ambiente doméstico. Este estudo analisou o perfil epidemiológico da leishmaniose visceral em gestantes no segundo trimestre de gestação, ponderando os casos confirmados no período de 2015 a 2025, com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os dados disponibilizados, indicaram maior ocorrência de casos no segundo trimestre gestacional, com predominância na região Nordeste, que concentram 44,74% dos registros, seguida pelas regiões Norte (21,05%), Centro-Oeste (18,42%), Sudeste (13,16%) e Sul (2,63%). A maior número de registros no Nordeste e Norte pode ser explicada pelas condições climáticas favoráveis ao vetor e por fatores socioeconômicos, como saneamento precário. Já o menor número de casos no Sul está relacionado, principalmente, às temperaturas mais baixas, que dificultam a proliferação do mosquito.

        Palestrante: Renata Aparecida Correia
      • 10:20
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA ESPOROTRICOSE NO MUNICÍPIO DE LAVRAS NO CONTEXTO DA SAÚDE ÚNICA 20m

        A esporotricose é uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix, transmitida principalmente por inoculação traumática. No Brasil, destaca-se a forma zoonótica associada a felinos, ampliando sua relevância em saúde pública. Classificada como doença negligenciada, apresenta limitações na vigilância e maior impacto em populações vulneráveis. Objetivou-se analisar a ocorrência da esporotricose em humanos e felinos no município de Lavras-MG, entre 2018 e 2023. Trata-se de um estudo descritivo, baseado em dados provenientes de boletim epidemiológico da Vigilância em Saúde de Lavras-MG, referente ao período de 2018 a 2023. A análise dos dados epidemiológicos evidenciou tendência crescente na ocorrência da doença, tanto em humanos quanto em felinos, configurando um cenário compatível com a expansão de zoonoses urbanas. Em humanos, observou-se aumento de 0 casos em 2018 para 19 em 2023. Em felinos, os registros passaram de 5 para 43 casos no mesmo período. Quanto à distribuição por sexo, verificou-se maior acometimento de mulheres no grupo humano, com destaque para 13 casos em 2023, enquanto, nos felinos, observou-se predominância de machos (119 casos) em relação às fêmeas (32 casos). A tendência crescente e paralela entre humanos e felinos sugere forte associação epidemiológica, reforçando o papel dos gatos como principais reservatórios no ciclo urbano da doença. Entretanto, esse aumento deve ser interpretado com cautela, podendo refletir tanto a expansão da enfermidade quanto o aprimoramento das ações de vigilância epidemiológica e da capacidade de detecção dos casos. A capacitação das equipes de saúde e o fortalecimento da notificação podem ter contribuído para o aumento da sensibilidade do sistema. Ainda assim, a manutenção do crescimento indica circulação ativa do agente no ambiente. A predominância de machos entre os felinos pode estar associada a fatores comportamentais, enquanto o maior acometimento em mulheres sugere maior exposição no manejo de animais. A esporotricose mantém características de doença negligenciada, com subnotificação e associação a determinantes sociais da saúde. Conclui-se que a esporotricose apresenta tendência crescente em Lavras-MG, constituindo importante problema de saúde pública. Ressalta-se a necessidade de estratégias integradas no contexto da Saúde Única, com fortalecimento da vigilância, controle populacional de felinos, diagnóstico precoce e educação em saúde.

        Palestrante: Bruno Correa Montes (Centro Universitário de Lavras)
      • 10:20
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA FEBRE MACULOSA EM MINAS GERAIS 20m

        A Febre Maculosa Brasileira (FMB) é uma doença febril aguda endêmica da região
        Sudeste do Brasil, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida pela
        picada de carrapatos do gênero Amblyomma. Em Minas Gerais, a doença apresenta
        relevância epidemiológica devido à ocorrência de casos no estado e ao impacto em
        saúde pública associado à sua evolução clínica potencialmente grave, sendo sua
        manutenção relacionada à presença de vetores e às condições ambientais
        favoráveis à sua circulação. Deste modo, este estudo objetiva analisar o perfil
        epidemiológico da FMB em Minas Gerais no período de 2020 a 2025. Estudo
        descritivo, baseado em dados secundários provenientes do Sistema de Informação
        de Agravos de Notificação (SINAN), acessados por meio da plataforma TABNET/
        DATASUS, considerando casos confirmados e óbitos por FMB no estado de Minas
        Gerais entre 2020 e 2025. No período analisado, foram registrados 20 (2020), 43
        (2021), 26 (2022), 72 (2023), 102 (2024) e 57 (2025) casos confirmados de Febre
        Maculosa em Minas Gerais. Observa-se aumento geral no número de casos ao
        longo da série, com pico em 2024, seguido de redução em 2025, embora ainda em
        níveis superiores aos observados no início do período. Em relação aos óbitos, foram
        registrados 5 (2020), 11 (2021), 6 (2022), 15 (2023), 4 (2024) e 7 (2025) casos no
        mesmo intervalo, evidenciando variação anual, com maior número de óbitos em
        2023 e redução em 2024, seguida de discreto aumento em 2025. O padrão
        observado sugere variação temporal na ocorrência de casos e óbitos ao longo do
        período analisado, com oscilações nos registros anuais da doença no estado. A
        FMB em Minas Gerais apresentou variação no número de casos e óbitos no período
        de 2020 a 2025, com aumento geral de casos ao longo da série e oscilações na
        mortalidade. Os achados reforçam a importância da vigilância epidemiológica
        contínua da doença no estado, considerando sua relevância em saúde pública.

        Palestrante: Isadora Musolino da Cunha
      • 10:20
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA HANTAVIROSE NO BRASIL E OS DESAFIOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 20m

        A hantavirose é uma zoonose causada por vírus do gênero Orthohantavirus,
        transmitida principalmente por roedores silvestres infectados. A infecção humana
        ocorre, pela inalação de aerossóis contendo partículas virais provenientes de
        excretas, como urina, fezes e saliva desses reservatórios. No Brasil, a doença
        apresenta distribuição espacial heterogênea, associada a fatores ecológicos,
        ocupacionais e ambientais, com ocorrência predominante em áreas rurais e
        periurbanas. Caracteriza-se por elevada taxa de letalidade, especialmente nos
        casos de síndrome cardiopulmonar, sendo importante agravo à saúde pública.
        Nesse contexto, a vigilância epidemiológica desempenha papel fundamental na
        detecção precoce, notificação, investigação e monitoramento dos casos,
        subsidiando a implementação de medidas de prevenção e controle. Diante disso,
        este estudo objetiva analisar o perfil epidemiológico da hantavirose no Brasil. Tratase de um estudo descritivo com abordagem qualitativa, baseado em revisão
        narrativa da literatura. Foram utilizados dados secundários provenientes do Sistema
        de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e relatórios de vigilância
        epidemiológica do Brasil e do estado de Minas Gerais. A literatura evidencia que a
        hantavirose no Brasil apresenta distribuição regional heterogênea, com maior
        concentração de casos nas regiões Sudeste e Sul. Esse padrão está relacionado a
        características ambientais, presença de roedores silvestres e atividades
        agropecuárias, que aumentam a exposição humana ao agente etiológico. O perfil
        epidemiológico envolve predominantemente indivíduos do sexo masculino, adultos
        jovens e com histórico de exposição ocupacional ou em ambiental de risco. Dados
        de Minas Gerais demonstram discrepância entre notificações e casos confirmados,
        sugerindo limitações diagnósticas e possível subnotificação. Além disso, observa-se
        elevada letalidade entre os casos confirmados, reforçando a gravidade clínica da
        doença. Esse cenário corrobora a existência de padrões semelhantes na série
        histórica nacional, além de evidenciar fragilidades na consolidação e na vigilância
        dos dados epidemiológicos. Conclui-se que a hantavirose permanece como uma
        zoonose de relevância epidemiológica no Brasil, marcada por elevada letalidade,
        distribuição regional heterogênea e desafios relacionados ao diagnóstico e à
        vigilância epidemiológica. Esses aspectos indicam a necessidade de fortalecimento
        dos sistemas de notificação e vigilância com vistas à detecção precoce e à redução
        da morbimortalidade associada à doença.

        Palestrante: Isadora Musolino da Cunha
      • 10:20
        RAIVA HUMANA NO BRASIL: AVALIAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO CICLO AÉREO E SEUS FATORES DETERMINANTES 20m

        A raiva é uma zoonose viral aguda, de alta letalidade e relevância em saúde pública. É causada por vírus do gênero Lyssavirus (família Rhabdoviridae), sendo transmitida principalmente pela inoculação de saliva contaminada por mordeduras, arranhaduras ou partículas virais aerossolizadas. No Brasil, observa-se mudança no perfil epidemiológico, com predomínio dos quirópteros como principais reservatórios, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O controle constitui um desafio sanitário, exigindo integração entre vigilância epidemiológica, profilaxia e conservação ambiental. Este estudo tem como objetivo analisar os casos de raiva humana no Brasil associados à transmissão por morcegos hematófagos, com foco nos fatores ambientais, socioeconômicos e ecológicos envolvidos. Trata-se de um estudo descritivo, fundamentado na análise de dados secundários provenientes de fontes oficiais, como SINAN, Ministério da Saúde, OMS e Fiocruz, abrangendo o período de 2010 a 2024. A análise concentrou-se na incidência da doença, bem como na identificação de fatores epidemiológicos e medidas de vigilância e controle. Os resultados apontam um cenário preocupante quanto aos casos de raiva humana transmitida por morcegos no Brasil, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, onde a vulnerabilidade social e as condições ambientais favorecem o contato entre humanos e esses animais. Nota-se a necessidade de intensificar as estratégias de vigilância e controle, priorizando áreas com maior concentração de casos e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. A raiva permanece como um grave problema de saúde pública no país, impulsionado por mudanças no perfil epidemiológico, nas quais os morcegos hematófagos, tornaram-se os principais reservatórios. Esse processo está relacionado a fatores antrópicos, como desmatamento, urbanização e expansão agrícola, que modificam o habitat natural e aproximam esses animais das populações humanas. A situação é agravada em áreas rurais e isoladas, devido o subdiagnóstico e a limitação no acesso à profilaxia pós-exposição. Conclui-se que, apesar dos avanços, a raiva ainda representa um relevante desafio no Brasil. Torna-se fundamental fortalecer ações integradas, ampliar o acesso aos serviços de saúde e promover educação em saúde, além de conscientizar a população sobre a prevenção e a importância dos morcegos no ciclo aéreo da doença.

        Palestrante: Bruno Correa Montes (Centro Universitário de Lavras)
      • 10:20
        RELATO DE CASO DE CÃO COM LEISHMANIOSE: UM RISCO PARA A SAÚDE ÚNICA 20m

        A Leishmaniose, uma zoonose causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida pela picada do flebotomíneo Lutzomyia longipalpis, tem nos cães o seu principal reservatório urbano. Na espécie canina, a enfermidade frequentemente se manifesta por meio de alopecia, onicogrifose, caquexia, e lesões cutâneas, principalmente nas extremidades auriculares. Nesses animais não se observa cura parasitológica, apenas remissão clínica. Em seres humanos, a doença apresenta cura clínica e parasitológica, podendo manifestar-se nas formas cutânea, mucocutânea e visceral. O presente relato visa descrever a ocorrência de um caso de leishmaniose canina e ressaltar a relevância da patologia no contexto da Saúde Única. O caso refere-se a um cão macho, não castrado, sem raça definida (SRD), com treze anos. Na anamnese, o tutor informou que o animal apresentava emagrecimento progressivo, hiporexia, além de episódios de êmese, diarreia e epistaxe. Ademais, foi relatada infestação crônica por carrapatos. O exame físico revelou alopecia e caquexia. Como exames complementares, foram solicitados hemograma, perfil bioquímico, sorologia para leishmaniose e hemoparasitose, e ultrassonografia abdominal. O hemograma demonstrou anemia normocítica normocrômica e leucopenia. O perfil bioquímico evidenciou elevação dos níveis de ureia, proteínas totais e globulinas. A ultrassonografia revelou alterações esplênicas, hepáticas e renais, estas últimas possivelmente associadas à senescência. A sorologia para leishmaniose detectou títulos de anticorpos elevados (1:160), sugerindo fortemente infecção ativa. Inicialmente, foram prescritos antiparasitário oral e coleira repelente, crucial para a prevenção da disseminação da Leishmania pelos vetores. A confirmação da leishmaniose foi obtida pelo PCR em amostra de medula óssea, e o caso foi devidamente notificado. O responsável optou pelo tratamento após a confirmação. O tratamento consistiu em miltefosina (a cada 24 horas, por 28 dias), domperidona (a cada 12 horas, por 60 dias), alopurinol (a cada 12 horas, por seis meses) e prednisolona (a cada 24 horas, por sete dias). O paciente permanece em tratamento, com acompanhamento periódico por toda a vida. Conclui-se que a leishmaniose representa uma zoonose de significativa importância para a Saúde Única, visto que afeta inúmeros cães, que se tornam reservatórios da Leishmania por longos períodos, se não forem corretamente diagnosticados, tratados ou submetidos à eutanásia.

        Palestrante: Myllena Ribeiro Correa (Universidade Federal de Lavras)
      • 10:20
        TECNOLOGIAS EMERGENTES APLICADAS AO COMBATE À DENGUE: REVISÃO DA LITERATURA 20m

        A dengue permanece sendo um dos principais desafios de saúde pública em regiões tropicais e subtropicais, exigindo estratégias inovadoras para diagnóstico, tratamento e controle vetorial. Nos últimos anos, avanços tecnológicos têm ampliado a capacidade de resposta à doença, uma vez que a inovação tecnológica tem sido crucial para melhorar o diagnóstico, o manejo clínico e a redução da população de mosquitos. Tecnologias como métodos moleculares, biotecnologia, sensores e sistemas digitais vêm transformando o enfrentamento da enfermidade. Esse estudo teve como objetivo analisar as inovações tecnológicas mais recentes aplicadas ao diagnóstico, tratamento e controle da dengue, com base em estudos publicados nos últimos dez anos. A busca foi realizada nas bases PubMed e SciELO, utilizando os descritores dengue, treatment e technology. A triagem ocorreu no software Rayyan® QRCI, permitindo a exclusão de duplicatas e artigos de revisão. Dos 107 artigos identificados, 21 atenderam aos critérios de elegibilidade. Os estudos analisados evidenciaram avanços no diagnóstico, incluindo Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa (RT-PCR), Amplificação Isotérmica Medida por Loop (LAMP), sensores eletroquímicos e biomarcadores séricos. No controle vetorial, destacaram-se armadilhas autocidas modificadas, Tecnologia do Inseto Estéril (SIT), Técnica do Inseto Incompatível (IIT), nanopartículas com ação antiviral e mosquitocida, além do uso de drones para identificação e tratamento de criadouros. As estratégias de monitoramento incluíram sistemas móveis de coleta de dados, modelagem computacional e ferramentas de inteligência artificial para previsão de surtos. No campo terapêutico e preventivo, vacinas baseadas em partículas semelhantes a vírus e o reposicionamento de fármacos surgem como alternativas promissoras. As tecnologias emergentes analisadas apresentam grande potencial para aprimorar o diagnóstico, tratamento e controle vetorial da dengue, fortalecendo a vigilância epidemiológica e contribuindo para a redução da transmissão. Os achados reforçam a importância da inovação como ferramenta essencial para mitigar o impacto da dengue e orientar estratégias mais eficazes de saúde pública.

        Palestrante: Elaine Carvalho Santana
      • 10:20
        TOXOPLASMOSE GESTACIONAL NO BRASIL: UM PANORAMA A PARTIR DOS DADOS NACIONAIS ENTRE OS ANOS DE 2019 A 2025 20m

        A toxoplasmose é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, cujo ciclo biológico envolve os felinos como hospedeiros definitivos. Esses animais eliminam o parasito no ambiente por meio das fezes, contaminando solo, água e alimentos, o que favorece a infecção de diversas espécies, incluindo aves, mamíferos e seres humanos. Além disso, destaca-se a transmissão vertical, na qual o parasito pode atravessar a placenta durante a gestação, infectando o feto e podendo comprometer seu desenvolviment. Nesse contexto, a doença apresenta elevada relevância para a saúde pública, especialmente devido às repercussões gestacionais e ao risco de infecção congênita. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos casos de toxoplasmose gestacional notificados no Brasil entre 2019 e 2025 baseada em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), com foco na evolução clínica, nos desfechos e na distribuição geográfica, além de discutir a importância do diagnóstico precoce e da qualidade das informações registradas nos sistemas de vigilância. Dados do SINAN indicam a ocorrência de 74.954 casos no período analisado . Observou-se que a cura foi o desfecho mais frequente, com 39.989 registros, sugerindo adequada assistência pré-natal na maioria dos casos. A mortalidade materna apresentou baixos índices, com 42 óbitos atribuídos diretamente à doença e 40 por outras causas, evidenciando baixa letalidade. Regionalmente, as maiores concentrações de casos ocorreram no Nordeste e Sudeste, com destaque para estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Ceará. Contudo, chama atenção o elevado número de registros incompletos, totalizando 34.883 casos ignorados ou em branco, o que limita análises mais precisas. Portanto, conclui-se que a toxoplasmose gestacional permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil. Apesar dos desfechos majoritariamente favoráveis, é fundamental fortalecer ações de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento das gestantes, bem como aprimorar a qualidade dos registros epidemiológicos, visando subsidiar estratégias mais eficazes de controle da doença.

        Palestrante: Adrieli Alves Vieira (Mestranda em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)
    • 12:40 13:00
      Dia 1 - 22/05/2026: Bloco 2 - Avaliação Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 12:40
        AUSÊNCIA DE IMPACTO COGNITIVO-COMPORTAMENTAL DA COMBINAÇÃO DOS ANTIMALÁRICOS ARTESUNATO / AMODIAQUINA EM CAMUNDONGOS C57BL/6 SADIOS 20m

        A malária, uma doença infecciosa parasitária tropical causada por um protozoário do gênero Plasmodium, é considerada um problema grave de saúde pública. O seu diagnóstico oportuno e tratamento adequado corresponde, junto com o combate aos vetores, a base das estratégias para o controle de sua transmissão. Os modelos experimentais de malária permitem estudar diversos aspectos da doença. O presente trabalho estudou o efeito da combinação de 12mg/kg ou 24mg/kg de amodiaquina (AQ, via gavagem), e 50mg/kg de artesunato (ART, via intraperitoneal) no desempenho cognitivo-comportamental de camundongos saudáveis, esquema terapêutico identificado por nós como eficiente para o tratamento e a cura radical no modelo experimental de malária não grave pela cepa NK65 de Plasmodium berghei em camundongos C57BL/6. Os animais foram tratados por sete dias com a combinação dos antimaláricos e submetidos, no 12º dia após o fim do tratamento, a uma bateria de testes comportamentais padronizados (teste do campo aberto - para avaliação de atividade locomotora, exploratória e indicadora de ansiedade, teste de localização de objeto - para avaliação da memória espacial, teste do reconhecimento de objeto novo - para avaliação da memória de curto e longo prazo e reconhecimento de novos estímulos e teste claro/escuro - para avaliação do comportamento ansioso). Não houve diferença no desempenho cognitivo-comportamental entre os grupos tratado e controle não tratado, com quaisquer das combinações de doses dos antimaláricos. O estudo oferece subsídios para a consolidação de um modelo experimental para o estudo de sequelas cognitivo-comportamentais pós-malária tratada com a combinação ART-AQ.

        Palestrante: RIZIA MARIA DA SILVA (Laboratório de Pesquisa em Malária, Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro, RJ, Brasil; Laboratório de Biologia de Malária e Toxoplasmose (Labmat), Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, RN, Brasil)
      • 12:40
        CARDIOMIOPATIA CHAGÁSICA: AVANÇOS NO DIAGNÓSTICO E NO MANEJO CLÍNICO 20m

        A Doença de Chagas corresponde a uma parasitose negligenciada de grande impacto na saúde pública, especialmente em países da América Latina, sendo causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Dentre as suas manifestações crônicas, destaca-se a cardiomiopatia chagásica, considerada a forma mais grave da doença, associada a elevada morbimortalidade. Estima-se que uma parcela significativa dos indivíduos infectados evolua para comprometimento cardíaco ao longo dos anos, caracterizado por alterações estruturais e elétricas do miocárdio. A fisiopatologia da cardiomiopatia chagásica envolve resposta inflamatória crônica, destruição de fibras miocárdicas e desenvolvimento de fibrose, resultando em disfunção ventricular e distúrbios de condução. Clinicamente, os pacientes podem apresentar insuficiência cardíaca, arritmias complexas e risco aumentado de morte súbita, responsável por 55%-60% dos óbitos. O diagnóstico baseia-se na associação de sorologia positiva para Trypanosoma cruzi e na identificação de alterações cardíacas por meio de exames como eletrocardiograma e ecocardiograma. Nos últimos anos, avanços diagnósticos incluem métodos de imagem mais sensíveis, como a ressonância magnética para detecção precoce de fibrose miocárdica, além do desenvolvimento de testes sorológicos mais específicos e da aplicação emergente de inteligência artificial na análise de eletrocardiogramas. O benznidazol é o medicamento de primeira linha para o tratamento da Doença de Chagas, uma vez que é o que apresenta maior tolerância, disponibilidade e eficácia comprovada. Nos casos da doença aguda, as taxas de sucesso são altas, com eliminação do parasita e cura alcançadas em 60% a 90% dos casos. No entanto, na fase crônica da doença não há comprovação da eficácia do benznidazol, apesar de ocorrer a redução da carga parasitária em infecções de longa duração. Nesse contexto, estudos atuais indicam que a terapia antitripanossômica em cardiopatias já estabelecidas provavelmente não altera os desfechos clínicos. Há poucos ensaios clínicos que analisam o tratamento de cardiomiopatias em pacientes com Chagas, portanto, normalmente, utiliza-se fármacos indicados para o tratamento de outras doenças cardíacas, como os inibidores da enzima conversora de angiotensina e os betabloqueadores. Dessa forma, a cardiomiopatia chagásica evidencia a complexidade dessa condição negligenciada, destacando a importância do diagnóstico precoce e da busca por novas abordagens terapêuticas mais eficazes.

        Palestrante: Júlia de Souza Lopes (UFLA)
      • 12:40
        COINFECÇÃO POR SPOROTHRIX SPP. E CRYPTOCOCCUS SPP. EM FELINO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: DESAFIOS DIAGNÓSTICOS, TRATAMENTO E IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE PÚBLICA 20m

        Esporotricose e Criptococose acometem diversos mamíferos, incluindo humanos. Apesar de apresentarem manifestações clínicas semelhantes, que dificultam o diagnóstico diferencial em áreas endêmicas, sua ecoepidemiologia é distinta. Esporotricose zoonótica é uma micose subcutânea causada por Sporothrix spp., que tem gatos domésticos como reservatórios, sendo a disseminação fúngica favorecida pelos seus hábitos semi-domiciliares e interações agressivas, e a transmissão decorrente, principalmente, da inoculação do fungo na pele. Já criptococose é uma micose sistêmica causada por Cryptococcus spp., relacionada à inalação de propágulos presentes no ambiente, especialmente em fezes de pombos. Assim, este relato objetiva narrar caso de coinfecção fúngica em gato macho, idoso, não castrado e semi-domiciliado, com espirros recorrentes e estertores pulmonares, acompanhados de extensa lesão cutânea edemaciada em plano nasal, com áreas ulceradas milimétricas, exsudativas, crostosas e de erosão segmentar, além de áreas alopécicas e crostosas em ponta de orelhas. Na anamnese, o responsável relatou diagnóstico prévio de esporotricose por arranhadura do felino, tratado previamente com itraconazol de forma descontínua. Foram coletadas amostras de lesões cutâneas para citologia e material por swab intranasal para cultura fúngica. A citologia revelou leveduras grandes e esféricas, com e sem brotamentos, e espessa cápsula polissacarídica, compatíveis com Cryptococcus spp. Já no cultivo microbiológico houve crescimento de colônias de fungo dimórfico compatíveis com Sporothrix spp. Foi instituído tratamento oral com itraconazol (100 mg/gato/90 dias), iodeto de potássio (2,5 mg/Kg/30 dias), S-adenosil-L-metionina (20 mg/Kg), ômega-3 e beta-glucanas, e tratamento tópico com clotrimazol 1%, com redução dos episódios de espirros e das lesões cutâneas após 60 dias. O animal segue em tratamento com monitoramento da função hepática e realização periódica de exames de citologia e cultura fúngica. O caso expõe o risco à saúde pública das infecções fúngicas em animais de companhia, destacando o diagnóstico laboratorial, obrigatoriamente complementar ao clínico, para confirmação e diferenciação de micoses clinicamente semelhantes, mas com medidas preventivas diferentes, permitindo orientação adequada ao responsável pelo animal e a notificação do caso nos estados em que é obrigatória, o que impacta diretamente a prevenção de casos humanos e as políticas públicas de saúde, respectivamente.

        Palestrante: Thaina Aparecida Pereira Moura Cerqueira (Fundação Oswaldo Cruz)
      • 12:40
        CONHECIMENTO SOBRE A DOENÇA DE CHAGAS EM UMA COMUNIDADE ESCOLAR DO DISTRITO DE CAÇAREMA EM CAPITÃO ENÉAS - MG 20m

        A Doença de Chagas (DC), causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é classificada como doença tropical negligenciada pela Organização Mundial da Saúde. A comunidade de Caçarema, localizada no município de Capitão Enéias (MG), apresenta características rurais que podem favorecer a presença do vetor. Nesse contexto, compreender o nível de conhecimento da população escolar é fundamental para o desenvolvimento de ações de educação em saúde para a prevenção e controle da doença. Este estudo teve como objetivo avaliar o conhecimento de estudantes do 9º ano do ensino fundamental sobre a doença de Chagas nessa comunidade. Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, com coleta de dados realizada por meio de questionários estruturados aplicados a 9 estudantes, abordando aspectos gerais da doença e informações sociodemográficas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer nº 45394421.8.0000.5108. Observou-se predominância do sexo feminino (66,7%). Todos os participantes afirmaram conhecer ou já ter ouvido falar sobre a doença de Chagas. No entanto, identificaram-se lacunas no conhecimento: a maioria indicou incorretamente o agente causador, enquanto poucos reconheceram o protozoário como responsável. Em relação ao vetor, a maioria citou o nome popular “barbeiro”, mas poucos conheciam o termo científico “triatomíneos”.O coração foi o órgão mais citado como afetado, embora poucos reconhecessem o comprometimento de outros órgãos. Quanto à transmissão, apenas parte dos entrevistados identificou corretamente a via vetorial. A maioria relatou ter adquirido conhecimento no ambiente escolar e reconheceu a existência atual da doença. Conclui-se que ainda persistem lacunas no conhecimento sobre agente etiológico, formas de transmissão e aspectos clínicos. Destaca-se a importância de fortalecer ações de educação em saúde, especialmente no contexto escolar, visando à prevenção e controle da doença na região.

        Palestrante: Sr. Gabriel Henrique Lopes Parreiras (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri)
      • 12:40
        DIAGNÓSTICO NÃO INVASIVO DA DIOCTOFIMOSE EM CÃO: RELATO DE CASO DESTACANDO A IMPORTÂNCIA DOS EXAMES COMPLEMENTARES 20m

        A dioctofimose é uma parasitose causada pelo nematódeo Dioctophyma renale, é uma zoonose reconhecido como o maior helminto que acomete canídeos, normalmente lobos e raramente cães e humanos, sendo responsável por lesões graves no sistema urinário, especialmente nos rins de cães. O presente relato de caso tem como objetivo destacar a importância da ultrassonografia e da urinálise no diagnóstico precoce e eficaz dessa enfermidade. Foi atendido um cão macho, sem raça definida, de sete anos e 7,4 kg, no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Lavras, que mora em uma fazenda e tem acesso a rios e lago, inicialmente encaminhado para avaliação cirúrgica após episódio de trauma. Apesar de apresentar-se clinicamente estável e assintomático no momento da consulta, exames complementares foram realizados como parte da investigação clínica. A ultrassonografia abdominal evidenciou aumento do rim direito (8,39 x 3,82 cm) perda da arquitetura renal e presença de estruturas tubulares sugestivas da presença do parasito, sendo um exame fundamental por permitir a visualização direta das alterações morfológicas de forma não invasiva. A urinálise, por sua vez, revelou hematúria, leucocitúria e, principalmente, a presença de ovos de D. renale, confirmando o diagnóstico da dioctofimose.A infecção levou à destruição significativa do parênquima renal, condição comum nessa parasitose, na qual o tecido funcional é substituído pelo parasito e conteúdo hemorrágico. Diante do comprometimento total do rim direito, o animal foi encaminhado com o tratamento indicado sendo nefrectomia total unilateral, devido a impossibilidade de realização do procedimento no HV–UFLA. O caso evidencia que muitos animais podem permanecer assintomáticos quando há compensação funcional pelo rim contralateral, reforçando a importância dos exames complementares na detecção precoce. Assim, a ultrassonografia associada à urinálise mostrou-se essencial para o diagnóstico rápido, preciso e não invasivo da dioctofimose, contribuindo para a conduta terapêutica adequada. Além disso, ressalta-se a relevância da doença na clínica de pequenos animais e na saúde pública, por se tratar de uma zoonose negligenciada, destacando a necessidade de medidas preventivas e diagnóstico precoce.

        Palestrante: Maria Laura Nick Valadares (UFLA)
      • 12:40
        FORMAS AMASTIGOTAS DE Leishmania sp. COMO ACHADO INCIDENTAL EM EXAMES CITOLÓGICOS 20m

        A leishmaniose é uma importante zoonose, causada por protozoários do gênero Leishmania. Em ambiente urbano os cães são os principais hospedeiros vertebrados, que atuam também como reservatórios da doença. Esse protozoário possui duas formas principais, a promastigota, que ocorre nos hospedeiros invertebrados (flebotomíneos) e a amastigota, que parasita células do sistema monocítico fagocitário dos cães. Nestes os sinais clínicos incluem onicrogrifose, linfadenomegalia e emagrecimento. Já as manifestações cutâneas mais frequentes são lesões descamativas e áreas de alopecia, principalmente em focinho, bordas de orelha e perioculares. Formações nodulares na pele são menos comuns na leishmaniose canina e devem ser diferenciadas de outras condições de saúde, como abscessos e neoplasias. O diagnóstico pode ser realizado por testes sorológicos, moleculares, exame citológico e histopatológico, em que a visualização direta do parasito nas amostras é o padrão ouro. O objetivo deste trabalho é relatar a detecção incidental de formas amastigotas de Leishmania sp. em dois cães sem manifestações clínicas clássicas, através do exame citológico por punção aspirativa de lesões cutâneas. O primeiro cão tinha histórico de lesões em placa na pele de membro pélvico e pequenos nódulos distribuídos entre as cadeias mamárias, com evolução de quatro meses. A suspeita clínica era de neoplasia ou processo inflamatório crônico. Na análise das lâminas coletadas por punção aspirativa por agulha fina foram observadas formas amastigotas de Leishmania sp., livres e no citoplasma de macrófagos, tanto nas lesões cutâneas quanto em punção de linfonodo poplíteo. O segundo cão tinha diversos nódulos em região de cabeça, escápula e dorso lombar, com evolução de 20 dias, período no qual os nódulos aumentaram em tamanho e quantidade. As suspeitas clínicas eram de mastocitoma e sarcoma de tecidos moles. Neste caso foram detectadas formas amastigotas de Leishmania sp. livres e no citoplasma de macrófagos nas lesões de região escapular e lombar. Esses achados ressaltam a importância da citologia como ferramenta diagnóstica e de considerar a leishmaniose entre os diagnósticos diferenciais em cães com lesões cutâneas. Dado que os cães são reservatórios do agente, uma vez que se tenha o diagnóstico definitivo torna-se imprescindível a adesão ao tratamento e o acompanhamento clínico para evitar a transmissão para humanos e outros animais.

        Palestrante: Isabella Guimarães Gonçalves (UFLA)
      • 12:40
        INFECÇÃO ASSINTOMÁTICA NA LEISHMANIOSE VISCERAL: DESAFIOS DIAGNÓSTICOS E IMPLICAÇÕES PARA A VIGILÂNCIA EM SAÚDE HUMANA E ANIMAL NO BRASIL 20m

        A leishmaniose visceral (LV) é a forma mais grave das leishmanioses, com alta letalidade e ampla distribuição no Brasil, associada à urbanização do vetor e a condições socioeconômicas vulneráveis da população. Causada por protozoários do gênero Leishmania, tendo Leishmania infantum como principal agente nas Américas, é classificada como doença tropical negligenciada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um bilhão de pessoas vivem em áreas de risco, com milhares de casos anuais. Na América Latina, o Brasil concentra a maioria dos casos e elevados índices de letalidade, relacionados à vulnerabilidade social e às limitações na vigilância.
        Este estudo teve como objetivo evidenciar as implicações da infecção assintomática no diagnóstico e na vigilância da LV no Brasil, sob a perspectiva da Saúde Única. Trata-se de uma revisão descritiva e analítica, realizada nas bases ScienceDirect, Web of Science, PubMed e Scopus. Foram incluídos artigos originais disponíveis na íntegra, sem restrição de idioma, excluindo-se duplicatas e estudos não relacionados ao objetivo. A seleção ocorreu por triagem de títulos e resumos, seguida de leitura na íntegra, com síntese narrativa dos achados.
        Observou-se distribuição heterogênea e persistente da doença, com expansão e formação de clusters, indicando transmissão ativa. Entretanto, os sistemas de informação registram predominantemente casos clínicos, enquanto grande parte das infecções permanece assintomática, sugerindo subestimação da magnitude real. No ciclo zoonótico, o cão é o principal reservatório de Leishmania infantum, sendo frequente a presença de animais assintomáticos em áreas endêmicas, contribuindo para a manutenção da transmissão e antecedendo casos humanos.
        As limitações diagnósticas impactam diretamente na identificação dessas infecções, com métodos de sensibilidade variável, baixa concordância e limitações operacionais, especialmente em baixa carga parasitária. Embora os métodos moleculares apresentam maior sensibilidade, sua aplicação em larga escala ainda é restrita. Essas fragilidades comprometem a vigilância epidemiológica, favorecendo a sub detecção da circulação do parasito e limitando a compreensão da dinâmica de transmissão.
        Conclui-se que a infecção assintomática representa um desafio central para o diagnóstico e a vigilância da LV no Brasil, sendo essencial sua incorporação nas estratégias de controle sob a perspectiva da Saúde Única.

        Palestrante: Luana Miranda Karck (Universidade Federal de Lavras (UFLA))
      • 12:40
        INFECÇÃO POR Toxoplasma gondii EM ANIMAIS SILVESTRES: ESPÉCIES ACOMETIDAS E MÉTODOS DIAGNÓSTICOS EMPREGADOS EM UMA PERSPECTIVA ONE HEALTH 20m

        Toxoplasma gondii é um protozoário intracelular obrigatório do filo Apicomplexa de distribuição mundial, que infecta diversos vertebrados endotérmicos e com potencial zoonótico. Estima-se que um terço da população mundial humana esteja infectada, ocasionando a toxoplasmose, uma doença tropical negligenciada. Possui ciclo de vida heteroxeno, sendo os felinos hospedeiros definitivos do parasito, contudo, diferentes mamíferos e aves atuam como hospedeiros intermediários, podendo ser infectados por ingestão de água e/ou alimentos contendo os oocistos esporulados, consumo de carne crua ou mal-cozida contendo cistos com os bradizoítos e via transplacentária. Nesse contexto, têm sido estreitadas as relações parasito-hospedeiro-ambiente e, por conseguinte, elevados os riscos de transmissão de zoonoses no meio urbano, uma vez que os animais silvestres têm buscado fontes de alimento e abrigo para além de seus habitats, ostensivamente degradados pelo homem. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo sumarizar os achados de literatura sobre a infecção por T. gondii em animais silvestres no Brasil, evidenciando as espécies positivas para o agente e os métodos diagnósticos empregados. Trata-se de uma revisão descritiva e analítica, realizada nas bases de dados ScienceDirect, Web of Science, Pubmed, Scopus e Scielo. Foram incluídos artigos originais disponíveis na íntegra, publicados de 2016 a 2026, sem restrição de idioma e que fossem relatos de caso ou estudos populacionais de animais silvestres de vida livre; sendo realizada a exclusão de duplicatas e artigos que não tivessem relação com o objetivo. A seleção ocorreu por triagem de títulos e resumos, os artigos foram lidos integralmente e foi realizada síntese narrativa dos achados. Observou-se maior prevalência de animais positivos das espécies Sus scrofa e Passer domesticus, além de animais dos gêneros Anser e Chiroptera. Os testes diagnósticos centraram-se em PCR convencional, Nested PCR, qPCR, teste de imunofluorescência indireta (IFI), teste de aglutinação modificado (MAT), ensaio de hemaglutinação indireta (HAI), bioensaio em camundongos e histopatologia. Conclui-se que a prevalência nesses animais corrobora a caracterização dos silvestres como sentinelas na vigilância epidemiológica de T. gondii, sendo relevante o adequado emprego dos testes diagnósticos na promoção de políticas públicas de saúde para o controle e prevenção de casos de toxoplasmose em seres humanos, em uma perspectiva One Health.emphasized text

        Palestrante: Fátima Christina França Alexandrowitsch (Departamento de Medicina Veterinária, Faculdade de Zootecnia e Medicina Veterinária, Universidade Federal de Lavras)
      • 12:40
        LEPTOSPIROSE: DOENÇA NEGLIGENCIADA E SEUS IMPACTOS NA SOCIEDADE 20m

        A leptospirose é uma doença infectocontagiosa zoonótica causada por bactérias do gênero Leptospira, que se desenvolvem em áreas urbanas e rurais, podendo acometer animais domésticos, silvestres e os seres humanos. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo descrever os principais aspectos epidemiológicos, formas de transmissão e estratégias para a prevenção da leptospirose no âmbito da saúde pública. Do ponto de vista epidemiológico, a leptospirose apresenta ampla distribuição mundial, com maior incidência em regiões tropicais e subtropicais. Fatores climáticos e socioeconômicos influenciam diretamente sua ocorrência, principalmente em períodos chuvosos, devido a ocorrência de enchentes e alagamentos favorecendo a disseminação da bactéria no ambiente. Além disso, populações que vivem em áreas com infraestrutura precária, ausência de saneamento básico, alta densidade populacional e presença de roedores estão mais vulneráveis à infecção. A transmissão ocorre por meio do contato com urina de animais infectados, sendo os roedores, especialmente os ratos, os principais reservatórios, além de secreções reprodutivas e ambientes contaminados. A bactéria pode infectar o organismo por meio de mucosas do trato gastrointestinal, oculares, respiratórias e genitais, e por via percutânea e transplacentária, causando diversos sinais clínicos. A maioria desses sinais em animais está relacionado a alterações reprodutivas e renais, como abortos, natimortos, nascimento prematuro, retenção de placenta, hemoglobinúria e disúria. Em seres humanos, a doença pode se manifestar de forma assintomática ou com quadros graves, incluindo diarréia, dores articulares, tosse, linfadenomegalia, hiperemia ou hemorragia conjuntival, icterícia, náuseas e febre alta, entre outros sintomas. No contexto da saúde pública, a prevenção da leptospirose baseia-se em medidas coletivas e estruturais, como a ampliação do saneamento básico, manejo adequado de resíduos e controle de roedores. Adicionalmente, ações de educação em saúde são fundamentais para conscientizar a população sobre os riscos do contato com água contaminada, especialmente em períodos chuvosos. A vigilância epidemiológica também desempenha papel importante na identificação de áreas de risco e no controle de surtos. Dessa forma, a prevenção da leptospirose está diretamente relacionada à implementação de políticas públicas eficazes, voltadas à melhoria das condições de vida e à proteção das populações mais vulneráveis.

        Palestrante: Letícia Cristina Alves da Silva (Universidade Federal De Lavras)
      • 12:40
        MODELOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA: ACURÁCIA, APLICABILIDADE E DESAFIOS EM CENÁRIOS DE BAIXA RENDA - REVISÃO INTEGRATIVA 20m

        A coexistência endêmica de Dengue, Zika e Chikungunya em países tropicais impõe um desafio para o diagnóstico diferencial dentre essas doenças, agravado pela sobreposição de manifestações clínicas nas fases iniciais e pela limitação de acesso a exames confirmatórios em contextos de baixa renda. Somado a isso, reações cruzadas nos testes sorológicos e coinfecções tornam essa distinção ainda mais imprecisa, elevando o risco de manejo terapêutico inadequado, piorando o prognóstico dos pacientes acometidos. Nesse cenário, a eficácia de modelos de Inteligência Artificial (IA) têm sido investigadas como ferramentas de suporte à decisão clínica no diagnóstico dessas enfermidades. O presente estudo tem como objetivo analisar a produção científica recente sobre modelos de Inteligência Artificial voltados ao diagnóstico diferencial dessas arboviroses, avaliando sua acurácia técnica, bem como as barreiras à implementação em cenários de escassez de recursos.Esta revisão integrativa foi orientada pelo referencial de Whittemore e Knafl (2005) nas bases PubMed, SciELO e BVS, com descritores MeSH/DeCS cruzados via operadores booleanos e recorte temporal de 2019 a 2026, incluindo estudos que validaram modelos de IA em dados clínicos reais ou de prontuários de países endêmicos. Em um estudo em contexto Colombiano, modelos de Random Forest aplicados a dados clínicos e laboratoriais simples, atingiram acurácia superior a 98% para as três arboviroses. Em escala populacional, modelo treinado com 6,7 milhões de registros epidemiológicos brasileiros alcançou AUC de 0,9865 operando apenas com variáveis demográficas e clínicas. A distinção entre Dengue e Zika permanece o principal desafio de especificidade, atribuído à proximidade filogenética entre os vírus e à subnotificação histórica de Zika, que restringe a base de dados para treinamento das IAs. Desse modo, mesmo que os modelos de IA testados demonstrem desempenho técnico robusto, esta revisão identifica lacunas prioritárias a serem corrigidas antes de uma aplicação em massa desses modelos extrapolando o cenário científico: escassez de validações multiclasse com dados dos sistemas de notificação brasileiros e ausência de protocolos de integração com equipes de atenção primária. A mitigação do viés de notificação e o desenvolvimento de modelos explicáveis são condições necessárias para que a acurácia técnica se traduza em impacto clínico mensurável no âmbito do Sistema Único de Saúde brasileiro.

        Palestrante: Giovane Cardoso Querido (Estudante de Medicina UFLA)
      • 12:40
        MONITORAMENTO ENTOMOLÓGICO DE Aedes aegypti POR MEIO DE OVITRAMPAS NO CENTRO HISTÓRICO DA UFLA 20m

        As arboviroses são doenças virais transmitidas por artrópodes, sendo o mosquito
        Aedes aegypti, o principal vetor de patologias como a dengue, zika, chikungunya e
        febre amarela. A transmissão ocorre pela picada da fêmea infectada e o ciclo de
        vida do mosquito se baseia em ovo, larva, pupa e mosquito adulto. Sua proliferação
        é favorecida por temperaturas elevadas e acúmulo de água. O objetivo deste estudo
        foi monitorar a presença de vetores no Ambulatório de Especialidades, por meio de
        ovitrampas para identificar áreas de potencial risco epidemiológico. Para atrair a
        fêmea, foi produzida uma infusão de feno, onde foi necessária a utilização de 60 g
        de feno e 6 L de água declorada que foram misturados em um recipiente vedado
        com saco de lixo preto e em seguida colocada em uma incubadora do tipo BOD a
        28 ºC por 24 horas para ocorrer a fermentação do feno. Posteriormente, foi
        confeccionada uma armadilha utilizando garrafa PET de 2 L que foi cortada ao meio,
        higienizada com água e sabão e revestida externamente com papel contact preto, a
        fim de simular um criadouro favorável. No interior, foi inserida uma palheta de
        eucatex de madeira, com dimensões de 13 × 5 cm e parcialmente submersa,
        utilizada como superfície para oviposição. As armadilhas foram preenchidas com
        solução contendo 80% de água e 20% de infusão de feno fermentada. A armadilha
        foi instalada no Ambulatório De Especialidades, no centro histórico, e semanalmente
        houve o monitoramento da ovitrampa para análise laboratorial. Paralelamente, foi
        realizada a inspeção ambiental do local de instalação, utilizando checklist
        padronizado para identificação de potenciais criadouros. Durante as 4 semanas de
        coleta, foram observados 24 ovos na primeira semana, na segunda, 138 ovos, na
        terceira semana, 3 larvas e na quarta semana, 80 ovos e 39 larvas, totalizando 242
        ovos e 42 larvas, todos identificados morfologicamente como A. aegypti. Durante a
        inspeção em área interna e externa foram identificados vasos de plantas e
        recipientes com acúmulo de água. A eficácia da armadilha com a utilização da
        infusão de feno evidencia a presença ativa do vetor no Centro Histórico. Conclui-se
        que o Ambulatório de Especialidades apresenta condições ambientais favoráveis à
        proliferação do vetor, evidenciando a necessidade de reforçar o monitoramento de
        focos a fim de evitar a transmissão de arboviroses e eliminar os criadouros
        identificados durante a inspeção ambiental.

        Palestrante: maria fiorini (universidade federal de lavras)
      • 12:40
        MUDANÇAS CLIMÁTICAS E EXPANSÃO DA DENGUE NO BRASIL: REVISÃO NARRATIVA COM ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE PÚBLICA 20m

        A dengue apresenta expansão global consistente, com estimativas de 100 a 400 milhões de infecções anuais e metade da população mundial em risco. Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) registraram mais de 14,6 milhões de casos e cerca de 12 mil óbitos, com predomínio nas Américas. O Brasil atingiu incidência superior a 1.300 casos por 100 mil habitantes, triplo do ano anterior, com circulação simultânea dos quatro sorotipos virais. O principal vetor, o Aedes aegypti, é altamente adaptado ao ambiente urbano e sua dispersão é diretamente influenciada por temperatura, umidade e precipitação, representando um dos maiores desafios ao controle da doença em cenários de aquecimento global. Este estudo objetiva analisar a relação entre mudanças climáticas e a expansão da dengue no Brasil, identificando determinantes epidemiológicos, projeções futuras e implicações para a saúde pública. Revisão narrativa sistematizada conduzida no PubMed/MEDLINE com descritores “dengue”, “climate change”, “Aedes” e “arboviruses” e equivalentes em português. Incluíram-se estudos de 2013 a 2024 com foco em modelagem climática, dinâmica vetorial e indicadores epidemiológicos, além de relatórios da OMS e OPAS; excluíram-se estudos sem rigor analítico ou inaplicáveis ao contexto brasileiro. Estima-se que 3,83 bilhões de pessoas vivam em áreas favoráveis à transmissão, podendo ultrapassar 6,1 bilhões até 2080. O aumento das temperaturas, associado à maior umidade e alterações nos regimes de precipitação, reduz o período de incubação extrínseca viral e amplia a sobrevivência e capacidade reprodutiva do vetor, expandindo a dengue para regiões previamente não endêmicas. No Brasil, esses fatores interagem com urbanização acelerada, desigualdade socioespacial e deficiências no saneamento, elevando a magnitude e recorrência das epidemias. Os avanços na vacinação permanecem limitados por elegibilidade restrita, barreiras logísticas e baixa adesão, mantendo o controle vetorial como estratégia central, enquanto surtos recorrentes expõem fragilidades na vigilância epidemiológica e na resposta dos serviços de saúde. A dengue tende a consolidar-se como um dos principais agravos climáticos do século XXI, sobretudo em países tropicais; sem intervenções estruturais e adaptação climática efetiva, projeta-se não apenas expansão territorial, mas a redefinição do impacto epidemiológico da doença no Brasil, exigindo respostas integradas e sustentáveis.

        Palestrante: Giovane Cardoso Querido (Estudante de Medicina UFLA)
      • 12:40
        NEGLIGÊNCIA NA PREVENÇÃO DO TÉTANO, DETERMINANTES SOCIAIS E RISCOS OCUPACIONAIS EM POPULAÇÕES VULNERÁVEIS: REVISÃO NARRATIVA 20m

        O tétano, infecção causada por Clostridium tetani, permanece como problema relevante de saúde pública em contextos de vulnerabilidade, apesar de ser amplamente prevenível por vacinação. Entre 1990 e 2019, observou-se redução global aproximada de 88% na mortalidade, conforme estimativas do Global Burden of Disease Study 2019; ainda assim, persistem cerca de 30 a 50 mil óbitos anuais, concentrados sobretudo em países de baixa e média renda. A incidência varia de aproximadamente 0,01 casos/100.000 habitantes em países de alta renda para até 3,4/100.000 em cenários com menor acesso a serviços de saúde, indicando diferença de até 300 vezes associada a desigualdades estruturais. Este estudo objetivou analisar a negligência na prevenção do tétano em sua interface com riscos ocupacionais e determinantes sociais. Trata-se de revisão narrativa da literatura, conduzida por busca estruturada nas bases PubMed e ScienceDirect, utilizando os descritores “tetanus”, “vaccination”, “occupational risk” e “social determinants”. Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2026, em inglês e português, com ênfase em revisões clínicas e epidemiológicas. Adicionalmente, incorporaram-se dados secundários do Global Burden of Disease Study 2019 para análise comparativa da carga global da doença. Os achados demonstram que a maioria dos casos ocorre em indivíduos não vacinados ou com esquemas incompletos, especialmente adultos e idosos, nos quais se observa declínio progressivo da imunidade. Considerando que o tétano não apresenta transmissão interpessoal, o risco de adoecimento resulta da interação entre exposição ambiental e status vacinal. Nesse contexto, trabalhadores informais expostos a solo, resíduos e materiais contaminados, como catadores e operários da construção civil, apresentam maior vulnerabilidade, sobretudo pela frequência de ferimentos, presença de tecido desvitalizado e manejo inadequado das lesões. Associam-se a isso fatores como baixa escolaridade, barreiras de acesso à atenção primária e lacunas na oferta de reforços vacinais, além de evidências de subnotificação que sugerem carga superior à reportada. Conclui-se que o tétano persiste como marcador de iniquidades em saúde, evidenciando a necessidade de estratégias estruturadas, contínuas e intersetoriais voltadas à ampliação da cobertura vacinal ao longo da vida e à proteção de populações ocupacionalmente expostas.

        Palestrante: Giovane Cardoso Querido (Estudante de Medicina UFLA)
      • 12:40
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA (LTA) NO BRASIL, DE 2007 A 2022 20m

        A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) permanece como uma das principais Doenças Tropicais Negligenciadas no Brasil, associada a contextos de vulnerabilidades e desigualdades socioambientais e desafios persistentes para a vigilância em saúde. O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos casos de LTA notificados no país no período de 2007 a 2022, identificando padrões temporais, espaciais e sociodemográficos associados à ocorrência da doença. Realizou-se estudo descritivo retrospectivo com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo DATASUS. Foram avaliadas variáveis relacionadas à distribuição temporal e espacial dos casos, sexo, escolaridade, raça/cor autodeclarada, formas clínicas e evolução dos casos. As associações foram analisadas pelo teste qui-quadrado de Pearson, adotando-se nível de significância de 95%. No período analisado, foram notificados 318.998 casos de LTA no país, evidenciando persistência da endemicidade e ampla distribuição territorial. Observou-se concentração expressiva nas regiões Norte e Nordeste, responsáveis por aproximadamente 73% das notificações, confirmando a manutenção histórica de áreas prioritárias de transmissão. Pará, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná responderam por mais da metade absoluta dos casos nacionais, demonstrando importante heterogeneidade espacial. Observou-se predominância de casos em indivíduos do sexo masculino, sugerindo associação com atividades ocupacionais e exposição ambiental em áreas rurais e periurbanas. A maior frequência entre indivíduos com menor escolaridade e em populações socialmente vulneráveis reforça o papel dos determinantes sociais na dinâmica da LTA. A forma clínica cutânea foi predominante, com elevada proporção de cura registrada, embora persistam desafios relacionados à subnotificação e ao diagnóstico precoce, acesso desigual ao diagnóstico e manutenção de cadeias de transmissão em áreas endêmicas. Os resultados evidenciam que a LTA permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil, caracterizada por forte concentração regional e influência de determinantes socioambientais e ocupacionais. A análise longitudinal de dados reforça a necessidade de estratégias integradas de vigilância epidemiológica, fortalecimento da atenção primária e implementação de ações territoriais direcionadas, capazes de reduzir a transmissão e mitigar o impacto da LTA em populações vulneráveis.

        Palestrante: Vitória Baldo
      • 12:40
        POTENCIAL DE KLUYVEROMYCES LACTIS NA REDUÇÃO DE PATÓGENOS ALIMENTARES EM QUEIJO MINAS PADRÃO E SUA RELEVÂNCIA PARA A SAÚDE PÚBLICA 20m

        As doenças transmitidas por alimentos (DTAs), frequentemente associadas a patógenos como Escherichia coli ATCC 25922 e Salmonella Typhimurium ATCC 14028, representam um importante problema de saúde pública, especialmente em contextos onde falhas higiênico-sanitárias favorecem sua disseminação, sendo consideradas agravos negligenciados devido à subnotificação e impacto em populações vulneráveis. Nesse cenário, estratégias de biocontrole em alimentos surgem como alternativas sustentáveis para redução desses agentes. O presente estudo teve como objetivo avaliar o potencial da levedura Kluyveromyces lactis B10 como agente de biocontrole durante a maturação do Queijo Minas Padrão. Foram elaborados queijos a partir de leite pasteurizado sob quatro tratamentos: controle (sem microrganismos), apenas com K. lactis, inóculos com K. lactis e E. coli, e inóculos de K. lactis e Salmonella Typhimurium, sendo monitorados por 21 dias. A dinâmica microbiana foi avaliada por contagem em meios seletivos, associada às análises de pH, atividade de água, perda de massa e parâmetros colorimétricos. Observou-se inibição total de E. coli, com redução de 6,69 para 0,00 log UFC/g a partir do 14º dia, mesmo em pH próximo à neutralidade, indicando possível ação antagonista independente da acidificação. Para Salmonella Typhimurium, verificou-se redução de 45,4% da população (de 8,94 para 4,88 log UFC/g) ao final da maturação. A redução da atividade de água e as mudanças físico-químicas, incluindo perda de massa e variações na coloração, podem ter contribuído para a limitação do crescimento microbiano. Os resultados indicam potencial efeito antagonista de K. lactis B10, especialmente frente a E. coli, embora estudos adicionais sejam necessários para confirmar sua aplicação como agente de biocontrole em produtos lácteos, visando a redução de riscos associados às DTAs.

        Palestrante: Maria Eduarda Lacerda de Oliveira (UFLA)
      • 12:40
        RECIDIVA TARDIA DE LEISHMANIOSE TEGUMENTAR POR LEISHMANIA AMAZONENSIS APÓS MILTEFOSINA: EVIDÊNCIA DE PERSISTÊNCIA PARASITÁRIA E DESAFIO TERAPÊUTICO 20m

        A leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma zoonose causada por protozoários transmitidos por flebotomíneos infectados, caracterizada por lesões cutâneas e mucosas. Este trabalho relata o caso de paciente masculino, procedente de Lavras-MG, com duas lesões ulceradas em membro inferior direito, compatíveis com LTA, com diagnóstico parasitológico confirmado por esfregaço em 03/09/2024. A evolução inicial apresentou intenso processo inflamatório e infecção bacteriana secundária, inviabilizando tratamento intralesional. Diante disso, foi instituído tratamento com miltefosina oral (2,5 mg/kg/dia, máximo de 150 mg/dia) por 28 dias, iniciado em 24/10/2024. Houve resposta clínica inicial lenta, com regressão da lesão. Contudo, após período de aparente remissão, o paciente evoluiu, em novembro de 2025, com recidiva tardia, evidenciada por nova lesão em pavilhão auricular, em sítio distinto do inicial, sugerindo persistência parasitária ou reativação tardia. A investigação molecular (PCR-RFLP) identificou Leishmania amazonensis, espécie associada à evolução prolongada, resposta terapêutica variável e maior risco de recorrência. Diante da recidiva após uso de miltefosina, optou-se por tratamento com anfotericina B lipossomal (3,9 mg/kg/dia por 8 dias; dose acumulada aproximada de 30 mg/kg), com monitorização da função renal e eletrólitos devido ao risco de nefrotoxicidade. O caso destaca recidiva tardia em sítio anatômico distinto, mais de um ano após tratamento inicial, evidenciando possível persistência parasitária mesmo após resposta clínica aparente. Ressalta-se a importância do seguimento prolongado e da identificação molecular para melhor condução terapêutica. Trata-se de relato relevante pelos aspectos clínicos, epidemiológicos e terapêuticos, incluindo falha tardia e necessidade de escalonamento medicamentoso.

        Palestrante: CAMILLY CARMO
      • 12:40
        RELATO DE CASO: LEISHMANIOSE EM CANINO E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIAIS 20m

        A leishmaniose visceral canina é uma zoonose de grande relevância para a saúde pública, sendo o cão o principal reservatório doméstico. Neste resumo, relata-se o caso de um canino, macho, sem raça definida, com 3 anos de idade, atendido no hospital veterinário para reavaliação clínica devido a suspeita de glomerulonefrite, o animal foi previamente diagnosticado com leishmaniose em outra clínica a cerca de três meses, iniciando o tratamento com milteforan, domperidona, alopurinol, sucralfato, cobavital e rennapro (suplemento vitamínico), e após o início do tratamento o animal apresentou apatia, hiporexia, vômitos esporádicos, poliúria e polidipsia, além de emagrecimento progressivo, sendo realizados exames (hemograma, bioquímico, urinálise e ultrassonografia) e posteriormente encaminhado para o hospital veterinário. Com isso, o animal foi admitido na internação e foram instituídos tratamentos com alopurinol, miltefosina e terapia de suporte, incluindo controle de náuseas, analgesia e suporte nutricional, abordando principalmente as alterações renais com o uso de dexametasona para realizar a imunossupressão. Foram realizados exames laboratoriais que evidenciaram anemia normocítica normocrômica, leucocitose com neutrofilia e baixa resposta medular, indicada pela contagem reduzida de reticulócitos. A bioquímica sérica revelou azotemia acentuada, com ureia elevada (>130 mg/dL) e alterações eletrolíticas, além de hipoalbuminemia e hiperglobulinemia, sugerindo processo inflamatório crônico. Exames de imagem demonstraram aumento da ecogenicidade renal compatível com glomerulonefrite, além de alterações esplênicas sugestivas de doenças infecciosas, incluindo leishmaniose. Devido a isso, o animal permaneceu internado até ser optado por cuidados paliativos domiciliares, devido à piora do quadro renal decorrente da glomerulonefrite. Portanto este caso evidencia o caráter sistêmico e progressivo da leishmaniose canina, com destaque para o comprometimento renal, uma das principais causas de óbito nesses pacientes. Dessa forma, destacam-se as implicações sociais da doença, uma zoonose de difícil controle ligada a fatores ambientais, socioeconômicos, ao vetor e a cães infectados. Em humanos, pode causar lesões cutâneas ou forma visceral, com febre prolongada, perda de peso, anemia e aumento do fígado e baço. Por isso, são essenciais medidas preventivas, como controle do vetor, diagnóstico precoce e manejo adequado dos animais infectados.

        Palestrante: Letícia Cristina Alves da Silva (Universidade Federal De Lavras)
      • 12:40
        TENDÊNCIA TEMPORAL DA TUBERCULOSE NA POPULAÇÃO DE 0 A 19 ANOS EM COMPARAÇÃO À POPULAÇÃO TOTAL SEGUNDO RAÇA/COR NO BRASIL, 2010–2024 20m

        A tuberculose (TB) permanece como um importante problema de saúde pública brasileiro, apresentando distribuição desigual segundo raça/cor e faixa etária. Este estudo objetivou analisar a tendência temporal dos casos de TB na população de 0 a 19 anos, comparando-a com a população total, segundo raça/cor, no período de 2010 a 2024. Trata-se de estudo ecológico de séries temporais com dados secundários agregados por unidade federativa e ano. Foram estimadas proporções de casos na população de 0–19 anos em relação ao total e analisadas tendências por regressão de Prais-Winsten, com cálculo da variação percentual anual (Annual Percent Change – APC) e dos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Observou-se aumento significativo da TB na população geral (APC = 1,99%; IC95%: 0,76–3,23), com tendência crescente especialmente entre indivíduos negros (APC = 3,30%; IC95%: 2,03–4,58), enquanto os demais grupos apresentaram padrões estacionários. Em relação à população de 0 a 19 anos, não foi identificada tendência significativa no número absoluto de casos (APC = 0,72%; IC95%: -0,57 a 2,03), caracterizando padrão estacionário. Por outro lado, verificou-se redução significativa na participação proporcional dos casos nessa faixa etária ao longo do tempo (APC = -1,18%; IC95%: -1,67 a -0,69). Entre as raças/cor, destacou-se tendência crescente entre indivíduos negros (APC = 1,54%; IC95%: 0,26–2,84), enquanto os grupos branca, amarela e indígena apresentaram padrões estacionários. Durante o período pandêmico (2020–2022), observou-se redução dos casos notificados, seguida de retomada no período pós-pandemia, mantendo o padrão de desigualdade racial. Conclui-se que, apesar do aumento da TB na população geral, a ocorrência entre crianças e adolescentes permanece estável ao longo do tempo. A persistência de tendência crescente entre indivíduos negros nessa faixa etária demonstra desigualdades estruturais e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à equidade racial e à proteção de populações vulneráveis.

        Palestrante: Sandra Valéria Coelho da Silva (EBSERH)
      • 12:40
        TUBERCULOSE EM PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA NO BRASIL: DETERMINANTES SOCIAIS, INSUCESSO TERAPÊUTICO E LACUNAS NO CONTROLE — REVISÃO INTEGRATIVA 20m

        A tuberculose (TB) permanece como um dos desafios mais persistentes da saúde pública brasileira, e sua ocorrência entre pessoas em situação de rua (PSR) evidencia o peso das desigualdades sociais nos centros urbanos. Essa população está submetida a condições que comprometem tanto o diagnóstico precoce quanto a conclusão do tratamento - situação que, apesar de conhecida há décadas, segue não sendo suficientemente resolvida pelas políticas de controle. O presente trabalho tem como objetivo analisar os principais determinantes do adoecimento por TB entre PSR no Brasil, com foco nos fatores associados ao insucesso terapêutico e às lacunas nas estratégias de vigilância. Foi conduzida uma revisão integrativa orientada pelo referencial de Whittemore e Knafl (2005), com busca nas bases PubMed, SciELO e LILACS, utilizando os descritores "Homeless Persons" AND "Tuberculosis" AND "Brazil" e equivalentes em português, abrangendo publicações de 2010 a 2026. Foram incluídos estudos primários e revisões sistemáticas com foco em TB na PSR no contexto brasileiro em português, inglês e espanhol. Os achados indicam que a PSR apresenta risco de desfecho desfavorável no tratamento da TB superior ao da população geral - a razão de risco chegou a 2,04 e o sucesso terapêutico foi 50% menor. Uso de álcool e outras drogas, coinfecção pelo HIV, instabilidade habitacional e histórico de privação de liberdade foram identificados como fatores independentes associados ao abandono e óbito, com desfecho desfavorável superior a 67% quando sobrepostos, conforme análise multivariada de dados do SINAN. Verificou-se ainda escassez de avaliações econômicas sobre intervenções voltadas especificamente a esse grupo, fragilizando a sustentação técnica das políticas existentes e dificultando a estruturação de novas políticas públicas. A literatura aponta que rastreio ativo em locais de convivência, tratamento diretamente observado adaptado à realidade de rua e integração com os Consultórios na Rua têm potencial de impacto, mas carecem de avaliação sistemática em âmbito nacional. Evidencia-se que a TB na PSR é expressão e consequência da negligência sanitária estrutural. O reduzido número de estudos encontrados é, por si só, indicativo de desinteresse científico e político por esse grupo. Seu enfrentamento exige não apenas a formulação de novas políticas públicas, mas também a avaliação e melhoria das já vigentes, pois políticas mal aplicadas apenas perpetuam o ciclo de invisibilidade desse grupo.

        Palestrante: Giovane Cardoso Querido (Estudante de Medicina UFLA)
      • 12:40
        USO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO ENFRENTAMENTO DAS DOENÇAS NEGLIGENCIADAS: REVISÃO INTEGRATIVA DO POTENCIAL E DESAFIOS PARA A EQUIDADE EM SAÚDE 20m

        Doenças negligenciadas afetam mais de 1 bilhão de pessoas globalmente, com elevada morbimortalidade e impactos socioeconômicos que evidenciam profundas desigualdades no acesso à saúde. Nesse contexto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem reforçado a necessidade de estratégias inovadoras para populações vulneráveis, tornando as tecnologias digitais e a inteligência artificial (IA) ferramentas de crescente relevância. Este estudo objetiva analisar o papel dessas tecnologias no enfrentamento das doenças negligenciadas, considerando aplicações, limitações, impactos globais e experiências no Brasil. Trata-se de revisão integrativa com publicações de 2019 a 2023, conduzida nas bases PubMed, SciELO e repositórios institucionais da OMS, com os descritores “neglected tropical diseases”, “artificial intelligence” e “digital health” e seus equivalentes em português, combinados por operadores booleanos. Foram selecionados estudos abordando vigilância epidemiológica, diagnóstico, gestão de dados, telemedicina e ética, priorizando evidências aplicáveis em contextos vulneráveis; excluíram-se trabalhos sem rigor metodológico ou inaplicáveis ao escopo proposto. Algoritmos de IA aumentam em até 30% a precisão na detecção de áreas de risco, permitindo intervenções direcionadas e planejamento eficiente de recursos. Iniciativas brasileiras demonstram incremento de 25% na detecção precoce de doenças como leishmaniose e dengue, com melhoria no acompanhamento de pacientes e priorização de intervenções em áreas periféricas. Telemedicina e aplicativos móveis ampliam a cobertura em regiões remotas; contudo, barreiras estruturais persistem, como baixa infraestrutura, desigualdade de acesso digital, vieses algorítmicos e preocupações éticas relacionadas à privacidade. Evidências indicam que, sem políticas inclusivas e capacitação profissional, essas ferramentas podem reproduzir iniquidades existentes. Conclui-se que a integração de IA e tecnologias digitais representa uma das estratégias mais promissoras e transformadoras para o enfrentamento das doenças negligenciadas no século XXI; sua consolidação, contudo, exige regulamentação ética robusta, investimento estrutural contínuo e políticas públicas comprometidas com a equidade, sob risco de ampliar as disparidades que historicamente marginalizam as populações mais vulneráveis do Brasil e dos países em desenvolvimento.

        Palestrante: Giovane Cardoso Querido (Estudante de Medicina UFLA)
    • 13:00 13:30
      Dia 1 - 22/05/2026: Bloco 3 - Avaliação Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 13:00
        CARACTERIZAÇÃO ESTRUTURAL E FUNCIONAL DE PROTEÍNAS HIPOTÉTICAS ASSOCIADAS À RESISTÊNCIA AO ANTIMÔNIO NA IDENTIFICAÇÃO DE NOVOS ALVOS TERAPÊUTICOS PARA LEISHMANIOSES 20m

        Compostos à base de antimônio pentavalente (SbV) constituem o tratamento de
        primeira linha para as leishmanioses, no entanto, o aumento progressivo da
        resistência clínica aos derivados de antimônio representa um obstáculo crescente ao
        controle da doença. Este fenômeno está associado, em parte, à plasticidade
        genômica característica do gênero Leishmania, no qual se estima que cerca de 60%
        do genoma codifique proteínas hipotéticas. Nesse sentido, o presente estudo teve
        como objetivo identificar, a partir de dados de estudos independentes disponíveis
        publicamente, genes diferencialmente expressos (DEGs) codificantes para proteínas
        hipotéticas em Leishmania resistente ao antimônio, e caracterizá-los estrutural e
        funcionalmente por meio de ferramentas de inteligência artificial (IA). A partir dessa
        abordagem, 204 DEGs classificados como proteínas hipotéticas ou de função
        desconhecida foram selecionados por estarem presentes em ao menos dois estudos
        independentes. As estruturas tridimensionais desses alvos foram obtidas por meio da
        ferramenta de IA AlphaFold e, em seguida, comparadas a estruturas
        experimentalmente resolvidas depositadas no Protein Data Bank (PDB) utilizando a
        ferramenta FoldSeek, com o objetivo de propor possíveis funções. Dessa forma, foi
        possível caracterizar 173 alvos, os quais foram submetidos a critérios adicionais de
        filtragem para refinamento da seleção final, resultando em oito proteínas hipotéticas
        selecionadas para avaliação experimental da expressão gênica por RT-qPCR em
        cepas de Leishmania resistentes ao antimônio. Dentre essas, quatro apresentaram
        perfil de expressão gênica concordante com o observado nos estudos previamente
        analisados. A predição estrutural com AlphaFold, combinada à busca por homologia
        estrutural no PDB utilizando o FoldSeek, mostrou-se uma abordagem eficiente para
        a elucidação funcional de proteínas hipotéticas em Leishmania. Esses resultados
        reforçam o uso de ferramentas de bioinformática como etapa inicial robusta na
        triagem de potenciais alvos terapêuticos, além de destacar proteínas promissoras que
        podem ser exploradas para superar a resistência aos fármacos atualmente
        disponíveis.

        Palestrante: João Pedro de Lacerda Costa Sousa (Instituto René Rachou, Fundação Oswaldo Cruz – IRR/Fiocruz Minas)
      • 13:10
        A INVISIBILIDADE NOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO: AUSÊNCIA DE DADOS SECUNDÁRIOS SOBRE SAÚDE EM COMUNIDADES QUILOMBOLAS 20m

        As comunidades remanescentes de quilombos constituem grupos étnico-raciais que,
        segundo critérios de autoatribuição, apresentam trajetória histórica própria e possuem
        ancestralidade negra associada à resistência à opressão. Nesse contexto, esses
        núcleos seguem enfrentando, ao longo do tempo, processos de exclusão que elevam
        o risco de agravos à saúde e reiteram sua condição de povo negligenciado. Diante
        dessa realidade, a Análise de Situação de Saúde (ASIS) emerge como ferramenta
        estratégica para revelar as iniquidades territoriais e fundamentar políticas públicas
        para essas comunidades. Assim, esse trabalho teve como objetivo avaliar a
        disponibilidade de dados secundários em plataformas governamentais, para a
        realização de ASIS em populações quilombolas. Trata-se de um estudo descritivo, de
        natureza exploratória, com abordagem qualitativa, fundamentado na análise da
        disponibilidade e completude de dados secundários de acesso público. O
        levantamento foi realizado por meio de plataformas oficiais, com destaque para o
        Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Departamento de Informática
        do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram evidenciadas limitações estruturais
        relevantes relacionadas à disponibilidade de dados específicos para quilombolas nos
        Sistemas de Informação oficiais. Apenas em 2022, o IBGE realizou seu primeiro
        levantamento censitário para identificar a população quilombola, estimada em
        1.330.186 pessoas, das quais 12,6% (167.769) estavam domiciliadas em 495
        comunidades remanescentes. No âmbito dos Sistemas de Informação em Saúde, por
        meio do Tabnet/DATASUS, foi observada a ausência de filtros específicos para essa
        categoria, o que impede o cruzamento de dados necessários para a realização de
        uma ASIS direcionada, restringindo os estudos ao recorte genérico de raça/cor “preta”
        ou “parda”, reiterando a condição de povo negligenciado. A inexistência do quesito
        “comunidades tradicionais” com opção de seleção “quilombola” nas fichas de
        notificação do SINAN, não apenas evidencia uma lacuna estrutural, mas também
        sinaliza a tendência de permanência da invisibilidade desses dados no médio prazo.
        A falta de registros específicos sobre comunidades remanescentes de quilombos,
        somada à inexistência de uma estrutura organizacional própria no campo da saúde,
        aprofunda as limitações informacionais, compromete a formulação de políticas
        públicas adequadas e perpetua a condição dessas populações como grupos
        historicamente negligenciados.

        Palestrante: Sr. Thiago de Oliveira Loures (Terezinha de Oliveira Loures)
      • 13:10
        ALEITAMENTO MATERNO E OLIGOSSACARÍDEOS DO LEITE HUMANO: LIMITES TECNOLÓGICOS DAS FÓRMULAS INFANTIS E IMPLICAÇÕES PARA EQUIDADE EM SAÚDE 20m

        O estabelecimento da microbiota intestinal na primeira infância representa um eixo central da programação biológica de longo prazo, sendo fortemente determinado pelo padrão alimentar neonatal. Este estudo constitui uma revisão de escopo conduzida conforme o protocolo PRISMA-ScR, com busca nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, incluindo publicações entre 2015 e 2025 que investigaram, por abordagens metagenômicas, a relação entre alimentação infantil e microbiota em crianças de 0 a 5 anos. Foram incluídos 47 estudos. Os resultados evidenciam que o aleitamento materno promove uma configuração microbiana altamente especializada, com predomínio de Bifidobacterium, maior produção de metabólitos imunomoduladores e menor colonização por microrganismos oportunistas. Em contraste, fórmulas infantis induzem maior diversidade precoce, associada a perfis menos seletivos e potencialmente pró-inflamatórios. A introdução de compostos bioativos, especialmente os oligossacarídeos do leite humano (HMOs), representa avanço relevante, promovendo aproximação parcial ao microbioma de referência, embora sem reproduzir sua complexidade estrutural e funcional. Adicionalmente, destaca-se a predominância de estudos financiados pela indústria e a heterogeneidade metodológica, o que limita a extrapolação dos achados e reforça a necessidade de investigações independentes conduzidas pelo setor público . Conclui-se que o aleitamento materno constitui o padrão biológico de referência para o desenvolvimento da microbiota intestinal e para a maturação imunometabólica, mantendo superioridade consistente em múltiplos desfechos de saúde. Sob a perspectiva do life-course, exposições nutricionais precoces moldam trajetórias biológicas e sociais, podendo influenciar riscos cumulativos ao longo da vida. Nesse sentido, a promoção do aleitamento materno configura-se como estratégia estruturante de equidade em saúde, especialmente em populações vulneráveis, nas quais perturbações iniciais da colonização microbiana podem amplificar desigualdades intergeracionais.

        Palestrante: Lucas do Amaral Cherem
      • 13:10
        AÇÃO ANTI-HELMÍNTICA DA ENZIMA VEGETAL PAPAÍNA SOBRE NEMATOIDES GASTRINTESTINAIS DE OVINOS EM AMBIENTE FECAL 20m

        O controle de nematodioses em pequenos ruminantes enfrenta sérios
        obstáculos devido ao avanço da resistência parasitária aos compostos
        químicos convencionais. Nesse cenário, a busca por alternativas
        biotecnológicas de controle desses helmintos no ambiente torna-se essencial.
        Diante disso, essa pesquisa propôs a utilização de enzimas hidrolíticas com
        ação direta no bolo fecal, como uma alternativa inovadora. As enzimas são
        capazes de atuar no processo de degradação das proteínas constituintes dos
        ovos e larvas por mecanismos bioquímicos. Essa prática tem como objetivo,
        promover uma descontaminação sustentável das pastagens e auxiliando na
        quebra do ciclo de reinfecção no campo. Para o ensaio experimental, amostras
        fecais foram coletadas diretamente da ampola retal de ovinos naturalmente
        infectados (UFMG), com positividade confirmada pela técnica de OPG (ovos
        por grama de fezes). As coproculturas foram preparadas utilizando 5,0 g de
        fezes em cada replicata e divididas em três grupos com cinco repetições cada:
        G1 (Controle - água destilada), G2 (Papaína). A enzima foi avaliada em duas
        concentrações (1% e 10% m/v), cada uma com o seu respectivo grupo
        controle. As amostras foram incubadas por sete dias à temperatura ambiente
        (20-25°C) e, posteriormente, as larvas sobreviventes foram recuperadas e
        quantificadas. Os resultados demonstraram que o tratamento com papaína a
        10% (m/v) promoveu uma redução significativa (p<0,05) de 44% na
        recuperação das larvas em comparação ao controle. Por outro lado, a
        concentração de 1% (m/v) reduziu a carga parasitária em 25%, porém sem
        significância estatística (p>0,05). A eficácia biológica está vinculada à ação
        catalítica da protease no processo de hidrólise das proteínas presentes na
        casca dos ovos e na cutícula das larvas. Diante disso, este estudo concluiu que
        a papaína em altas concentrações apresenta um potencial como
        anti-helmíntico não recalcitrante para a descontaminação das pastagens. Essa
        biotecnologia apresenta potencial para ser utilizada como uma ferramenta
        sustentável e eficaz na interrupção do ciclo parasitário, reduzindo a
        dependência climática e química no controle ambiental de helmintoses.

        Palestrante: Ludimila Fernandes (universidade federal de lavras)
      • 13:10
        DESCOMPASSO ENTRE INCIDÊNCIA E LETALIDADE DA FEBRE AMARELA NO BRASIL: ANÁLISE DA LETALIDADE COMO INDICADOR INDIRETO DA DETECÇÃO DE CASOS (2015-2024) 20m

        A febre amarela é uma arbovirose de elevada gravidade e relevância em saúde pública no Brasil, associada à ocorrência de surtos e elevada letalidade. Apesar da disponibilidade de vacina eficaz e gratuita no âmbito do Sistema Único de Saúde, a persistência de casos e óbitos indica fragilidades na vigilância, especialmente na detecção oportuna de casos leves e moderados. A análise conjunta de incidência e letalidade pode evidenciar inconsistências na sensibilidade do sistema de vigilância, uma vez que a coexistência de baixa incidência com elevada letalidade sugere subdetecção de casos, permitindo utilizar a letalidade como indicador indireto da capacidade de detecção. O objetivo deste estudo foi analisar o descompasso entre incidência e letalidade da febre amarela no Brasil, no período de 2015 a 2024, utilizando a letalidade como indicador indireto da detecção de casos pelo sistema de vigilância epidemiológica. Trata-se de estudo ecológico, descritivo, com abordagem temporal, utilizando dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS. Foram analisados casos humanos confirmados de febre amarela no Brasil, agregados por ano de início dos sintomas. Foram calculados o número de casos e óbitos, a taxa de incidência por 100.000 habitantes, utilizando estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e a taxa de letalidade. Realizou-se análise descritiva dos indicadores ao
        longo do período. Observou-se aumento expressivo de casos entre 2017 e 2018 (1.224 e 1.330 casos), com incidência de 0,59 e 0,63 casos por 100.000 habitantes e redução da letalidade para cerca de 34%. Em contraste, anos com baixa incidência, como 2015 (0,004), 2021 (0,004) e 2023 (0,003), apresentaram elevadas taxas de letalidade, superiores a 50%. Após o período epidêmico, verificou-se redução progressiva da incidência, com valores inferiores a 0,01 a partir de 2020, acompanhada de oscilações na letalidade ao longo da série temporal. Os resultados evidenciam o descompasso entre incidência e letalidade da febre amarela no Brasil, com elevadas taxas de letalidade em períodos de baixa incidência, sugerindo subdetecção de casos leves. A letalidade mostrou-se um indicador indireto útil da sensibilidade da vigilância epidemiológica, reforçando a necessidade de aprimoramento na detecção precoce, qualificação dos sistemas de informação e fortalecimento das ações de vigilância no Sistema Único de Saúde.

        Palestrante: Dr. Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí.)
      • 13:10
        DESENVOLVIMENTO DE ISCA TÓXICA A BASE DE COMPOSTOS DE X (patente): DIMINUIÇÃO NA SOBREVIVÊNCIA E IMPACTO NO FITNESS EM ADULTOS DE Aedes aegypti 20m

        Considerando as limitações para a imunização da população para os arbovírus veiculados por Aedes aegypti, o controle do mosquito assume papel de destaque principalmente quanto ao desenvolvimento de novas moléculas inseticidas. Nesse sentido, o presente estudo avaliou o impacto na sobrevivência e reprodução do “composto X (protegido por patente)” oferecido a adultos de A. aegypti na formulação de isca açucarada. O ensaio foi realizado em triplicata, em condições insetário, utilizando A. aegypti (Rockefeller, n=20, 1:1 macho e fêmea, 0-2 dias pós muda, jejum de 24h). Nos grupos experimentais avaliou-se o efeito da ingestão da isca açucarada considerando o “composto X 1xDL99 ou 2xDL99 + etanol PA 1% + DMSO + sacarose 10% + corante alimentício vermelho” ofertada por 3h ou ad libitum. Aos grupos controle foi ofertada a mesma isca, contudo, uma sem o composto X e outra, sem o “composto X +corante alimentício vermelho”. Com vistas a confirmação da alimentação, vencidas 24h após a oferta da isca açucarada, contabilizou-se a mortalidade dos insetos e analisou-se a distensão abdominal (mm2) com auxílio do software ImageJ (controle – mosquitos não alimentados). Após 4 dias, foi ofertada às fêmeas sobreviventes a possibilidade de repasto sanguíneo em hamster para avaliação da fertilidade (ovos postos) e da fecundidade (ovos eclodidos),bem como acompanhamento do desenvolvimento larval até L3 (sobrevivência e tempo). Durante todo o experimento a mortalidade foi registrada diariamente até a morte do último inseto. Os mosquitos de ambos os sexos, frente as duas doses (1xDL99 e 2xDL99) se alimentaram de forma semelhante aos controles. O tempo de oferta da isca impactou na mortalidade dos insetos, sendo maior no ad libitum quando comparado a 3 h, em ambas as DLs, sendo que os machos se mostraram mais suscetíveis além de morrerem mais rapidamente. A dose impactou negativamente nas taxas de fertilidade e de fecundidade, sendo menores frente à isca 2XDL99 por 3h. Destaca-se que todas as fêmeas da isca ad libitum morreram antes da oferta do repasto sanguíneo. Por fim, 100% das larvas que eclodiram, independente da dose e/ou do tempo de exposição à isca, chegaram a fase L3 sem alteração no desenvolvimento. Os resultados indicam que o composto X tem potencial para desenvolvimento de uma ferramenta de controle de A. aegypti demandando novos estudos.

        Palestrante: Letícia Rodrigues Paiva da Silva
      • 13:10
        DISTRIBUIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA HANSENÍASE NO BRASIL: ESTUDO DESCRITIVO (2015–2024) 20m

        A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, classificada como doença tropical negligenciada, ainda relevante no Brasil. Sua persistência está associada a vulnerabilidades sociais e desafios no diagnóstico precoce, tornando essencial a análise do perfil epidemiológico para subsidiar ações no Sistema Único de Saúde. Este estudo objetivou analisar o perfil epidemiológico dos casos novos de hanseníase no Brasil, no período de 2015 a 2024, segundo características sociodemográficas e regionais. Trata-se de estudo ecológico, descritivo, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS. Foram analisados casos novos de hanseníase no Brasil entre 2015 e 2024, segundo sexo, faixa etária, raça/cor e região de residência, por meio de frequências absolutas e relativas. Foram registrados 307.919 casos no período. Observou-se padrão relativamente estável no período pré-pandemia (2015–2019), com valores elevados e pico em 2018 (36.847 casos). Em 2020, houve redução acentuada no número de casos (23.508), seguida de recuperação gradual nos anos subsequentes, alcançando 29.944 casos em 2023. Essa redução coincide com o período da pandemia de COVID-19, sugerindo impacto nas ações de vigilância e possível subdiagnóstico, com posterior retomada da detecção. Verificou-se distribuição regional desigual, com maior concentração no Nordeste (42,1%), seguido do Centro-Oeste (21,9%) e Norte (18,2%). Sudeste (14,5%) e Sul (3,2%)
        apresentaram menores proporções. Esse padrão evidencia maior carga da doença em áreas historicamente endêmicas e associadas a condições de vulnerabilidade social. Observou-se predomínio do sexo masculino (56,9%), padrão consistente com a literatura e possivelmente relacionado à maior exposição e ao diagnóstico mais tardio entre homens. Observou-se predomínio de casos entre indivíduos da raça/cor parda (59,3%), seguidos por brancos (23,1%) e pretos (12,7%). Esse padrão evidencia a associação da hanseníase com condições de vulnerabilidade social e desigualdades raciais. A maioria dos casos ocorreu em indivíduos com 15 anos ou mais (95,0%), porém destaca-se a ocorrência em menores de 15 anos (5,0%), indicando transmissão ativa. Portanto, percebe-se que a hanseníase permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, com distribuição desigual, reforçando a necessidade de fortalecimento da vigilância e diagnóstico precoce no Sistema Único de Saúde.

        Palestrante: Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí)
      • 13:10
        DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE Aedes aegypti E Aedes albopictus NO MUNICIPIO DE OURO PRETO, MINAS GERAIS 20m

        A ocorrência de arboviroses transmitidas por mosquitos, como dengue, chikungunya e zika, configuram um importante problema de saúde pública no Brasil, estando diretamente associada à presença e à distribuição de vetores do gênero Aedes, em especial as espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus em regiões urbanas e periurbanas. O presente estudo teve como objetivo avaliar a distribuição das espécies supracitadas no município de Ouro Preto com a utilização de armadilhas do tipo ovitrampas. O levantamento dos dados foi realizado em dezembro de 2025 (campanha 1) e março de 2026 (campanha 2) na sede do municipio e em cinco distritos: Antônio Pereira, Amarantina, Cachoeira do Campo, Lavras Novas e Santa Rita de Ouro Preto. As armadilhas ovitrampas foram confeccionadas a partir de um recipiente plástico preto, uma palheta de Eucatex (sítio de oviposição) e solução atrativa a base de levedo de cerveja, Todas as armadilhas foram identificadas com o código de cada localidade. Durante acampanha 1, foram instaladas 130 ovitrampas em Ouro Preto, Cachoeira do Campo e Antônio Pereira, e na campanha 2, 159 ovitrampas distribuídas nos locais anteriormente citados, e acrescentados três distritos, Lavras Novas, Santa Rita de Ouro Preto e Amarantina. As armadilhas permaneceram em campo por um período de 5 a 7 dias e onde foram coletadas e levadas para laboratório, onde foi realizada a conferência das paletas quanto a presença e ausência de ovos. As palhetas que apontaram positivo, tiveram seus ovos quantificados e em seguida imersas em água em recipientes individuais, padronizados com etiqueta de identificação, data de imersão e vedados com tecido próprio. Estes foram mantidos em uma sala com média de temperatura e umidade 26°C e 80% UR e fotofase de 12h, onde permanecerem até a fase adulta. Quarenta palhetas foram positivas na campanha 1 com 3362 ovos contabilizados e 74 na campanha 2, com 3009 ovos com variação na quantidade registrada em diferentes palhetas. Na campanha 1 não apresentou eclosão de ovos. Para a campanha 1, até o momento, cerca de 721 indivíduos alcançaram a fase adulta. Foram então registrados 31 Aedes albopictus em Amarantina, 61 em Antônio Pereira, 2 em Santa Rita, 53 em Cachoeira do Campo, 158 em Ouro Preto, Aedes aegypti 14, 164, 0, 7 e 146 respectivamente, e 36 Aedes serratus em Santa Rita. Os resultados evidenciam a eficácia das ovitrampas no monitoramento de mosquitos do gênero Aedes, demonstrando variações na distribuição de espécies dentro da região estudada. A identificação dos indivíduos na fase adulta aumentou a confiabilidade dos dados, reduzindo a possibilidade de falsos positivos para Aedes albopictus e Aedes aegypti associados a análise exclusiva de ovos.
        Palavras chave: Aedes aegypti; Aedes albopictus; ovitrampa; identificação; distritos.

        Palestrante: MELLISSA VIANA (Universidade Federal de Ouro Preto)
      • 13:10
        ESQUISTOSSOMOSE NO BRASIL: CARACTERIZAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS NOTIFICADOS ENTRE 2015 E 2025 20m

        Popularmente conhecida como “barriga-d’água”, a esquistossomose é uma doença infecciosa negligenciada causada por Schistosoma mansoni. Sua transmissão ocorre quando ovos eliminados nas fezes humanas contaminam a água, infectam caramujos e liberam cercárias, que penetram na pele durante o contato com água contaminada. No Brasil, a doença permanece relevante, sobretudo em áreas com vulnerabilidade social e deficiência de saneamento, com maior concentração nas regiões Nordeste e Sudeste. Nesse contexto, compreender seu perfil epidemiológico é fundamental para orientar ações de controle. Este estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico dos casos confirmados de esquistossomose no Brasil, no período de 2015 a 2025. Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, com dados secundários do SINAN/DATASUS, considerando variáveis sociodemográficas e evolução dos casos. No período analisado, foram registrados 37.929 casos, com predominância do sexo masculino (60,74%). A faixa etária mais acometida foi de 40 a 59 anos (35,33%), seguida de 20 a 39 anos (33,01%). Houve predomínio de indivíduos pardos (52,83%), seguidos por brancos (27,84%). Quanto à escolaridade, destacou-se maior frequência entre indivíduos com ensino médio completo (12,46%), sem evidenciar associação clara entre baixa escolaridade e infecção na população estudada. Em relação à evolução, observou-se cura em 58,54% dos casos, porém com elevada proporção de registros ignorados (36,77%), o que limita a interpretação dos desfechos. Foram registrados ainda 1,59% de não cura, 2,08% de óbitos pela doença e 1% por outras causas. A doença apresentou maior ocorrência no Sudeste (70,82%) e Nordeste (25,18%). Essa distribuição pode estar associada não apenas a fatores socioambientais, mas também a maior cobertura diagnóstica e de notificação no Sudeste, além da existência de bolsões de vulnerabilidade em áreas urbanas. Além disso, a incompletude dos dados reforça possíveis fragilidades na vigilância epidemiológica. Dessa forma, reforça-se a necessidade de ampliar o acesso ao saneamento básico, fortalecer a vigilância, promover diagnóstico precoce e intensificar ações de educação em saúde. Tais medidas são essenciais para reduzir a incidência e complicações da esquistossomose, como hepatoesplenomegalia, hipertensão portal e pulmonar, hemorragia digestiva e óbito.

        Palestrante: Rafaela Antunes de Faria (UFLA - Universidade Federal de Lavras)
      • 13:10
        EXPOSIÇÃO A Toxocara spp. EM POPULAÇÕES INDÍGENAS DA COSTA VERDE NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 20m

        Toxocaríase é uma zoonose causada por Toxocara canis e T. cati, nematódeos intestinais prevalentes em cães e gatos. É uma doença de distribuição global, principalmente em regiões tropicais e subtropicais. A infecção ocorre pela ingestão de ovos embrionados em solo contaminado ou carne crua de hospedeiros paratênicos. A vulnerabilidade ao agente associa-se a fatores socioeconômicos, ambientais e geográficos, além da competência imunológica e hábitos individuais do hospedeiro. Nesse cenário, comunidades indígenas representam grupos severamente afetados. O objetivo deste estufo foi avaliar a exposição a Toxocara spp. em indígenas de comunidades de Angra dos Reis e Paraty, no Rio de Janeiro e identificar fatores associados. Foram coletadas 291 amostras de sangue de indígenas, distribuídas na aldeia Sapukai, em Angra dos Reis e nas aldeias Iriri Pataxó, Rio Pequeno, Paraty-Mirim e Araponga, em Paraty, para pesquisa de anticorpos IgG anti-Toxocara spp. utilizando o ensaio de imunoadsorção enzimática (ELISA). A soroprevalência total foi de 80,8% (n=235). A frequência por município foi de 84,8% (n=112) em Angra dos Reis e 78,2% (n=140) em Paraty, sem associação significativa (OR=1,56; IC 95%: 0,83–2,91; p=0,215). A análise em Paraty revelou variações importantes: em relação à Iriri Pataxó, a exposição foi 8,3 vezes maior em Rio Pequeno (IC 95%: 1,64–42,17; p=0,012) e 4,0 vezes em Paraty-Mirim (IC 95%: 1,67–9,58; p=0,003). Em Araponga a associação foi elevada (OR=3,9; IC 95%: 1,07–14,44; p=0,06), no entanto sem significância estatística, possivelmente em função da variabilidade da amostra. A menor frequência em Iriri Pataxó, 53,3% (n=16), pode ser atribuída a melhor infraestrutura e assistência aos animais, reflexo de sua localização e acesso facilitado aos turistas. Nas demais aldeias, os determinantes ambientais, as limitações de acesso aos serviços de saúde e a relação próxima com animais, potencializam a infecção. Os resultados podem ser justificados pela precariedade do saneamento, pelo consumo de água e alimentos contaminados e pela convivência estreita com animais, aliados ao acesso limitado à saúde, o que favorece a infecção por Toxocara spp. Os resultados indicam elevada exposição dos indígenas a Toxocara spp. e reforçam a necessidade de políticas públicas, ações de educação sanitária e diagnóstico precoce, especialmente pelo fato da toxocaríase ainda não integrar a lista oficial de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, permanecendo subassistida.

        Palestrante: Giovana Côrtes
      • 13:10
        HÍBRIDOS NIFURTIMOX–EUGENOL OBTIDOS POR ACOPLAMENTO DE MITSUNOBU COM FUNCIONALIZAÇÃO TARDIA, A ORDEM DOS FATORES ALTERANDO O RESULTADO? 20m

        A Doença de Chagas atinge de 6 a 7 milhões de pessoas em todo o mundo.
        Os únicos tratamentos disponíveis para manejo da doença são benznidazol e
        nifurtimox, que são ineficazes na fase crônica tardia e cepas resistentes. A
        hibridação molecular é uma técnica de química medicinal que consiste no
        acoplamento de diferentes substâncias bioativas em um único composto,
        possibilitando uma melhor atividade e reduzindo a toxicidade. Em trabalho anterior
        do nosso grupo de pesquisa, foram sintetizados uma série de híbridos, dentre eles,
        o que apresentou resultado tripanocida mais satisfatório foi o acoplamento do
        metronidazol com o diidroeugenol nitrado na posição 5 (meta à hidroxila). A partir
        disso, planejamos uma segunda série de híbridos, substituindo o metronidazol pelo
        fragmento do nifurtimox. Nitrocompostos possuem ação antiparasitária, conforme o
        aumento de sua concentração intracelular, há geração de radicais livres, causando
        danos ao DNA do T. cruzi ocasionados pelo estresse oxidativo, levando à morte do
        parasito. Diante do exposto, optou-se pela nova geração de híbridos nitrados em
        diferentes posições dos fenóis a serem acoplados. A nitração, em fenóis,
        normalmente ocorre de maneira mais facilitada na posição 6, por questões estéricas
        da molécula. Existem estratégias para que a nitração ocorra diretamente na posição
        5 do fenol, como a quelação com nitrato de bismuto, porém, utilizando essa técnica
        foi possível obter uma mistura do produto nitrado em 5, 6 e di-nitrado. Para
        contornar essa dificuldade, usamos o grupo acetil para impedimento estérico da
        posição 6, o que acarreta em três etapas de reação (acetilação, nitração e
        desacetilação) e posterior acoplamento, obtendo um produto exclusivamente nitrado
        na posição 5, aumentando a eficácia e a confiabilidade da nitração na posição
        adequada. Uma estratégia que pode ser utilizada para otimizar a rota sintética é a
        funcionalização tardia, e para executá-la, fez-se primeiramente a reação de
        acoplamento por reação de Mitsunobu, e após realizou-se a mesma técnica de
        nitração que usamos para a posição 6. O grupo nitro foi direcionado para a posição
        5 (difícil acesso) uma vez que o próprio fragmento do nifurtimox gerou um
        impedimento estérico na posição 6 do fenol, substituindo o grupo acetil antes
        utilizado. O sucesso da nitração desejada foi verificado por meio de análises de
        RMN com os experimentos de ¹H e 2D HMBC. Essa descoberta otimizou a síntese e
        mostrou que a ordem dos fatores altera o produto.

        Palestrante: Isabela Ferreira Campos
      • 13:10
        SALMONELOSE EM EQUINOS: ACHADOS ANATOMOPATOLÓGICOS EM ESTUDO RETROSPECTIVO (2020-2026) 20m

        A salmonelose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Salmonella e está associada a distúrbios gastrointestinais graves, com diarreia e morte aguda. Apesar de sua relevância sanitária e zoonótica, a doença é frequentemente subdiagnosticada, configurando-se como doença negligenciada. A salmonelose em equinos pode ocorrer em surtos em ambientes com alta densidade populacional e é transmitida pela ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes de animais infectados. Este estudo descreve achados epidemiológicos e anatomopatológicos associados à infecção por Salmonella sp. em equinos. Foi realizada análise descritiva retrospectiva dos equinos necropsiados de janeiro de 2020 a março de 2026, totalizando 22 equinos com lesões macroscópicas e microscópicas compatíveis com salmonelose, dos quais cinco tiveram confirmação por meio de cultura microbiológica. A maior parte dos animais (18) tinha até oito meses de idade, enquanto quatro tinham de quatro a nove anos. Três propriedades tiveram dois a quatro casos de necropsia sendo realizadas no mesmo período. Macroscopicamente, as principais alterações encontradas foram hiperemia de serosa e mucosa intestinal associadas a conteúdo liquefeito e fétido, além de pulmões hipocrepitantes e vermelho-escuros e líquido livre na cavidade abdominal. Microscopicamente, observou-se hiperemia, edema e trombose pulmonar difusos acentuados; necrose e trombose em mucosa de intestino grosso e delgado; e no fígado. A maioria dos equinos deste estudo eram jovens, com menos de um ano de idade, achado também apontado pela literatura, reforçando a suscetibilidade de equinos jovens à infecção. A ocorrência de mais de um caso em uma mesma propriedade ressalta uma das características da doença: a ocorrência em surtos. Cultura microbiológica foi realizada em menos da metade dos casos. Ela é importante para a confirmação da doença e a partir dela pode ser realizado antibiograma, com geração de informações úteis quanto à conduta terapêutica. Tal limitação foi relacionada principalmente a alterações pós-mortais, uso prévio de antibióticos e dificuldade de cultura intrínseca ao gênero Salmonella. Os achados de necropsia e histopatologia evidenciaram patogenicidade elevada de Salmonella sp., resultando em lesões graves, com grandes prejuízos econômicos por doença e morte de animais, além de sua importância como zoonose negligenciada, reforçando a necessidade de vigilância, melhorias no diagnóstico e medidas de controle.

        Palestrante: THIAGO DE OLIVEIRA (Universidade Federal De Lavras)
      • 13:10
        SAZONALIDADE PLUVIOMÉTRICA E NOTIFICAÇÕES DE DENGUE: ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE PLUVIOSIDADE MENSAL E CASOS EM JATAÍ (GO), NO ANO DE 2025. 20m

        A dengue é um relevante problema de saúde pública no Brasil, cuja transmissão é influenciada por fatores climáticos, especialmente a precipitação. A análise temporal da doença e sua relação com variáveis ambientais é fundamental para o planejamento de ações de vigilância. Este estudo teve como objetivo analisar o padrão temporal da dengue e sua relação com a pluviometria em Jataí (GO), em comparação com o estado de Goiás, no ano de 2025. Trata-se de estudo ecológico, descritivo e analítico, com abordagem temporal, baseado em dados secundários de notificações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS, considerando mês de início dos sintomas e local de residência. Calculou-se a incidência anual por 100.000 habitantes com base em estimativas do IBGE. Os dados de precipitação de Jataí foram obtidos no INMET e os estaduais no Informativo do Tempo de Goiás. Foram registradas 1.590 notificações em Jataí e 105.732 em Goiás. Observou-se padrão sazonal semelhante, com maior concentração no primeiro semestre. Em Goiás, o pico ocorreu em maio (15,8%), seguido de março (14,4%), abril (14,3%) e fevereiro (14,2%), totalizando 58,7% entre fevereiro e maio. Em Jataí, o pico também ocorreu em maio (16,8%), seguido de abril (12,1%) e junho (11,9%), concentrando 51,7% entre março e junho. Houve
        crescimento progressivo no início do ano, com declínio mais homogêneo em Goiás e maior variabilidade em Jataí. O pico de casos em Jataí não coincidiu com o mês mais chuvoso, fevereiro (198,0 mm), ocorrendo após meses de maior precipitação, como janeiro (172,2 mm), fevereiro (198,0 mm) e março (105,8 mm). Maiores percentuais ocorreram em meses ainda chuvosos, como abril (92,4 mm), maio (38,8 mm) e junho (17,4 mm), indicando intervalo temporal entre precipitação e ocorrência da doença. A incidência foi elevada e similar entre as localidades, com 1.424,3 casos por 100.000 habitantes em Jataí e 1.453,6 em Goiás. Os achados demonstram associação temporal entre pluviometria e aumento dos casos, com intervalo temporal, reforçando a necessidade de intensificação precoce das ações de controle.

        Palestrante: Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí)
      • 13:10
        SUBNOTIFICAÇÃO DE DENGUE NO BRASIL: ESTIMATIVA INDIRETA A PARTIR DA RELAÇÃO ENTRE NOTIFICAÇÕES (SINAN) E INTERNAÇÕES (SIH/SUS) (2020–2025) 20m

        A dengue é um agravo de elevada relevância em saúde pública no Brasil, com ampla distribuição e padrão epidêmico recorrente. A subnotificação, especialmente de casos leves, compromete a estimativa da magnitude da doença e a efetividade da vigilância no Sistema Único de Saúde. Nesse contexto, a integração de sistemas de informação pode contribuir para identificar inconsistências e aprimorar o monitoramento epidemiológico. Este estudo teve como objetivo estimar indiretamente a subnotificação de dengue no Brasil por meio da relação entre notificações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e internações do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), no período de 2020 a 2025.Trata-se de estudo ecológico, descritivo e analítico, com abordagem temporal, utilizando dados secundários disponíveis no DATASUS. Foram analisadas notificações de dengue do SINAN e internações hospitalares por dengue (CID-10 A90 e A91) do SIH/SUS, segundo local de residência. Calculou-se, para cada ano, a razão entre internações e notificações como indicador indireto de subnotificação. Entre 2020 e 2025, observou-se variação expressiva nas notificações e internações. Houve redução das notificações em 2021 (540.025) em relação a 2020 (944.502), seguida de aumento até 2024 (6.569.315), com redução em 2025 (1.638.278). As internações
        apresentaram comportamento semelhante, com menores valores em 2021 (16.682) e pico em 2024 (167.098), seguido de redução em 2025 (72.008). A razão entre internações e notificações aumentou de 27,7 em 2020 para 39,3 em 2024, indicando crescimento proporcional das internações e sugerindo possível subnotificação de casos leves. Em 2025, observou-se redução da razão para 22,8. A variação temporal desse indicador sugere subnotificação diferencial de dengue no Brasil, especialmente em períodos de maior carga da doença. O aumento da razão pode refletir limitações na captação de casos leves pela vigilância, enquanto sua redução pode indicar melhora na notificação ou mudanças no perfil epidemiológico. O indicador mostrou-se útil para monitorar a qualidade da informação em saúde, reforçando a necessidade de fortalecimento da vigilância epidemiológica e da integração entre sistemas de informação no SUS.

        Palestrante: Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí)
      • 13:10
        TEMPORALIDADE DOS CASOS DE FEBRE MACULOSA NO BRASIL 20m

        Compreender como uma doença se manifesta em uma população é chave para que se estabeleçam políticas públicas e ações para contenção. A Febre Maculosa Brasileira (FMB) é uma grave riquetsiose para a qual, em uma única década, foram confirmados mais de 2500 casos no Brasil. Este fato a destaca como um problema de saúde pública de relevância no país. Embora a sazonalidade da FMB seja conhecida, a literatura ainda carece de uma análise nacional aprofundada, com dados de longo prazo, que inclua decomposição sazonal, detecção de mudanças estruturais e previsão da série temporal. No presente estudo utilizamos dados da ocorrência da FMB do período de 2014 a 2024 obtidos no SINAN para avaliar padrões na ocorrência de casos no Brasil, através de análise robusta de séries temporais. Objetivamos descrever a tendência de ocorrência da FMB e avaliar a ocorrência de um padrão sazonal. Para tal, a série histórica mensal foi submetida à decomposição sazonal e à modelagem preditiva (forecasting). Há uma sazonalidade anual robusta e crescente para a série de 10 anos, com picos consistentes no bimestre setembro-outubro e vales no primeiro trimestre (nadir em março). Notou-se um alargamento severo da amplitude sazonal, que cresceu de uma variância histórica de ~20 para mais de 60 casos entre o pico e o vale temporal. Identificou-se uma mudança de regime estrutural na curva de tendência a partir de 2022-2023, com a média mensal saltando expressivamente e evidenciando duas anomalias extremas em setembro/2023 (75 casos) e em outubro/2024 (61 casos), com crescimento de 123%. Dado o caráter não estacionário da série e sua dependência temporal complexa, o teste de modelos indicou superioridade do algoritmo Holt-Winters (AIC = 559,32) em relação ao ao SARIMA (AIC = 845,54). Houve um aumento no número de casos de FMB desde 2021 até 2024. As projeções indicaram a manutenção desta quebra estrutural, estimando cerca de 383 casos anuais e a preservação do novo teto epidêmico. Sugerimos que a queda no número de casos entre os anos de 2019 e 2021 se deva a um efeito da pandemia da COVID19. Nossos achados reforçam a urgência de implementação de um sistema de alerta precoce, com reforço estrutural e logístico do sistema de vigilância e saúde pública de forma antecedente à janela crítica de setembro-outubro.

        Palestrante: Luan Alexander de Oliveira
      • 13:10
        TUBERCULOSE NO BRASIL: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E DESIGUALDADES NA DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS (2015-2024) 20m

        A tuberculose é uma doença infecciosa de elevada relevância em saúde pública, associada a condições de vulnerabilidade social. Apesar dos avanços no controle, o Brasil mantém elevada carga da doença, evidenciando desigualdades na distribuição dos casos e desafios no diagnóstico e tratamento. Objetivou-se analisar o perfil epidemiológico dos casos confirmados de tuberculose no Brasil, no período de 2015 a 2024, segundo características sociodemográficas e regionais. Trata-se de estudo ecológico, descritivo, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, disponíveis no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Foram analisados casos confirmados de tuberculose no Brasil, segundo local de residência, no período de 2015 a 2024. As variáveis incluíram sexo, faixa etária, raça/cor e região de residência. Os dados foram analisados por estatística descritiva, com apresentação em frequências absolutas e relativas. No total, foram registrados 954.595 casos no período analisado. Observou-se tendência geral de crescimento, passando de 85.462 casos em 2015 para 112.988 em 2024. Entre 2015 e 2019, houve aumento progressivo, seguido de redução em 2020 (85.962 casos) e posterior retomada do crescimento, com pico em 2024, sugerindo impacto da pandemia de COVID-19 na detecção dos casos. A distribuição regional mostrou-se desigual, com maior concentração no Sudeste (44,9%), seguido do Nordeste (26,0%). As regiões Sul (12,2%) e Norte (12,0%) apresentaram proporções semelhantes, enquanto o Centro-Oeste registrou menor participação (4,9%), indicando maior ocorrência em
        áreas mais populosas e urbanizadas. Observou-se predomínio no sexo masculino (70,1%), possivelmente relacionado à maior exposição a fatores de risco e ao diagnóstico tardio. Quanto à raça/cor, houve predominância da população parda (49,8%), seguida por brancos (28,0%) e pretos (13,3%), com 7,0% de registros ignorados, evidenciando a influência das desigualdades sociais. Em relação à faixa etária, a maior frequência concentrou-se em adultos jovens de 20 a 39 anos (45,7%), seguidos por indivíduos de 40 a 59 anos (31,5%), com menor participação de idosos (14,9%) e menores de 15 anos (2,8%). A tuberculose permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, com distribuição desigual e forte associação a vulnerabilidades sociais, reforçando a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância, diagnóstico precoce e controle no Sistema Único de Saúde.

        Palestrante: Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí)
    • 13:30 14:00
      Apresentação oral - 22/05/2026: Flash talk 1

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade oral.

      • 13:30
        PERFIL DOS AGENTES DE COMBATE A ENDEMIAS (ACEs) ATUANTES NA VIGILÂNCIA DOS POSTOS DE INFORMAÇÃO DE TRIATOMÍNEOS (PITs) NOS MUNICIPIOS DA SUPERINTEDÊNCIA REGIONAL DE SAÚDE (SRS) DE SETE LAGOAS, MINAS GERAIS, BRASIL 5m

        Os Postos de Informação de Triatomíneos (PITs) ancoram a estratégia de participação popular no controle vetorial da doença de Chagas (DC) no Brasil. Distribuídos em locais acessíveis, sua localização espacial estratégica é crucial para potencializar a adesão da comunidade, identificar vazios assistenciais e fortalecer políticas públicas, sendo os agentes de combate a endemias (ACEs) elo fundamental nesse processo de controle da DC no território intermediando a comunicação entre comunidade e serviço. Nesse sentido, este trabalho objetivou traçar o perfil dos ACEs atuantes nos municípios que integram a Superintendência Regional de Saúde de Sete Lagoas (SRS-SL), e avaliar o conhecimento deles sobre aspectos relacionados à doença de Chagas e vetores. Para o alcance dos resultados foram aplicados questionários semi-estruturados, disponibilizados no Google forms, e enviado ao e-mail dos ACEs. Participaram do preenchimento do instrumento 56 profissionais sendo 85,7% do sexo masculino e 14,3% do sexo feminino. Quanto a escolaridade, 59% dos ACEs tinham ensino nível médio, 19,6% ensino superior completo, 14,3% superior incompleto e 7,1% tinham o ensino fundamental completo. Dentre os respondentes, 98,9% afirmaram trabalhar com controle vetorial da DC, 5,3% afirmaram já terem trabalhado e 1,8% disseram não trabalhar nessas ações. Em relação ao tempo de atividades junto à vigilância da DC, 53,5% trabalhavam há mais de 10 anos, 19,6% entre 5-10 anos, 12,5% entre 2-5 anos, 5,3% trabalhavam entre 1-2 anos, e 9% trabalhavam há menos de um ano. A maioria dos participantes 76,8%, informou já ter participado de capacitações para atuar no controle de triatomíneos. Em relação ao conhecimento sobre os triatomíneos (tipo de alimentação, fases do ciclo de desenvolvimento, locais de esconderijo nos domicílios e forma de transmissão da doença) entre 85,7% e 97% responderam corretamente as questões. Dessa forma, percebe-se que o nível de conhecimento dos ACEs sobre a DC e vetor foi boa. É possível verificar a heterogeneidade no perfil sociodemográfico e experiência no serviço destes profissionais. Nesse sentido, faz-se importante valorizar a escuta e conhecimento destes, revelando fragilidades em suas formações e aspectos que mereçam atenção na formação e qualificação. Afinal eles são pontes fundamentais para fortalecer o controle da DC, garantindo a manutenção e sustentabilidade da vigilância entomológica com participação popular na SRS-SL.

        Palestrante: Sra. Silmeiry Angélica Teixeira (Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES/MG))
      • 13:35
        PADRONIZAÇÃO DE TRATAMENTO CURATIVO DA MALÁRIA NÃO GRAVE EXPERIMENTAL MURINA POR Plasmodium berghei (NK65) 5m

        A malária, doença infecciosa parasitária causada por protozoários do gênero Plasmodium, é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. No campo experimental, os modelos murinos são amplamente utilizados para o estudo de diversos aspectos da malária, incluindo o seu tratamento. Neste estudo, buscamos estabelecer um tratamento curativo para infecção pela cepa selvagem do Plasmodium berghei NK65 no camundongo C57BL/6, resistente à cloroquina, de forma a contribuir para o uso de modelos de malária de roedores em estudos de diferentes naturezas. Foram testados protocolos com a combinação de amodiaquina, artesunato, sulfadiazina, artemeter e lumefantrina em dosagens e vias de administração distintas buscando alcançar a cura parasitológica radical. Como uma das linhas de pesquisa do nosso grupo corresponde ao estudo das sequelas neurocognitivas em modelos de malária não grave murina, os testes de comportamento e memória são feitos em diferentes momentos até 150 dias após o tratamento. Dessa forma, é fundamental que os estudos comportamentais visando identificar potenciais sequelas da malária não grave ocorram em animais tratados que alcançaram comprovadamente a cura radical e não se encontram infectados no momento dos estudos cognitivo-comportamentais. Os testes de parasitemia são feitos em intervalos regulares de tempo até 180 dias após o tratamento para que a cura seja considerada radical. Os resultados obtidos mostram que o tratamento combinado de artesunato (de 50mg/kg por via intraperitoneal) e amodiaquina (24mg/kg via gavagem) ao longo de sete dias promoveu a cura radical de camundongos C57BL/6 infectados pelo PbNK65 WT por mais de 170 dias após o fim do tratamento e pode ser usado nesse modelo de malária experimental murina.

        Palestrante: Sra. Rízia Maria da Silva (Laboratório de Pesquisa em Malária, Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
      • 13:40
        INVESTIGANDO O POTENCIAL DA ASSOCIAÇÃO DA PORFIRINA MnTnHex-2-PyP5+ COM ASCORBATO CONTRA Leishmania amazonensis 5m

        As porfirinas de manganês (MnPs) vem se destacando como agentes redox-ativos pró-oxidantes devido a sua capacidade de induzir a geração de H2O2 em combinação com o ascorbato (Asc), desencadeando estresse oxidativo celular. O sistema MnP/Asc vem sendo investigado no contexto oncológico e pode representar uma estratégia terapêutica promissora contra a leishmaniose, doença negligenciada causada por Leishmania spp. e caracterizada por múltiplas formas clínicas. O tratamento atual tem sido relacionado a uma alta citotoxicidade, além do surgimento de cepas resistentes dos parasitos. Assim, este estudo visou investigar a ação da Mn(III) porfirina MnTnHex-2-PyP5+ (MnP hexil) associada ao Asc sob a forma promastigota de Leishmania amazonensis. Os parasitos de L. amazonensis foram cultivados e incubados com diferentes concentrações de MnP hexil (5 e 10 µM) associadas ao Asc (2 e 3 mM), por 48 h. Foram incluídos também os grupos controles: apenas células e tratamentos com MnP e Asc, separadamente. O efeito foi avaliado analisando a proliferação celular na ausência e presença de catalase (enzima que catalisa a decomposição de H2O2 em H2O e O2). A citotoxicidade em células Vero foi também investigada após incubação com os tratamentos, por meio do ensaio de MTT, o qual é baseado na atividade metabólica mitocondrial. Os resultados mostraram que as combinações de MnP hexil 5 µM + Asc 3 mM e MnP hexil 10 µM + Asc 2 mM levaram a reduções semelhantes de aproximadamente 50% na proliferação parasitária, em relação ao controle. Com a adição de catalase houve recuperação do crescimento celular, sugerindo que o H2O2 gerado desempenha um papel central na ação redox-ativa sobre os parasitos. Não foi observada citotoxicidade considerável em células Vero. A associação MnP hexil/Asc apresentou potencial antiparasitário contra formas promastigotas de L. amazonensis, incitando mais estudos para melhor elucidar seu mecanismo de ação e sua avaliação em formas amastigotas.

        Palestrante: Yasmin Souza (UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO)
      • 13:45
        COMPOSIÇÃO DA FAUNA, INFECÇÃO POR LEISHMANIA SPP. E ANÁLISE DE REPASTO SANGUÍNEO EM FLEBOTOMÍNEOS DE BRUMADINHO (MG) PÓS-ROMPIMENTO DA BARRAGEM 5m

        O município de Brumadinho (MG) foi cenário, em janeiro de 2019, de um dos mais graves desastres ambientais e humanitários do Brasil, decorrente do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, que liberou aproximadamente 12 milhões de m³ de rejeitos de mineração. Esse evento provocou alterações ambientais, com potencial impacto sobre a dinâmica de vetores de doenças negligenciadas, como as leishmanioses. Este estudo teve como objetivo caracterizar a fauna de flebotomíneos e investigar a circulação de Leishmania spp. no cenário pós-desastre, comparando com dados entomológicos prévios da região. As coletas foram realizadas em maio e setembro de 2022, e janeiro e maio de 2023, totalizando 8.467 flebotomíneos pertencentes a oito gêneros e 19 espécies. As espécies mais abundantes foram Nyssomyia whitmani (87,22%), Lutzomyia longipalpis (8,78%) e Migonemyia migonei (2,04%). Para investigação de detecção de DNA de Leishmania 2.829 fêmeas não ingurgitadas foram submetidas à PCR direcionados ao alvo ITS1, sendo analisadas individualmente e em pools. Foram identificados sete pools positivos para presença de DNA de Leishmania spp., todos pertencentes à espécie Ny. whitmani, resultando em uma taxa de infecção de 0,24%. O sequenciamento das amostras revelou a presença de Leishmania braziliensis e de Leishmania infantum. Adicionalmente, 624 das fêmeas apresentaram conteúdo sanguíneo, das quais 423 foram analisadas por PCR para identificação da fonte alimentar utilizando o alvo Cty b. Foram identificados cinco hospedeiros vertebrados: Gallus gallusHomo sapiensRattus rattusSapajus nigritus e Sus scrofa, com registro de repasto em dez espécies de flebotomíneos. Os resultados evidenciam a manutenção de espécies vetoras, a circulação de diferentes espécies de Leishmania e a plasticidade alimentar dos flebotomíneos em Brumadinho após o desastre, reforçando o risco de transmissão e a necessidade de vigilância entomológica contínua em áreas impactadas.

        Palestrante: Debora Cristina Capucci (Fiocruz Minas)
    • 13:30 14:00
      Dia 1 - 22/05/2026: Bloco 4 - Avaliação Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 13:30
        CIÊNCIA CIDADÃ COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO E MONITORAMENTO DE VETORES DE DOENÇAS: A EXPERIÊNCIA COM ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO 20m

        As arboviroses urbanas representam um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil, sendo os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus os principais vetores de vírus como dengue, chikungunya e zika. Nesse contexto, a vigilância entomológica é fundamental para o monitoramento das populações vetoriais, sendo o recurso mais utilizado, as ovitrampas. Estratégias baseadas em ciência cidadã têm sido aplicadas para ampliar o conhecimento da população e fortalecer ações de vigilância. O objetivo desse estudo foi treinar estudantes do ensino médio para atuarem como multiplicadores no ambiente escolar, utilizando o campus universitário como espaço de experimentação. A atividade foi desenvolvida por três estudantes do ensino médio bolsistas de iniciação científica do projeto “MC-Aedes: Monitoramento comunitário do mosquito Aedes”, junto à uma equipe de pesquisadores. A pesquisa ocorreu entre 06/12/2025 e 18/03/2026 no campus de uma universidade estadual no município de Montes Claros (MG). As estudantes participaram de uma capacitação em vigilância entomológica de Ae. aegypti e Ae. albopictus com construção de ovitrampas com garrafas PET (ovitrampet), além de noções de ecologia e história do Aedes no Brasil. Posteriormente, realizaram caminhadas investigativas no campus da Unimontes para identificar e fotografar possíveis criadouros utilizando o aplicativo Epicollect5. As áreas de risco identificadas foram validadas por pesquisadores do projeto, receberam instalação de ovitrampets (17) e monitoradas semanalmente. As palhetas positivas tiveram seus ovos contados e foram determinados os índices de Positividade das Ovitrampas (IPO) e de Densidade de Ovos (IDO), além da elaboração de um mapa da distribuição dos ovos. Foram mapeados 118 potenciais criadouros, com 110 confirmados (93,2% de acerto). Observou-se avanço na compreensão das estudantes sobre fatores ambientais e ecologia do mosquito. Foram coletados 24.268 ovos, com IPO médio de 79,6% e IDO médio de 140,8, destacando-se a campanha 4 com maiores índices (IPO 82,4% e IDO 376,4). Os pontos com maior média de ovos foram CCSA (342,78) frente ao CCBS (215,85) e Reitoria (175,85). Os resultados foram encaminhados à diretoria do campus. A experiência demonstrou que a ciência cidadã é uma ferramenta para fortalecer a vigilância entomológica. Ao engajar estudantes na identificação de áreas de risco e na disseminação de saberes preventivos, a iniciativa estimula o pensamento crítico e transforma alunos em agentes ativos no combate e controle das arboviroses.

        Palestrante: Sra. Erik Gabriel Mendes de SOUZA (Universidade Estadual de Montes Claros)
      • 13:40
        ANÁLISE PRELIMINAR DA DIVERSIDADE DE DIPTERA: PHLEBOTOMINAE EM PAISAGENS ANTROPIZADAS NO CERRADO BRASILEIRO 20m

        A antropização da paisagem no Cerrado tem provocado distúrbios na biodiversidade local, agravados pela ocupação intensiva do território. Essas mudanças aumentam o contato entre humanos, vetores e patógenos, elevando o risco de transbordamento (spillover). A urbanização e a degradação ambiental impõem pressões que favorecem a adaptação de espécies de flebotomíneos, ao ambientes antropizados, contribuindo para a aproximação de espécies tolerantes que são vetores de doenças tropicais negligenciadas. Entre os agentes de importância para a saúde pública, destacam-se arbovírus, bactérias e protozoários do gênero Leishmania. Como agravante, a vulnerabilidade social intensifica a exposição das populações. Nesse contexto, flebotomíneos (Phlebotominae) respondem a diferentes níveis de pressão antrópica na paisagem e à fragmentação de habitats naturais, refletindo-se em alterações na estrutura das comunidades. Diante disso, avalia-se a hipótese de que habitats com maior influência antrópica apresentam redução da riqueza e diversidade de flebotomíneos, com aumento da abundância e dominância de espécies adaptadas a ambientes antropizados, como Lutzomyia longipalpis. As coletas foram realizadas durante cinco dias consecutivos, incluindo áreas com cavernas, florestas e regiões urbanas, no Parque Estadual da Lapa Grande, em Montes Claros (MG), e o Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa (MG). Prevê-se a ocorrência de espécies com distintos níveis de associação ambiental, refletindo a influência do gradiente de perturbação na estrutura das comunidades. A amostragem dos flebotomíneos foi realizada com armadilhas luminosas do tipo CDC e Shannon, em três pontos ao longo de cada gradiente (silvestre–transição–urbano) em áreas do Cerrado mineiro. Os espécimes coletados foram encaminhados ao laboratório, onde estão sendo montados em lâminas, identificados e submetidos à análise molecular para detecção de Leishmania. Resultados preliminares reforçam a associação entre a degradação de habitats naturais e o aumento do risco epidemiológico, especialmente em contextos de precariedade sanitária, e ampliam a compreensão das respostas dessa fauna. Esses achados sugerem uma simplificação biótica em ambientes mais degradados, com favorecimento de espécies oportunistas e vetores, e subsidiam o desenvolvimento de estratégias integradas de conservação, monitoramento ambiental e vigilância em saúde pública.

        Palestrante: Suzana Pedrosa Barsante Oliveira (Estudante de Ciências Biologicas- Laboratorio LEAF)
      • 13:40
        AVALIAÇÃO DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE CASOS DE ESPOROTRICOSE FELINA NO MUNICÍPIO DE LAVRAS: ASSOCIAÇÃO ENTRE SITUAÇÃO DE DOMICÍLIO E DESFECHO CLÍNICO 20m

        A esporotricose é uma micose de inoculação causada por fungos do gênero Sporothrix, sendo uma doença negligenciada por ser uma zoonose emergente que afeta principalmente populações vulneráveis, além da escassez de informações sobre sua incidência. S. brasiliensis é a principal espécie associada a via de transmissão zoonótica, acometendo principalmente os gatos. O presente estudo objetivou analisar descritivamente o perfil epidemiológico da esporotricose felina associada ao desfecho dos casos registrados no período de janeiro de 2018 à março de 2026 em Lavras-MG. Os dados foram disponibilizados pela Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) do município. O estudo transversal e descritivo analisou no total 283 registros de casos positivos. A situação de domicílio indicou predominância de gatos errantes, sendo 157 (55,5%), enquanto 126 (44,5%) eram domiciliados. Com relação ao sexo, 196 (69,3%) dos casos acometeram gatos machos, 71 (25,1%) fêmeas e 16 (5,7%) não continham informação. Ao associar a condição domiciliar ao desfecho clínico, observou-se que, entre os felinos domiciliados, 88 (31,0%) receberam tratamento, 26 (9,2%) foram eutanasiados e 9 (3,3%) sumiram ou não continham informação. Já entre os felinos errantes, apenas 11 (3,9%) foram tratados, enquanto 142 (50,1%) foram eutanasiados e 7 (1,9%) morreram ou não continham informação. Os resultados indicam que gatos machos e errantes são os mais acometidos pela esporotricose, provavelmente devido a hábitos comportamentais como brigas por território e disputas por fêmeas, ocasionando a transmissão através de arranhaduras e mordeduras. Tal cenário demonstrou que gatos errantes têm maior probabilidades de serem eutanasiados, enquanto gatos domiciliados recebem tratamento, mesmo que ainda não em sua totalidade. Nesse contexto, o controle da doença depende de políticas públicas, a viabilização do tratamento, como a disponibilização gratuita do medicamento, mutirão de castrações, a fim de promover o controle populacional dos felinos, medidas efetivas de penalidade para o abandono, assim como a conscientização da tutela responsável e ações de educação em saúde. Ademais, torna-se necessária uma melhor conduta dos casos de gatos errantes infectados, de forma a ser possível o tratamento e a diminuição de eutanásias e promovendo o bem-estar animal sob ótica de Uma Só Saúde.

        Palestrante: Giovana Ferreira Guimarães (Escola Estadual Firmino Costa)
      • 13:40
        COMPACTAÇÃO GÁSTRICA SECUNDÁRIA À BABESIOSE EM EQUINO: RELATO DE CASO 20m

        A babesiose equina é uma hemoparasitose causada pelos protozoários Babesia spp. e Theileria equi, transmitidos por carrapatos, caracterizada pela invasão e destruição de eritrócitos, resultando em anemia hemolítica, febre, icterícia, letargia e redução do desempenho atlético. Em casos mais graves, as alterações sistêmicas decorrentes da hemólise e da resposta inflamatória podem comprometer diferentes sistemas orgânicos. Apesar de amplamente distribuída em regiões tropicais e subtropicais e de seu impacto sanitário e econômico na equideocultura, a enfermidade é frequentemente considerada uma doença negligenciada, em virtude da subnotificação, das limitações diagnósticas em condições de campo e da insuficiente inclusão em programas sanitários. Relata-se o caso de um equino macho, da raça Mangalarga Marchador, com aproximadamente quatro anos de idade, atendido com histórico de desconforto abdominal iniciado no dia anterior, caracterizado por escavação, decúbito e rolamentos. Ao exame clínico observaram-se frequência cardíaca de 56 bpm, frequência respiratória de 18 rpm, temperatura retal de 39 °C, mucosas róseas com fundo ictérico, desidratação estimada em 8% e motilidade intestinal discretamente reduzida. À sondagem nasogástrica houve drenagem abundante de conteúdo fermentado composto por silagem e capim, compatível com compactação gástrica. Logo, inicialmente, instituiu-se tratamento com sondagem nasogástrica, lavagem gástrica, administração de laxante e fluidoterapia intravenosa com solução de ringer com lactato, sendo observada a resolução do quadro de desconforto abdominal. Considerando a presença de febre e icterícia, realizou-se pesquisa de hematozoários por meio de esfregaço sanguíneo, evidenciando inclusões intraeritrocitárias sugestivas de Babesia spp., confirmando o diagnóstico de babesiose. Diante do resultado, foi instituída terapia específica com imidocarb, associada às medidas de suporte já estabelecidas, sendo observada melhora clínica progressiva. O caso ressalta a importância da inclusão de hemoparasitoses no diagnóstico diferencial de síndromes cólicas em equinos, especialmente quando associadas a sinais sistêmicos, e sugere que a babesiose pode predispor a alterações digestivas secundárias, como compactações, possivelmente relacionadas à redução da ingestão alimentar, alterações metabólicas, diminuição da motilidade gastrointestinal e comprometimento do estado geral do animal.

        Palestrante: Bruna Gischewski Vilela (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)
      • 13:40
        Competição interespecífica entre imaturos de Lutzomyia longipalpis e larvas necrófagas de Chrysomya megacephala e Lucilia sericata em carcaças de roedores: um novo habitat para flebotomíneos. 20m

        A leishmaniose visceral é uma doença tropical negligenciada com alta incidência no Brasil. Um dos principais desafios para seu controle reside na dificuldade de identificar os criadouros naturais das formas imaturas do vetor Lutzomyia longipalpis. Estudos recentes, realizados por nosso grupo de pesquisa, indicaram a preferência do vetor em ovipositar em substratos ricos em matéria orgânica, como carcaças de animais e fezes, que fornecem nutrientes essenciais para o desenvolvimento larval. Este estudo integrou experimentos realizados em condições controladas para avaliar a sobrevivência e o desenvolvimento larval de L. longipalpis em carcaças de roedores, testando a competição interespecífica com as larvas necrófagas de Chrysomya megacephala e Lucilia sericata. Os ensaios foram conduzidos em potes com fundo de gesso sob condições controladas de temperatura (25-27°C), umidade (80-95%) e fotoperíodo de 12h. Foram utilizados grupos de controle (substrato de ração e carcaça isoladamente) e grupos de competição (larvas do vetor associadas às necrófagas), todos realizados em triplicatas. Os resultados demonstram que a competição com C. megacephala foi fatal para L. longipalpis, cuja sobrevivência caiu para quase 0%, enquanto no grupo controle em carne esta se manteve em 50%. O grupo de C. megacephala também foi impactado pela competição, com a sobrevivência declinando de 60% para 40%. No cenário com L. sericata, a sobrevivência do vetor foi reduzida a 20% (frente a 90% no controle em ração), enquanto a larva necrófaga demonstrou dominância, mantendo sobrevivência de 80% sob competição e 90% no controle. Em ambos os casos, a competição desencadeou comportamentos de fuga e abandono do alimento pelo vetor. Além disso, fatores abióticos, como os fluidos de decomposição que formam matrizes viscosas e a proliferação de hifas fúngicas, atuaram como armadilhas físicas, limitando o desenvolvimento larval. Portanto, aliada a condições microambientais desfavoráveis, constitui um importante fator limitante para o desenvolvimento e a sobrevivência larval de Lutzomyia longipalpis.

        Palestrante: Sra. Vitória Saggioro
      • 13:40
        DA “FERIDA BRAVA” AO ATENDIMENTO FORMAL DE SAÚDE: ESPIRITUALIDADE E SABER POPULAR NOS ITINERÁRIOS TERAPÊUTICOS DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR 20m

        A leishmaniose tegumentar (LT) é uma doença tropical negligenciada causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida por flebotomíneos, e permanece endêmica em Minas Gerais, com incidência crescente desde 2014. Em várias comunidades rurais do Brasil, a úlcera clássica da LT é conhecida como “ferida brava”, expressão que evoca uma lesão percebida como “bárbara”, silvestre, desconhecida, indomável e de difícil cura, refletindo a forma como o adoecimento é interpretado por essas populações. Nesse contexto, os itinerários terapêuticos (ITs), entendidos como os caminhos percorridos pelos pacientes em busca de cuidado e cura, e que englobam os setores popular (tradições familiares), “folk” (práticas espirituais) e profissional, tornam-se fundamentais para compreender o atraso frequente na procura por assistência médica e suas repercussões clínicas e sociais. Objetivou-se analisar, por meio de revisão integrativa, os ITs de pacientes com LT em áreas rurais, identificando o papel dos saberes populares e das práticas espirituais no enfrentamento da doença e suas implicações para a prática clínica. Realizou-se busca nas bases PubMed, Scopus e SciELO, entre 2002 e 2025, com os descritores “cutaneous leishmaniasis”, “traditional medicine”, “therapeutic itinerary”, “spirituality”, “transcendent” e “Brazil”. Incluíram-se estudos sobre percepções populares, práticas tradicionais e ITs em áreas endêmicas, com síntese narrativa organizada em quatro eixos: representações sociais, influência da espiritualidade, práticas tradicionais e implicações clínicas. Os achados indicam que parte expressiva dos pacientes busca inicialmente curandeiros e benzedeiras por meses, o que posterga o diagnóstico e o início do tratamento profissional. Persistem crenças em causalidade sobrenatural, como “mau-olhado” e “castigo divino”, coexistindo com o reconhecimento parcial do vetor e da transmissão biológica. As práticas espirituais, embora ofereçam suporte emocional e simbólico, podem também produzir resignação diante da persistência da lesão. Observou-se ainda o uso de plantas medicinais sobre as úlceras, além de estigma, isolamento social e importante impacto psicossocial. Assim, reconhecer o saber popular e a dimensão espiritual no que tange à LT é essencial para a construção de estratégias culturalmente sensíveis, capazes de favorecer adesão terapêutica, diagnóstico precoce e atuação compartilhada com famílias e comunidades.

        Palestrante: João Pedro ARCANJO (UFLA)
      • 13:40
        Desenvolvimento e avaliação de armadilha luminosa modular com tecnologia de impressão 3D para captura segura de flebotomíneos 20m

        A vigilância entomológica de flebotomíneos, vetores das leishmanioses, ainda depende majoritariamente de armadilhas luminosas comerciais do tipo CDC ou HP, cujo custo elevado e limitações operacionais restringem sua aplicação em estudos de campo e ações de vigilância, especialmente em contextos de vulnerabilidade socioeconômica. Embora alternativas de baixo custo tenham sido propostas, persistem limitações relacionadas à padronização estrutural, resistência a intempéries e biossegurança na coleta de espécimes vivos. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo desenvolver uma armadilha luminosa modular de baixo custo, com componentes estruturais impressos em 3D, voltada à otimização do fluxo de sucção, aumento da durabilidade e aprimoramento da segurança operacional. Trata-se de um estudo de desenvolvimento tecnológico, no qual foi projetado um dispositivo composto por túnel de sucção com geometria otimizada para acoplamento de ventilador padrão, sistema de iluminação por LED de baixo consumo e alta direcionalidade e módulo superior de proteção contra chuva. Como inovação, destaca-se a incorporação de um sistema de fechamento do saco coletor por cordão com trava regulável, permitindo o selamento completo antes da remoção e reduzindo o risco de exposição ocupacional. Adicionalmente, o dispositivo conta com módulo coletor inferior rígido, vedado por tampa rosqueável, possibilitando armazenamento e transporte seguro do material biológico. Espera-se que o protótipo apresente desempenho entomológico comparável às armadilhas convencionais, com manutenção da capacidade de captura e maior integridade dos espécimes coletados, além de redução de perdas amostrais e de riscos biológicos durante o manejo e transporte. Do ponto de vista operacional, a utilização de impressão 3D permite maior padronização, reprodutibilidade e facilidade de manutenção em campo, superando limitações frequentemente descritas em modelos alternativos. A proposta também favorece a escalabilidade e adaptação a diferentes cenários epidemiológicos, podendo ampliar o acesso a ferramentas de vigilância em regiões com recursos limitados. Dessa forma, o estudo contribui para o fortalecimento das estratégias de monitoramento vetorial e controle de doenças negligenciadas, alinhando-se ao ODS 3 ao propor uma solução inovadora para o fortalecimento das ações de controle de doenças negligenciadas, e ao ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), ao incorporar tecnologias acessíveis e replicáveis.

        Palestrante: Thiago knaip do amaral cherem (UFMG)
      • 13:40
        ESQUISTOSSOMATÍDEOS AVIÁRIOS EM Larus dominicanus NO SUL DO BRASIL: IMPLICAÇÕES EM SAÚDE ÚNICA E DOENÇAS NEGLIGENCIADAS (2022-2025) 20m

        A interface entre fauna silvestre, ambiente aquático e saúde humana é central no conceito de Saúde Única, especialmente no contexto das doenças negligenciadas. A esquistossomose aviária pode impactar indiretamente a saúde humana por meio da dermatite cercariana, uma zoonose associada à exposição a águas contaminadas. Dentre os esquistossomatídeos aviários, destaca-se o gênero Trichobilharzia, frequentemente associado à dermatite cercariana em humanos. Esses parasitas apresentam ciclo heteroxeno, envolvendo aves aquáticas como hospedeiros definitivos e moluscos como intermediários, sendo os humanos os hospedeiros acidentais. Este estudo avaliou a ocorrência desses parasitas em gaivotas (Larus dominicanus) no estado de Santa Catarina, Brasil, entre 2022 e 2025, correlacionando achados parasitológicos e histopatológicos com implicações em saúde pública. Foram analisados 116 indivíduos recebidos para necropsia, com dados do Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática (SIMBA), dos quais 4 (4/116) apresentaram infecção. À análise histopatológica, observaram-se ovos de trematódeos compatíveis com esquistossomatídeos, com cutícula refringente, espinhos laterais e miracídio central eosinofílico com núcleos basofílicos, localizados no lúmen de vasos da mucosa, associados a infiltrado mononuclear com predomínio de linfócitos e macrófagos, além de necrose focal. Apesar da baixa frequência, a detecção desses parasitas representa importante sinal de alerta, indicando contaminação ambiental e circulação ativa do agente. Por se tratar de condição negligenciada e subnotificada, a dermatite cercariana é frequentemente confundida com outras dermatopatias, dificultando seu reconhecimento. A liberação de cercárias infectantes em ambientes aquáticos amplia o risco de exposição humana e de outros animais, sobretudo em áreas de recreação. A ocorrência em aves marinhas migratórias evidencia ampla dispersão desses helmintos e sua adaptação a diferentes ecossistemas, dificultando o controle sanitário. Assim, os achados reforçam o papel das aves como sentinelas ecológicas e destacam a necessidade de vigilância integrada em Saúde Única.

        Palestrante: Bruna Henrique Pinto Silva (UFLA)
      • 13:40
        IMPACTO DAS VARIÁVEIS CLIMÁTICAS NA EXPANSÃO GEOGRÁFICA DO Biomphalaria glabrata E OS DESAFIOS PARA O CONTROLE DA ESQUISTOSSOMOSE NO ESTADO DE MINAS GERAIS 20m

        A esquistossomose em Minas Gerais (MG) é moldada pela sinergia entre a favorabilidade biológica climática e a precariedade sanitária. As mudanças climáticas e a urbanização redefinem os nichos do Biomphalaria glabrata, vetor de maior competência no estado. Sob o paradigma de Saúde Única, o controle exige a compreensão de que o clima modula a viabilidade do ciclo, enquanto a falha no saneamento é o evento que o inicia. Desse modo, o presente estudo tem como objetivo avaliar o impacto das variáveis climáticas na distribuição do B. glabrata e discutir a dependência entre o aquecimento global e a infraestrutura sanitária nas metas de eliminação da doença em Minas Gerais até 2030. Para isso, foi realizada uma Revisão integrativa nas bases PubMed, SciELO e repositórios institucionais. Aplicaram-se os descritores: “Schistosomiasis”, “Climate Change”, “Minas Gerais”, “Biomphalaria glabrata”, “One Health” e “Environmental RNA”. Critérios de inclusão: artigos originais (2022-2026) sobre Minas Gerais ou modelos bioclimáticos nacionais. Excluíram-se estudos pré-2022 ou sem análise ambiental. A amostra final consistiu em 6 artigos científicos. Observou-se que a temperatura da água é o modulador central da viabilidade da infecção, com ótimo térmico de 21,7º C. Altas temperaturas aceleram o desenvolvimento intra molusco, reduzindo o período pré-patente para menor que 20 dias a 35º C, embora elevem a mortalidade vetorial. Modelagens indicam que o clima impulsiona deslocamentos geográficos amplos, enquanto a urbanização gera habitats estáveis em canais de drenagem . Projeções para o Norte de MG (2021-2060) sugerem aquecimento que favorece a expansão para áreas indenes. Entre 2018 e 2023, MG registrou 9.239 casos, e a letalidade subiu para 7,82% em 2020 devido ao impacto da COVID-19 na vigilância. No eixo Saúde Única, roedores silvestres (Holochilus sciureus) foram confirmados como reservatórios ativos que sustentam o ciclo ambiental. Em 2026, a validação do RNA ambiental (eRNA) permitiu a detecção de cercárias com sensibilidade superior à malacologia clássica. Sendo assim, conclui-se que o clima atua como modulador da viabilidade e velocidade de transmissão, tornando a esquistossomose um "alvo móvel". Contudo, a precariedade do saneamento é a causa estrutural que permite a manutenção do ciclo. A eliminação da doença até 2030 exige integrar modelagens preditivas e vigilância sanitária à universalização sanitária, rompendo a relação entre vulnerabilidade climática e pobreza.

        Palestrante: Tales Rafael Marotti Oliveira Júnior (Estudante)
      • 13:40
        Levantamento preliminar de flebotomíneos (Diptera: Psychodidae) após caso autóctone de Leishmaniose Visceral em Ouro Preto, MG 20m

        Um levantamento preliminar e emergencial de espécies de flebotomíneos (Diptera: Psychodidae) no município de Ouro Preto - MG, após a notificação de uma criança de quatro anos em um distrito do município com leishmaniose visceral (LV) autóctone. Portanto, um estudo exploratório foi conduzido em perímetros urbanos para investigar a presença e a composição das espécies de flebotomíneos em três comunidades do município. O objetivo foi gerar dados iniciais que subsidiem ações de vigilância entomológica e estratégias de controle vetorial, visando prevenir a disseminação da leishmaniose. O monitoramento de vetores é fundamental para estimar riscos de zoonoses no município. As coletas foram conduzidas em fevereiro de 2025, em três localidades: Chapada, comunidade do Fojo e Santa Rita de Ouro Preto. Utilizaram-se armadilhas luminosas do tipo CDC, instaladas no período das 17h às 7h. A escolha dos pontos considerou ambientes favoráveis à ocorrência do vetor, como áreas sombreadas, elevada umidade, matéria orgânica em decomposição, fezes animais, baixa incidência solar e proximidade a abrigos de cães e galinheiros. Devido ao caráter exploratório, não houve repetição amostral. Foram coletados seis espécimes na região da Chapada, enquanto nas demais áreas não houve registro. Os indivíduos foram identificados como Psychodopygus lloydi (Antunes, 1937). A baixa abundância e diversidade observada pode estar associada a um período de estiagem atípica (veranico), caracterizado por altas temperaturas e baixa umidade relativa, fatores que impactam negativamente a atividade desses insetos. Sua ocorrência em áreas residenciais acende um alerta devido a espécie já ter sido encontrada infectada por Leishmania braziliensis, agente relacionado principalmente à leishmaniose tegumentar, em um ciclo de transmissão silvestre na Serra do Caraça (Santa Bárbara – MG), em uma área próxima a este estudo. Apesar disso, não há evidências que relacionem o caso humano registrado a essa espécie parasitária. Diante dos achados, recomenda-se a continuidade do monitoramento entomológico, especialmente no início e término do período chuvoso, além da implementação de ações preventivas e educativas junto à população local para tentar capturar e identificar mais espécies de flebotomíneos.

        Palestrante: Dr. Camila de Paula Dias (UFOP/Estácio)
      • 13:40
        OVIPOSIÇÃO DE Lutzomyia longipalpis EM CARCAÇA DE ROEDORES: HABITATS NEGLIGENCIADOS DE IMATUROS DA ESPÉCIE TRANSMISSORA DA LEISHMANIOSE VISCERAL 20m

        A leishmaniose visceral é uma doença tropical negligenciada de grande impacto na saúde pública. No Brasil, país com maior incidência da doença na América Latina, a transmissão tem aumentado em áreas urbanas. O principal vetor nas Américas é o flebotomíneo Lutzomyia longipalpis, cuja fase imatura é de difícil localização. Em laboratório, essa espécie, demonstrou preferência por ovipositar em carcaças em decomposição frente a outros substratos orgânicos como fezes e folhedos. Avaliou-se a hipótese de que fêmeas de L. longipalpis selecionam carcaças como substrato preferencial de oviposição, considerando variáveis como densidade de competidores e disponibilidade de recursos. Foram conduzidos dois experimentos no Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa - MG. No primeiro, dezoito carcaças de roedores foram colocados em armadilhas e distribuídos em seis pontos de caverna (interior, transição e exterior) e acompanhados por 10 dias. No segundo, foram instaladas armadilhas de eclosão associadas a armadilhas Malaise sobre as carcaças protegidas, que ficaram expostas por 15 e 30 dias. No primeiro experimento, foram coletados 14.370 insetos de diferentes famílias necrófagas e sem a presença de flebotomíneos. Já o segundo experimento apresentou ressecamento das carcaças devido à ausência de chuva e foram registrados 103 flebotomíneos na Malaise, incluindo L. longipalpis e uma fêmea grávida. Os resultados sugerem que L. longipalpis busca por carcaças como provável sítio de oviposição como visto em laboratório. Este estudo abre frentes para novos experimentos que visem compreender melhor a biologia deste vetor, incluído possíveis locais de oviposição.

        Palestrante: Mariana Marques Canedo Souza (Universidade Federal de Ouro Preto)
      • 13:40
        PSEUDOVARÍOLA BOVINA E SUA RELEVÂNCIA EM SAÚDE PÚBLICA - ZOONOSE NEGLIGENCIADA NO CONTEXTO RURAL 20m

        A pseudovaríola é uma doença infecciosa viral causada pelo vírus da família poxviridae. Dentro desta família contém duas subfamílias importantes, sendo uma delas a Chordopoxvirinae, nesta inclui os gêneros do Orthopoxvirus (responsável pelo vírus da varíola humana, o vírus da varíola bovina) e o Parapoxvirus, este causador da pseudovaríola, que possui como sintomas clínicos lesões cutâneas, vesiculares nos tetos de vacas podendo atingir humanos, por isso, uma zoonose de cunho ocupacional. Como objetivo este trabalho descreve a pseudivaríola bovina, sua importância enquanto doença negligenciada destacando um caso descrito. Das metodologias baseado em artigos científicos, incluindo relatos de casos e estudos sobre sua importância zoonótica. Dos resultados obtidos surtos de doença vesicular em bovinos foram caracterizados por lesões na cavidade oral, lábios e região nasolabial, evoluindo de máculas e pápulas para vesículas, úlceras e crostas, com curso clínico autolimitado de aproximadamente 10 dias. A análise por PCR confirmou a presença de Parapoxvirus, com identificação do vírus da pseudovaríola bovina (PCPV) e do vírus da estomatite papular bovina (BPSV). Em relação ao segundo artigo estudado em humanos, infecções por Parapoxvirus está associado principalmente ao contato direto com bovinos ou ovinos durante atividades como ordenha e manejo. Os casos descritos evidenciam lesões cutâneas, geralmente únicas, localizadas nas mãos, com evolução de pápulas para ulcerações, frequentemente autolimitadas. Dessa forma, os achados evidenciam que as infecções por Parapoxvirus possuem importância não apenas na saúde animal, mas também na saúde pública, sendo fundamentais ações voltadas ao diagnóstico, vigilância e conscientização, dentro do contexto da abordagem de saúde única.

        Palestrante: Isabela Santos
      • 13:40
        RESISTÊNCIA DE POPULAÇÕES BRASILEIRAS DE Aedes aegypti A INSETICIDAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA 20m

        O uso de inseticida para o controle de Aedes aegypti vem se traduzindo na seleção de populações resistentes que precisam ser melhor compreendidas para serem enfrentadas. Nesse contexto, o presente estudo conduziu uma revisão sistemática sobre a resistência de populações brasileiras de A. aegypti a inseticidas. A estratégia de busca foi delineada de acordo com as diretrizes do PRISMA, contemplando publicações em Inglês, Português e Espanhol no período 1995 a 2025. As buscas foram realizadas em seis bases de dados. Foram utilizados descritores previamente definidos com base no DeCS e MeSH, empregados isoladamente ou em combinações associadas aos operadores booleanos “AND” e “OR”. Os termos incluíram: “resistência a inseticidas”, “organoclorados (OC)”, “carbamatos (CB)”, “organofosforados (OP)”, “piretróides (PI)”, “neonicotinoides”, “reguladores de crescimento de insetos (IGR)”, “A. aegypti” e “Brasil”. O processo de identificação, triagem, elegibilidade dos estudos e extração dos dados, foi conduzido por dois pesquisadores independentes, com resolução de eventuais divergências pela consulta a um terceiro pesquisador. Foram selecionados 3583 estudos para comporem a revisão; após triagem, 63 atenderam aos critérios de inclusão e fizeram parte desta revisão. Os estudos avaliaram a resistência de 832 populações, distribuídas pelas 5 regiões: Sudeste (422 - 50,7%), Nordeste (198 - 23,7%), Norte (95 - 11,4%), Centro-Oeste (74 - 8,9%), Sul (26 - 3,1%) e Distrito Federal (20 - 2,4%). Dos 63 trabalhos, 50 realizaram bioensaios, sendo que 7 (14%) realizaram testes qualitativos, 18 (36%) testes quantitativos e 25 (50%) ambos. A resistência aos inseticidas foi investigada em: OP (40 – 80%), PI (27 – 54%), IGR (17 – 34%), CB (3 – 6%) e OC (1 – 2%), dos quais 42 (84%) eram grau técnico e 18 (36%) eram produto formulado. Ao todo, 601 populações de A. aegypti foram classificadas como resistentes para OP (72,2%), 398 para PI (47,8%), 108 a IGR (13%), 1 a CB (0,12%) e 1 a OC (0,12%). Do total de trabalhos, 24 (38%) investigaram os mecanismos de resistência, dos quais 4 (16,7%) avaliaram alterações bioquímicas, 10 (41,6%) mutações de sítio-alvo e 10 ambas (41,6%). A análise temporal dos dados sugere aumento do fenótipo da resistência em A. aegypti no Brasil com possível impacto na incidência das arboviroses a ele relacionadas, revelando necessidade urgente de novas alternativas para o seu enfrentamento.

        Palestrante: Pedro Castro / Gerente DNs - Artrópodes (UFMG)
      • 13:40
        TOXOPLASMOSE CONGÊNITA NO BRASIL: ANÁLISE DA CURVA ENDÊMICA 2019 A 2025 20m

        A toxoplasmose é uma zoonose de ampla distribuição mundial causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, transmitida principalmente pela ingestão de carne crua ou mal cozida contendo cistos teciduais, ou por alimentos e água contaminados com oocistos provenientes de fezes de felinos. Durante a gestação, a infecção pode atravessar a barreira placentária, resultando em toxoplasmose congênita, condição associada a graves sequelas neurológicas e oftalmológicas em recém-nascidos. No Brasil, a elevada prevalência e o impacto clínico sugerem que a doença pode ser considerada negligenciada. Para avaliar a ocorrência endêmica de toxoplasmose congênita no Brasil foi realizada uma análise de curva endêmica baseada em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS) do período de 2019 a 2026. O diagrama da curva endêmica foi feito pelo cálculo de mediana, quartis 1 e 3, de 2019-24 por não ter normalidade. Os dados de 2025 e Jan-Fev/2026 foram plotados para avaliar a situação atual. As medianas mensais ficaram entre 247 e 425 casos. Os limites inferiores endêmicos (quartis 1) entre 225 e 343 e os limites superiores (quartil 3) entre 464 e 695. Foi observado que em 2025, de janeiro a outubro o Brasil registrou números acima do esperado no país (Q3). Ou seja, valores epidêmicos. De outubro de 2025 a fevereiro de 2026 retornaram a flutuação normal. Conclui-se que 2025 evidenciou crescimento significativo dos casos de toxoplasmose congênita no Brasil. A elevada prevalência, aliada à subnotificação e à dificuldade diagnóstica, reforça o caráter negligenciado da doença. Há necessidade de se investigar se o aumento foi causado por elevação dos casos ou melhoria da vigilância. Observa-se a diminuição a partir de outubro de 2025, que pode ser causada por medidas de controle tomadas pela saúde pública. A análise do índice endêmico é importante para o planejamento da vigilância e controle da toxoplasmose e outras doenças negligenciadas.

        Palestrante: Franciele Aparecida de Souza (UFLA)
      • 13:40
        USO DE ANTIMICROBIANOS E A DISSEMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA BACTERIANA NO CONTEXTO DAS DOENÇAS NEGLIGENCIADAS 20m

        A resistência bacteriana aos antimicrobianos constitui um problema crescente de saúde pública global, intensificado pelo uso inadequado desses fármacos na saúde humana, na produção animal e pela liberação de resíduos farmacêuticos no ambiente. Este estudo tem o objetivo de identificar fatores relacionados ao uso de antimicrobianos e a disseminação da resistência bacteriana na interface entre saúde humana, animal e ambiental, com ênfase às doenças negligenciadas. Foram analisados artigos científicos nacionais e internacionais publicados entre 2017 e 2025, obtidos nas bases PubMed, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde, documentos institucionais nacionais, considerando critérios de relevância temática e disponibilidade do texto completo, abordando o uso racional de antimicrobianos na assistência à saúde, sua aplicação na produção animal e a ocorrência de resíduos e genes de resistência em compartimentos ambientais. Os estudos analisados demonstram que a automedicação e o uso inadequado de antimicrobianos favorecem a seleção de microrganismos resistentes. No eixo animal, foram identificadas taxas elevadas de resistência bacteriana associadas à produção de alimentos de origem animal, além da presença de resíduos antimicrobianos como tetraciclinas acima dos limites. No ambiente, pesquisas realizadas no Brasil identificaram a ocorrência simultânea de 13 antimicrobianos em efluentes urbanos tratados, com concentrações entre 1730 e 2840 ng/L, além da detecção de genes de resistência clinicamente relevantes em 100% das amostras analisadas de esgoto e da presença de genes como vanRO e β-lactamases em solos influenciados por atividades agropecuárias. Esses achados evidenciam que o uso inadequado, o descarte e a persistência ambiental de antimicrobianos favorecem a circulação do resistoma entre humanos, animais e ecossistemas. Em territórios associados às doenças negligenciadas, o saneamento precário e a maior exposição ambiental contribuem para a manutenção e o agravamento de infecções bacterianas negligenciadas, como infecções entéricas relacionadas à contaminação ambiental. Esse fato amplia os desafios para vigilância, prevenção e controle dessas enfermidades e reforça a relevância da abordagem Uma Só Saúde nesses contextos.

        Palestrante: Maria Fernanda Agostinho Pinheiro
      • 13:40
        USO DE REDES NEURAIS CONVOLUCIONAIS NA TRIAGEM PRECOCE DE CARDIOPATIA CHAGÁSICA EM ÁREAS ENDÊMICAS: UMA PROPOSTA DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA 20m

        A doença de Chagas é uma patologia negligenciada de alta morbimortalidade, podendo evoluir para a cardiopatia chagásica crônica (CCC). A detecção precoce é fundamental, mas em áreas remotas, o diagnóstico é dificultado pela falta de especialistas para laudar eletrocardiogramas (ECG) e acesso limitado ao ecocardiograma. Na Atenção Primária, algoritmos baseados em Redes Neurais Convolucionais (CNN) permitem transformar o ECG em um sensor digital capaz de identificar alterações miocárdicas precocemente. O presente estudo tem como objetivo, mapear e analisar artigos científicos que avaliam as CNN na identificação automatizada de padrões eletrocardiográficos associados à infecção pelo Trypanosoma cruzi e à detecção de disfunção sistólica do ventrículo esquerdo (DSVE), a fim de evidenciar os avanços realizados. Para tanto, realizou-se uma revisão integrativa nas bases PubMed, BVS e SciELO, com os descritores: "Doença de Chagas” OR “Cardiomiopatia chagásica”, "Redes Neurais Convolucionais" e "Eletrocardiografia", utilizando o operador booleano “AND”. Incluiu-se estudos com reporte obrigatório de métricas de desempenho Sensibilidade, Especificidade, e AUC-ROC em populações brasileiras e excluídas pesquisas sem validação externa. Para o desenvolvimento, selecionou-se a coorte CODE (2,2 milhões de registros) para o treinamento, e a coorte SaMi-Trop (2.054 pacientes) para o ajuste baseado em validação sorológica. Empregou-se arquiteturas ResNet e InceptionTime, processando sinais de 12 derivações. Esse modelo foi submetido a uma validação prospectiva através da Rede de Teleassistência de Minas Gerais (Projeto SaMi-Trop), abrangendo regiões de Minas Gerais. Os critérios incluíram a análise de ECGs de rotina em unidades de saúde primária, com rastreio paralelo por CNN e confirmação diagnóstica via sorologia para casos suspeitos. Os modelos atingiram uma Área Sob a Curva ROC de 0,80 para infecção e 0,82 para CCC. Em subgrupos com DSVE (fração de ejeção < 40%), a acurácia alcançou 0,88, com um Odds Ratio de 63,3. A AUC-ROC foi o parâmetro principal por medir a distinção global entre doentes e saudáveis. Em validação prospectiva com 75.779 exames, o sistema gerou 7,7% de alertas, com Valor Preditivo Positivo de 37% para Chagas em áreas endêmicas. Portanto, a alta acurácia e elevado Odds Ratio demonstram que a tecnologia identifica a assinatura elétrica da disfunção cardíaca de forma eficiente. Esse desempenho sugere que a ferramenta ajuda a mitigar o gargalo diagnóstico.

        Palestrante: Tales Rafael Marotti Oliveira Júnior (Estudante)
    • 15:20 15:45
      Apresentação oral - 22/05/2026: Flash Talk 2

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade oral.

      • 15:25
        DELEÇÃO DA 3’ECTO-NUCLEOTIDASE/NUCLEASE MODULA FENÓTIPOS IMPORTANTES PARA A ADAPTAÇÃO DE LEISHMANIA INFANTUM NO BRASIL 5m

        Leishmania infantum é um protozoário parasito introduzido nas Américas durante o período colonial e apresenta elevada plasticidade genética, favorecendo sua adaptação a flutuações ambientais. Entre os mecanismos moleculares envolvidos, a deleção gênica pode promover alterações fenotípicas com impacto direto na sobrevivência, transmissão e dispersão do parasito. Nosso grupo identificou uma deleção >12 kb no cromossomo 31 polissômico de L. infantum, abrangendo quatro genes, incluindo duas cópias da 3’ecto-nucleotidase/nuclease (3’NT/NU), importante enzima associada ao metabolismo de purinas e à virulência. Cepas deletadas (DEL) foram encontradas exclusivamente nas Américas e amplamente distribuídas no Brasil, em contraste com cepas não deletadas (NonDEL), sugerindo um possível papel adaptativo dessa deleção no ambiente neotropical. Funcionalmente, as cepas DEL apresentaram aumento da metaciclogênese in vivo e in vitro, redução da atividade da 3’NT/NU, menor taxa de infecção de macrófagos e menor suscetibilidade às redes extracelulares de neutrófilos (NETs). Para investigar a relação causal desses fenótipos, geramos linhagens addback (AddbackΔ200 e AddbackΔ300, isto é, primeira e a segunda cópias deletadas de 3′NU/NT, sendo a última identificada como o gene funcional). A restauração da atividade enzimática foi confirmada, e a recuperação parcial da dosagem gênica gerou perfis distintos daqueles do Wild Type DEL e também do controle NonDEL quanto à infecção de macrófagos, sobrevivência às NETs e metaciclogênese, demonstrando uma recuperação parcial de fenótipos. Adicionalmente, análises de crescimento indicaram maior densidade parasitária em cepas NonDEL em 48h, enquanto linhagens addback, especialmente AddbackΔ300, apresentaram aumento no tempo de geração. A viabilidade celular não diferiu entre os grupos, sugerindo que os efeitos observados refletem alterações específicas e não comprometimento global da aptidão. Na análise farmacológica, a determinação da IC50 para miltefosina não confirmou a associação previamente proposta entre deleção da 3’NT/NU e menor susceptibilidade, uma vez que cepas NonDEL apresentaram maior IC50. Em conjunto, nossos dados demonstram que a deleção gênica e consequente perda de atividade da 3’NT/NU, é um determinante molecular de fenótipos específicos, potencialmente contribuindo para a ampla dispersão de L. infantum no Brasil.

        Palestrante: Monique Florêncio da Silva (Fundação Oswaldo Cruz)
      • 15:30
        AVALIAÇÃO DA COMPETÊNCIA VETORIAL E DINÂMICA DE SOBREVIVÊNCIA DE Nyssorhynchus darlingi SOB INFECÇÃO EXPERIMENTAL POR Plasmodium vivax 5m

        O Nyssorhynchus darlingi permanece como o principal desafio entomológico
        para o controle da malária no Brasil, sendo o Plasmodium vivax a espécie
        predominante. O recente estabelecimento de colônias laboratoriais estáveis de Ny.
        darlingi abriu fronteiras para estudos controlados, permitindo investigar as respostas
        fisiológicas do vetor frente à infecção de forma padronizada. Este estudo avaliou a
        competência vetorial e os padrões de sobrevivência de Ny. darlingi de colônia sob
        infecção experimental controlada com isolados amazônicos de P. vivax. Foram
        realizados quatro Ensaios de Alimentação por Membrana Direta (DMFA)
        independentes, utilizando amostras de sangue de pacientes diagnosticados com
        malária vivax atendidos na FMT-HVD (parasitemia > ++). Os mosquitos foram
        divididos em grupos Controle (sangue não infectado) e Teste, com monitoramento
        diário de sobrevivência por 15 dias. No 8º dia pós-infecção (dpi), procedeu-se à
        dissecação de intestinos médios para análise de oocistos (prevalência e intensidade).
        No 15º dpi, as glândulas salivares foram processadas para quantificação de
        esporozoítos em câmara de Neubauer. A exposição ao parasito não comprometeu a
        sobrevivência global dos vetores na maioria dos ensaios (p = 0,1), indicando uma
        tolerância biológica à carga parasitária inicial. Entretanto, observou-se
        heterogeneidade na intensidade infecciosa: os ensaios 3 e 4 apresentaram aumento
        acentuado na carga parasitária (p < 0,001), com prevalências de 81,2% e 87,5%,
        respectivamente. No experimento 4, a alta densidade de oocistos (mediana de
        200/mosquito) correlacionou-se com mortalidade significativa a partir do 4º dpi (p =
        0,01). No 15º dpi, a carga esporogônica confirmou a eficiência do modelo, com
        densidades médias de 8.000 (Exp. 3) e 21.000 (Exp. 4) esporozoítos por mosquito.
        Os resultados demonstram que a metodologia de infecção experimental assegura a
        produção de mosquitos infectados sem comprometer a viabilidade biológica da
        colônia. A estabilidade do modelo, aliada à elevada carga parasitária observada,
        consolida esta plataforma como uma ferramenta robusta para investigações
        moleculares complexas sob condições padronizadas.

        Palestrante: Sr. Igor Belém de SOUZA (UEA)
      • 15:35
        DINÂMICA HIDROLÓGICA DO RIO PURUS E SUA RELAÇÃO COM A SAZONALIDADE DA MALÁRIA EM MUNICÍPIOS RIBEIRINHOS DO SUL DO AMAZONAS 5m

        A malária, causada por protozoários do gênero Plasmodium spp. e transmitida por mosquitos do gênero Anopheles, sendo o Anopheles darlingi o principal vetor na Amazônia, responsável pelos casos de transmissão na região. A doença segue como um dos principais problemas de saúde pública no Norte do Brasil, afetando sobretudo populações ribeirinhas, que vivem próximas ao rio e enfrentam limitações de saneamento e acesso aos serviços de saúde. Considerando o exposto, este estudo objetivou analisar a relação entre o nível do rio Purus e os casos de malária em municípios do sul do Amazonas nos anos de 2021 a 2025. Os locais de analisados foram os municípios de Lábrea (45.448 hab; IDH 0,531), Canutama (16.869 habitante; IDH 0,514) e Boca do Acre (35.447 hab; IDH 0,588), todos sob forte influência do regime do rio Purus. Os dados epidemiológicos foram obtidos no painel da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) e os níveis fluviométricos na Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Os dados extraídos foram ajustados para gráficos de casos e do nível do rio, além de uma análise de componentes principais (PCA), onde pode-se observar um padrão recorrente: os casos aumentam após o pico da cheia. Esse comportamento indica uma resposta com atraso em relação ao nível do rio, concentrando-se no período de vazante, quando se formam ambientes favoráveis à reprodução de Anopheles darlingi. Mesmo compartilhando a mesma dinâmica fluvial, os municípios apresentam diferenças na intensidade dos casos. As maiores proporções ocorrem onde o IDH é mais baixo e as condições de saneamento são mais precárias. Os resultados indicam que o regime do rio define o momento em que a transmissão se intensifica, mas não explica sozinho sua magnitude. Esse padrão está diretamente ligado às condições de vida. Em áreas ribeirinhas, o contato com o rio é constante, seja no trabalho, no deslocamento ou no uso doméstico, o que aumenta a exposição ao vetor e dificulta o controle da doença. Portanto, há associação entre o regime hidrológico do rio Purus e a sazonalidade da malária, com aumento dos casos durante a vazante. Diferenças na intensidade da transmissão entre os municípios estão relacionadas a variações no IDH(Índice de Desenvolvimento Humano) e nas condições de saneamento.emphasized text

        Palestrante: Elilson Gomes de Brito Filho (Universidade Federal de Lavras / Universidade Federal de São João Del Rei)
    • 16:20 16:40
      Dia 1 - 22/05/2026: Bloco 5 - Exposição Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 16:20
        A INFLUÊNCIA DA DIETA E DO TRATAMENTO COM PRAZIQUANTEL NA ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA EM CAMUNDONGOS MACHOS BALB/c 20m

        A esquistossomose mansônica, causada por Schistosoma mansoni, é uma doença parasitária cuja evolução pode ser influenciada pelo estado nutricional do hospedeiro. Este estudo avaliou o impacto de diferentes protocolos alimentares na resposta hepática à infecção e ao tratamento com praziquantel (PZQ) em camundongos BALB/c. Trinta animais com idade entre 7 e 8 semanas foram infectados com 50±10 cercárias e distribuídos em três grupos: dieta ad libitum (AdL), jejum em dias alternados (ADF) e dieta rica em sacarose (HSD). Após 48 dias de infecção, os animais foram tratados com PZQ (300 mg/kg) por gavagem e eutanasiados ao final de 110 dias. Foram realizadas análises histopatológicas hepáticas, incluindo: contagem de ovos (carga parasitária), mensuração do diâmetro e da área percentual dos granulomas, quantificação da deposição de colágeno, avaliação do glicogênio hepático (PAS⁺), contagem de hepatócitos binucleados, análise do percentual de macrófagos e classificação dos granulomas quanto ao estágio evolutivo. A contagem de ovos não apresentou diferenças significativas entre os grupos, indicando ausência de efeito das dietas sobre a carga parasitária. Em contrapartida, observaram-se alterações relevantes nos parâmetros histológicos. O grupo HSD apresentou menor diâmetro de granulomas (p<0,001), indicando redução da resposta inflamatória. A deposição de colágeno foi significativamente reduzida no grupo ADF (p<0,001) e, em menor grau, no grupo HSD (p<0,05), indicando modulação da fibrogênese hepática. Não houve diferença na área percentual dos granulomas nem na contagem de hepatócitos binucleados. O grupo ADF e HSD mostraram redução de glicogênio hepático, sugerindo impacto metabólico associado às dietas. Além disso, o grupo HSD apresentou menor percentual de macrófagos e maior predominância de granulomas exsudativo-produtivos, compatíveis com estágios mais avançados de resolução inflamatória. Os resultados demonstram que o estado nutricional modula significativamente a resposta inflamatória, a fibrogênese e o metabolismo hepático na esquistossomose mansônica, sem alterar a carga parasitária. Diferentes padrões alimentares induzem perfis distintos de reparo tecidual, podendo influenciar a evolução da doença e a resposta ao tratamento com PZQ. Esses achados reforçam a relevância de fatores nutricionais como moduladores da patogênese e potenciais alvos adjuvantes no manejo da esquistossomose.

        Palestrante: Ana Carolina Silva Corrêa (Universidade Federal de Alfenas)
      • 16:20
        ACIDENTES ESCORPIÔNICOS NO BRASIL: TENDÊNCIAS TEMPORAIS DA INCIDÊNCIA E DOS INDICADORES DE GRAVIDADE (2016–2025) 20m

        Os acidentes causados por animais peçonhentos são reconhecidos pela
        Organização Mundial da Saúde (OMS) como doenças tropicais negligenciadas.
        Entre eles, os acidentes escorpiônicos vêm apresentando um importante
        aumento no número de casos notificados no Brasil nas últimas décadas. Diante
        desse cenário, este estudo teve como objetivo analisar a tendência temporal dos
        indicadores de incidência e de gravidade (representado pelas taxas de
        mortalidade e letalidade) desses acidentes no país na última década (2016-
        2025). Trata-se de um estudo ecológico de série temporal, baseado na análise
        de dados secundários de acesso público, disponibilizados pelo Departamento de
        Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), a partir do Sistema de
        Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os dados foram tabulados para
        o cálculo das taxas médias de incidência, mortalidade e letalidade no período
        estudado. A análise da tendência temporal foi realizada por meio de regressão
        linear simples, considerando o ano como variável independente. A associação
        entre incidência e letalidade foi avaliada pelo coeficiente de correlação de
        Pearson, adotando-se nível de significância de 5%. Os resultados demonstraram
        um aumento linear e estatisticamente significativo da incidência de acidentes
        escorpiônicos (p < 0,001). Em contrapartida, foi observada uma tendência
        decrescente significativa da mortalidade (p = 0,028) e da letalidade (p < 0,001),
        indicando redução consistente dos desfechos graves ao longo da série histórica.
        A forte correlação inversa entre incidência e letalidade foi o principal achado do
        estudo, sugerindo maior efetividade do sistema de saúde na resposta a esse
        agravo. O aumento da incidência tem sido associado à adaptação das espécies
        aos ambientes antrópicos, à urbanização desordenada, às mudanças ambientais
        e ao fortalecimento da vigilância, especialmente após a inclusão desses agravos
        na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos
        de Saúde Pública em 2011. Por sua vez, a redução da letalidade sugere avanços
        na vigilância em saúde, no acesso ao tratamento oportuno e na condução clínica
        dos casos. Dessa forma, embora o aumento da incidência indique a necessidade
        de fortalecimento das ações de prevenção e controle, a redução dos indicadores
        de gravidade reforça a hipótese de melhoria nos sistemas de vigilância e
        qualificação da assistência, com impacto direto na diminuição da gravidade dos
        casos.

        Palestrante: Sr. Thiago de Oliveira Loures (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)
      • 16:20
        ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS NO TEGUMENTO DE FÊMEAS DE CARRAPATOS RHIPICEPHALUS MICROPLUS (ACARI: IXODIDAE) EXPOSTAS À PAPAÍNA. 20m

        A papaína é uma cisteíno protease obtida do látex de Carica papaya, reconhecida por sua elevada atividade proteolítica e por apresentar propriedades anti-helmínticas e nematicidas. Entretanto, os seus efeitos sobre o carrapato bovino Rhipicephalus microplus ainda são pouco explorados. Neste estudo, avaliou-se a atividade acaricida da papaína sobre o tegumento de fêmeas ingurgitadas de R. microplus. Para isso, foram utilizados cem carrapatos, distribuídos em seis grupos: cinco grupos tratados com papaína nas concentrações de 10, 20, 30, 40 e 50% (p/v), diluída em água destilada, e um grupo controle. Os carrapatos foram imersos nas soluções por 5 minutos, secos e mantidos em incubadora BOD a 27 ± 1°C. Após sete dias de incubação, taxa de mortalidade foi determinada e o tegumento de cinco indivíduos selecionados aleatoriamente por grupo foi coletado para análise histopatológica. Os resultados apontaram uma taxa de mortalidade baixa no tempo avaliado, com apenas 1% em cada tratamento. Em contrapartida, a análise histológica revelou alterações significativas (p < 0.01) para todos os tratamentos, foram atribuídos valores referentes ao tipo de alteração morfológica e à extensão destas alterações no tecido, e os grupos foram comparados estatisticamente. O efeito dose-dependente gerou danos morfológicos como: desorganização da cutícula, ausência da subcutícula, vacuolização citoplasmática e presença de núcleos picnóticos nas células epiteliais. Além disso, este trabalho é pioneiro em identificar efeitos morfológicos de proteases no tegumento de carrapatos. Embora a ação letal tenha sido limitada, os resultados indicam que a papaína pode comprometer a integridade do tegumento em concentrações mais elevadas, sugerindo seu potencial uso no controle do carrapato bovino em longo prazo.

        Palestrante: Dásia Silveira Soares (UFLA)
      • 16:20
        ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO E DO RISCO OCUPACIONAL RELACIONADOS À ESPOROTRICOSE EM LAVRAS-MG 20m

        A esporotricose é uma infecção fúngica causada por Sporothrix schenckii, de caráter zoonótico e ampla distribuição geográfica, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. O fungo é encontrado em locais como madeira, solo e espinhos, sendo sua inoculação decorrente da implantação traumática na pele. Os felinos domésticos apresentam maior suscetibilidade, com elevada carga parasitária, e desempenham papel central na transmissão para humanos por meio de arranhaduras, contato direto com lesões e exsudato de animais infectados. Nesse contexto, o médico veterinário apresenta significativa exposição e risco de infecção, configurando-se como grupo de risco ocupacional. Este estudo teve como objetivo evidenciar o caráter ocupacional da esporotricose e analisar o nível de conhecimento acerca da doença, especialmente entre indivíduos inseridos na área da Medicina Veterinária. Para isso, foi aplicado um questionário online à população, além da descrição de dois casos de esporotricose em estudantes de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Foram obtidas 52 respostas, sendo 84,6% de estudantes e profissionais das áreas de Medicina Veterinária, Zootecnia, Medicina e Ciências Biológicas. Quanto ao primeiro contato com a doença, 48,1% relataram tê-la conhecido na graduação, 13,5% em clínicas veterinárias e 17,3% em grupos de resgate animal. Destaca-se que 19,2% não tinham certeza sobre a forma de transmissão e 17,3% declararam desconhecê-la. Nos dois relatos apresentados, a infecção ocorreu durante o manejo e atendimento em clínicas veterinárias da região de Lavras–MG, não sendo considerada inicialmente a hipótese diagnóstica de esporotricose. As informações fornecidas no atendimento indicavam histórico de lesões traumáticas prévias, sem suspeita da micose, o que contribuiu para a exposição das estudantes. O conjunto dos resultados evidencia lacunas no conhecimento e fragilidades na suspeita clínica da esporotricose, inclusive em contextos ligados à prática veterinária. Torna-se fundamental ampliar a disseminação de informações sobre a doença por meio de ações educativas e do fortalecimento das medidas preventivas. Considerando seu caráter zoonótico e o risco ocupacional inerente à atuação veterinária, reforça-se a importância do aprimoramento das normas de biossegurança no contexto clínico.

        Palestrante: Samuel Fonseca de Andrade (Departamento de Medicina Veterinária, Faculdade de Zootecnia e Medicina Veterinária, Universidade Federal de Lavras.)
      • 16:20
        ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE CASOS DE ESPOROTRICOSE HUMANA CAUSADA POR Sporothrix spp. NO MUNICÍPIO DE LAVRAS, MINAS GERAIS, BRASIL, NO ANO DE 2025 20m

        A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos pertencentes ao complexo Sporothrix schenckii. A esporotricose é classificada como uma doença negligenciada de relevância em saúde pública no Brasil, com crescente ocorrência em áreas urbanas, especialmente associada à transmissão por felinos infectados, sendo S. brasiliensis a principal espécie envolvida nessa via. O presente estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico de casos de esporotricose em humanos registrados no município de Lavras, no ano de 2025. Trata-se de um estudo descritivo, baseado em dados fornecidos pela vigilância epidemiológica municipal. A partir da análise de dados registrados no período de janeiro a dezembro de 2025, foram identificados 11 casos de esporotricose humana, com discreta predominância no sexo feminino, sendo 54,5%, e 45,5% dos casos masculinos. A idade dos acometidos variou entre 33 a 84 anos entre mulheres e 10 a 53 entre os homens. Além disso, observou-se concentração de registros em determinados bairros, sendo eles Vila paraíso, com 3 casos, Cascalho, com 2 e Nossa Senhora Aparecida, também com 2 casos, todos com ocorrências repetidas em uma mesma rua dentro de cada bairro. Esse padrão sugere possível compartilhamento de uma mesma fonte de infecção, possivelmente relacionado à circulação de felinos infectados nas áreas afetadas. A discreta predominância de casos de esporotricose em mulheres, pode estar relacionada à maior exposição em atividades domésticas e maior proximidade e cuidado com animais, especialmente os felinos domésticos. Dessa forma, os achados reforçam a importância do fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, do controle de animais infectados e da promoção de educação em saúde, visando reduzir a disseminação da doença no município de Lavras.

        Apoio ou financiamento: FAPEMIG, CNPq, CAPES, PETIBIOPAR

        Palestrante: Luana Hellen
      • 16:20
        ANÁLISE REGIONAL DOS CASOS PROVÁVEIS DE DENGUE NO BRASIL ENTRE OS ANOS DE 2020 E 2025 20m

        O objetivo do estudo é analisar a distribuição regional dos casos prováveis de dengue no Brasil entre 2020 e 2025, evidenciando tendências temporais e variações entre macrorregiões.
        Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, com dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), pela ferramenta TABNET. Na plataforma, foram selecionadas as variáveis “dengue”, “ano de notificação”, “região de notificação” e período de 2020 a 2025.
        No período analisado, foram contabilizados 12777793 casos prováveis de dengue. Os anos de 2020 e 2021 foram os que tiveram menos registros (974209 e 539988, respectivamente), enquanto 2024 foi o de maior registro, com 6567129 notificações. Nos outros anos houve uma média de 1,5 milhão. Quanto à região, o Sudeste registrou o maior número, com 7312790, seguido do Sul, com 2470413, Centro Oeste, com 1677526, Nordeste, com 1072979 e, por fim, Norte, com 244085 casos.
        Nesse contexto, a análise dos casos prováveis de dengue no Brasil entre 2020 e 2025 evidencia importante variação temporal e concentração regional. Observou-se um menor número de notificações em 2020 e 2021, possivelmente influenciado por sub-registro durante a pandemia de COVID-19. Em 2024, houve um pico, responsável por mais de 50% dos casos do período, o que é associado a fatores como falhas no controle vetorial; mudanças climáticas, principalmente o fenômeno El Niño, que marcou a época, favorecendo altas temperaturas e chuvas intensas, essencial para a proliferação do vetor; e o aumento da suscetibilidade populacional, já que houve circulação simultânea dos quatro sorotipos do vírus da dengue, situação considerada atípica.
        Quanto às regiões, o predomínio no Sudeste pode refletir maior densidade populacional, urbanização e melhor capacidade diagnóstica e de notificação. Em contraste, regiões como Norte e Nordeste apresentaram menores números absolutos, possivelmente relacionados a sub-registro. O Nordeste, por exemplo, é a segunda região mais populosa do país, mas ocupa somente a quarta posição no número de casos e é reconhecidamente uma região com menos recursos socioeconômicos e, consequentemente, menos acesso à saúde. Nesse contexto, reforça-se a necessidade de estratégias contínuas e regionalizadas de controle da dengue, incluindo intensificação da vigilância epidemiológica, eliminação de criadouros do Aedes aegypti, educação em saúde da população, ampliação do saneamento básico e uso de tecnologias inovadoras no controle vetorial.

        Palestrante: Ana Luisa Silva Lima (Departamento de Medicina, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Lavras)
      • 16:20
        Atividade esquistossomicida in vitro do extrato etanólico de própolis vermelha brasileira contra Schistosoma mansoni 20m

        A esquistossomose, causada por Schistosoma mansoni é uma doença negligenciada de alto impacto global, e o tratamento exclusivo com Praziquantel (PZQ) levanta preocupações sobre resistência. Este estudo avaliou a atividade do extrato etanólico de própolis vermelha brasileira (EPVB) sobre vermes adultos de S. mansoni in vitro. Os parasitos foram expostos ao EPVB (25–100 μg/mL) por 24 horas e, em seguida, mantidos em meio por 7 dias. Os experimentos foram realizados em triplicata, com
        três ensaios independentes (total de 18 vermes por concentração). Controles: RPMI, DMSO 1% (negativos) e PZQ 1 mg/mL (positivo). O PZQ causou 100% de mortalidade; o EPVB nas concentrações de 100, 87,5 e 75 μg/mL também resultou em 100% de morte. A ED₅₀ do EPVB foi de 55,33 μg/mL. A oviposição foi totalmente inibida em concentrações ≥62,5 μg/mL. Sondas fluorescentes (Resorufina e Hoechst 33258) não mostraram marcação significativa nos grupos tratados com EPVB, ao contrário do PZQ. A microscopia eletrônica de varredura revelou danos tegumentares
        progressivos (erosões, colapso de tubérculos e perda de espinhos) nas
        concentrações ≥75 μg/mL. Conclui-se que o EPVB apresenta potente atividade esquistossomicida in vitro dose-dependente, com danos ultraestruturais evidentes, embora o mecanismo molecular não tenha sido elucidado pelas sondas fluorescentes utilizadas.

        Palestrante: Débora Mayuri Tokunaga (Universidade Federal de Alfenas)
      • 16:20
        AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ESQUISTOSSOMICIDA IN VITRO DE DERIVADOS DE CLIOQUINOL 20m

        A esquistossomose é uma doença parasitária negligenciada de grande impacto na saúde pública, cujo tratamento baseia-se principalmente no praziquantel,apresentando limitações como possível resistência e baixa eficácia em formas imaturas do parasita. Este estudo teve como objetivo avaliar a atividade esquistossomicida in vitro de derivados de clioquinol (NT, PH151 e PH153), visando identificar potenciais alternativas terapêuticas. Vermes adultos de Schistosoma mansoni foram obtidos por perfusão de camundongos infectados e mantidos em meio RPMI-1640, sendo expostos aos compostos em diferentes concentrações por até 8 dias. Foram analisados parâmetros como motilidade, morfologia, acasalamento, oviposição e integridade do tegumento. Os resultados demonstraram que o derivado NT apresentou maior atividade esquistossomicida, com alterações significativas na morfologia, redução da motilidade, interrupção do acasalamento e ausência de oviposição, além de provocar mortalidade total dos vermes na concentração de 25 µg/mL em 72 horas. Os compostos PH151 e PH153 também apresentaram efeitos, porém em menor intensidade e dependentes da concentração e tempo de exposição. Os valores de ED50 foram estimados em 25,3 µg/mL para NT, 23,3 µg/mL para PH151 e 30,8 µg/mL para PH153. As alterações observadas sugerem possível ação sobre a permeabilidade do tegumento dos parasitas. Dessa forma, o derivado NT demonstrou maior potencial como candidato a agente esquistossomicida, indicando a necessidade de estudos adicionais para elucidação de mecanismos de ação e avaliação em modelos in vivo.

        Palestrante: Maiara Sassi Figueira (Unifal- MG)
      • 16:20
        AVALIAÇÃO DA PRESENÇA DE Aedes aegypti POR OVITRAMPAS E INSPEÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA UNIVERSITÁRIA - UFLA 20m

        No Brasil, o principal vetor é o mosquito da espécie Aedes aegypti, cuja fêmea infectada pode transmitir DENV, ZIKV e CHIKV por meio da picada. O ciclo de vida do mosquito ocorre em quatro fases: ovo, larva, pupa e fase adulta, sendo favorecido por água parada e altas temperaturas. O estudo teve como objetivo verificar a presença de Aedes aegypti por meio da utilização de ovitrampa, e identificar possíveis criadouros no ambiente da Diretoria de Relações Internacionais (DRI), localizada no Centro histórico. A coleta dos ovos foi realizada por meio de ovitrampas confeccionadas com garrafas PET de 2 L higienizadas com água e sabão, e revestidas externamente com papel contact preto. No interior, foi inserida uma palheta de madeira eucatex com dimensões de 4,90 cm de largura e 13 cm de altura parcialmente submersa, utilizada como substrato para a oviposição. Utilizou-se solução com 80% de água e 20% de infusão de feno, previamente fermentada. A armadilha foi instalada na DRI localizada na UFLA, e foi monitorada por 4 semanas, sendo retiradas para análise laboratorial a cada 7 dias. Na primeira semana, foram coletados 42 ovos, na segunda 151, na terceira 22 e na quarta semana 41, totalizando 256 ovos e um mosquito adulto morto. A identificação da espécie foi realizada com base em características morfológicas, sendo confirmada como A. aegypti. Paralelamente foi feita a inspeção ambiental tanto em área externa quanto interna, onde verificou-se a presença de água parada em vasos de planta, favorecendo a proliferação do vetor. Conclui-se que a ovitrampa se mostrou importante no monitoramento indicando a presença de A. aegypti no local, uma vez que possibilitou a coleta de ovos e de um mosquito adulto. Tal achado reforça a necessidade do monitoramento constante visando contribuir na prevenção e controle de arboviroses no campus.

        Palestrante: Eduarda Silva (Áudio visual)
      • 16:20
        AVALIAÇÃO DE UM COMPOSTO TERPÊNICO NATURAL NO CONTROLE DAS LARVAS DE Aedes aegypti 20m

        O Aedes aegypti permanece como o principal vetor de arboviroses de grande relevância em saúde pública, como dengue, Zika e chikungunya, o que reforça a necessidade de alternativas sustentáveis aos inseticidas convencionais. Compostos naturais, especialmente os terpenos presentes em óleos essenciais, têm se destacado pelo potencial larvicida e menor impacto ambiental. Entretanto, sua volatilidade e fotossensibilidade podem comprometer a estabilidade e a eficácia ao longo do tempo, tornando essencial avaliar seu desempenho de forma contínua. Esse estudo teve como objetivo avaliar a estabilidade física e o desempenho larvicida de uma solução estoque preparada com um composto terpênico natural, diluído em água destilada, DMSO e Tween 80, ao longo de 12 meses. A estabilidade foi monitorada por meio de medições periódicas de pH, inspeção da solução e acompanhamento da atividade biológica. O pH foi registrado ao longo do período, e o aspecto visual foi avaliado quanto à limpidez, homogeneidade e presença de precipitados. A atividade larvicida foi analisada trimestralmente em larvas de terceiro instar de Ae. aegypti, por meio de ensaios biológicos conduzidos em triplicata para garantir reprodutibilidade. Os valores de LC₅₀ e IC95% foram determinados para cada período da avaliação, permitindo acompanhar a variação da eficiência ao longo do tempo. O pH variou de 3,8 a 4,7 durante o período de armazenamento, apresentando tendência à menor acidificação. Apesar de ser um composto volátil e fotossensível, a solução estoque manteve-se límpida, homogênea e sem formação de precipitados ao longo dos 12 meses. Nos ensaios larvicidas, os valores de LC₅₀ variaram entre 84,56 e 149,13 ppm, indicando redução gradual da eficiência, compatível com perdas decorrentes da volatilização e fotodegradação. Ainda assim, a mortalidade larval permaneceu dentro de padrões biologicamente relevantes, demonstrando manutenção significativa da atividade larvicida mesmo após um ano de armazenamento. Estudos futuros incluirão estratégias de proteção e estabilização do terpeno, visando minimizar perdas por volatilidade, ampliar sua durabilidade e avaliar sua aplicabilidade em condições ambientais reais. Essas etapas são essenciais para aprimorar o desempenho do composto e contribuir para o desenvolvimento de ferramentas mais eficientes, seguras e sustentáveis no combate ao Ae. aegypti.

        Palestrante: Elaine Carvalho Santana
      • 16:20
        AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIESQUISTOSSOMÓTICO DE EXTRATOS DE Capsicum chinense FRENTE A Schistosoma mansoni 20m

        A esquistossomose é uma doença parasitária causada pelo helminto Schistosoma mansoni, um trematódeo que parasita vasos do sistema porta-hepático. Trata-se de uma endemia negligenciada de grande relevância em saúde pública. O tratamento, atualmente, é baseado exclusivamente no praziquantel (PZQ), fármaco que, apesar de eficaz contra as formas adultas, apresenta uma baixa atividade frente a estágios imaturos do parasita e suscita preocupações quanto ao surgimento de cepas resistentes. Diante desse cenário, investigou-se a atividade esquistomissida in vitro de extratos e frações da pimenta biquinho (Capsicum chinense).
        Vermes adultos de S. mansoni foram recuperados por perfusão hepática de camundongos Swiss infectados e posteriormente incubados em placas de culturas contendo RPMI-1640 suplementado. Os extratos aquosos e etanólicos de pericarpo e sementes (E1-E4) assim como frações hexânicas (F1-F4) passaram por avaliação nas concentrações de 50 a 200 µg/mL. As amostras foram preparadas a partir da dissolução de 4 mg de cada extrato em 1 mL do próprio meio RPMI-1640, enquanto as frações foram diluídas em solução de DMSO 5%. O PZQ foi utilizado como controle positivo e o meio RPMI-1640 como controle negativo.
        Os extratos E1-E3 não apresentaram efeito significativo sobre a motilidade dos parasitos. O extrato etanólico de sementes (E4) demonstrou atividade expressiva em ambas as concentrações testadas, provocando imobilização total e cerca de 100% de mortalidade, com efeito comparado ao do PZQ. Entre as frações, a hexânica de sementes (F4) destacou-se por induzir mortalidade total já nas primeiras duas horas, acompanhada de alterações morfológicas no tegumento, como formação de bolhas, sugerindo possível dano direto à estrutura cuticular.
        Esses resultados apontam que compostos de caráter polar presentes nas sementes, extraídos por etanol e hexano são responsáveis pela atividade esquistossomicida observada. Assim, os achados reforçam o potencial de C. chinense como fonte de substâncias bioativas promissoras para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas contra a esquistossomose. Estudos futuros deverão focar na determinação dos valores de ED50 e na elucidação dos mecanismos de ação envolvidos.

        Palestrante: Lara Maria Pavarini (Universidade Federal de Alfenas)
      • 16:20
        AVALIAÇÃO in vitro DA ATIVIDADE ESQUISTOSSOMICIDA DE DERIVADOS XANTÔNICOS 20m

        A esquistossomose, causada pelo helminto Schistosoma mansoni, permanece como uma das doenças tropicais negligenciadas de maior impacto socioeconômico e clínico no Brasil. O tratamento ainda depende quase exclusivamente do praziquantel, o que suscita preocupação quanto ao possível surgimento de linhagens resistentes e reforça a necessidade de novas alternativas terapêuticas. Nesse contexto, xantonas sintéticas têm se destacado pela versatilidade estrutural e pela ampla variedade de atividades biológicas descritas, incluindo efeitos antiparasitários. Este trabalho teve como objetivo avaliar a atividade esquistossomicida in vitro de derivados xantônicos. Vermes adultos de S. mansoni foram expostos a diferentes concentrações dos compostos, analisando-se parâmetros como motilidade, integridade do tegumento, ocorrência de contração e encurtamento, funcionalidade do sistema digestivo e oviposição, por meio de microscopia óptica. Os resultados demonstraram redução total da motilidade e perda de funcionalidade do sistema digestivo com o tratamento com as xantonas A e C, nas concentrações de 50 e 75 μg/mL, respectivamente. Observou-se também formação de vesículas no tegumento nos tratamentos com a xantona B (50 μg/mL) e com xantona C (75 e 100 μg/mL). Quanto à eficiência reprodutiva, a xantona B reduziu a postura de ovos em relação ao controle negativo (RPMI-1640) e inibiu completamente a oviposição na concentração de 100 μg/mL. Assim, os dados indicam que estas xantonas, e possivelmente derivados delas que venham a ser preparados, apresentam efeitos significativos sobre a morfologia, a motilidade e a reprodução dos parasitos, configurando-se como moléculas promissoras para estudos futuros voltados à elucidação dos mecanismos de ação e ao desenvolvimento de novos agentes esquistossomicidas.emphasized text

        Palestrante: Willian Martins (Universidade Federal de Alfenas)
      • 16:20
        BIOPROSPECÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE Vismia cayennensis em LARVAS DE Aedes aegypti (DIPTERA:CULICIDAE) 20m

        Aedes aegypti é o principal vetor de arbovírus de importância para a saúde pública, como Dengue, Zika e Chikungunya. Essa espécie apresenta alto grau de domesticação, o que favorece sua associação com ambientes antrópicos e aumenta sua preferência por hospedeiros humanos. O uso contínuo de inseticidas sintéticos para o controle desse vetor tem contribuído para o desenvolvimento de resistência em suas populações. Diante disso, torna-se necessária a prospecção de novos compostos ativos ambientalmente seguros para o controle químico. Assim, pesquisas têm sido direcionadas para a investigação de compostos de origem natural como alternativa no manejo do mosquito. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito larvicida do óleo essencial (EO) de
        Vismia cayennensis em A. aegypti. O óleo foi extraído das cascas de V. cayennensis por hidrodestilação e caracterizado por Cromatografia Gasosa (CG). A avaliação do efeito larvicida em A. aegypti (linhagem Rockfeller, n=30; triplicata) foi realizada por bioensaios em concordância com preconização da Organização Mundial de Saúde. Os insetos do grupo experimental foram expostos à diferentes concentrações do OE (10 a 420 µg. mL-1), diluídos em DMSO, adicionados em água desclorada. Os insetos do grupo controle foram expostos somente à água desclorada e DMSO. A leitura de mortalidade foi realizada as 24 e 48h pós-exposição sendo consideradas mortas larvas com mobilidade alterada ou imóveis. Os dados foram analisados por regressão PROBIT e teste ANOVA. Os resultados mostram que a CL50 para OE de V. cayennensis foi de158,9µg. mL-1 (IC95% = 129,1 – 186,7), CL90 foi de 303,5 µg. mL-1 (IC95% = 248,7 – 439,2) e CL95 foi de 364,9 µg. mL-1 (IC95% = 287,9 – 582,3), com Slope (±DP) de 4,6 ± 0,35. Observou-se também uma relação dose–resposta, com aumento da mortalidade conforme a concentração do óleo essencial (p < 0,05). Além disso, a mortalidade foi maior em 48 h do que em 24 h, indicando efeito dependente do tempo e ação progressiva do óleo. Os resultados sugerem que o óleo essencial de V. cayennensis apresenta atividade larvicida significativa, com eficácia dependente tanto da concentração quanto do tempo de exposição. Esse efeito pode estar relacionado à presença de compostos majoritários como α-pineno e α-terpineol, já descritos na literatura por apresentarem atividade inseticida e neurotóxica em insetos.

        Palestrante: Alana Silva (UFLA)
      • 16:20
        DIAGNÓSTICO TARDIO DE ESCABIOSE EM PACIENTE SOB CORTICOTERAPIA PROLONGADA: RELATO DE CASO 20m

        A escabiose é uma parasitose humana causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade hominis, transmitida por contato direto prolongado. Caracteriza-se por prurido e lesões típicas, geralmente pápulas eritematosas, com tunelização, ocorrendo principalmente entre os dedos das mãos, axilas, punho, aréolas e genitais. O quadro resulta da ação do ácaro e da hipersensibilidade do hospedeiro. O caso em questão trata-se de um diagnóstico tardio de escabiose, com manejo clínico inicial inespecífico e não resolutivo. LDM, sexo feminino, 52 anos, procurou atendimento em dezembro de 2025 com queixa principal de “alergia”. Apresentava prurido cutâneo generalizado iniciado em maio, com evolução para pápulas eritematosas disseminadas. Em outros serviços, foi prescrita corticoterapia sistêmica por mais de dois meses e mantida até outubro. Na avaliação inicial, em uso diário de bilastina, doxepina e corticosteroides tópicos. Ao exame físico, fácies cushingoide, pápulas eritematosas descamativas disseminadas, incluindo em região palmo-plantar, com predomínio em regiões flexurais, exulcerações superficiais e edema em membros inferiores. A investigação laboratorial inicial revelou leucócitos 7.400/mm³, eosinofilia (11%), PCR 17,8 mg/L, VHS 27 mm/h, VDRL não reagente, FAN 1:80 (padrão citoplasmático pontilhado reticulado) e IgE total 7,6 UI/mL. As hipóteses diagnósticas foram de escabiose e lúpus eritematoso sistêmico subagudo. Realizou-se biópsia cutânea. Em janeiro de 2026, após suspensão medicamentosa para investigação, houve piora do prurido, com atendimento em pronto-socorro e reinício de corticoterapia sistêmica associada à hidroxizina. Em reavaliação, relatou quadro pruriginoso em coabitantes, reforçando etiologia parasitária. Em novos exames, leucocitose (12.200/mm³) e eosinofilia (28%; 3.416/mm³). A investigação imunológica foi negativa. O exame anatomopatológico confirmou Sarcoptes scabiei, estabelecendo diagnóstico de escabiose. Instituiu-se tratamento com permetrina tópica e ivermectina oral, que obteve resolução completa do prurido e regressão das lesões cutâneas. Apesar de frequente, a escabiose é uma doença negligenciada, que não raramente tem diagnóstico tardio, favorecendo a transmissão contínua e o impacto na qualidade de vida. O reconhecimento clínico oportuno e o tratamento abrangente dos casos e contatos são essenciais. Medidas educativas e fortalecimento da atenção básica também são fundamentais para controle e prevenção.

        Palestrante: Ana Luisa Silva Lima (Departamento de Medicina, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Lavras)
      • 16:20
        DIVERSIDADE E DISTRIBUIÇÃO DE CULICIDAE AO LONGO DE UM GRADIENTE DE FLORESTAS RIPÁRIAS E SUAS IMPLICAÇÕES PARA ARBOVIROSES 20m

        As florestas ripárias são ecossistemas de transição entre ambientes terrestres e aquáticos, fundamentais para a manutenção da biodiversidade e da integridade ecológica. Essas formações vêm sofrendo intensas pressões antrópicas, como desmatamento, urbanização, poluição e, no caso da bacia do médio Rio Doce (MG), os impactos do desastre da mineração de 2015, que agrava processos históricos de degradação ambiental. Essas alterações afetam diretamente a estrutura das comunidades biológicas e podem favorecer organismos oportunistas, incluindo insetos hematófagos de relevância sanitária. Os culicídeos (Diptera: Culicidae) destacam-se como bioindicadores da qualidade ambiental, uma vez que sua composição e abundância refletem mudanças no habitat e podem sinalizar riscos à saúde pública, devido à capacidade vetorial de diversas espécies. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar a diversidade, abundância e distribuição de culicídeos em florestas ripárias do médio Rio Doce ao longo de um gradiente de degradação ambiental, testando a hipótese de que ambientes mais degradados favorecem espécies oportunistas e potencialmente vetoras. A amostragem foi realizada em seis áreas com diferentes níveis de conservação, previamente definidos com base em métricas de cobertura florestal e inserção na paisagem, por meio de imagens de satélite. Resultados preliminares revelam o registro de múltiplos gêneros, incluindo Culex, Aedes, Anopheles, Mansonia, Coquillettidia, Uranotaenia, Aedeomyia, Haemagogus, Psorophora e Sabethes, evidenciando a coexistência de espécies com diferentes graus de associação ambiental e relevância epidemiológica. As análises ainda em andamento indicam o potencial de simplificação biótica em ambientes mais degradados, com possível favorecimento de espécies oportunistas e vetoras. Esses achados reforçam o papel dos culicídeos como bioindicadores e apontam para implicações diretas na interface entre degradação ambiental e risco epidemiológico. Dessa forma, o estudo pode contribuir para o entendimento das respostas da fauna de Culicidae às perturbações ambientais, além de fornecer subsídios para estratégias integradas de conservação, monitoramento ambiental e vigilância em saúde pública ao entorno da bacia do Rio Doce.

        Palestrante: Heloisa Rodington (Universidade Federal de Ouro Preto)
      • 16:20
        ECO-EPIDEMIOLOGICAL DETERMINANTS AND RISK PERCEPTION OF RICKETTSIA CIRCULATION IN TICKS FROM NORTHEASTERN COLOMBIA 20m

        Ticks represent critical ectoparasites within the human-animal health interface, acting as vectors for Rickettsia rickettsii, the etiological agent of Rocky Mountain Spotted Fever. In Colombia, this emerging zoonosis, known as "Tobia Fever," has a history of high mortality, underscoring the need to understand the socioeconomic and environmental factors that drive its endemicity in rural areas. Under this premise, the general objective of this study was to determine the Rickettsia species circulating in ticks and domestic animals in the municipalities of Betulia, San Vicente de Chucurí, and Zapatoca (Santander), identifying the eco-epidemiological variables associated with their maintenance. The experimental phase integrated sampling of canines and equines alongside structured surveys administered to 42 landowners in an altitudinal range of 946 to 1,011 masl. The demographic profile consisted primarily of agricultural producers (57.1% male; 42.9% female) with an average age of 45 years. Univariate analyses revealed a homogeneous population in terms of exposure; however, a significant inverse correlation was identified between altitude and disease awareness: higher elevations were associated with lower recognition of the vector and its pathogenic risk. Although 64.28% of participants demonstrated familiarity with the term "zoonosis," factors such as housing infrastructure standardize microclimates favorable for the vector, while the implementation of active prevention and synanthropic control depends exclusively on the producer's level of technical training In conclusion, altitude acts as a key geographic determinant of epidemiological risk perception, underscoring the urgency of integrating rickettsiosis into mandatory surveillance systems and strengthening public health policies to reduce morbidity in these strategic regions of Colombia.

        Palestrante: Yuly Andrea Caicedo Blanco (Universidad Cooperativa de Colombia)
      • 16:20
        ESTUDO PRELIMINAR SOBRE O EFEITO DE ULTRASSOM DE ALTA FREQUÊNCIA NO CONTROLE DE Pediculus humanus capitis 20m

        A pediculose da cabeça é uma parasitose moxênica causada pela infestação de Pediculus humanus capitis, não possui tratamento definitivo, afeta crianças em idade escolar em todos os continentes. Interferindo no aprendizado e compondo um aspecto moral do agravo, já que muitas vezes a infestação é erroneamente associada a baixa renda ou falta de higiene. Este trabalho explora a possibilidade de utilizar ultrassom de alta frequência (1,7 MHz) no controle da Pediculus humanus capitis. A bibliografia cita em trabalho com 1000 piolhos, a frequência ultrassônica ideal para o controle do inseto é de 1.5 a 2.5 MHz. Havendo disparidade fisiológica das populações de piolhos de diferentes regiões, é almejado por este trabalho verificar se é possível mensurar a letalidade e viabilidade do uso do ultrassom. Para tanto, testamos expor piolhos a um feixe de ultrassom de 1,7 Mz por uma duração de 24h. O monitoramento foi realizado de hora a hora para as primeiras para as primeiras 4h e após este período foi verificado de 2 em 2 horas. Foram utilizados 28 piolhos, coletados no município de Pinhais-PR em projeto de pesquisa guarda-chuva intitulado Epidemiologia de Ecto e Enteroparasitos na Região Metropolitana de Curitiba e Litoral do Paraná, previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Paraná (CAAE 38757614.9.0000.0102). Metade dos piolhos compuseram o grupo controle e a outra metade foi exposta ao feixe ultrassônico. Não foi possível aplicar ferramentas estatísticas para embasar nossas conclusões, devido a um pequeno N amostral. Entretanto em uma análise qualitativa verificamos um perfil claramente distinto entre os dois grupos, com uma curva de letalidade muito mais acentuada para o grupo que foi exposto ao feixe, colaborando com a literatura disponível. Fornecendo fortes indícios de que é possível o uso da onda ultrassônica para o controle do piolho. Os resultados apontam para a necessidade de novos estudos que aprofundem o desenvolvimento de emissores ultrassônicos leves e seguros. Que possam ser usados na cabeça estejam há uma potência adequada. Possuindo caráter letal ou repulsivo ao parasito e não trazendo nenhum desconforto a pessoa e em conformidade com o protocolo ALARA(as-low-as-resonably-archiveble).

        Palestrante: Mateus Tokarski Lima (Universidade Federal do Paraná)
      • 16:20
        HELMINTEX NA DETECÇÃO DE POSITIVIDADE RESIDUAL POR Schistosoma mansoni APÓS TRATAMENTO COM PRAZIQUANTEL 20m

        A avaliação parasitológica após o tratamento com praziquantel é etapa essencial no monitoramento da esquistossomose mansônica em áreas endêmicas, sobretudo em cenários de baixa carga parasitária, nos quais métodos coproparasitológicos convencionais podem apresentar sensibilidade limitada e subestimar a persistência da infecção. Nesses contextos, métodos de maior sensibilidade podem contribuir para estimativas mais acuradas da resposta terapêutica e para a identificação de casos residuais não detectados por técnicas de rotina. Este estudo objetivou comparar o desempenho do método convencional Kato-Katz e do método de alta sensibilidade Helmintex na detecção de positividade residual por Schistosoma mansoni após tratamento com praziquantel. Trata-se de estudo prospectivo de acompanhamento pós-terapêutico, realizado em área endêmica do município de Malhador, Sergipe, Brasil, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Federal de Sergipe (CAAE: 71027323.7.0000.5060). Inicialmente, 167 indivíduos foram avaliados pelo método de Kato-Katz, dos quais 77 (46,1%) apresentaram positividade para S. mansoni, com predomínio de infecções de baixa intensidade. Os indivíduos positivos foram tratados com praziquantel e, após 30 dias, 41 participantes foram reavaliados por ambos os métodos para controle pós-tratamento. No seguimento, o Kato-Katz detectou 1 caso positivo (2,4%), enquanto o Helmintex identificou 2 casos (4,9%), incluindo 1 infecção residual não detectada pelo método convencional. Embora a diferença absoluta entre os métodos tenha sido pequena, o achado é epidemiologicamente relevante, pois evidencia persistência parasitária em situação que poderia ser interpretada como cura quando apenas o método rotineiro é empregado. Os resultados reforçam a utilidade de métodos mais sensíveis no acompanhamento pós-terapêutico, especialmente em infecções leves, e destacam sua relevância para o aprimoramento das estratégias de vigilância, avaliação da resposta terapêutica e controle da esquistossomose em áreas endêmicas.

        Palestrante: Talita de Lima Hora Ferreira (Universidade Federal de Sergipe)
      • 16:20
        MIÍASE ORBITÁRIA POR Cochliomyia hominivorax EM CAPRINO COM EXTENSÃO PARA O SEIO INFRAORBITAL: RELATO DE CASO 20m

        Miíases são parasitoses decorrentes da infestação de tecidos vivos de humanos e animais por larvas de moscas, são frequentes em regiões tropicais e endêmicas no Brasil. Destaca-se a infestação por Cochliomyia hominivorax, cujas larvas apresentam rápida eclosão e evolução, e destruição tecidual intensa, resultando em impactos socioeconômicos, além de relevante papel na saúde única. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de miíase orbitária por C. hominivorax em caprino encaminhado para necrópsia, a fim de evidenciar o agravamento do quadro quando negligenciado. Tratava-se de uma cabra, de 4 anos de idade, fêmea, Saanen, em regular estado corporal. No histórico constava parto dois meses antes e envolvimento em briga com outros caprinos, resultando em lesão ocular. Após o episódio a cabra foi separada do lote e medicada com propilenoglicol (3 mL, BID) e complexo vitamínico (2 mL), devido a emagrecimento progressivo e queda de pelos, sem outra terapia até a eutanásia. A cabra foi mantida com alimentação à base de concentrado de milho e soja e silagem de milho. Dezoito dias após a briga constatou-se, em exame clínico, quadro de miíase periorbital, associado a aumento de temperatura local e do volume da articulação do carpo, com prognóstico desfavorável e assim foi encaminhada para eutanásia. À necrópsia foram observadas mucosas oral e conjuntival pálidas, desidratação acentuada, bulbo ocular direito perfurado e com grande quantidade de larvas de C. hominivorax, seio infraorbital direito contendo material pastoso amarelo-esverdeado e fígado difusamente amarelado. No exame histopatológico observou-se, no bulbo ocular, destruição da esclera, associada a infiltrado inflamatório acentuado, composto por neutrófilos íntegros e necróticos e eosinófilos, além de fibrose, bactérias e seções transversais de larvas de mosca com morfologia de C. hominivorax. No fígado havia vacuolização acentuada de hepatócitos, congestão, trombose e colestase discreta. Assim conclui-se que as miíases, como doenças parasitárias de importância sanitária, ainda se fazem presentes, têm potencial de evolução rápida e agressiva quando não tratadas, especialmente em decorrência de falhas no manejo e na intervenção terapêutica precoce. Ademais, essas lesões permanecem como condições frequentemente negligenciadas e subestimadas no contexto de saúde única e geram impactos negativos evitáveis na produção.

        Palestrante: Kaory Miyashiro Pegoraro (Universidade Federal de Lavras)
      • 16:20
        MONITORAMENTO POPULACIONAL DE Aedes aegypti COM USO DE OVITRAMPAS NO CAMPUS DA UFLA 20m

        O mosquito Aedes aegypti atua como vetor, transmitindo patógenos que causam doenças como dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana. Devido à sua grande capacidade de adaptação ao ambiente urbano e à facilidade de reprodução em pequenos recipientes com água parada, o controle desse vetor representa um desafio para a saúde pública, especialmente devido à dificuldade de eliminação de criadouros e à ampla dispersão do mosquito em ambientes urbanos. Nesse contexto, o uso de ovitrampas se destaca como uma estratégia para monitorar a presença e a distribuição do mosquito, permitindo identificar locais com maior risco de infestação. O objetivo foi acompanhar a presença do mosquito A. aegypti no Pavilhão 1, localizado dentro do campus. Para preparar a infusão de feno, utilizada como atrativo para oviposição, foram preparados 6 litros de água declorada com 60 g de feno, mantidos em recipiente fechado e incubados em uma B.O.D a 28 ºC por 24 horas para fermentação. As ovitrampas foram confeccionadas com garrafa PET previamente higienizada de 2 litros, cortada e revestida externamente com papel contact preto para simular um ambiente favorável ao mosquito. No interior, foi inserida uma palheta de eucatex parcialmente submersa, com dimensões de 4,90 x 13 cm, utilizada como substrato para deposição dos ovos. As armadilhas foram preenchidas com uma solução contendo 80% de água e 20% da infusão fermentada e instaladas no Pavilhão 1. A cada sete dias, o material foi coletado e analisado em laboratório, observando-se a presença de ovos, larvas e adultos. Também foi realizada inspeção do ambiente para identificação de possíveis criadouros. Após três semanas de coleta, foram encontrados 97 ovos, 30 larvas e 1 pupa, sendo a espécie identificada como A. aegypti. Os resultados evidenciaram a presença de recipientes com água parada e locais sombreados, condições que favorecem o desenvolvimento do vetor, pois funcionam como criadouros ideais para a oviposição. O uso de ovitrampas foi eficaz na detecção de Aedes aegypti, sendo um método simples e de baixo custo. Os resultados destacam a importância do monitoramento contínuo e reforçam a necessidade de eliminar criadouros por meio da remoção de recipientes com água parada e da conscientização da população, contribuindo para a redução da proliferação do mosquito.

        Palestrante: Luana Hellen
      • 16:20
        OS EXTRATOS DE Metarhizium spp. E A DELTAMETRINA ALTERAM A MORFOLOGIA DO OVÁRIO DE CARRAPATOS Rhipicephalus microplus 20m

        Rhipicephalus microplus são responsáveis por grandes prejuízos na pecuária. Dentre os danos causados aos bovinos estão a transmissão de patógenos, diminuição de produtividade e danos ao couro. O controle é feito principalmente com o uso de acaricidas sintéticos que, quando utilizados incorretamente, podem levar ao acúmulo de resíduos tóxicos em produtos de origem animal e no meio ambiente, além de favorecer a seleção de cepas resistentes. Os extratos de Metarhizium spp. podem ser uma alternativa promissora, por conter substâncias biodegradáveis e específicas, como toxinas e enzimas. O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos de extratos de Metarhizium anisopliae (MA) e M. robertsii (MR), isolados ou associados à deltametrina, sobre a morfologia do ovário de R. microplus. Para isso, cem fêmeas ingurgitadas (n = 10/grupo) foram divididas nos seguintes grupos: água destilada (C), extrato ativo (TMA1) e desnaturado de MA (TMA2); extrato ativo (TMR1) e desnaturado de MR (TMR2); extrato ativo (TMA3) e desnaturado de MA mais deltametrina (TMA4); extrato ativo (TMR3) e desnaturado de MR mais deltametrina (TMR4); e deltametrina (D). O grupo C foi imerso em 7,0 mL de água destilada, e os grupos TMA1-TMA4 e TMR1-TMR4, nos extratos, durante 15 minutos. Após uma hora, os grupos TMA3, TMA4, TMR3, TMR4 e D foram imersos em deltametrina (0,5 mL/L) por cinco minutos. Após sete dias, cinco carrapatos vivos de cada grupo foram dissecados para coleta do ovário e confecção das lâminas histológicas. As principais alterações observadas foram: ovócitos com formato irregular, vacuolização citoplasmática e nucleolar e irregularidades e espessamento do córion. Os resultados indicaram que todos os grupos de tratamento causaram alterações significativas no órgão. Sugere-se, portanto, uma potencial contribuição dos extratos de Metarhizium spp. no controle de R. microplus.

        Palestrante: Daiana de Fátima Sousa Pereira (UFLA)
      • 16:20
        TICK (Acari: Ixodidae) DIVERSITY IN MAMMALS IN NORTHEASTERN COLOMBIA 20m

        Ticks are obligate hematophagous arthropods that feed on mammals (including humans), birds, reptiles, and amphibians. They are considered significant vectors because they can transmit a high diversity of pathogens (bacteria, protozoa, viruses, and helminths), which can cause severe diseases (even lethal) in humans and animals. They are found across the globe and comprise approximately 984 species, with at least 25% occurring in the Neotropical region. In Colombia, approximately 58 tick species (43 Ixodidae and 15 Argasidae) have been confirmed; however, studies on regions such as Santander department (northeastern region) remain scarce. This study aimed to collect and identify tick species parasitizing domestic mammals and humans in rural settlements from three municipalities in the Santander department, a region with historical human cases of tick-borne diseases. A cross-sectional study was conducted using non-probabilistic sampling in the municipalities of Betulia, San Vicente de Chucurí, and Zapatoca (Santander, Colombia). Collections were conducted in different landscapes and altitudes, prioritizing domestic mammals (mainly canines, equines, and bovines) and humans who voluntarily donated the specimens. Ticks were collected from different body regions of the sampled animals. The specimens were preserved in individual vials per host with absolute ethanol and morphologically identified using dichotomous taxonomic keys. Geographic coordinates were recorded for subsequent spatial analyses. A total of 907 tick specimens were collected and classified as Amblyomma mixtum (436; 48.07%), Amblyomma ovale (58; 6.39%), Dermacentor nitens (33; 3.64%), Rhipicephalus microplus (66; 7.28%), and Rhipicephalus sanguineus s.l. (289; 31.86%). Some immature specimens were classified as Amblyomma sp. (11; 1.21%) and Rhipicephalus sp. (3; 0.33%). Equines and canines were the most common sampled species, with 438 (48.29%) and 398 (43.88%) ticks collected, respectively. Other sampled hosts included bovines (55; 6.06%), humans (10; 1.10%), and felines (4; 0.44%). The altitude ranged from 362 to 1,775 m, with R. sanguineus s.l. being the species with the highest record. These findings confirm the presence of tick species of major public health concern in a region already known for tick-borne rickettsiae lethal human cases. Regional health authorities should consider these data when implementing epidemiological surveillance programs under the One Health framework.

        Palestrante: Dr. Yuly Andrea Caicedo Blanco (Universidad Cooperativa de Colombia)
      • 16:20
        TRIATOMÍNEOS CAPTURADOS E SUSPEIÇÃO DE DOENÇA DE CHAGAS AGUDA: SUBSÍDIOS PARA QUALIFICAÇÃO DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA NO TERRITÓRIO 20m

        A doença de Chagas (DC) permanece como grave problema de saúde pública e uma das endemias mais negligenciadas na América Latina. Este trabalho objetivou analisar a distribuição espacial de triatomíneos capturados no intradomícilio/quarto e comparar esses dados com as notificações de casos agudos (DCA) do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) visando avaliar a sensibilidade da vigilância epidemiológica. Trata-se de estudo ecológico descritivo realizado na macrorregião de saúde de oeste de Minas Gerais, composta por 53 municípios. Realizou-se análise espacial, baseada em dados entomológicos secundários da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), obtidos por meio de solicitação via Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão, e dados públicos de notificação de DCA disponíveis no Tabnet do Portal da Vigilância em Saúde da SES/MG. A base cartográfica (formato shapefile) foi obtida no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram integrados utilizando-se Sistema de Informações Geográficas. O recorte temporal (dez/2021 a jun/2025) considerou a instituição do Grupo Técnico em Endemias da Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis em 2021, visando maior consistência dos registros. As variáveis analisadas incluíram município, ano e local de captura (quarto), para os triatomíneos e município de residência e ano das notificações para a DCA. A organização e consolidação do banco de dados ocorreram no Microsoft Excel®. A representação cartográfica utilizou o ArcGIS Desktop (Esri®). Ocorreram 86 notificações de DCA, com destaque para Itatiaiuçu (n=12; 14,0%), Carmópolis de Minas (n=8; 9,3%) e Formiga (n=7; 8,1%), que juntos concentram mais de 30% dos casos. Nesse mesmo período, foram capturados 1132 triatomíneos, sendo 175 no quarto, distribuídos em 62,3% (n=33) dos municípios. Itatiaiuçu (n=16; 9,1%), Pedra do Indaiá (n=16; 9,1%) e Carmópolis de Minas (n=14; 8,0%) apresentaram as maiores capturas intradomiciliares/quarto. A análise espacial revelou que 22 municípios com captura vetorial no quarto registraram notificações de DCA. Contudo, em 11 municípios com presença do vetor no quarto não houve notificações de DCA, enquanto 9 municípios registraram DCA sem captura correspondente no quarto. Conclui-se que o mapeamento evidenciou lacunas de vigilância e áreas de risco, fornecendo subsídios essenciais para o planejamento e a gestão das ações de controle da DC na macrorregião.

        Palestrante: Marcelo Henrique Guimarães Bueno (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais - SRS-Divinópolis)
      • 16:20
        USO DE OVITRAMPAS COMO MÉTODO DE MONITORAMENTO DA PRESENÇA DE VETORES NA ÁREA DO CENTRO DE INTEGRAÇÃO UNIVERSITÁRIA DA UFLA 20m

        No Brasil, artrópodes hematófagos como o Aedes aegypti são relevantes para a saúde pública por transmitirem arbovírus associados a doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A infecção ocorre durante o repasto sanguíneo de fêmeas, que dependem de ambientes com água para a oviposição e desenvolvimento das larvas. Nesse cenário, as ovitrampas se destacam como ferramentas simples, de baixo custo e eficazes no monitoramento da dinâmica populacional de mosquitos. O trabalho teve como objetivo realizar vigilância entomológica na área do Centro de Integração Universitária (CIUNI) por meio de ovitrampas. Para isso, utilizou-se armadilha de oviposição (ovitrampa), amplamente empregada na captura de estágios imaturos. A infusão de feno foi preparada utilizando 6 L de água e 60 g de feno, acondicionados em recipiente vedado e incubados em câmara BOD a 28 ºC por 24 h, visando à fermentação do substrato. A ovitrampa foi confeccionada a partir de uma garrafa PET de 2 L previamente higienizada com detergente neutro e água, seccionada a 17 cm de altura e revestida externamente com fita isolante preta, com o intuito de aumentar a atratividade para as fêmeas realizarem oviposição. No interior do dispositivo, foi inserida uma palheta de madeira tipo eucatex, mantendo-se 2,8 cm expostos acima da borda, atuando como substrato para deposição de ovos. A armadilha foi instalada no CIUNI e submetida a monitoramento semanal, com coletas realizadas em intervalos de 7 dias ao longo de duas semanas, seguidas de análise laboratorial. No mesmo período, foi realizada inspeção ambiental nas áreas interna e externa do local de coleta, sendo identificadas poças de água parada após chuva e latas de lixo sem tampa. Durante o período experimental, marcado por tempo fechado e nublado, além de baixa circulação de pessoas no local, não foram encontrados ovos, larvas ou adultos nas ovitrampas. A pouca presença de pessoas pode ter reduzido a disponibilidade de fontes de sangue para as fêmeas, enquanto as condições climáticas podem ter influenciado o comportamento dos mosquitos. Assim, a ausência de formas imaturas impossibilitou confirmar a presença de vetores na área durante o período avaliado. Os resultados evidenciam a necessidade de monitoramento constante, visto que foi detectado um possível criadouro, devido a presença de água parada e lixeiras destampadas.

        Palestrante: Srta. Mirian Sobrinho (Universidade Federal de Lavras)
    • 18:10 18:15
      Apresentação oral - 22/05/2026: Flash talk 3

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade oral.

      • 18:10
        IMUNOGENICIDADE E EFICÁCIA VACINAL DE FORMULAÇÕES BASEADAS EM UM ANTÍGENO MULTIEPÍTOPOS, DESENHADO A PARTIR DE EXOANTÍGENOS DE Leishmania infantum 5m

        A leishmaniose visceral (LV) é uma doença infecto-parasitária causada por parasitos da espécie Leishmania (Leishmania) infantum, no Brasil. A principal medida de controle, baseada na eutanásia de cães soropositivos, é limitada e de eficácia questionável. Assim, estratégias preventivas, como as vacinas, podem ser mais eficazes e econômicas. Diante disso, nosso grupo desenvolveu antígenos multiepítopos a partir de exoantígenos imunodominantes de L. infantum. O antígeno PQ-1 destacou-se por apresentar alto potencial imunogênico, ausência de similaridade com proteínas de cães, camundongos e humanos, além de ser predito como não alergênico e não tóxico. Dessa forma, esse trabalho visa avaliar a imunogenicidade e a eficácia vacinal de formulações baseadas no antígeno PQ-1. Para isso, a construção pET28a-PQ-1 foi inserida em bactérias E. coli, que foram cultivadas e o antígeno purificado por cromatografia de afinidade. As alíquotas com maior concentração do antígeno foram submetidas à SDS-PAGE 12% e a banda proteica correspondente foi excisada e submetida à eletroeluição, para obtenção do antígeno com elevado grau de pureza. Camundongos BALB/c foram imunizados com o antígeno PQ-1, associado ou não ao adjuvante Monofosforil Lipídeo A (MPLA). Metade dos animais foram eutanasiados após a última imunização, para avaliação da resposta imune humoral e celular. Os animais restantes de cada grupo foram desafiados com 2x107 promastigotas de L. infantum transfectadas com o gene da proteína tdTomato. Quarenta e dois dias após o desafio, os animais foram eutanasiados, para coleta do fígado e baço e obtenção dos esplenócitos. A resposta humoral foi avaliada por IgG total, IgG1 e IgG2a. A resposta celular foi caracterizada por ensaios de proliferação de linfócitos T, por quantificação de citocinas e quimiocinas e por caracterização fenotípica dos linfócitos T e B. Por fim, a eficácia vacinal foi avaliada pela quantificação da carga parasitária no fígado e baço, utilizando técnicas de diluição limitante e leitura dos níveis relativos de fluorescência. Os resultados preliminares mostraram que as formulações testadas induziram a produção de anticorpos IgG total, IgG1 e IgG2a. Em relação à eficácia vacinal, houve uma redução de 97,7% da carga parasitária no baço e 75,1% no fígado dos animais imunizados com o antígeno PQ-1 associado ao adjuvante MPLA, comparado com os animais controles. Esses resultados destacam o potencial do antígeno PQ-1 como um candidato vacinal contra a LV.

        Palestrante: João Pedro Pereira de Carvalho (Instituto René Rachou - Fiocruz Minas)
    • 08:00 08:25
      Apresentação oral - 23/05/2026: Flash talk 1

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade oral.

      • 08:00
        ATIVIDADE ANTI-HELMÍNTICA DE DERIVADOS IMIDAZOLIDINA-2,4-DIONA CONTRA Schistosoma mansoni 5m

        A esquistossomose constitui uma doença tropical negligenciada de expressivo impacto socioeconômico, ocasionada por helmintos do gênero Schistosoma e com prevalência estimada em mais de 250 milhões de indivíduos globalmente. Atualmente, a terapêutica e o controle desta helmintíase restringem-se ao uso exclusivo do praziquantel; contudo, as limitações inerentes a este fármaco ratificam a premência na busca por novos agentes bioativos. Diante desse cenário, o presente estudo investigou o potencial antiparasitário in vitro de doze derivados sintéticos híbridos, baseados nos núcleos isoindolina-1,3-diona e imidazolidina-2,4-diona, frente a vermes adultos de Schistosoma mansoni. Na triagem preliminar (50 µM), os derivados isoindólicos demonstraram-se inativos. Em contrapartida, quatro análogos da série imidazolidina-2,4-diona (8, 9, 11 e 12) apresentaram acentuada atividade antiparasitária. Ensaios de concentração-resposta revelaram valores de EC₅₀ compreendidos entre 12,6 e 19,8 µM, destacando-se os compostos 9 e 12 como os protótipos de maior potência. Adicionalmente, todos os compostos ativos exibiram reduzida citotoxicidade em linhagens celulares Vero (CC₅₀ > 200 µM) e índices de seletividade superiores a 10, o que evidencia um perfil de segurança biológica favorável. Em suma, os achados identificam o núcleo imidazolidina-2,4-diona como um scaffold promissor para a prospecção de novos candidatos terapêuticos, fundamentando investigações voltadas à elucidação de mecanismos de ação e à progressão destas moléculas no fluxo de desenvolvimento de fármacos para doenças negligenciadas.

        Palestrante: Thainá Rocha Teixeira (Universidade Guarulhos)
      • 08:05
        AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DA ALIMENTAÇÃO COM RESTRIÇÃO DE TEMPO SOBRE A MICROBIOTA INTESTINAL NA ESQUISTOSSOMOSE EXPERIMENTAL 5m

        A esquistossomose é uma doença parasitária negligenciada, de caráter agudo e crônico, causada por trematódeos do gênero Schistosoma. No Brasil, Schistosoma mansoni se estabelece com facilidade devido à presença do caramujo do gênero Biomphalaria como hospedeiro intermediário e à disponibilidade de ambientes favoráveis à transmissão. Durante a fase aguda, a intensa resposta granulomatosa compromete o trato gastrointestinal e o fígado, favorecendo alterações na microbiota intestinal, um ecossistema dinâmico influenciado por fatores como infecção parasitária e dieta. Este estudo teve como objetivo investigar os efeitos da alimentação com restrição de tempo (time-restricted feeding – TRF) na evolução da esquistossomose aguda e na microbiota intestinal. Camundongos BALB/c foram distribuídos em grupos controle, infectados sem tratamento e infectados tratados com Praziquantel, submetidos ou não ao protocolo TRF. Foram avaliados consumo calórico, coeficiente de eficiência energética (CEE) e parâmetros bioquímicos, histológicos e microbiológicos. Observou-se redução da glicemia nos animais infectados e ausência de alterações significativas nos níveis de fosfatase alcalina. O consumo calórico foi reduzido nos grupos controle TRF e infectado sem tratamento TRF. O CEE variou entre os grupos, com redução nos infectados sem tratamento ad libitum e TRF e no tratado ad libitum, e aumento no controle e no tratado TRF. Na análise histológica hepática, lâminas coradas por Hematoxilina e Eosina evidenciaram maior área de granulomas no grupo infectado sem tratamento submetido ao TRF e aumento de hepatócitos binucleados em todos os grupos infectados. A análise de glicogênio hepático, por coloração PAS, demonstrou redução nos grupos TRF. Na abordagem metagenômica, o sequenciamento da região V3/V4 do gene 16S rRNA revelou ausência de diferenças significativas na diversidade alfa (Shannon e Chao1), mas alterações na abundância relativa de classes bacterianas, com destaque para o aumento de Desulfovibrionia nos grupos TRF, além de modulações associadas ao tratamento farmacológico. Os resultados indicam que o TRF altera parâmetros metabólicos e imunológicos e impacta a microbiota intestinal durante a infecção por S. mansoni, reforçando o papel da dieta na interação patógeno-hospedeiro e a importância de abordagens integrativas no estudo de infecções parasitárias.

        Palestrante: Micaella Sales Pereira
      • 08:10
        DISTRIBUIÇÃO POTENCIAL DE Amblyomma sculptum NO BRASIL: IMPLICAÇÕES PARA VIGILÂNCIA DA FEBRE MACULOSA BRASILEIRA 5m

        O carrapato Amblyomma sculptum é o principal vetor da Febre Maculosa Brasileira, uma zoonose de alta letalidade. Informações sobre a distribuição geográfica atual e futura deste vetor é chave pois permitem identificar áreas de risco, subsidiando ações de vigilância epidemiológica. Sabe-se que a abundância deste vetor está associada ao tipo de cobertura vegetal e à presença de hospedeiros amplificadores, além de condições climáticas específicas. Utilizamos modelo de distribuição de espécies para mapear áreas de adequabilidade ambiental para ocorrência de A. sculptum, com base em variáveis bioclimáticas, e prever os efeitos das alterações climáticas sobre essas áreas. A modelagem foi realizada utilizando-se de registros de ocorrência da espécie obtidos nas bases speciesLink e GBIF por meio do algoritmo MaxEnt, com validação cruzada e avaliação do desempenho por métricas estatísticas. Os resultados indicaram áreas de média a alta adequabilidade ambiental distribuídas principalmente nas regiões Sudeste e Centro Oeste, além de porções do Nordeste. Os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina apresentaram maior adequabilidade ambiental, enquanto as regiões da Amazônia Ocidental apresentaram baixa adequabilidade. Áreas com maior probabilidade de ocorrência se concentraram na porção leste do país. A distribuição observada foi fortemente influenciada por variáveis relacionadas à temperatura e precipitação, de modo que ambientes com menor amplitude térmica e sazonalidade das chuvas bem definida favoreceram o estabelecimento da espécie. As projeções futuras indicaram expansão das áreas de média e alta adequabilidade, formando um corredor de alta adequabilidade conectando Sudeste, Centro Oeste e parte do Norte do país. Essas alterações são mais evidentes nos cenários de altas emissões, o que aponta para uma possível intensificação do risco em um contexto de mudanças climáticas mais acentuado. Esses resultados reforçam a importância da modelagem ecológica na identificação de áreas prioritárias para vigilância e prevenção da Febre Maculosa Brasileira.

        Palestrante: Luan Alexander de Oliveira
      • 08:15
        HIATO DE IMPLEMENTAÇÃO NO CONTROLE DE ARBOVIROSES: EVIDÊNCIAS DE REATIVIDADE ESTRUTURADA EM UMA MICRORREGIÃO BRASILEIRA 5m

        Este estudo analisa a operacionalização das políticas de vigilância e controle de arboviroses no nível municipal, à luz da pesquisa de implementação e do paradigma da Saúde Única. Trata-se de um estudo censitário, transversal e de abordagem mista, realizado em nove municípios, com coleta de dados por meio de questionário estruturado aplicado a gestores e responsáveis técnicos pela vigilância epidemiológica. Foram avaliados planos de contingência, uso de ferramentas epidemiológicas, vigilância entomológica, capacidade diagnóstica, integração intermunicipal e incorporação de tecnologias inovadoras. Os resultados demonstraram que, embora 100% dos municípios possuam planos formais e realizem monitoramento de curvas epidêmicas, apenas 66,7% utilizam diagramas de controle e 44,4% empregam ovitrampas. Observou-se predominância de práticas reativas, baixa integração entre sistemas epidemiológicos, entomológicos e laboratoriais, e limitada incorporação de vigilância genômica, apesar da expansão da capacidade diagnóstica no período pós-pandemia. A vigilância permanece centrada em esforço humano, com baixa utilização de inteligência de dados e ferramentas preditivas. A atuação de consórcios intermunicipais mostrou-se predominantemente administrativa, com limitada coordenação de ações regionais. Os achados evidenciam o paradoxo da “reatividade estruturada”, no qual há capacidade técnica instalada e arcabouço normativo robusto, porém com descontinuidade operacional e baixa capacidade preditiva. Esse padrão reflete falhas de governança, fragmentação institucional e ausência de integração tecnológica. Conclui-se que o principal entrave ao controle efetivo das arboviroses não reside na escassez de recursos, mas na dificuldade de transformar conhecimento e infraestrutura em ação coordenada e antecipatória. Estratégias baseadas em integração intermunicipal, vigilância preditiva, uso de inteligência artificial e fortalecimento da abordagem de Saúde Única são fundamentais para superar esse cenário.

        Palestrante: Jose Cherem (UFLA)
      • 08:20
        VACINAÇÃO EM MASSA CONTRA A DENGUE: ESTRATÉGIA INOVADORA PARA PROTEÇÃO DA POPULAÇÃO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE EM NOVA LIMA 5m

        O município foi selecionado como um dos três pilotos nacionais e o primeiro de Minas Gerais para a implementação da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, destinada à população de 15 a 59 anos, com base em critérios epidemiológicos, capacidade instalada e elevada adesão populacional. Nesse contexto, a experiência de vacinação em massa contra a dengue em Nova Lima configura uma inovação no fortalecimento do Sistema Único de Saúde, articulando evidência científica, gestão pública qualificada e organização territorial da rede. Mais do que uma ação de imunização, constitui uma estratégia estruturante de saúde pública, ao reposicionar a vacinação como eixo central da resposta às arboviroses e fortalecer a integração entre vigilância em saúde, atenção primária e gestão nos diferentes níveis do SUS. A implementação foi orientada por análise epidemiológica territorial, permitindo priorização de áreas de maior risco e organização dinâmica da oferta. A rede de serviços foi reestruturada com ampliação de horários, intensificação de ações extramuros e utilização do vacimóvel como dispositivo de equidade no acesso. As equipes foram capacitadas para atuação integrada, com padronização de fluxos assistenciais, farmacovigilância e monitoramento de eventos adversos pós-vacinação. No componente de vigilância, foram fortalecidas ações de controle vetorial do Aedes aegypti, incorporando tecnologias de monitoramento territorial, uso de drones e sistemas informatizados de registro em tempo real das atividades de campo, qualificando a tomada de decisão baseada em evidências. O monitoramento contínuo permitiu resposta ágil às dinâmicas territoriais, com redirecionamento de equipes e fortalecimento da comunicação em saúde como eixo transversal, promovendo transparência, confiança institucional e ampliação da adesão da população. Entre janeiro e abril de 2026, foram aplicadas aproximadamente 27.000 doses, alcançando 35% de cobertura do público-alvo, com destaque para o vacimóvel e as ações extramuros como principais indutores de acesso. Os Dias D evidenciaram elevada capacidade de mobilização social e eficiência operacional da rede. Conclui-se que a experiência de Nova Lima demonstra que a vacinação contra a dengue, quando estruturada de forma integrada, territorializada e baseada em evidências, fortalece o SUS, amplia a equidade no acesso e se consolida como tecnologia de gestão pública replicável no enfrentamento das arboviroses no Brasil.

        Palestrante: Karla Morais Seabra Vieira Lima (Maria Cecilia Morais Seabra Vieira Lima)
    • 08:00 08:25
      Dia 2 - 23/05/2026: Bloco 1 - Avaliação Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 08:00
        Triatoma infestans EM MINAS GERAIS? GEOGRAFIA DOS ERROS DE IDENTIFICAÇÃO TAXONÔMICA NO PERÍODO PÓS-CERTIFICAÇÃO (2007-2025) 20m

        Em 2026, a certificação da interrupção da transmissão da doença de Chagas por Triatoma infestans no Brasil completa duas décadas de vigência. Alcançar e superar esse marco histórico exige a manutenção de sistemas sensíveis para detectar focos residuais, mas também acurácia na precisão da identificação taxonômica dos insetos, evitando-se falsos
        positivos. Nessa perspectiva, o objetivo deste estudo foi analisar a distribuição geográfica da identificação taxonômica de triatomíneos como T. infestans em Minas Gerais entre 2007 e 2025, por meio de um estudo ecológico descritivo com análise espaço-temporal, empregando Geoprocessamento. Utilizando o software ArcMap 10.8 (Esri®),
        integraram-se dados de vigilância entomológica da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), fruto do esforço contínuo de profissionais e serviços de saúde em suas diversas instâncias operacionais, e bases cartográficas municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e de regionalização da saúde (SES-MG). Analisou-se a captura por município e Macrorregião de Saúde. Foram registradas 17 notificações de identificação de insetos como T. infestans, intra e peridomiciliares, em 12 municípios (em divisa interestadual e/ou eixos logísticos), com padrão esporádico (0,06% do total de capturas). A distribuição temporal foi descontínua, com registros em 10 anos da série, destacando-se picos em 2012-2015 e casos isolados antes e após esse período. Não houve agregação espacial persistente, mas observou-se recorrência em Várzea da Palma (MS
        Norte), Dom Bosco (MS Noroeste), Ituiutaba (MS Triângulo do Norte) e Iturama (MS Triângulo do Sul). Outros 8 municípios, em 6 das 16 MS, apresentaram registros únicos: Buenópolis e Monjolos (MS Centro); Virgem da Lapa (MS Jequitinhonha); Glaucilândia (MS Norte); Buritis, Patos de Minas e Riachinho (MS Noroeste); e Canápolis (MS Triângulo do Norte). De acordo com as informações oficiais do Ministério da Saúde Brasileiro, atualmente há dois municípios da Bahia em vigilância de resíduos domiciliares de T. infestans. Nesse caminho, todas as notificações de T. infestans em Minas Gerais trata-se de erro de identificação, uma vez que há espécies morfologicamente parecidas no Norte de Minas, como o Triatoma lenti. A geografia dos registros errados auxilia na visualização das regiões de Minas Gerais em que se faz necessário repensar a melhoria na qualificação dos profissionais de saúde para realização de identificações taxonômicas precisas.

        Palestrante: Gustavo Libério de Paulo (Programa de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais)
      • 08:05
        A POPULAÇÃO TRANS COMO POPULAÇÃO NEGLIGENCIADA PELO ESTADO BRASILEIRO FRENTE AO ACESSO À SAÚDE 20m

        O presente estudo visa analisar a aplicação prática da premissa constitucional de que a saúde é um direito fundamental de todos e um dever do Estado Brasileiro frente à realidade da população travesti e transsexual, buscando compreender os desafios que transcendem a dimensão meramente clínica, englobando a esferas de proteção jurídico-normativa. A pesquisa se justifica a partir da dualidade do atual cenário social, o qual, por mais que mostre avanços significativos na esfera jurisprudencial que almejem garantir a dignidade humana, também reverbera uma omissão institucional e legiferante que perpetua a vulnerabilidade desses indivíduos, tornando-os negligenciados pelo Estado. Por isso, foi realizada uma revisão bibliográfica dos trabalhos mais recentes voltados à proteção legal, as falhas nas políticas públicas e as tensões legislativas que estruturam as vivências trans no território nacional, valendo-se da busca pela plataforma Google Acadêmico com o uso das palavras-chave “população trans” e “acesso à saúde”, bem como selecionados os artigos desde 2026, selecionados os 10 artigos mais recentes. Os resultados evidenciam que a saúde, conforme defende a OMS, não deve ser restringida à mera ausência de enfermidades, mas também a uma rede complexa de bem-estar que englobe o físico, o mental e o social, sendo sua realização intrinsicamente conectada ao reconhecimento adequado da identidade de gênero, à autonomia sobre as transformações do próprio corpo e da violência estrutural. A partir disso, percebe-se que a trajetória do acesso a esse direito pela população trans é frequentemente negado e negociada em espaços de judicialização e resistência política, vista a ausência de legislação específica que institucionalize as garantias previstas apenas em portarias e resoluções administrativas. Dessa forma, depreende-se que a falta de acesso à saúde pela população trans revela o descaso do Estado Brasileiro na proteção jurídico normativa, o que inclui o bem estar físico-psíquico, desse segmento da população, cristalizando a ótica de negligência sistêmica do país.

        Palestrante: Ana Carolina Muniz de Paiva Barçante (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        ACIDENTE CROTÁLICO OCUPACIONAL: RELEVÂNCIA DO USO DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) E DA SOROTERAPIA PRECOCE 20m

        Os acidentes ofídicos são considerados doença tropical negligenciada e de notificação compulsória no Brasil. De acordo com dados do Instituto Butantan, em 2024 foram registrados cerca de 31 mil casos no país, com maior ocorrência entre trabalhadores rurais. A maioria dos acidentes é causada por serpentes do gênero Bothrops (jararacas). Já os acidentes crotálicos, provocados pela cascavel Crotalus durissus, correspondem a aproximadamente 8% dos casos e apresentam elevada letalidade devido aos efeitos neurotóxicos, miotóxicos e coagulantes do veneno. Relata-se o caso de um topógrafo, homem de 39 anos, experiente em atividades de campo e pertencente ao grupo de risco ocupacional pela exposição frequente a áreas de mata e vegetação alta. O trabalhador relatou avistar serpentes de três a quatro vezes por ano durante o exercício profissional. Após finalizar o serviço em zona rural de Varginha-MG, retornou rapidamente ao local para buscar um equipamento e, nesse momento, optou por não recolocar a perneira de proteção. Foi então mordido por uma cascavel, que conseguiu identificar. O paciente procurou imediatamente o Hospital Bom Pastor, localizado a cerca de 15 km do local do acidente. Foi admitido lúcido e estável, com marcas de inoculação, edema discreto e duas bolhas hemorrágicas no membro afetado. Recebeu soroterapia anticrotálica imediatamente e permaneceu internado por cerca de 30 horas para monitorização. Não apresentou ptose palpebral, insuficiência respiratória ou mioglobinúria, apenas relato de urina mais escura, sem progressão para coloração vermelha ou marrom. O edema e as bolhas permaneceram estáveis, sem evolução para síndrome compartimental. A evolução favorável, sem complicações neurológicas ou renais, relaciona-se ao curto tempo porta-soro e ao atendimento em unidade de referência do SUS. Este relato destaca a importância do uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual na prevenção de acidentes ofídicos ocupacionais, que não deve ser negligenciado mesmo em curtos períodos, e do atendimento precoce para evitar complicações sistêmicas graves. Trata-se de um relato de caso descritivo, com dados obtidos por anamnese direta com o paciente.

        Palestrante: PATRÍCIA BARRETO DE Almeida Fonseca Barreto
      • 08:05
        ALTERAÇÕES OFTALMOLÓGICAS NA LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA: RELEVÂNCIA DIAGNÓSTICA E IMPLICAÇÕES EM SAÚDE PÚBLICA 20m

        A Leishmaniose Visceral (LV) é uma zoonose sistêmica de grande relevância em saúde pública, causada por Leishmania infantum no Brasil e transmitida por flebotomíneos, especialmente Lutzomyia longipalpis. Apresenta ampla distribuição e é classificada como doença tropical negligenciada. No meio urbano, o cão doméstico é o principal reservatório, sendo foco de medidas de controle, como a eutanásia de animais soro reagentes. Nesse contexto, observa-se correlação direta entre a incidência de casos humanos e a elevada taxa de cães reagentes, reforçando o papel desses animais na manutenção da transmissão. Objetivou-se descrever um caso de leishmaniose visceral canina no município de Lavras–MG, correlacionando os achados anatomopatológicos com a literatura científica. Um cão, macho, adulto, sem raça definida, soro reagente no teste imunocromatográfico Dual Path Platform (DPP®) para leishmaniose visceral, foi eutanasiado e submetido à necropsia com subsequente avaliação histopatológica. Ao exame macroscópico, foi observado ceratite no globo ocular direito e úlcera corneana perfurante cicatrizada no globo ocular esquerdo. O globo ocular direito foi coletado e submetido ao processamento histológico de rotina e corado pela técnica de hematoxilina e eosina (HE). O exame microscópico evidenciou infiltrado inflamatório linfo-histioplasmocitário envolvendo esclera e corpo ciliar na região corneana, além de panoftalmite, caracterizada por infiltrado inflamatório acentuado, associada à neovascularização, espessamento epitelial e deposição de pigmento. As manifestações oftalmológicas na leishmaniose visceral canina são frequentes e correlacionam-se com a progressão da doença, podendo ocorrer isoladamente em cerca de 15% dos cães reagentes. As principais alterações incluem uveíte anterior, blefarite e conjuntivite, decorrentes da deposição de imunocomplexos e da presença do parasito nos tecidos oculares. A identificação desses casos é essencial para o controle da enfermidade e, em áreas endêmicas, tais lesões devem ser consideradas no diagnóstico diferencial da LVC. As alterações oftalmológicas na leishmaniose visceral canina possuem alto valor diagnóstico, podendo ocorrer precocemente ou em animais oligossintomáticos, permitindo a identificação de cães soropositivos mesmo sem sinais sistêmicos. Assim, constituem importante ferramenta para o diagnóstico precoce e para o controle da doença.

        Palestrante: Ana Clara Santos Branquinho (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        ANCILOSTOMOSE EM CÃO: RELATO DE CASO E IMPLICAÇÕES EM SAÚDE PÚBLICA 20m

        A ancilostomose é uma zoonose causada por nematódeos hematófagos do gênero Ancylostoma, que parasitam o intestino delgado de cães, provocando principalmente anemia aguda a crônica, diarreia e morte. Em humanos, a infecção está comumente associada à forma da Larva migrans cutânea, popularmente conhecida como bicho geográfico. O objetivo deste trabalho é relatar os achados de necrópsia de um canino diagnosticado com ancilostomose. Foi encaminhado para necrópsia um cão macho, ano e quatro meses de idade, Spitz Alemão. Foram constatadas mucosas pálidas, prostração, temperatura corpórea 37,9oC e hematócrito 4,5%, com suspeita de alteração em medula óssea. A tutora relatou a morte de outros quatro cães da mesma raça e faixa etária, com os mesmos sinais clínicos após a introdução de novos animais no canil. De quatro cães adquiridos, três foram a óbito. A possibilidade de verminose gastrintestinal não havia sido investigada. Na necrópsia foram observados estado corporal regular, mucosas conjuntivais e oral acentuadamente pálidas, assim como tecido subcutâneo e vísceras. No intestino delgado havia grande quantidade de nematódeos compatíveis com Ancylostoma sp., em meio a muco e sangue e foram observados numerosos focos hemorrágicos em mucosa de jejuno e íleo. No cólon havia conteúdo marrom a preto, compatível com sangue digerido. Foi colhida amostra de conteúdo do reto e realizada técnica coproparasitológica de flutuação simples, com achado de grande quantidade de ovos de Ancylostoma sp.; e a técnica quantitativa de McMaster, com contabilização de 143.100 ovos de Ancylostoma sp. por grama de conteúdo. Foram também colhidos fragmentos de órgãos, fixados em formol a 10% e processados rotineiramente para histopatologia. Na microscopia observou-se necrose de vilosidades intestinais. A associação dos achados anatomopatógicos e coproparasitológicos foram fundamentais para o diagnóstico e demonstração da intensidade de infecção. Dessa forma, ressalta-se a importância do diagnóstico preciso para o controle e a prevenção da doença, especialmente em ambientes coletivos como canis, onde altas cargas parasitárias levam a contaminação ambiental acentuada e aumentam o risco de transmissão zoonótica.

        Palestrante: Ana Luiza Magalhães de Castro (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        ANIMAIS DE PRODUÇÃO COMO SENTINELAS EPIDEMIOLÓGICAS DA LEPTOSPIROSE EM MINAS GERAIS: UMA ANÁLISE ESPACIAL SOB A PERSPECTIVA DA SAÚDE ÚNICA 20m

        A leptospirose é uma zoonose negligenciada de ampla distribuição, fortemente associada a condições ambientais, manejo produtivo e vulnerabilidades socioeconômicas. Em regiões com intensa atividade agropecuária, a interação entre humanos, animais e ambiente favorece a manutenção e disseminação do agente, destacando o potencial de animais de produção — especialmente bovinos, suínos e equinos — como sentinelas epidemiológicas. Apesar disso, essa abordagem ainda é pouco incorporada às estratégias de vigilância no Brasil. O presente estudo teve como objetivo avaliar a relação entre a distribuição de animais de produção (bovinos, suínos e equinos) e a ocorrência de casos humanos de leptospirose no estado de Minas Gerais, investigando seu potencial como indicadores sentinelas sob a perspectiva da saúde única. Trata-se de um estudo ecológico, com unidades de análise municipais, utilizando dados secundários de casos humanos notificados obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e informações sobre densidade de rebanhos provenientes de bases públicas oficiais. A análise incluiu a construção de mapas temáticos, avaliação da autocorrelação espacial global por meio do índice de Moran e identificação de clusters locais utilizando indicadores de associação espacial local (LISA), no ambiente R. Adicionalmente, foi realizada a sobreposição espacial entre áreas de maior densidade animal e incidência da doença, buscando identificar padrões consistentes de circulação do agente. Os resultados evidenciaram padrão espacial significativamente não aleatório (p<0,05), com formação de clusters de alta incidência, especialmente em regiões como Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Zona da Mata, caracterizadas por elevada densidade de rebanhos e condições ambientais favoráveis à persistência do agente. Observou-se sobreposição entre áreas classificadas como alto-alto e municípios com maior concentração de bovinos, suínos e equinos, sugerindo o papel desses territórios como potenciais zonas de amplificação da leptospirose. Os achados reforçam o papel dos animais de produção como sentinelas epidemiológicas na dinâmica da leptospirose, evidenciando a necessidade de integração entre vigilância em saúde humana e animal. A incorporação de indicadores zootécnicos às estratégias de monitoramento pode contribuir para a identificação precoce de áreas de risco e para o direcionamento mais eficiente de medidas de controle, no contexto da saúde única.

        Palestrante: Bruna Gischewski Vilela (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        ANÁLISE DE POSSÍVEIS RISCOS BIOLÓGICOS DURANTE A ATIVIDADE DE TRABALHO EM ASSOCIAÇÕES DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS DO PROGRAMA ECOCIDADÃO, CURITIBA, PR 20m

        O Programa ECOCIDADÃO, da Prefeitura Municipal de Curitiba, por meio da
        Secretaria Municipal do Meio Ambiente, foi criado em 2007 para enfrentar os desafios
        na destinação de resíduos. Essa iniciativa reforçou a valorização das atividades de
        catadores de materiais recicláveis, promovendo a inclusão socioambiental destes e a
        cadeia de reciclagem do município. O presente estudo propôs coletar e identificar
        fungos e moscas em associações de catadores, visando identificar possíveis riscos
        biológicos. Para isso, foram definidos quatro barracões, participantes do programa,
        sendo os experimentos realizados entre maio e junho de 2025. Variáveis abióticas
        como temperatura e umidade foram avaliadas. As moscas foram coletadas utilizando
        armadilhas confeccionadas com garrafas pet e iscadas com banana ou carne bovina
        em decomposição, expostas por 48h; para os fungos, utilizou-se placas de Petri com
        meio de cultura de Ágar Batata Dextrose (BDA) expostas por 30 minutos, entre 1 –
        1,5m de altura do chão. As moscas foram retiradas das armadilhas e posteriormente
        fixadas em dupla montagem para armazenamento e identificação, enquanto os
        fungos foram isolados e identificados por meio de microcultivo. A estimativa do
        número de Unidades Formadoras de Colônias (UFC) foi feita por contagem direta,
        aplicando a fórmula de Friberg. Ao todo, foram coletados 149 espécimes da ordem
        Diptera, distribuídos nas famílias, Drosophilidae (80), Phoridae (59) Fannidae (3),
        Muscidae (3) e Calliphoridae (1). Os fungos identificados pertenciam aos gêneros
        Aspergillus, Penicillium e Acremonium. Em três associações, o Valor Máximo
        Permitido (VMP) de fungos ultrapassou o limite de 750 UFC/m3 de contaminação
        microbiológica (Resolução-RE Nº 09 da ANVISA) para ambientes de uso coletivo. As
        demais amostras microbiológicas encontraram-se dentro das normas estabelecidas
        pela resolução. A presença desses organismos nos barracões já era esperada,
        principalmente devido à grande quantidade de matéria orgânica e outros materiais
        descartados incorretamente na coleta seletiva da cidade. Entretanto, não foi possível
        relacionar a presença desses indivíduos com possíveis riscos biológicos, porém se
        reforça a obrigatoriedade do uso de EPIs para garantir a segurança dos catadores,
        em especial se tratando de moscas causadoras de miíases e fungos oportunistas.

        Palestrante: Alessandra Furlan Pinguelli
      • 08:05
        ANÁLISE DO CONHECIMENTO DA POPULAÇÃO SOBRE A TOXOPLASMOSE EM JANAÚBA- MG: UMA ABORDAGEM EPIDEMIOLÓGICA E EDUCACIONAL 20m

        A toxoplasmose, zoonose de abrangência global causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, representa um desafio crítico para a saúde pública. Sua relevância é acentuada na modalidade congênita, dada a gravidade das complicações neurológicas e oculares que pode acarretar ao feto. A transmissão ocorre, primordialmente, pela ingestão de alimentos contaminados ou pelo contato direto com oocistos presentes no meio ambiente. Nesse cenário, a escassez de informações qualificadas emerge como um fator de risco determinante para a disseminação do patógeno. O presente estudo objetivou avaliar o nível de conhecimento da população de Janaúba sobre a toxoplasmose, com ênfase na transmissão congênita, medidas preventivas e riscos associados. Caracteriza-se como uma pesquisa descritiva de abordagem quantitativa, viabilizada pela aplicação de 383 questionários estruturados em diferentes regiões do município de Janaúba, com participação voluntária. Os resultados revelaram um déficit preocupante na compreensão da patologia: 44,38% dos participantes afirmaram desconhecer a doença, dado que sugere uma insuficiência nas ações de educação em saúde na região. No que tange ao agente etiológico, apenas 20,6% identificaram corretamente o T. gondii, enquanto a maioria Ddividiu-se entre respostas incorretas (36,5%) e o desconhecimento total (29,5%), evidenciando fragilidades na compreensão dos fundamentos biológicos da infecção. Quanto à forma congênita, observou-se uma percepção restrita: embora 46,5% reconheçam a transmissão de mãe para feto, um percentual expressivo de 31,3% desconhece a transmissão vertical, e 6,3% atribuíram erroneamente a mulheres não grávidas. Tal lacuna pode estar vinculada a orientações precárias no acompanhamento pré-natal ou à baixa difusão de campanhas específicas. Além disso, verificou-se um domínio insuficiente sobre as medidas preventivas, especialmente no reconhecimento de práticas seguras de higiene alimentar e manejo de animais, fatores que favorecem a persistência da cadeia epidemiológica. Em suma, os achados expõem lacunas críticas no repertório informativo da população. Conclui-se, portanto, que é fundamental a intensificação de políticas educativas em saúde, visando mitigar a incidência da toxoplasmose congênita e fortalecer os indicadores de saúde pública local.

        Palestrante: Adrielle Thalita Rodrigues Nunes (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri Campus Janaúba)
      • 08:05
        ANÁLISE DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA NA MACRORREGIÃO DO JEQUITINHONHA (MG), NO PERÍODO DE 2020-2025 20m

        A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma doença infecciosa negligenciada causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida por picadas de flebotomíneos. No Brasil, apresenta importante impacto em regiões com vulnerabilidade socioeconômica, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Considerando a importância da doença, é fundamental conhecer seus determinantes epidemiológicos para melhor orientação da população. Por essa razão, o presente trabalho teve por objetivo analisar o perfil epidemiológico dos casos confirmados de LTA na macrorregião do Jequitinhonha (MG), no período de 2020 a 2025. Para este fim, foi feito um estudo descritivo, retrospectivo, com dados secundários obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). Foram analisadas variáveis sociodemográficas (sexo, faixa etária, raça/cor e escolaridade), além do prognóstico da doença. No período de análise foram notificados 416 casos, sendo a maioria do sexo masculino (60,6%). A faixa etária mais acometida foi de 40 a 59 anos (35,3%), seguida de 20 a 39 anos (19,2%), o que corresponde às faixas consideradas com maior ocorrência de indivíduos economicamente ativos. Quanto à cor, houve predomínio de indivíduos pardos (73,6%), seguidos por brancos (12,7%) e pretos (8,7%). Em relação à escolaridade, destacou-se maior frequência entre indivíduos com baixa escolaridade, especialmente aqueles com ensino fundamental incompleto. Em relação à evolução dos casos, observou-se predominância de cura (62,3%). Foram registrados ainda 2 casos de abandono (0,5%), 4 óbitos por outras causas (1,0%), 3 transferências (0,7%) e 5 mudanças de diagnóstico (1,2%). Destaca-se elevada proporção de registros ignorados (34,4%), o que limita a análise mais precisa dos desfechos clínicos. A LTA na macrorregião do Jequitinhonha apresenta maior acometimento em homens adultos, pardos e com baixa escolaridade, o que pode estar associado a fatores ocupacionais e sociais. Ademais, a elevada proporção de dados incompletos evidencia fragilidades na vigilância epidemiológica. Em suma, os achados evidenciam a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância, diagnóstico precoce e educação em saúde na atenção primária, especialmente em populações vulneráveis, visando reduzir a incidência e impacto da LTA.

        Palestrante: Amanda de Andrade (UFLA)
      • 08:05
        ANÁLISE ESPACIAL DA INCIDÊNCIA DE LEPTOSPIROSE EM MINAS GERAIS, NO PERÍODO DE 2019 A 2023: IDENTIFICAÇÃO DE CLUSTERS DE ALTO RISCO 20m

        A leptospirose é uma zoonose de distribuição global, associada a condições ambientais, presença de reservatórios animais, especialmente roedores, e desigualdades socioeconômicas, sendo considerada uma doença negligenciada de relevância para a saúde pública. No Brasil, sua ocorrência está relacionada a cenários de urbanização desordenada e saneamento inadequado. Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição espacial e identificar clusters de leptospirose em Minas Gerais no período de 2019 a 2023. Trata-se de um estudo ecológico, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), considerando casos confirmados por município de residência. A autocorrelação espacial global foi avaliada por meio do índice de Moran, e a análise local de autocorrelação espacial (LISA) foi empregada para detecção de clusters. Observou-se autocorrelação espacial positiva e estatisticamente significativa (I de Moran = 0,163; p < 0,001), indicando padrão espacial não aleatório. A análise local identificou 18 municípios classificados como clusters alto-alto, caracterizando áreas de maior risco e possível manutenção da transmissão, e 16 como baixo-alto, sugerindo áreas de transição epidemiológica, enquanto a maioria dos municípios (n = 819) não apresentou associação espacial significativa. Os clusters de maior risco concentraram-se predominantemente nas regiões Centro-Sul, Zona da Mata e Sul de Minas Gerais, sugerindo influência de fatores ambientais, hidrológicos e de vulnerabilidade socioeconômica na dinâmica da doença. Esses achados evidenciam a heterogeneidade da distribuição da leptospirose e reforçam a necessidade de ações direcionadas de vigilância, controle de reservatórios e melhorias nas condições sanitárias. Destaca-se a importância de abordagens integradas sob a perspectiva da Saúde Única, considerando a interface entre saúde humana, animal e ambiental.

        Palestrante: Bruna Gischewski Vilela (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DE CASOS HUMANOS E EPIZOOTIAS DE FEBRE AMARELA NO BRASIL (1994–2024) 20m

        A febre amarela é uma arbovirose de grande relevância para a saúde pública devido ao seu potencial epidêmico e elevada letalidade, apresentando um cenário persistente de reemergência e expansão do ciclo silvestre no Brasil desde a década de 1990. Sob essa conjuntura, este estudo teve como objetivo descrever os ciclos epidemiológicos da doença no país entre 1994 e 2024, analisando a ocorrência de casos humanos, epizootias em primatas não humanos, padrões de dispersão espacial e sazonalidade. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e de série temporal, baseado em dados secundários obtidos de sistemas oficiais do Ministério da Saúde, especialmente o Sistema de Informação de Agravos de Notificação e o Sistema de Vigilância de Epizootias. Foram confirmados 2.776 casos humanos, todos associados ao ciclo silvestre, com 1.014 óbitos, resultando em uma taxa média de letalidade de 36,52%. A análise temporal evidenciou ciclos intermitentes de surtos, com destaque para o biênio 2017–2018, responsável por 73% dos casos e que consolidou a região Sudeste, especialmente Minas Gerais e São Paulo, como principal área de transmissão após a expansão do vírus para a Mata Atlântica. O perfil sociodemográfico indicou maior ocorrência em homens em idade produtiva, associados a atividades rurais e baixa cobertura vacinal, evidenciando a vulnerabilidade ocupacional como fator determinante para a infecção e mortalidade. Observou-se ainda forte sazonalidade, com 93,2% dos casos concentrados entre dezembro e maio, coincidindo com períodos de maior atividade vetorial. A vigilância de epizootias mostrou-se essencial como ferramenta preditiva, uma vez que a mortalidade de primatas, especialmente dos gêneros Alouatta e Callithrix, antecedeu os casos humanos, permitindo identificar as áreas de avanço do vírus. Os resultados sugerem que a expansão contínua do vírus para áreas densamente povoadas, anteriormente indenes e com presença de Aedes aegypti, aumenta o risco de surtos urbanos da febre amarela. Em suma, o controle dessa dinâmica de transbordamento zoonótico (spillover) depende do fortalecimento de políticas públicas baseadas em vigilância integrada, controle vetorial eficaz e uso de modelos preditivos, visando otimizar estratégias de vacinação e prevenção.

        Palestrante: Lázaro Santana-Santos (Universidade Federal de Sergipe)
      • 08:05
        ASPERGILOSE SISTÊMICA EM Larus dominicanus: RELATO DE CASO E IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO POST-MORTEM 20m

        As doenças negligenciadas incluem diversas enfermidades infecciosas que, embora relevantes na saúde única, ainda recebem pouca atenção. Nesse contexto, a aspergilose destaca-se como infecção fúngica oportunista em aves silvestres, podendo refletir desequilíbrios ambientais, uma vez que fatores como poluição e degradação de habitats favorecem tanto o fungo quanto a susceptibilidade dos hospedeiros. A análise sanitária de espécies marinhas é essencial, pois esses animais podem atuar como sentinelas dos impactos antrópicos na costa brasileira. Este estudo visa a relatar um caso de aspergilose sistêmica em Larus dominicanus (gaivotão), destacando a importância do diagnóstico post-mortem para elucidação de doenças infecciosas na fauna silvestre. Trata-se de um indivíduo juvenil, macho, encontrado morto na praia de Garopaba, em Santa Catarina, com dados obtidos por meio do Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática (SIMBA). Foi realizado o exame de necropsia, constatando comprometimento pulmonar, caracterizado por múltiplos nódulos esbranquiçados de aproximadamente 0,2 cm de diâmetro, além de espessamento dos sacos aéreos cervicais e torácicos, associado à presença de estruturas semelhantes a colônias fúngicas. Já no exame histopatológico em hematoxilina e eosina (HE), o pulmão apresentava áreas multifocais de granuloma associadas a infiltrado composto por macrófagos e células multinucleadas, e imagens negativas de hifas fúngicas, com paredes paralelas e ramificação dicotômica, sugestivas de Aspergillus spp. Posteriormente, foi realizada coloração especial de Grocott, que permitiu melhor visualização das estruturas fúngicas, evidenciando extensa colonização tecidual, inclusive nas gônadas. A identificação etiológica foi realizada por meio de cultura fúngica, confirmando Aspergillus sp. como agente envolvido. O diagnóstico final foi de pneumonia granulomatosa fúngica associada à infecção fúngica sistêmica. Assim, este relato reforça a relevância da vigilância de doenças infecciosas em fauna silvestre como ferramenta para compreensão dos impactos ambientais e sanitários em ecossistemas costeiros. Destaca-se, ainda, a importância das colorações especiais, como a de Grocott, no diagnóstico de infecções fúngicas, permitindo a identificação do agente e contribuindo para maior precisão diagnóstica em medicina veterinária

        Palestrante: Bianca Rebouças Ramalho (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        ATUAÇÃO DO MÉDICO-VETERINÁRIO NO CONTROLE DA CISTICERCOSE SOB A PERSPECTIVA DA SAÚDE ÚNICA 20m

        A cisticercose é uma zoonose de relevância para a saúde pública e produção animal, causada por cestódeos do gênero Taenia. O homem atua como hospedeiro definitivo, abrigando a forma adulta do parasito, enquanto suínos e bovinos são hospedeiros intermediários. A enfermidade apresenta caráter endêmico em regiões da América Latina, incluindo o Brasil, estando associada a condições precárias de saneamento básico e higiene. Objetivou-se analisar a atuação do médico-veterinário no controle da cisticercose sob a perspectiva da saúde única, com ênfase nos aspectos epidemiológicos, sanitários e nas estratégias de prevenção e controle. Trata-se de uma revisão descritiva, fundamentada em literatura científica e documentos técnicos, abordando o papel desse profissional na vigilância sanitária, inspeção de produtos de origem animal e promoção da saúde única. A ingestão de carne crua ou mal cozida contendo cisticercos está associada à teníase, que desempenha papel fundamental na manutenção do ciclo da cisticercose, uma vez que indivíduos parasitados eliminam ovos no ambiente, possibilitando a ocorrência da doença. Após a infecção, os parasitos podem se alojar em diferentes tecidos, sendo a forma de neurocisticercose a mais grave, caracterizada pelo comprometimento do sistema nervoso central, podendo resultar em meningite, isquemia secundária à vasculite e complicações como hipertensão intracraniana, edema cerebral e hidrocefalia, frequentemente associadas à elevada mortalidade. As estratégias de controle fundamentam-se na interrupção do ciclo biológico do parasito, por meio de educação sanitária, melhoria das condições de criação animal e ampliação do saneamento básico. A inspeção de produtos cárneos constitui-se como medida essencial de prevenção, sendo realizada por exame visual e palpação de incisões em musculaturas, permitindo a identificação de cisticercos. A destinação das carcaças parasitadas é definida de acordo com a carga parasitária e o estágio de desenvolvimento dos parasitos, podendo resultar em condenação total ou aproveitamento condicional. Conclui-se que a cisticercose permanece como importante problema de saúde pública, exigindo ações integradas de controle. Nesse contexto, destaca-se o papel do médico-veterinário na vigilância sanitária, contribuindo para a segurança alimentar e a promoção da saúde única.

        Palestrante: Ana Clara Santos Branquinho (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        AVALIAÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE A DOENÇA DE CHAGAS EM POPULAÇÕES RURAIS DOS MUNICÍPIOS DE CAPITÃO ENÉAS, MANGA, MONTES CLAROS E PORTEIRINHA NO NORTE DE MINAS GERAIS 20m

        A doença de Chagas constitui um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em áreas rurais e socialmente vulneráveis, onde fatores socioeconômicos e ambientais favorecem a manutenção da transmissão. Este estudo teve como objetivo avaliar o nível de conhecimento da população rural dos municípios de Capitão Enéas, Manga, Montes Claros e Porteirinha, no Norte de Minas Gerais, acerca da doença de Chagas. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, de caráter descritivo e exploratório, devidamente registrada e aprovada pelo comitê de ética em Pesquisa de Universidade Federal, sob parecer de número 45394421.8.0000.5108, realizada por meio da aplicação de questionários estruturados contendo questões sociodemográficas e relacionadas ao conhecimento sobre o vetor, formas de transmissão e medidas de prevenção. Foram aplicadas 172 questionários, e todos os participantes da pesquisa leram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os dados foram analisados por estatística descritiva. Os resultados demonstraram que a maioria dos participantes possui familiaridade com a doença e reconhece o inseto vetor, popularmente conhecido como barbeiro. Entretanto, foram identificadas lacunas significativas no conhecimento, principalmente quanto ao mecanismo correto de transmissão e às práticas preventivas. Além disso, parte dos entrevistados apresentou dúvidas sobre as condutas adequadas ao encontrar o vetor, evidenciando fragilidades na vigilância entomológica comunitária. Esses achados foram semelhantes entre os municípios analisados, indicando limitações no acesso à informação e na efetividade das ações educativas. Conclui-se que, apesar do reconhecimento da doença e do vetor, o conhecimento da população rural ainda é insuficiente em aspectos essenciais para o controle da enfermidade, reforçando a necessidade de ações contínuas de educação em saúde integrada à Atenção Primária.

        Palestrante: Welyson Tiano dos Santos Ramos (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri)
      • 08:05
        AVALIAÇÃO HISTOLÓGICA DO INTESTINO MÉDIO DE LARVAS DE Aedes aegypti EXPOSTAS A UMA COMBINAÇÃO DE “COMPOSTO X” 20m

        A crescente resistência de Aedes aegypti aos inseticidas convencionais têm exigido o uso de doses cada vez mais elevadas, em decorrência da resistência a inseticidas amplamente relatada na literatura. Esse cenário é preocupante uma vez que o mosquito é vetor de arbovírus como DENV. Diante do exposto, torna-se urgente a busca por novos compostos bioativos eficazes com mecanismos de ação diferentes dos usuais. O objetivo deste trabalho é investigar o efeito do composto X (sob patente) sobre o intestino médio de larvas (L3/L4) de A. aegypti. Larvas de A. aegypti (linhagem Rockefeller) foram expostas, de acordo com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde, ao “composto x” (Sigma®, pureza > 98%) em concentrações de 0,085 a 1,1 mg/mL, resultando em mortalidade de 1,1% a 96,7%. A análise de probit estimou a CL99 em 1,9 mg/mL. Após a definição da CL99 as larvas foram expostas por 24h e a mortalidade analisada por um único observados, larvas mortas, ou seja, aquelas com mobilidade alterada ou imóveis após estímulos mecânicos eram retiradas e adicionadas em solução de Bouin. As larvas foram fixadas em Bouin por 7 dias, depois lavadas em solução tampão (pH 7,2) onde foram mantidas overnight. Vencida essa etapa, as larvas foram desidratadas em série alcoólica, incluídas em historesina (Leica®) e polimerizadas a 37,5 °C. Cortes longitudinais (3–4 μm) foram obtidos e corados com hematoxilina e eosina e analisados por microscopia no ImageJ. Durante 24 horas a mortalidade iniciou-se após 4 horas de exposição atingindo seu pico máximo de mortalidade as 7 horas com uma média de 26,7% com LT50= 7,5 horas. Os resultados mostraram aumento da vacuolização e desorganização tecidual no epitélio do intestino médio para o tratamento com composto X. Nos controles água e “água + solvente” não foram observadas alterações. Tais modificações podem indicar que a ação dos compostos promove prejuízo na digestão e absorção de nutrientes, além de desequilíbrio osmótico e fisiológico no inseto. A desorganização epitelial potencialmente sugere comprometimento da função celular e estresse degenerativo. Embora os indícios de degeneração celular sejam evidentes, análises mais robustas com um número amostral maior estão sendo realizadas para confirmar esses mecanismos. Entender esses mecanismos é fundamental para avançar na descoberta de novos ativos capazes de controlar o vetor minimizando o problema da resistência aos inseticidas atuais.

        Palestrante: Kaylanne Cunha
      • 08:05
        AÇÕES EDUCATIVAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA NO CONTROLE DE ZOONOSES NEGLIGENCIADAS 20m

        As iniquidades no acesso à informação em saúde, especialmente em populações vulneráveis, comprometem a efetividade das ações de prevenção e controle. Nesse contexto, as zoonoses negligenciadas configuram relevantes agravos à saúde pública, demandando abordagens interdisciplinares sob a perspectiva da Saúde Única. Apesar da ampla disseminação de informações, o conhecimento populacional permanece fragmentado, limitando a adoção de medidas profiláticas. Objetivou-se relatar a atuação do médico-veterinário em ações de educação em saúde voltadas ao controle de zoonoses negligenciadas na atenção primária à saúde (APS). Este estudo é um relato de experiência desenvolvido na APS por médico-veterinário residente da Universidade Federal de Lavras. Foram realizadas ações educativas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e visitas domiciliares no município de Lavras - Minas Gerais, com Agentes Comunitários de Saúde, com identificação de fatores de risco relacionados ao ambiente e ao manejo de animais, seguidas de orientações conforme as demandas do território. Evidenciaram-se lacunas significativas no conhecimento da população acerca das zoonoses, mesmo em áreas com elevada densidade de animais domiciliados. Durante as visitas domiciliares, observou-se que práticas essenciais de manejo sanitário, como vacinação, vermifugação e controle de ectoparasitos, eram frequentemente inadequadas, sobretudo em territórios socialmente vulneráveis. Foram identificados risco ambientais, como acúmulo de resíduos sólidos, matéria orgânica e entulhos que predispõe ao desenvolvimento de vetores como Lutzomia spp., transmissor da leishmaniose e proliferação de animais sinantrópicos, como roedores frequentemente associados a condições inadequadas de saneamento básico, predispondo a ocorrência de doenças como leptospirose e hantavirose. As ações educativas favoreceram a aproximação com a realidade local, auxiliando na identificação de riscos e na adoção de práticas preventivas. A educação em saúde contínua mostrou-se essencial para promover mudanças de comportamento. Destaca-se o papel do médico-veterinário na integração entre saúde animal, humana e ambiental, fortalecendo a vigilância na APS, onde a educação em saúde é estratégica no controle de zoonoses negligenciadas. A inserção do médico-veterinário em equipes multiprofissionais fortalece a promoção da saúde, prevenção de agravos e vigilância epidemiológica, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população.

        Palestrante: Gabriel Henrique Rodrigues Pereira
      • 08:05
        BOTULISMO EM Larus dominicanus COMO SENTINELA DOS IMPACTOS ANTRÓPICOS NO LITORAL SUL DO BRASIL (2022–2025) 20m

        O botulismo é uma doença aguda, não contagiosa, causada pela ingestão de toxinas produzidas pelo Clostridium botulinum, uma bactéria Gram-positiva amplamente presente no ambiente. Trata-se de uma importante ameaça no contexto da saúde única, sendo reconhecida como uma das principais causas de mortalidade em aves silvestres, especialmente marinhas. Este estudo tem como objetivo avaliar o botulismo em Larus dominicanus (gaivotão) como marcador dos impactos antrópicos no litoral sul do Brasil, por meio da caracterização epidemiológica dos casos entre 2022 e 2025. Foram analisados 118 indivíduos de gaivotão, recebidos para necropsia – os dados foram extraídos do Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática (SIMBA). Das gaivotas analisadas, 7,6% (9/118) apresentaram morte associada a afogamento ou asfixia e 54% (64/118) a intoxicação, que clinicamente, foi observada como sinais incoordenação, fraqueza, paralisia flácida dos membros pélvicos, asas caídas, e dificuldade de permanecer em estação. Considerando-se os achados clínico-patológicos, especialmente nestes casos, sem lesões macroscópicas relevantes, tais ocorrências – aproximadamente 62% (73/118) – foram interpretadas como sugestivas de botulismo. Embora o diagnóstico definitivo dependa de confirmação laboratorial, a ausência de alterações significativas à necropsia, aliada principalmente ao histórico clínico e epidemiológico, sustenta a atribuição dos óbitos à intoxicação por toxina botulínica. As mortes foram registradas em 14 praias distribuídas pelo estado de Santa Catarina. No entanto, três localidades — Itapirubá/Norte, Praia do Gi e Itapirubá/Sul — concentraram aproximadamente 45% dos casos com diagnóstico presuntivo de botulismo em gaivotas. Essas áreas apresentam intensa atividade humana, favorecendo a deposição de resíduos e o acúmulo de matéria orgânica. Esse cenário cria condições ideais para a proliferação de C. botulinum e a produção de sua toxina, configurando um fator relevante para a ocorrência dos casos observados. Dessa forma, os achados reforçam o papel do botulismo como uma importante causa de mortalidade em L. dominicanus, com impacto direto na conservação dessa e de outras espécies. Além disso, a maior frequência da enfermidade em áreas sob forte influência humana evidencia a contribuição das atividades antrópicas na manutenção e disseminação de C. botulinum e de suas toxinas na fauna silvestre, bem como a deposição de lixo em ambientes naturais.

        Palestrante: Bianca Rebouças Ramalho (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        CENTRO INTEGRADO DO NEURODESENVOLVIMENTO: CUIDADO EM REDE PARA PESSOAS COM TEA E DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, POPULAÇÃO HISTORICAMENTE NEGLIGENCIADA 20m

        Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e defi ciência intelectual (DI), especialmente crianças, adolescentes e famílias dependentes do SUS, compõem uma população historicamente negligenciada, frequentemente submetida a cuidado fragmentado, fi las prolongadas, encaminhamentos pouco resolutivos e baixa integração entre saúde, educação e assistência social. Este trabalho descreve a implantação de um Centro Integrado do Neurodesenvolvimento voltado ao diagnóstico, reabilitação e estimulação do neurodesenvolvimento ao longo do ciclo de vida, com o objetivo de reduzir desigualdades de acesso, qualifi car o cuidado e ampliar autonomia e inclusão social. A proposta foi estruturada como um hub municipal com porta de entrada regulada, junta de direcionamento para o Projeto Terapêutico Singular, organização por ciclo de vida, apoio às famílias e atuação intersetorial. A metodologia incluiu reorganização de fl uxos, eliminação de sobreposições entre serviços, articulação entre equipes multiprofi ssionais e implantação de indicadores de acesso, qualidade e impacto funcional e social. A iniciativa já se encontra em implementação, com diagnóstico situacional concluído, fl uxos integrados em funcionamento e operação iniciada antes mesmo da expansão física prevista. A capacidade estimada é de 1.000 usuários cadastrados, com previsão de 200 a 300 atendimentos por dia. Entre os impactos esperados estão a redução do tempo de espera, maior adesão aos projetos terapêuticos, qualifi cação do diagnóstico, ampliação do acesso a terapias baseadas em evidências, fortalecimento do suporte às famílias e melhora da participação escolar, comunitária e social. Conclui-se que a organização do cuidado em rede, com governança integrada e enfoque na funcionalidade, constitui estratégia concreta para enfrentar a negligência histórica dirigida às pessoas com TEA e DI, promovendo equidade, cuidado longitudinal e inclusão.

        Palestrante: Sheila Ferreira
      • 08:05
        CHIKUNGUNYA E AS MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS PEDIÁTRICAS: EVIDÊNCIAS ATUAIS E IMPACTO CLÍNICO 20m

        O vírus Chikungunya (CHIKV), transmitido pelo Aedes Aegypti, emergiu como uma preocupação significativa de saúde global. Nesse contexto, as complicações neurológicas pediátricas estão entre os impactos clínicos mais relevantes causados pela infecção viral. Desse modo, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de evidências atuais, o impacto clínico das manifestações neurológicas causadas pela infecção do CHIKV, especialmente na população pediátrica. Para isso, foi realizada uma revisão da literatura, com buscas nas bases de dados PubMed e CAPES, utilizando os descritores “chikungunya”, “neurological complications” e “children”. Foram incluídos artigos publicados entre 2025 e 2026, em inglês, português e espanhol, que abordassem fatores associados às manifestações neurológicas e suas consequências. A análise dos artigos selecionados evidencia que pacientes pediátricos com infecção por CHIKV têm menor probabilidade de apresentar sintomas articulares, mas frequentemente apresentam envolvimento neurológico, com incidência de 25% em alguns surtos. Manifestações graves, como estado de mal epiléptico, crises focais com ou sem comprometimento da consciência ou crises tônico-clônicas focais a bilaterais e encefalite, acometem principalmente neonatos e crianças pequenas. Em caso de infecção perinatal, esse contexto é ainda mais enfático, apresentando risco elevado de desenvolver hemorragias intracerebrais, falência múltipla de órgãos, encefalopatia neonatal grave e comprometimento neurocognitivo prolongado, sendo que até 50% dos casos apresentam desempenho cognitivo reduzido aos dois anos de idade. Ainda que a fisiopatologia do modo como o CHIKV afeta o sistema nervoso não tenha sido totalmente elucidada, a neuroimagem mostra com frequência envolvimento talâmico e do tronco encefálico, refletindo neuroinflamação difusa, corroborando a hipótese de um mecanismo vascular secundário à resposta primária de citocinas. Em casos raros, há o desenvolvimento de polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, a variante mais comum da síndrome de Guillain-Barré. Portanto, vírus Chikungunya representa uma ameaça neurológica significativa na população pediátrica, o que merece reconhecimento e tratamento precoce, além de um acompanhamento longitudinal das crianças com manifestações desse tipo. Ademais, o avanço das pesquisas sobre os mecanismos de neuro invasão e terapias direcionadas é essencial para reduzir o impacto neurológico do CHIKV.

        Palestrante: Analice Caldeira
      • 08:05
        CONHECENDO E ENSINANDO SOBRE A TOXOPLASMOSE CONGÊNITA NO MUNICÍPIO DE JANAÚBA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA EXTENSIONISTA 20m

        A toxoplasmose é uma doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, amplamente distribuída e, na maioria dos casos, assintomática em humanos. Contudo, sua forma congênita, decorrente da transmissão vertical durante a gestação, pode ocasionar graves complicações fetais, configurando-se como relevante problema de saúde pública. Nesse sentido, a persistência de lacunas no conhecimento populacional acerca das formas de transmissão e prevenção, além da falta de informação na região, reforça a necessidade de estratégias educativas eficazes, especialmente por se tratar de uma doença negligenciada. Assim, o presente estudo teve como objetivo relatar a experiência de um projeto extensionista desenvolvido no município de Janaúba-MG, voltado à educação em saúde e à avaliação do conhecimento da população sobre a toxoplasmose congênita. O projeto estruturou-se na capacitação de discentes como agentes multiplicadores, por meio de metodologias ativas, bem como na elaboração de materiais educativos, incluindo folders e pôsteres, e na aplicação de questionários em instituições de ensino superior e junto à população geral. As ações foram realizadas de forma presencial, articulando coleta de dados e orientação educativa, com abordagem direta e linguagem acessível. Os resultados evidenciaram lacunas significativas no conhecimento dos participantes, inclusive entre indivíduos com nível superior, especialmente quanto às formas de transmissão, fatores de risco e medidas preventivas. Além disso, observou-se elevada receptividade às ações educativas, com participação ativa e valorização das informações, além de desconhecimento prévio sobre a gravidade da doença e suas consequências. Importa salientar que, a experiência contribuiu para o desenvolvimento acadêmico, crítico e social dos discentes envolvidos. Dessa forma, conclui-se que ações extensionistas pautadas na educação em saúde são estratégias eficazes para sensibilização da população, ampliação do conhecimento e incentivo à adoção de práticas preventivas, sendo fundamentais no controle da toxoplasmose congênita, especialmente em contextos característicos de doenças negligenciadas.

        Palestrante: Bruno Henrique Nogueira de Almeida (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucurí (UFVJM))
      • 08:05
        CONHECIMENTO SOBRE A DOENÇA DE CHAGAS EM COMUNIDADES RURAIS DOS MUNICÍPIOS DE JANAÚBA, NOVA PORTEIRINHA, JAÍBA E VERDELÂNDIA NA SERRA GERAL (MG) 20m

        A Doença de Chagas (DC), causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma doença tropical negligenciada. A Serra Geral, no Norte de Minas Gerais, é uma área rural com economia baseada na criação de pequenos animais e agricultura familiar, associada a condições socioambientais que podem favorecer a presença do vetor da DC. Compreender a dinâmica epidemiológica e o conhecimento das comunidades locais é essencial para ações de vigilância e prevenção, mas ainda são escassos estudos sobre o tema na região. Este trabalho é um estudo descritivo e exploratório, tendo como objetivo avaliar o conhecimento da população rural dos municípios Janaúba, Nova Porteirinha, Jaíba e Verdelândia sobre a doença de Chagas em municípios da Serra Geral. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer nº 45394421.8.0000.5108. A coleta de dados ocorreu por meio da aplicação de questionários estruturados contendo perguntas sociodemográficas e questões relacionadas ao conhecimento sobre a DC. Participaram do estudo 101 moradores das comunidades rurais. Entre os participantes, predominou o sexo feminino (59,41%) e indivíduos na faixa etária de 18 a 40 anos (57,42%). A maioria dos entrevistados reconheceu a existência da doença de Chagas (96,04%). Além disso, 86,14% identificaram corretamente o barbeiro nas imagens apresentadas. Entretanto, o conhecimento sobre o agente causador mostrou-se limitado, uma vez que 69,31% acreditam que a doença é causada por um inseto, enquanto apenas 8,91% identificaram corretamente o protozoário como agente causador da DC, e quanto ao vetor, apenas 17,82% reconheceram o termo científico “triatomíneos”. Em relação aos órgãos afetados, o coração foi o mais citado (77,23%), porém somente 1,98% dos participantes reconheceram simultaneamente o comprometimento cardíaco e digestivo. Quanto à transmissão vetorial, apenas 16,83% indicaram corretamente a forma de transmissão da doença. Os resultados indicam que, embora a doença de Chagas seja amplamente reconhecida pela população rural estudada, persistem lacunas importantes no conhecimento sobre o agente etiológico, terminologias científicas e formas de transmissão da doença. Esses achados evidenciam a necessidade de fortalecer ações contínuas de educação em saúde voltadas às comunidades rurais, acessíveis e contextualizadas, contribuindo para a prevenção da doença e para o fortalecimento da vigilância epidemiológica em áreas endêmicas.

        Palestrante: Ellen Damascena SANTOS
      • 08:05
        DESAFIOS DIAGNÓSTICOS DAS DOENÇAS NEGLIGENCIADAS NO BRASIL: ANÁLISE DE INDICADORES EPIDEMIOLÓGICOS (2012–2024) 20m

        As doenças negligenciadas (DNs) configuram um desafio persistente para a saúde pública brasileira, incidindo de forma desproporcional sobre populações em situação de vulnerabilidade. A Atenção Primária à Saúde (APS) é o cenário estratégico para o controle desses agravos, sendo importante para a coordenação do cuidado e diagnóstico oportuno. Contudo, a detecção precoce enfrenta barreiras estruturais e clínicas que impactam diretamente os indicadores de morbimortalidade. Este trabalho objetiva analisar os desafios diagnósticos das DNs no Brasil sob a perspectiva de indicadores epidemiológicos recentes. Trata-se de um estudo descritivo fundamentado em dados secundários coletados em sistemas oficiais de notificação entre os anos de 2012 e 2024. Os resultados evidenciam a magnitude do problema: registraram-se 34.921 casos de leishmaniose visceral (2012–2024), com predominância na região Nordeste (55,60%) e no Maranhão (15%). No mesmo período, confirmaram-se 4.300 casos de doença de Chagas aguda, com forte concentração na região Norte (96%), vinculada à transmissão oral e sazonalidade de safras regionais. Além disso, registraram-se 616 óbitos por toxoplasmose (2015–2023). Quanto à hanseníase, os 249.956 casos confirmados entre 2015 e 2022 revelam um cenário preocupante, com aumento da proporção de casos com grau 2 de incapacidade física no diagnóstico, atingindo 11,5% em 2022. Os dados evidenciam persistência de diagnóstico tardio, especialmente na hanseníase, além de marcante concentração regional dos agravos. Esses achados sugerem limitações na detecção oportuna na APS e desigualdades no acesso ao cuidado. Nesse contexto, o enfrentamento desse cenário requer investimentos em tecnologias diagnósticas e capacitação contínua das equipes, aliados à ampliação da vigilância e à implementação de estratégias de busca ativa articuladas aos determinantes sociais da saúde.

        Palestrante: Romeu Machado Custodio
      • 08:05
        DESAFIOS NA INTEGRAÇÃO ENTRE CIÊNCIA POLÍTICAS PÚBLICAS E MERCADO NO ENFRENTAMENTO DAS DOENÇAS NEGLIGENCIADAS 20m

        As doenças negligenciadas são enfermidades que acometem predominantemente os países em desenvolvimento, sendo causadas por agentes infecciosos ou parasitários. Muitas delas são transmitidas por vetores e estão ligadas ao contexto de desigualdade social por afetarem sobretudo pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre elas, destaca-se a doença de Chagas, esquistossomose, leishmaniose, hanseníase, malária e a tuberculose. A persistência dessas enfermidades, apesar dos avanços científicos, evidencia limitações na prevenção, controle e tratamento. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo discutir os principais fatores que dificultam o enfrentamento das doenças negligenciadas no Brasil. Quando comparadas a outras doenças de impacto global, as doenças negligenciadas recebem menos investimento em pesquisa científica. Embora existam estudos, seus resultados não se traduzem em avanços terapêuticos concretos devido ao baixo interesse econômico da indústria farmacêutica. Além disso, por se encontrarem em condições de vulnerabilidade, os grupos mais afetados apresentam participação limitada na formulação de políticas públicas, o que dificulta a elaboração de medidas voltadas à mitigação dos impactos negativos dessas enfermidades. A insuficiência de políticas públicas efetivas no Brasil está associada a fatores estruturais, históricos e sociais; dessa forma, observam-se fragilidades na capacitação de profissionais, no acesso a medicamentos e nas estratégias de controle vetorial das infecções devido à invisibilidade social das doenças. A falha do mercado também é um fator importante no enfrentamento dessas afecções, mesmo quando existem medicamentos e/ou vacinas eficazes. A indústria farmacêutica tende a priorizar a produção e comercialização de produtos com potencial retorno financeiro, o que justifica seu baixo investimento nessa área, uma vez que a maioria dos indivíduos afetados vivem em países em desenvolvimento. Por fim, a desarticulação entre os três setores impacta diretamente o combate às doenças negligenciadas, dificultando a transformação da ciência em melhorias concretas no tratamento, na prevenção e no controle dessas enfermidades, bem como na implementação de estratégias eficazes para a redução da transmissão.

        Palestrante: Ana Cristina Pinheiro Barbosa (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        DETERMINANTES SOCIOECONÔMICOS DA INCIDÊNCIA DE LEPTOSPIROSE NO BRASIL: ESTUDO ECOLÓGICO POR UNIDADE FEDERATIVA, 2025 20m

        A Leptospirose é uma zoonose de relevância global, associada a fatores ambientais e condições socioeconômicas desfavoráveis, especialmente em contextos de saneamento inadequado. No Brasil, sua distribuição reflete desigualdades regionais e estruturais persistentes, influenciadas por vulnerabilidades sociais e ambientais. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre fatores socioeconômicos e a incidência da doença no país em 2025, por meio de um delineamento ecológico por unidade federativa. Foram utilizados dados agregados das 27 unidades federativas, incluindo casos confirmados obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e indicadores populacionais e socioeconômicos provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A incidência foi estimada por 100.000 habitantes, e análises exploratórias de correlação foram realizadas com variáveis como índice de desenvolvimento humano, renda per capita e cobertura de esgotamento sanitário. Em 2025, foram registrados 2.854 casos confirmados, com distribuição heterogênea entre as unidades federativas e taxas variando de 0,09 a 13,13 casos por 100.000 habitantes. Os maiores valores foram observados nos estados do Acre e Amapá, enquanto os menores ocorreram em Piauí e Goiás. Verificou-se correlação negativa entre a incidência e os indicadores analisados, incluindo cobertura de esgotamento sanitário (r = -0,09), renda per capita (r = -0,18) e índice de desenvolvimento humano (r = -0,12), indicando tendência de maior ocorrência em contextos de maior vulnerabilidade. Apesar disso, a baixa magnitude dos coeficientes sugere que outros fatores ambientais e estruturais também influenciam a dinâmica da doença. Considerando o delineamento ecológico, não é possível estabelecer relações causais em nível individual. Os achados reforçam a importância de políticas públicas voltadas à ampliação do saneamento básico e à redução das desigualdades sociais.

        Palestrante: Bruna Gischewski Vilela (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        DIVERSIDADE E ATIVIDADE NOTURNA DE INSETOS VETORES DE PATÓGENOS (DIPTERA) NO BURACO DO PADRE, PARANÁ 20m

        Unidades de Conservação permitem a proteção de cavernas atenuando impactos causados por ações antrópicas, promovendo um planejamento adequado de uso, como para o ecoturismo. Nos Planos de Manejo Espeleológicos do CECAV, um dos itens trata sobre a importância do estudo de Organismos Patógenos e Nocivos, como insetos vetores, nos ambientes cavernícolas. Porém, a limitação de recursos e/ou equipe, muitas vezes, dificultam o inventário destes nesses ambientes. Assim, a parceria entre a academia e a consultoria ambiental pode suprir essa lacuna. Nesse caminho, este estudo investigou a diversidade de dípteros vetores de patógenos no Parque de Natureza Buraco do Padre (PNBP), Ponta Grossa, PR, em duas estações: seca e chuvosa. Foram utilizadas armadilhas CDC das 18h às 6h (esforço amostral total: 342h) e armadilha de Shannon com 12h de captura (esforço amostral total: 24h), sendo que nestas os insetos foram coletados e separados por hora, aferindo-se temperatura e luminosidade. Após montagem e identificação, os espécimes foram depositados em coleção. Na estação seca foram capturados 228 espécimes (spp), somados os flebotomíneos (CDC= 11 spp / Shannon: 45 spp), culicídeos (CDC= 5 spp/ Shannon: 130 spp), ceratopogonídeos (CDC= 26 spp/ Shannon: 0 spp) e simulídeos (CDC= 0 spp/ Shannon: 11 spp). Simulídeos foram coletados somente na Shannon (18h-19h); todas eram fêmeas do gênero Simulium. Não houve diferença na composição de flebotomíneos entre as duas armadilhas. O pico de atividade ocorreu entre 21h-22h (n= 12 spp) porém maior riqueza foi observada das 03h-04h com 4 espécies de do gênero Brumptomyia. Para culicídeos, o gênero Psorophora representou 50% do total de mosquitos amostrados no período noturno, porém a maior riqueza de espécies ocorreu entre 21h-22h (n= 6 spp). Ceratopogonídeos foram coletados somente em CDC. Na estação chuvosa, embora o esforço amostral tenha sido semelhante a estação seca, foram capturadas apenas duas fêmeas de culicídeos, o que poderia ser explicado pelas temperaturas mínima e máxima que foram 4,4ºC e 22,1ºC, respectivamente e ausência de luz durante a estação chuvosa. Em todo o estudo coletou-se um total de 28 espécies, das quais Forcipomyia microtoma e F. annulatipes (Ceratopogonidae), Anopheles pennai e A. benarrochi (Culicidae) são primeiros registros no Paraná. Além de atuarem como vetores de patógenos, as fêmeas causam incômodo pela picada. Por outro lado, o PNBP mostrou-se como um hotspot de diversidade para esses dípteros.

        Palestrante: Prof. ANDREY ANDRADE (Programa de Pós-Graduação em Entomologia, Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná.)
      • 08:05
        FAUNA DE MOSQUITOS (DIPTERA: CULICIDAE) EM TRÊS DIFERENTES ESTÁGIOS DE REGENERAÇÃO NATURAL DE UMA ÁREA DE FLORESTA TROPICAL SECA NA SERRA DO CIPÓ, MINAS GERAIS 20m

        As florestas tropicais secas encontram-se entre os biomas tropicais mais degradados e menos estudados. Nessas formações, mudanças da vegetação ao longo da sucessão secundária e a sazonalidade influenciam a composição das comunidades de insetos, incluindo os mosquitos (Diptera: Culicidae), importantes vetores de arboviroses. Apesar de sua relevância ecológica e epidemiológica, o conhecimento sobre a dinâmica de culicídeos em florestas tropicais secas brasileiras ainda é limitado, inclusive em áreas próximas de grandes centros, como a Serra do Cipó, aproximadamente 100 km de Belo Horizonte, recebendo um grande fluxo de turistas. O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência da sucessão secundária na diversidade, abundância e composição da fauna de culicídeos em áreas de floresta tropical seca, na Serra do Cipó, Minas Gerais. No período chuvoso (fevereiro de 2026) foram realizadas amostragens em nove parcelas de 50x20m distribuídas três parcelas por estágio de sucessão secundária (inicial, intermediário e tardio). Para as amostragens foram utilizadas armadilhas de Shannon ao entardecer (duas horas por parcela), armadilha CDC (02 armadilhas por parcela x 12h) instaladas às 18h e recolhidas às 7h do dia posterior e coleta de pouso em humano (20 minutos por parcela). Foi amostrado um total 313 indivíduos distribuídos em 33 taxa pertencentes às subfamílias Culicinae e Anophelinae. Não houve diferença significativa nos valores de riqueza e abundância entre os estágios de regeneração natural (p=0,31), apesar disso, os resultados mostram dados ecológicos relevantes. As espécies mais abundantes são pertencentes à tribo Aedinii e são considerados mosquitos de inundação, com uma grande abundância após as primeiras chuvas. Psorophora ferox foi a espécie mais abundante (24,4%), sendo encontrada nos três estágios de sucessão. De forma semelhante, os vetores da Febre Amarela, Haemagogus e Sabethes foram registrados nos três estágios, mas especialmente no estágio tardio. Tal fato pode ser explicado por esses mosquitos utilizarem ambientes de fitotelmata para se reproduzir e preferirem áreas com características florestais. Nossos resultados merecem atenção do ponto de vista epidemiológico devido ao papel turístico da região e a possível veiculação de arbovírus em caso de surtos locais de doenças como a Febre Amarela.

        Palestrante: Cleandson Ferreira Santos (Universidade Estadual de Montes Claros)
      • 08:05
        HANSENÍASE NO BRASIL: O RETRATO EPIDEMIOLÓGICO DE 20 ANOS (2005-2025) 20m

        A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução crônica, curável, mas que ainda representa um grande desafio de saúde pública no Brasil, especialmente por sua forte associação com a pobreza e a vulnerabilidade social. O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno constituem as ferramentas mais eficazes para interromper a cadeia de transmissão do Mycobacterium leprae na comunidade e prevenir o desenvolvimento de incapacidades físicas e danos neurais irreversíveis.Pelo fato da hanseníase ser reconhecida como um problema latente da saúde pública, este estudo objetivou levantar e analisar o perfil epidemiológico dessa doença negligenciada, com as atualizações mais recentes dos órgãos de saúde federais, correspondentes aos últimos 20 anos, a fim de servir de conteúdo nacional, visto que embora haja inúmeros estudos sobre os aspectos clínicos e tratamento da hanseníase, existem poucos relatórios epidemiológicos dessa condição. Foi realizado um estudo descritivo, transversal e quantitativo, desenvolvido a partir de dados secundários obtidos do departamento de informática do Sistema Único de Saúde do Ministério da Saúde (DATASUS/MS). Verificou-se que no Brasil, entre 2005 e 2025 houve uma queda de 49,19% na incidência de internações por hanseníase, entretanto é preponderante ressaltar que nos últimos 5 anos houve um crescimento de 17,49% na prevalência de casos. Nesse contexto, as regiões que obtiveram maior prevalência de hanseníase foram o Sul e o Centro-oeste, enquanto a unidade da federação com maior prevalência nos últimos 20 anos foi o Acre. Nesse perfil, houve maior prevalência de casos no sexo masculino, com uma diferença de 13,42% e também na população parda, com diferença de 45,42% em relação a população branca e de 58,63% para a população preta. Dentro disso, a maior prevalência de internações se deu na faixa etária de 60 anos de idade, seguida pela de 15 a 59 anos e por fim pela faixa de 0 a 14 anos. O Brasil é o segundo país do mundo em número de casos, atrás da Índia e é o primeiro em incidência, ou seja, tem maior proporção de casos novos. Assim, o mapeamento realizado surge como ferramenta ímpar no auxílio da tomada de ações de saúde pública, a qual pode ser feita de forma mais rápida e eficaz em conjunto com os dados epidemiológicos existentes.

        Palestrante: Bianca Tereza de Souza Rodrigues (UFLA)
      • 08:05
        IMPACTO DAS DESIGUALDADES SOCIOAMBIENTAIS NA OCORRÊNCIA DA LEPTOSPIROSE EM ÁREAS URBANAS VULNERÁVEIS DO BRASIL 20m

        A leptospirose é uma das principais causas zoonóticas de morbidade e mortalidade, sendo ainda mais grave em assentamentos precários urbanos, em que não existem medidas de controle adequadas, o que a torna um importante problema de saúde em países emergentes como o Brasil. Desse modo, o presente estudo tem como objetivo analisar o impacto das desigualdades socioambientais na ocorrência da doença, especialmente em áreas urbanas vulneráveis. Para isso, foi realizada uma revisão da literatura, com buscas nas bases de dados PubMed, utilizando os descritores “leptospirosis”, “social determinants of health” e “urban health”. Foram incluídos artigos publicados entre 2006 e 2026, em inglês, português e espanhol, que abordassem fatores associados à transmissão da leptospirose e seus impactos. A análise dos artigos selecionados evidencia que o risco de infecção pela bactéria leptospira em favelas urbanas é determinado por características estruturais. Sendo assim, a infraestrutura sanitária precária, a infestação por ratos e a drenagem inadequada de esgoto são fatores que predispõem à infecção ao promover o contato com a lama contaminada e servir como reservatório ambiental para a transmissão por transbordamento. Corroborando essa perspectiva, os estudos prospectivos identificaram a ocorrência de casos graves e infecções associadas a deficiências sanitárias em favelas, como a localização das residências próximas a esgotos a céu aberto e acúmulo de lixo. No entanto, diferenças no microambiente levam a uma variação espacial na chance de infecção, como a elevação das residências, já que as situadas em baixa altitude apresentam risco de inundação aumentado. Além disso, o risco de infecção é maior em adultos jovens e em analfabetos. Ainda, trabalhadores de coleta de lixo e da construção civil também apresentaram risco significativamente maior, devido à exposição aumentada à lama e outros ambientes contaminados. Nesse sentido, em comunidades de favelas com altos níveis de pobreza absoluta, as diferenças relativas no nível socioeconômico contribuem para desfechos desiguais em relação à leptospirose. Assim, é preciso que as intervenções governamentais se concentrem na melhoria das condições de saneamento nas áreas mais pobres da comunidade e abordem os fatores que produzem desigualdades nos resultados de saúde entre os moradores de favelas para que a prevenção da leptospirose seja de fato eficaz.

        Palestrante: Analice Caldeira
      • 08:05
        INFLUÊNCIA DOS MÉTODOS DE EXTRAÇÃO NA ATIVIDADE LARVICIDA DE ESPÉCIES DO GÊNERO Zingiber SOBRE VETORES DE IMPORTÂNCIA MÉDICA - UMA REVISÃO DE LITERATURA 20m

        Nas últimas décadas, observa-se um aumento expressivo das arboviroses em escala global, com destaque para aquelas associadas aos vírus da dengue, Zika e chikungunya. Esse cenário reflete não apenas mudanças ambientais, urbanização desordenada e intensificação da mobilidade humana, mas também desafios crescentes no controle vetorial, especialmente diante da expansão e adaptação de mosquitos como Aedes aegypti e Aedes albopictus. Soma-se a esse contexto a crescente resistência desses vetores aos inseticidas sintéticos tradicionalmente utilizados, o que compromete a eficácia das estratégias convencionais de controle e reforça a urgência por alternativas inovadoras, sustentáveis e eficazes.Nesse contexto, a crescente resistência de vetores a inseticidas sintéticos tem impulsionado a investigação de compostos de origem vegetal como alternativas sustentáveis no controle de doenças transmitidas por artrópodes. Espécies do gênero Zingiber destacam-se pela presença de metabólitos secundários com potencial bioativo, especialmente em extratos orgânicos e óleos essenciais. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente a influência dos métodos de extração na atividade larvicida de diferentes espécies do gênero Zingiber, com foco na aplicabilidade experimental. Foi realizada uma análise comparativa de estudos que empregaram maceração em solventes apolares, com posterior filtração e concentração, e hidrodestilação em aparelho de Clevenger para obtenção de óleos essenciais a partir de rizomas. Observou-se que extratos hexânicos apresentaram atividade larvicida dependente da concentração, com valores expressos em mg/L e eficácia variável entre espécies. Em contraste, os óleos essenciais demonstraram maior potência biológica em menores concentrações (µg/mL), frequentemente alcançando elevada mortalidade larval em espécies como Aedes aegypti, A. albopictus e Culex quinquefasciatus. Adicionalmente, identificou-se significativa heterogeneidade metodológica entre os estudos, especialmente quanto às condições de extração, preparo das soluções e armazenamento dos extratos, o que compromete a reprodutibilidade e a comparação entre resultados. Esses achados evidenciam que o método de extração constitui fator determinante na atividade larvicida observada. A padronização dessas variáveis é essencial para o desenvolvimento de protocolos experimentais robustos e para a consolidação do uso de produtos naturais no controle de vetores.

        Palestrante: Brenda Marchi BOCARDI (Discente, Departamento de Medicina, Universidade Federal de Lavras (UFLA).)
      • 08:05
        INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA ESPOROTRICOSE NO MUNICÍPIO DE LAVRAS, MINAS GERAIS NO PERÍODO DE 2018-2024 20m

        A esporotricose é uma doença negligenciada, caracterizada como micose subcutânea zoonótica causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii. A doença tem se destacado como um problema de saúde pública preeminente no Brasil, onde a espécie endêmica é S. brasiliensis. Os gatos são os principais acometidos e transmissores devido a seus hábitos. No município de Lavras, Minas Gerais, a esporotricose tem gerado preocupação entre os agentes epidemiológicos, especialmente devido ao aumento de casos humanos e felinos registrados no ano de 2023. O estudo objetivou realizar uma análise epidemiológica e espacial da esporotricose em Lavras, caracterizando o perfil dos casos humanos e felinos. Trata-se de um estudo ecológico descritivo e retrospectivo, que explorou dados documentados entre 2018 e 2024 fornecidos pela Vigilância em Saúde Ambiental do município. Foram notificados 62 casos humanos e 293 casos felinos. Na maioria dos registros de humanos, 40 (64,5%), relataram contato com felinos infectados, enquanto 19 (30,6%) não continham informação. Em 2023, ano em que houve maior número de casos, do total de 35, 9 (25,7%) ocorreram em mulheres, 5 (14,3%) em homens e 21 (60,0%) não apresentavam informações sobre o sexo. Contudo, esses dados não foram suficientes para associar a ocorrência de esporotricose ao sexo. Além disso, entre as 9 mulheres, 7 relataram estarem grávidas ou com suspeita. Entre os casos felinos, 158 (53,9%) eram machos, 54 (18,4%) fêmeas e 81 (27,6%) não continham essa informação, evidenciando maior prevalência em machos. Sobre a situação de domicílio, os dados indicaram que a maioria, 92 (31,29%) eram semidomiciliados, 86 (29,25%) eram errantes e 115 (39,12%) não continham informações. A análise espacial de registros entre 2019 e 2023, período em que houve casos humanos e felinos concomitantemente, evidenciou ampla distribuição da esporotricose com concentração em determinadas regiões. A sobreposição espacial de casos evidenciou que os casos felinos precederam os casos humanos em todos os bairros. Os achados indicam que a esporotricose está consolidada no ambiente urbano e domiciliar em Lavras, destacando o papel central dos felinos na transmissão. A ocorrência em gestantes reforça a integração entre vigilância epidemiológica e os serviços de atenção à saúde materno-fetal. Ademais, o manejo ético de felinos errantes torna-se essencial para o controle e mitigação da doença.

        Palestrante: Maria Alice Ferreira Guimarães / Gerente Saúde Única (UFLA)
      • 08:05
        LEPTOSPIROSE BOVINA (2021-2025) NA PERSPECTIVA DA SAÚDE ÚNICA. 20m

        A leptospirose bovina, causada por bactérias do gênero Leptospira, é uma enfermidade infecciosa de grande relevância na produção animal, associada principalmente a distúrbios reprodutivos, como abortamentos, natimortalidade e infertilidade. Além dos impactos na bovinocultura, a doença apresenta caráter zoonótico, o que amplia sua importância para a saúde pública. O presente estudo teve como objetivo relatar os casos de leptospirose diagnosticados em bovinos nos últimos cinco anos (2021-2025), com ênfase nos achados macroscópicos e histopatológicos. Foram revisados os registros de necrópsia e identificados três casos de leptospirose em fetos bovinos abortados em terço final da gestação. Macroscopicamente havia icterícia, edema subcutâneo e hemorragias em um feto e ausência de alterações macroscópicas evidentes nos outros dois. Ao exame histológico destacaram-se necrose hepática multifocal, nefrite intersticial linfoplasmocítica e infiltrado inflamatório mononuclear em múltiplos tecidos, incluindo o encéfalo, além de congestão difusa em órgãos linfoides e rins. A confirmação diagnóstica foi obtida por PCR nos três casos, e em um deles havia também PCR positiva para Neospora caninum, sugerindo coinfecção. Apesar da baixa frequência observada, os achados são compatíveis com a apresentação clássica da leptospirose reprodutiva em bovinos e reforçam a dificuldade diagnóstica da doença, especialmente diante da ausência de lesões macro e microscópicas marcantes em alguns casos. Esses resultados sugerem subnotificação e reforçam o caráter negligenciado da enfermidade, indicando possível subdiagnóstico regional. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento da vigilância epidemiológica e ampliação do diagnóstico laboratorial, destacando a leptospirose bovina como doença negligenciada e de impacto sanitário importante. Nesse cenário, a abordagem da saúde única torna-se essencial, uma vez que bovinos podem atuar como reservatórios do agente, com eliminação da bactéria no ambiente via urina, com possível contaminação de água e solo. Essa dinâmica favorece a infecção humana, especialmente em indivíduos expostos a ambientes rurais ou com condições sanitárias inadequadas, evidenciando a interface saúde animal, humana e ambiental.


        Palestrante: Nicholy Samara Sandoval Soares
      • 08:05
        MANIFESTAÇÕES DERMATOLÓGICAS AUTOLIMITADAS APÓS VACINAÇÃO CONTRA DENGUE (BUTANTAN-DV): RELATO DE TRÊS CASOS 20m

        A infecção pelo vírus da dengue constitui um relevante problema de saúde pública, especialmente em áreas endêmicas, devido à elevada morbidade e ao risco de evolução para formas graves. A introdução de vacinas representa uma estratégia essencial para reduzir o impacto clínico e social da doença. Os eventos adversos pós-vacinação são, em geral, leves, autolimitados e transitórios, sendo sua descrição fundamental para a caracterização do perfil de segurança dos imunizantes. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo relatar três casos de reações adversas após a aplicação da vacina Butantan-DV. O primeiro caso refere-se a uma paciente de 48 anos, com histórico de infecção prévia por dengue há cerca de 10 anos. Vacinada em 01/02/2026, apresentou, no décimo dia, máculas em região cervical, tronco e membros superiores, sem prurido. No décimo quarto dia, houve progressão das lesões, associada a cefaleia leve, astenia discreta e fotofobia moderada. Os sintomas persistiram até o décimo sexto dia, com resolução completa até o vigésimo dia. O quadro foi caracterizado como exantema maculopapular pós-vacinal, benigno e autolimitado. O segundo caso envolve uma adolescente de 17 anos, sem histórico prévio de infecção por dengue. Após vacinação em 29/01/2026, apresentou, no nono dia, exantema maculopapular homogêneo em membros superiores, abdome e tórax, com evolução benigna e resolução espontânea até o décimo sexto dia, sem necessidade de intervenção. O terceiro caso refere-se a um paciente de 53 anos, sem infecção prévia pelo vírus dengue, vacinado em 01/02/2026. No décimo segundo dia, apresentou máculas na região cervical, tronco e membros superiores, sem prurido, com evolução benigna e completa resolução dos sinais até o décimo oitavo dia após a vacinação. Nos três casos, as manifestações foram leves, não incapacitantes e não interferiram nas atividades habituais, sem prejuízo funcional. Os achados foram predominantemente cutâneos, com início tardio, sugerindo relação com a resposta imunológica ao imunizante. A ausência de sintomas sistêmicos relevantes e a evolução favorável reforçam o perfil de segurança da vacina. Apesar da ocorrência de eventos adversos leves, os benefícios da vacinação superam os riscos, especialmente diante do potencial de formas graves da doença. Os casos descritos evidenciam manifestações dermatológicas transitórias, sem repercussões clínicas significativas, corroborando a segurança da vacina como importante medida preventiva.

        Palestrante: Betânia Pamplona de Souza Carvalho (Estudante de Medicina – Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        MIELOENCEFALITE PROTOZOÁRIA EQUINA COM CARACTERÍSTICAS DE SÍNDROME VESTIBULAR: RELATO DE CASO 20m

        A encefalomielite protozoária equina (EPM) é uma enfermidade neurológica causada principalmente por Sarcocystis neurona e, menos frequentemente, por Neospora hughesi. A infecção ocorre pela ingestão de esporocistos eliminados nas fezes de gambás, hospedeiros definitivos do parasito. Após a infecção, os protozoários podem alcançar o sistema nervoso central (SNC), onde provocam lesões inflamatórias que se manifestam por sinais neurológicos variados. As dificuldades diagnósticas, aliadas à escassez de dados epidemiológicos e à subnotificação de casos, evidenciam o caráter negligenciado da doença. Relata-se o atendimento de um equino, macho, Mangalarga Marchador, 16 anos de idade, apresentando como queixa principal desvio lateral de cabeça e pescoço, associado a desequilíbrio dos membros pélvicos. Ao exame neurológico observaram-se head tilt à direita, estrabismo ventrolateral e nistagmo, além de redução da resposta à ameaça e do reflexo palpebral. Também foram observadas dificuldade na apreensão de alimentos, com queda de alimento pela cavidade oral, redução da sensibilidade facial e assimetria labial. Verificou-se ainda diminuição dos reflexos cérvico-facial e músculo-cutâneo no lado direito, além de redução da mobilidade lateral do pescoço. O animal apresentava ataxia e propriocepção reduzida nos quatro membros. O conjunto de sinais neurológicos foi compatível com comprometimento do nervo vestibulococlear (VIII par craniano) e síndrome vestibular. Foi instituída terapia anti-inflamatória e de suporte, com administração de dimetilsulfóxido, dexametasona e antioxidantes, além de diclazuril, diante da suspeita clínica de EPM. O animal recebeu alta hospitalar após 14 dias de internação; entretanto, após o retorno à propriedade, houve agravamento do quadro neurológico, com episódios convulsivos, dificuldade de permanecer em estação e evolução para óbito. À necropsia observaram-se lesões de encefalomielite não supurativa multifocal no SNC, caracterizadas por gliose, congestão e edema perivascular, além de edema e hemorragias perineurais no nervo facial esquerdo. Os achados clínicos e anatomopatológicos foram sugestivos de infecção por Sarcocystis neurona, com manifestações compatíveis com síndrome vestibular.

        Palestrante: Bruna Gischewski Vilela (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        MONITORAMENTO CONTÍNUO DE GLICOSE NO SUS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM DM1: CUIDADO A UMA POPULAÇÃO NEGLIGENCIADA 20m

        O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) na infância e adolescência exige vigilância permanente,decisões clínicas rápidas e alta adesão terapêutica. No entanto, crianças e adolescentes dependentes do SUS compõem uma população frequentemente negligenciada, pois convivem com dor repetida, risco de descompensações agudas, sobrecarga familiar e acesso desigual a tecnologias que permanecem concentradas no setor privado. Este trabalho descreve a implantação de um programa municipal de monitoramento contínuo de glicose para crianças e adolescentes de 4 a 14 anos com DM1, com o objetivo de qualificar o cuidado, ampliar a equidade e reduzir complicações evitáveis. A estratégia foi estruturada com critérios de elegibilidade, acompanhamento multiprofissional, capacitação de familiares e cuidadores,concessão gratuita de sensores, integração dos dados ao prontuário eletrônico e uso de painéis para apoio clínico e gerencial. Os resultados iniciais da primeira coorte indicaram redução média
        de 0,8% na hemoglobina glicada, aumento médio de 15% no tempo em faixa-alvo glicêmica,redução de 30% nos episódios de hipoglicemia grave, adesão superior a 90% ao uso diário do sensor e percepção de maior segurança e qualidade de vida por 95% das famílias. Além dos ganhos clínicos, a intervenção reduziu a fragmentação do cuidado e fortaleceu a tomada de
        decisão baseada em evidências. Conclui-se que o monitoramento contínuo de glicose, quando ofertado no SUS com protocolo, educação em saúde e acompanhamento longitudinal, constitui estratégia concreta de enfrentamento da negligência assistencial e tecnológica que recai sobre
        crianças e adolescentes com DM1, promovendo equidade, proteção da infância e uso mais eficiente dos recursos públicos.

        Palestrante: Sheila Ferreira
      • 08:05
        MONITORAMENTO DE Aedes aegypti VIA OVITRAMPAS: UMA EXPERIÊNCIA DE PESQUISA E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA UFLA 20m

        As arboviroses constituem um desafio persistente à saúde pública no Brasil, uma vez que fatores ambientais e as condições de infraestrutura urbana favorecem a proliferação do mosquito Aedes spp. em regiões de maior vulnerabilidade. Esse cenário, que contribui diretamente para a elevação do número de casos, demanda o fortalecimento de estratégias de vigilância integradas e mais resolutivas. Nesse contexto, o Plano de Contingência Nacional (2025) estabelece medidas essenciais de controle vetorial, como a utilização de ovitrampas e larvitrampas, fundamentais para o enfrentamento efetivo dessas enfermidades no país. Diante desse cenário, este trabalho tem como objetivo relatar uma atividade desenvolvida por bolsistas do Laboratório BIOPAR, focada no monitoramento e controle de arboviroses. A metodologia envolveu, inicialmente, o treinamento de 11 discentes sobre o funcionamento de ovitrampas e identificação dos organismos alvo. Posteriormente, procedeu-se à confecção dos dispositivos utilizando materiais recicláveis (garrafas PET), papel contact, paletas de madeira e a solução de fenol fermentado como atrativo para oviposição. Foram selecionados oito pontos estratégicos dentro do campus universitário, abrangendo departamentos acadêmicos, o Centro de Integração Universitária (Ciuni), a moradia estudantil e o Centro Histórico. Para garantir a cobertura adequada de áreas extensas, parte da equipe foi organizada em duplas, realizando-se avaliações semanais consecutivas ao longo de um ciclo de quatro semanas. Os resultados obtidos evidenciaram a eficácia da ferramenta, com a coleta aproximada de 1.029 ovos de Aedes aegypti e 50 larvas em diferentes estádios de desenvolvimento, além de outros organismos aquáticos bioindicadores. Esta atividade reafirma o papel das ações de extensão na vigilância entomológica e no controle vetorial preventivo. A análise dos dados coletados permite não apenas o monitoramento populacional, mas também abre perspectivas para o diagnóstico molecular de patógenos, conferindo maior robustez técnica ao projeto. Em suma, a iniciativa demonstra que a integração entre a comunidade acadêmica e a prática de campo é fundamental para o enfrentamento das arboviroses. O sucesso desta amostragem aponta para a necessidade de continuidade e ampliação do projeto, sugerindo que a escalabilidade destas estratégias, aliada a parcerias com o poder público municipal, é imprescindível para o controle efetivo do vetor em escala urbana e para a mitigação dos riscos à saúde coletiva.

        Palestrante: Kaylanne Cunha
      • 08:05
        MORBIDADE HOSPITALAR POR TRIPANOSSOMÍASE (Trypanosoma cruzi) NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA NO BRASIL, 2020–2025 20m

        As tripanossomíases são doenças parasitárias causadas por protozoários do gênero Trypanosoma, transmitidas por insetos hematófagos, com destaque para a Doença de Chagas, endêmica na América Latina e classificada como doença tropical negligenciada. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico da morbidade hospitalar por tripanossomíase no Sistema Único de Saúde (SUS), no Brasil, entre 2020 e 2025.Trata-se de um estudo ecológico, descritivo, com dados secundários provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), disponibilizados pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Foram analisadas as internações por tripanossomíase (CID-10: B57), segundo sexo, faixa etária, raça/cor e região. Calculou-se a taxa média de morbidade hospitalar por 100.000 habitantes, utilizando dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período analisado, foram registradas 3.387 internações, com predomínio do sexo masculino (53,0%). Observou-se maior frequência em indivíduos pardos (55,1%), seguidos por brancos (26,3%), além de 11,5% de registros sem informação de raça/cor. Verificou-se aumento progressivo das internações com o avanço da idade, destacando-se as faixas de 60 a 69 anos (22,5%) e 70 a 79 anos (23,0%), totalizando 57,8% em indivíduos com 60 anos ou mais.A taxa média nacional foi de 1,6 internações por 100.000 habitantes, com
        maiores valores na região Centro-Oeste (3,8/100.000), seguida das regiões Norte (2,1/100.000), Sudeste (1,6/100.000) e Nordeste (1,4/100.000), enquanto a região Sul apresentou a menor taxa (0,8/100.000).A morbidade hospitalar por tripanossomíase apresentou distribuição regional heterogênea e maior concentração em indivíduos idosos, sugerindo o impacto das formas crônicas da Doença de Chagas. Os achados evidenciam desigualdades sociodemográficas, limitações na qualidade dos dados e reforçam a necessidade de fortalecimento da vigilância epidemiológica, qualificação dos sistemas de informação e ampliação do cuidado integral no SUS.

        Palestrante: Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí)
      • 08:05
        MOSQUITOS DE INUNDAÇÃO: VETORES NEGLIGENCIADOS EM AMBIENTES URBANOS 20m

        Poças naturais formadas por acúmulo de água de chuva funcionam como habitats larvais temporários para mosquitos vetores de doença, sustentando seu ciclo de vida e sendo cruciais para a reprodução desses insetos. Esses ambientes aquáticos são frequentemente negligenciados pelos programas de vigilância sanitária, focados em mosquitos de container, especialmente Aedes aegypti. Estas poças sustentam redes tróficas complexas que incluem macroinvertebrados aquáticos, como possíveis predadores e competidores naturais de mosquitos, com potencial controle biológico de vetores. Esse estudo objetivou investigar os mosquitos de inundação e sua comunidade associada em poças formadas por acúmulo de água da chuva, no campus da Universidade Estadual no município de Montes Claros – MG. Foram conduzidos dois tipos de levantamento nas poças temporárias: (i) levantamento quantitativo, baseado na contagem do número de larvas coletadas por poça em cada evento de amostragem; e (ii) levantamento qualitativo, visando a identificação das espécies de mosquitos presentes no ambiente. Três poças de diferentes tamanhos e profundidades foram monitoradas por vinte dias durante o período chuvoso. Para coleta dos macroinvertebrados aquáticos utilizou-se rede do tipo D-frame, o material fixado a álcool 70% foi triado e identificado. No quantitativo, foram encontrados um total de 3.502 indivíduos, pertencentes a 6 ordens, 12 famílias e 8 gêneros nas poças amostradas. Os Culicidae foram os mais abundantes com 1.889 larvas no total. No qualitativo emergiram 192 mosquitos, de cinco espécies, em ordem de abundância: Aedes scapularis, Culex saltanensis, Anopheles sp., Aedes serratus, Psorophora ferox e Uranotaenia iowii. Ae. scapularis pode ser considerado o principal mosquito de inundação em Minas Gerais e outras partes do país, no presente trabalho eles colonizaram as poças logo após a sua formação, sendo substituídos por Culex spp. como espécie mais abundante à medida que as poças se eutrofizam. Com o aumento do número de eventos climáticos extremos, torna-se essencial a melhor compreensão dos mosquitos de inundação, sobretudo, em regiões mais áridas, como no caso da transição cerrado-caatinga, principalmente dos Ae. scapularis, Psorophora spp. e Cx. saltanensis.

        Palestrante: Srta. Bárbara Sousa V. Porto (Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES))
      • 08:05
        OCORRÊNCIA, DISTRIBUIÇÃO E PERSISTÊNCIA DE Achatina fulica EM ÁREAS URBANAS DE LAVRAS – MG E REGIÃO: IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS PARA A SAÚDE PÚBLICA 20m

        O caramujo-africano, Achatina fulica, é uma espécie exótica invasora de relevância para saúde pública, associada à transmissão de nematóides, e que possui elevada capacidade de adaptação a ambientes urbanos. Este estudo teve como objetivo relatar a ocorrência, distribuição e persistência da espécie no município de Lavras – MG e região, com ênfase nas condições ambientais associadas à sua manutenção ao longo do tempo. As coletas foram realizadas entre abril e junho de 2025 e complementadas em março de 2026, por amostragem por conveniência baseada em relatos da população, com registro descritivo e fotográfico. Em cada ponto, foram avaliadas características dos espécimes, como número de indivíduos, variação de tamanho e padrão de dispersão, além de aspectos ambientais, incluindo umidade, sombreamento, presença de vegetação, acúmulo de matéria orgânica e proximidade de residências. Durante as atividades, adotaram-se medidas de biossegurança, com uso de luvas e pegador, evitando contato direto com os espécimes, e os pontos foram georreferenciados. Os registros de 2025 indicaram a presença da espécie em áreas urbanas como rua e lotes vagos, associada a micro-habitats úmidos e sombreados, com variação de tamanho sugerindo o estabelecimento de populações locais. Nas coletas de 2026, foram registrados indivíduos em áreas previamente identificadas e foram coletadas sete no bairro Esplanada, dois em área institucional da UFLA, dois no bairro Jardim das Américas e quatro no município de Perdões – MG. Observou-se a ocorrência de múltiplos indivíduos em um mesmo ponto, incluindo diferentes tamanho dos indivíduos, indicando manutenção populacional e possível atividade reprodutiva. Além disso, nas coletas complementares, verificou-se áreas que ainda não haviam sido relatadas, evidenciando a ampla distribuição, incluindo ambientes de intensa circulação humana. A associação com condições ambientais favoráveis reforça o potencial de persistência da espécie e amplia o risco de contato com a população. Os resultados destacam a importância do monitoramento contínuo e da educação ambiental para o manejo adequado, visando reduzir impactos ambientais e riscos à saúde pública. Esses dados contribuem para o mapeamento da distribuição de A. fulica e subsidiam ações de vigilância em saúde.

        Palestrante: Beatriz Cunha Gonçalves (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        PERFIL EPIDEMIOLOGICO DOS CASOS DE DENGUE DA MICRORREGIÃO DE JANAÚBA – MG ENTRE OS ANOS DE 2018 E 2023 20m

        A dengue é uma das principais preocupações em saúde pública no Brasil, especialmente em regiões com condições climáticas e socioeconômicas que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti. A infecção apresenta um caráter febril que pode evoluir para casos clinicamente mais severos, onde pode – se observar manifestações como as da dengue hemorrágica. A doença apresenta distribuição sazonal sendo influenciada por vários fatores, desde condições climáticas, condições de saneamento que favorecem o desenvolvimento dos vetores ou ainda da presença de campanhas de combate a doença. Considerando que a esta doença é amplamente distribuída no país observa- se uma necessidade de formas de catalogar os casos confirmado bem como o desenvolvimento desta na população. Uma ferramenta que auxilia bastante no registro das notificações é o sistema de notificação de agravos do SINAM presente no DATASUS. Apesar da dengue ser uma doença de notificação obrigatória, existe uma carência de estudos analisando a dinâmica epidemiológica dos casos de dengue em várias regiões do país, como observado na região do Norte de Minas Gerais. Desta forma, o presente trabalho teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico da dengue na microrregião de Janaúba, em Minas Gerais, entre os anos de 2018 e 2023, com base em dados obtidos no sistema DATASUS. A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, descritiva e documental, e revelou um total de 14.189 casos notificados no período analisado, com maior incidência em 2022. A faixa etária de 20 a 39 anos foi a mais afetada, especialmente entre pessoas do sexo feminino e autodeclaradas pardas. Municípios com maior densidade populacional, como Janaúba, concentraram a maioria dos registros. Além disso foi observado que nos anos de 2020 e 2021 apesar de apresentarem altos níveis de precipitação pluvial os casos de dengue notificados em Janaúba foram baixos, o que pode ser consequência do período da pandemia do Covid-19. Os resultados apontam para a importância de estratégias integradas de prevenção e controle, que envolvam tanto o poder público quanto a participação ativa da população. Este trabalho contribui para o entendimento da realidade local da dengue e reforça a necessidade de ações contínuas, educativas e coordenadas, com o propósito de minimizar os impactos dessa doença e promover uma saúde pública mais eficiente e consciente.

        Palestrante: Bruno Henrique Nogueira de Almeida
      • 08:05
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA HIPERTENSÃO PORTAL ASSOCIADA À ESQUISTOSSOMOSE NO BRASIL 20m

        A Esquistossomose é uma zoonose, diretamente relacionada ao saneamento precário, causada pelo parasita Schistosoma mansoni. O vetor é um caramujo de água doce do gênero Biomphalaria. Na fase crônica da doença, alterações intestinais são frequentes nos portadores. O controle da enfermidade baseia-se na vigilância epidemiológica, no tratamento adequado dos afluentes e na conscientização populacional. O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos casos de hipertensão portal associada à Esquistossomose no Brasil, caracterizando variáveis como distribuição regional, faixa etária, sexo e evolução temporal dos casos notificados. Realizou-se um estudo epidemiológico descritivo com base em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/MS) e do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), incluindo registros do Programa de Controle da Esquistossomose. Adicionalmente, foram analisadas bases científicas (PubMed, SciELO e UpToDate) sobre as manifestações da esquistossomose hepatoesplênica, com ênfase na hipertensão portal e no acometimento duodenal no contexto brasileiro. No período analisado, registraram-se 1.813 internações por esquistossomose no país, com as regiões Nordeste (48,4%) e Sudeste (43,7%) concentrando a maioria das hospitalizações. Observou-se uma predominância de casos no sexo masculino (56,8%), na população parda (53,8%) e em adultos na faixa etária de 60 a 69 anos. A análise reforça que o diagnóstico tardio e a vulnerabilidade socioeconômica são fatores críticos para a internação hospitalar. A esquistossomose é um problema crítico de saúde pública no Brasil, principalmente quando evolui para quadros severos, como a hipertensão portal. Os dados do Ministério da Saúde revelam que os casos e internações continuam concentrados em regiões mais vulneráveis, o que reforça a relação da doença com desigualdades sociais e falta de saneamento básico. Ademais, os dados revelam desigualdade racial, visto que a predominância de casos ocorre na população parda. Na prática, isso indica que o problema envolve a desigualdade socioeconômica, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado. Investir em prevenção e ampliar o acesso à saúde são medidas essenciais para evitar a progressão para formas graves e reduzir o impacto da doença no país.

        Palestrante: Amanda de Andrade (UFLA)
      • 08:05
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA EM GOIÁS ENTRE 2020 E 2025 20m

        A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma doença causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos por insetos flebotomíneos. No Brasil, observa-se crescente urbanização da enfermidade, configurando-se como relevante problema de saúde pública. No ambiente urbano, o cão doméstico pode atuar como importante reservatório. Clinicamente, manifesta-se principalmente por lesões cutâneas, únicas ou múltiplas, com bordas elevadas e fundo granuloso. Devido à sua importância, integra o grupo das doenças tropicais negligenciadas de maior impacto mundial. Nesse contexto, buscou-se descrever o perfil epidemiológico da LTA em Goiás entre 2020 e 2025. Trata-se de um estudo ecológico, descritivo, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS. Foram analisados os casos notificados no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo local de residência, no período de 2020 a 2025, considerando as variáveis sexo, raça/cor, faixa etária e evolução. Entre 2020 e 2025, Goiás registrou 2342 casos confirmados de LTA, com pico em 2020 (692 casos) e tendência de redução progressiva a partir de 2021, sugerindo avanços nas ações de vigilância epidemiológica. A cura correspondeu a 56,7% dos desfechos clínicos, enquanto os óbitos por LTA representaram 0,13% do total. Observou-se predominância do sexo masculino (69%), maior concentração de casos na faixa etária de 40 a 59 anos (35,18%; n=824), além de impacto relevante entre adultos de 20 a
        39 anos (24,77%; n=580). Houve maior acometimento da população parda (54,95%), seguida pela branca (28,82%) e preta (10,25%), o que pode refletir desigualdades no acesso aos serviços de saúde. Os achados indicam que a LTA permanece como importante problema de saúde pública em Goiás. Apesar da tendência de redução das notificações a partir de 2021, a ocorrência de óbitos evidencia a necessidade de aprimoramento do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno. Nesse sentido, reforça-se a importância do fortalecimento contínuo das ações de controle vetorial e do manejo de reservatórios, visando intervenções mais eficazes e equitativas na redução da morbimortalidade no estado.

        Palestrante: Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí)
      • 08:05
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA LEISHMANIOSE VISCERAL EM GOIÁS ENTRE 2020 E 2025 20m

        A leishmaniose visceral (LV), também conhecida como calazar, é uma doença grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos por insetos flebotomíneos. No contexto urbano brasileiro, o cão doméstico atua como importante reservatório. Nas últimas décadas, observa-se a expansão da doença para áreas urbanas, configurando relevante problema de saúde pública. Seus principais sinais clínicos incluem febre persistente, perda de peso, anemia e hepatoesplenomegalia, podendo evoluir para óbito quando não tratada. Devido à sua magnitude, integra o grupo das doenças tropicais negligenciadas de maior impacto mundial. Nesse contexto, buscou-se descrever o perfil epidemiológico da leishmaniose visceral em Goiás entre 2020 e 2025.Trata-se de um estudo ecológico, descritivo, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS. Foram analisados os casos notificados no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo local de residência, no período de 2020 a 2025. As variáveis incluíram sexo, raça/cor, faixa etária, escolaridade e evolução. Entre 2020 e 2025, Goiás registrou 163 casos confirmados de leishmaniose visceral, com pico em 2020 (49 casos) e tendência de redução progressiva a partir de 2022, sugerindo avanços nas ações de vigilância. A cura correspondeu a 63,8% dos desfechos, enquanto os óbitos por LV representaram 8,6%. Observou-se predominância do sexo masculino (71,2%), maior concentração de casos entre 20 e 59 anos, com impacto relevante em crianças menores de 5 anos (34 casos), e maior acometimento da
        população parda (63,8%), seguida pela preta (13,5%) e branca (12,9%), possivelmente refletindo desigualdades no acesso aos serviços de saúde. Os dados indicam que a LV permanece como importante problema de saúde pública em Goiás. Apesar da redução nas notificações a partir de 2022, a persistência de óbitos evidencia a necessidade de aprimoramento do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno. Destaca-se a importância do fortalecimento contínuo das ações de controle vetorial e do manejo de reservatórios, visando intervenções mais eficazes na redução da morbimortalidade no estado.

        Palestrante: Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí)
      • 08:05
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA MALÁRIA EM GOIÁS ENTRE 2019 E 2024 20m

        A malária é uma doença infecciosa que ocorre em regiões tropicais, causada por protozoários do gênero Plasmodium (especialmente P. falciparum) e transmitida pelo mosquito Anopheles (mosquito-prego). Sua dinâmica de transmissão é influenciada por condições climáticas e ambientais, uma vez que a sazonalidade ao longo do ano favorece a proliferação do vetor. Embora Goiás não seja área endêmica, a doença apresenta relevância para a saúde pública do estado. Inserido no Cerrado brasileiro, Goiás apresenta verão com elevado índice pluviométrico e altas temperaturas, sob influência da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), o que favorece o ciclo de transmissão entre vetor e hospedeiro. Nesse contexto, buscou-se descrever o perfil epidemiológico da malária em Goiás entre 2019 e 2024.Trata-se de um estudo ecológico, descritivo, com dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS. Foram analisados os casos notificados no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo local de residência, entre 2020 e 2025. As variáveis incluíram sexo biológico, raça/cor, faixa etária e escolaridade. A análise dos dados mostrou que Goiás registrou 417 casos entre 2019 e 2024, sendo 2022 o ano com maior número de notificações (102). A maior parte dos casos ocorreu entre dezembro e março (40,5%; n=169). Observou-se predomínio no sexo masculino (74,6%; n=311), na faixa etária de 20 a 39 anos (53,5%; n=223), entre indivíduos pardos (77,7%; n=324) e com ensino médio completo (20,4%; n=85). Entre os municípios com maiores prevalências, destacam-se Goiânia (20,82 casos/100.000 habitantes), Jataí (9,85 casos/100.000 habitantes) e Caldas Novas (7,85
        casos/100.000 habitantes). Quanto à morbidade, foram registradas 251 internações hospitalares no período, com maiores números em 2012, 2022 e 2023 (55, 54 e 51 internações, respectivamente). Apesar de não ser área endêmica, Goiás apresentou ocorrência contínua de casos e internações por malária no período analisado, evidenciando sua relevância para a saúde pública. Destaca-se o município de Jataí, na região sudoeste do estado, que apresenta, inclusive em área urbana, condições climáticas e geomorfológicas favoráveis à presença do vetor e à transmissão do Plasmodium.

        Palestrante: Christiane Ricaldoni Giviziez (Laboratório de Situação Interinstitucional e Transdisciplinar em Saúde (LabSITS), Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Jataí)
      • 08:05
        PESQUISA DE RESERVATÓRIOS SILVESTRES DE Brucella spp. PARA DELINEAMENTO DE ESTRATÉGIAS DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DO PATÓGENO EM ANIMAIS DE PRODUÇÃO E NA POPULAÇÃO HUMANA. 20m

        A brucelose, zoonose de grande impacto econômico e sanitário, representa um desafio para o setor agropecuário brasileiro. A erradicação dessa doença é crucial para a proteção da saúde pública, além de ser um fator limitante para a expansão dos mercados de produtos de origem animal. Considerando que infecções por Brucella spp. são altamente contagiosas, a interação entre fauna silvestre e gado pode representar risco de transmissão entre estes animais, especialmente por contaminação ambiental. Diante do exposto, este estudo teve como objetivo detectar a presença de DNA de Brucella spp., utilizando as técnicas de cultivo e de reação em cadeia da polimerase (PCR), em amostras de porcos monteiros, quati-de-cauda-anelada, veados campeiros e lobinhos, provenientes da região do Pantanal Brasileiro, e morcegos, da região de Juiz de Fora. As amostras foram obtidas por meio de coleta com swab, abrangendo punções de aspiração por agulha fina, amostras de orofaringe, raspados vaginais, fezes e muco, totalizando 492 amostras. Inicialmente, as amostras foram processadas em um laboratório de biossegurança nível 3 segundo Alton et al., 1988. Foram selecionadas aquelas que apresentaram crescimento e resultado positivo no teste de urease, sendo então submetidas à extração de DNA. A extração foi realizada utilizando o kit Genomic DNA Purification Kit (Wizard, Promega, França), conforme as instruções do fabricante. O gene bscp31 foi rastreado para identificação do gênero Brucella com tamanho 223 pb e com sequências B4-5'-TGG CTC GGT TGC CAA TAT CAA-3' e B5 5'-CGC GCT TGC CTT TCA GGT CTG-3'. Os produtos da PCR foram visualizados por eletroforese em gel de agarose a 1,5%, corado com brometo de etídio (0,5 mg/mL), utilizando o tampão de corrida Tris-borato-EDTA (TBE). As imagens do gel, foram registradas em um dispositivo transiluminador. Dezesseis amostras foram identificadas como características de Brucella spp. e com teste de urease positiva. De cada uma dessas amostras foram selecionadas 5 colônias. Então, a partir das 16 amostras iniciais positivas, foram obtidas 53 subamostras (colônias) igualmente positivas para urease, as quais foram submetidas à PCR. Ressalta-se que nem todas as amostras puderam ser retiradas do NB3. Por isso apenas 47,2% (25/53) das colônias foram processadas. O DNA de Brucella spp. não foi detectado em nenhuma das amostras. Cabe destacar que os resultados apresentados são preliminares, visto que parte das amostras ainda não foi submetida às análises.

        Palestrante: Beatriz Bonani Zuccolotto (UFLA)
      • 08:05
        RELATO DE EXPERIÊNCIA: EDUCAÇÃO EM SAÚDE COMO ESTRATÉGIA DE PREVENÇÃO DE DOENÇAS NEGLIGENCIADAS EM POPULAÇÃO INFANTIL VULNERÁVEL 20m

        As doenças negligenciadas são um importante problema de saúde pública, especialmente em situações de vulnerabilidade social. Nesse contexto pode-se chamar atenção para as geo-helmintíases e a teníase, agravos cuja transmissão se relaciona diretamente com a ingestão de formas infectantes, o que pode ocorrer, dentre outros fatores, pela higiene precária das mãos e de alimentos. Considerando que a promoção da higiene pessoal é uma estratégia de prevenção de doenças negligenciadas, este relato visa apresentar uma experiência exitosa de educação em saúde realizada em uma instituição municipal de contraturno escolar que atende
        crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica no município de Lavras, MG. O público-alvo da ação foi composto por 50 crianças na faixa etária de 5 a 11 anos, por ser a infância um período estratégico para intervenções educativas, devido ao potencial de formação de hábitos duradouros. Foram realizados quatro encontros, sendo três prévios à intervenção principal, com o objetivo de conhecer a realidade local e identificar os pontos a serem trabalhados a partir das necessidades da população. Esses encontros favoreceram a construção de vínculos com o público-alvo, contribuindo para o estabelecimento de uma relação de confiança e maior receptividade aos conteúdos. No último encontro, realizou-se uma exposição dialogada com abordagem lúdica e cartazes ilustrativos, com o objetivo de trabalhar tópicos como higiene eficaz das mãos e dos alimentos para prevenção de doenças. Para
        conscientizar as crianças, foram apresentados helmintos preservados e ovos vistos ao microscópio. Também foram usadas lupas para visualização de sujidades no tecido subungueal, objetivando reforçar a teoria na prática. A ação foi concluída com uma dinâmica de perguntas e respostas. Notou-se expressiva participação com respostas corretas, demonstrando que a linguagem acessível, as ferramentas utilizadas e a metodologia ativa foram capazes de motivar o aprendizado. Conclui-se que a educação em saúde, por meio de intervenções modestas e facilmente replicáveis, pode ser considerada uma ferramenta na prevenção de doenças negligenciadas. A intervenção em populações vulneráveis, principalmente na faixa etária infantil, tem alto potencial de impacto na redução de fatores de risco, além de fortalecer o papel do estudante de medicina na atuação comunitária.

        Palestrante: Amanda Pimentel (UFLA)
      • 08:05
        RESÍDUOS PLÁSTICOS COMO CATALISADOR DA EXPANSÃO DAS ARBOVIROSES: EVIDÊNCIAS NA PERSPECTIVA ONE HEALTH 20m

        A dengue consolidou-se como a arbovirose mais disseminada globalmente, com expansão sustentada pela proliferação de Aedes aegypti em cenários de urbanização acelerada e vulnerabilidade climática. Em 2024, mais de 13 milhões de casos foram registrados nas Américas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, evidenciando a magnitude da crise. Apesar dos avanços no controle vetorial, a persistência da transmissão revela determinantes ambientais estruturais ainda subexplorados. Nesse contexto, os resíduos plásticos emergem como um motor oculto da dinâmica epidemiológica das arboviroses. Este estudo constitui uma revisão de escopo conduzida conforme as diretrizes do PRISMA-ScR, com pergunta estruturada pela estratégia PCC (População, Conceito e Contexto). A busca foi realizada nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, utilizando descritores controlados do MeSH. Os registros foram exportados para o software Rayyan, resultando em 256 estudos após remoção de duplicatas. A seleção foi conduzida por dois revisores independentes em sistema duplo-cego, com resolução de divergências por terceiro avaliador. Após triagem, 47 artigos foram analisados integralmente, sendo 28 incluídos na amostra final. Os achados demonstram que recipientes plásticos descartáveis configuram os principais criadouros de A. aegypti em múltiplos contextos geográficos. Esses materiais atuam por diferentes mecanismos: retenção de água, formação de microambientes termicamente estáveis, desenvolvimento de biofilmes microbianos e proteção de ovos resistentes à dessecação, permitindo a persistência do vetor mesmo em períodos adversos. Municípios com gestão eficiente de resíduos sólidos apresentam menores índices entomológicos, enquanto sistemas deficientes ampliam o risco de transmissão. Os resíduos plásticos mal manejados configuram, portanto, um determinante ambiental estrutural de elevada relevância na sustentação das arboviroses. A incorporação de políticas de gestão de resíduos, economia circular e planejamento urbano às estratégias de saúde pública é essencial para o enfrentamento sustentável dessas doenças, em consonância com os princípios da Saúde Única.

        Palestrante: Jose Cherem (Luiz Cherem)
      • 08:05
        SINERGIA ENTRE UNIVERSIDADE, ESCOLA PÚBLICA E VIGILÂNCIA EM SAÚDE NO ENFRENTAMENTO DE DOENÇAS NEGLIGENCIADAS 20m

        O controle de doenças negligenciadas é complexo e demanda parcerias com diferentes setores da sociedade, sendo a educação ambiental e em saúde, um aspecto estratégico. Porém, este ainda carece de melhores incentivos. O objetivo deste trabalho foi estabelecer práticas pedagógicas para ensino e aprendizagem significativa sobre o enfrentamento de agravos negligenciados sob o olhar da educação ambiental e da Saúde Única. Para isto, o projeto de extensão Somar para Crescer de uma universidade federal sul mineira estabeleceu parceria com a Vigilância em Saúde (VS) Municipal e escolas públicas locais. As ações foram voltadas ao controle das leishmanioses, esporotricose e arboviroses (LEA). Primeiramente, foram realizadas formações recíprocas sobre os temas com foco em docentes da escola pública, utilizando-se as técnicas “O que sabemos sobre” e roda de conversa para troca de experiências. Ao mesmo tempo, foi realizado um diagnóstico da situação ambiental local e sua relação com doenças. Na sequência, os docentes ministraram aulas com seus estudantes de modo a promover engajamento sobre os agravos conforme a realidade ambiental comunitária. As dúvidas e demandas daí levantadas catalisaram uma culminância em que uma metodologia didática ativa foi planejada e executada junto ao público escolar e comunidade adjacente para concretizar conhecimentos básicos necessários ao controle das LEA. Foram estabelecidas as práticas de Rotação por Estações para abordar a esporotricose e feira de Ciência e Cultura para trabalhar as leishmanioses e arboviroses em que os estudantes tiveram atuação protagonista. Seis escolas, incluindo ensino fundamental e médio, participaram com sucesso deste projeto, o que evidenciou flexibilidade pedagógica e potencial de generalização dos procedimentos uma vez que as ações foram co-planejadas com educadores e membros da VS conforme peculiaridades locais. Estas abordagens resultaram em engajamento da comunidade escolar, aumento de demandas à VS para notificação de casos, associação entre impactos ambientais-doenças e permanência das ações nas escolas. Com isto, outros agravos estão sendo trabalhados como acidentes com animais peçonhentos e a doença de Chagas já foi demandada para entrar no repertório de ações. Em suma, este trabalho evidencia a relevância das parcerias em rede, gerando desmistificação dos temas e aclarando a necessidade de atuação articulada entre universidade, serviços de saúde e escolas básicas.

        Palestrante: Bianca Ribeiro Martins (Universidade Federal de Lavras)
      • 08:05
        SÍNTESE DE DERIVADOS DA 7-HIDROXICUMARINA COM POTENCIAL DE INIBIÇÃO DE BOMBAS DE EFLUXO DE Leishmania infantum 20m

        A leishmaniose visceral (LV), tradicionalmente denominada calazar, representa uma das manifestações mais severas das leishmanioses, sendo etiologicamente associada, no Brasil, à espécie Leishmania infantum. Embora o tratamento seja integralmente custeado pelo Sistema Único de Saúde, a eficácia farmacoterapêutica pode ser comprometida por cepas resistentes aos antimoniais pentavalentes, fármacos de primeira escolha. A resistência agrava o dano clínico ao paciente, que passa a sofrer os efeitos adversos da terapia sem a remissão da patologia, e eleva o custo do tratamento devido à necessidade de transição para o medicamento de segunda linha, a anfotericina B lipossomal. Atualmente, o principal mecanismo de resistência aos antimoniais descrito para L. infantum é o efluxo do fármaco mediado pelo transportador MRPA (família ABC), mecanismo este também reportado em Leishmania donovani, agente etiológico da LV nos continentes africano e asiático. Assim, terapias combinadas envolvendo leishmanicidas e inibidores de efluxo poderão ser estratégias significativas contra estas doenças negligenciadas. As cumarinas são um grupo de compostos de origem natural, que também podem ser obtidos sinteticamente, de interesse farmacêutico devido ao seu amplo espectro de bioatividade, destacando-se a capacidade de inibição de bombas de efluxo. Por isso, foi planejado uma série de 40 derivados a partir da 7-hidroxicumarina, com modificações em C-4, C-8 e na hidroxila fenólica. As modificações propostas visam avaliar, in vitro, a atividade dos compostos e estabelecer correlações estrutura-atividade. Os derivados substituídos na posição C-8 foram obtidos via condensação de Pechmann, partindo de resorcinol e dos β-cetoesteres respectivos. A partir deles, os demais derivados foram obtidos via eterificação de Williamson, além de derivados glicosídicos e bases de Mannich. Até o momento, 19 compostos foram sintetizados com rendimentos que variaram de 11 a 98% e caracterizados por meio de espectroscopia no infravermelho e de RMN de 1H e 13C, além de determinação da faixa de fusão. Dentre eles, 7 são estruturalmente inéditos, embora todos serão avaliados pela primeira vez quanto a atividade inibitória de bombas de efluxo de Leishmania infantum. Após a obtenção dessa série de compostos, perspectivamente, serão então conduzidos os ensaios biológicos para avaliação da atividade.

        Palestrante: Alfredo José do Nascimento Neto (Ivanilde Maria do Nascimento Sales)
      • 08:05
        VACINAÇÃO EM MASSA CONTRA A DENGUE EM NOVA LIMA/MG: O VACIMÓVEL COMO ESTRATÉGIA DE AMPLIAÇÃO DO ACESSO E DA COBERTURA VACINAL 20m

        O município de Nova Lima/MG possui rede estruturada de Atenção Primária à Saúde, com 21 Unidades Básicas, cobertura de 89,9% da Estratégia Saúde da Família e 22 salas de vacinação. Ainda assim, persistem desafios no acesso oportuno à vacinação, sobretudo em territórios vulneráveis, áreas de difícil acesso e entre a população economicamente ativa, além da crescente hesitação vacinal. No contexto de intensificação das arboviroses, especialmente dengue, Nova Lima foi selecionada como município piloto nacional para vacinação em massa com a vacina do Instituto Butantan (Butantan-DV), representando oportunidade estratégica para adoção de soluções inovadoras no SUS. Relata-se a experiência de vacinação em massa contra dengue no município, com ênfase no Vacimóvel como estratégia de ampliação do acesso e da cobertura. Trata-se de relato desenvolvido entre 17 de janeiro e 16 de abril de 2026, baseado em vigilância em saúde, territorialização e planejamento integrado. As ações foram orientadas por análise epidemiológica e mapeamento de vulnerabilidades, com atuação articulada entre Vigilância em Saúde e Atenção Primária. Destaca-se a incorporação do Vacimóvel, que possibilitou descentralização da oferta em áreas estratégicas, incluindo territórios de difícil acesso, ambientes de trabalho, instituições de ensino e eventos. A estratégia foi potencializada por ações intersetoriais, comunicação direcionada e intensificação de medidas como Dia D, ampliação de horários e vacinação extramuros. No período, foram aplicadas mais de 27 mil doses, alcançando cobertura de 35% da população-alvo em curto intervalo. O Vacimóvel respondeu por 5.085 doses, com forte alcance de populações historicamente menos acessadas. As ações extramuros totalizaram 6.192 doses, com pico em 24/01 (1.442 doses). O Dia D (17/01) registrou 7.461 doses, evidenciando elevada mobilização social. Observa-se associação entre estratégias descentralizadas e aumento da cobertura, demonstrando a efetividade de modelos flexíveis e orientados por dados. A experiência evidencia que estratégias inovadoras, aliadas à gestão baseada em evidências e à integração entre Vigilância e APS, ampliam o acesso, reduzem iniquidades e fortalecem a resposta do SUS. Apresenta elevado potencial de replicabilidade para o enfrentamento das arboviroses no Brasil.

        Palestrante: Sheila Ferreira
      • 08:05
        VIGILÂNCIA ENTOMOLÓGICA DE Aedes aegypti POR MEIO DE OVITRAMPAS NA MORADIA ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS 20m

        O mosquito Aedes aegypti é um importante vetor de arbovírus como dengue, zika e chikungunya, amplamente disseminado em áreas urbanas e adaptado ao ambiente domiciliar. Seu monitoramento é essencial para a detecção precoce da infestação e o direcionamento de estratégias de controle. Nesse contexto, as ovitrampas destacam-se como ferramentas de baixo custo e fácil aplicação na vigilância entomológica. O presente estudo teve como objetivo avaliar a ocorrência de A. aegypti por meio da utilização de ovitrampas em ambiente urbano. Para o preparo da infusão atrativa, foram utilizados 6 L de água declorada e 60 g de feno, mantidos em recipiente vedado e incubados em estufa B.O.D. a 28 ºC por 24 horas. As ovitrampas foram confeccionadas com garrafas PET de 2 L higienizadas, revestidas externamente com material escuro, contendo palhetas de eucatex (4,9 × 13 cm) parcialmente submersas como substrato para oviposição. As armadilhas foram preenchidas com solução contendo 80% de água e 20% de infusão de feno e monitoradas semanalmente durante quatro semanas em ambiente coberto com fluxo de pessoas. Na primeira semana de análise no laboratório, não foram registrados ovos ou formas imaturas. Na segunda, foram observados 27 ovos de A. aegypti. Na terceira, foram contabilizados 132 ovos, além de 1 pupa, 3 larvas de quarto estádio (L4), 1 de terceiro (L3) e 1 de segundo (L2). Na quarta semana, foram registrados 216 ovos, além de 1 pupa e 3 larvas de terceiro estádio (L3), todos pertencentes à mesma espécie. Os resultados evidenciam a eficiência das ovitrampas no monitoramento de A. aegypti, com aumento progressivo da atividade reprodutiva ao longo do período, possivelmente associado à temperatura, a parada das chuvas e à permanência de criadouros artificiais, reforçando sua importância na vigilância entomológica. Além disso, o estudo contribui para ações alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (Saúde e Bem-Estar), ao auxiliar na prevenção de arboviroses.
        Apoio financeiro: CAPES, CNPq, FAPEMIG e UFLA.

        Palestrante: Beatriz Cunha Gonçalves (Dezire Ribeiro Cunha Gonçalves)
      • 08:05
        ZOONOSES NEGLIGENCIADAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: ATUAÇÃO DO MÉDICO-VETERINÁRIO NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL (EMULTI) SOB A PERSPECTIVA DA SAÚDE ÚNICA 20m

        A Atenção Primária à Saúde (APS), como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), desempenha papel fundamental na prevenção, vigilância e controle de zoonoses, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Considerando a interface humano-animal-ambiente, este estudo objetiva discutir a atuação do Médico Veterinário na APS, com foco na identificação de fatores de risco e no desenvolvimento de ações de educação, prevenção e controle dessas doenças. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, baseado em revisão narrativa da literatura e análise teórica da atuação do Médico Veterinário na equipe multiprofissional (eMulti), com ênfase no enfrentamento das zoonoses negligenciadas. A inserção do Médico Veterinário no eMulti representa avanço na integração de práticas interdisciplinares voltadas à vigilância e controle de zoonoses negligenciadas. Estima-se que cerca de 60% das doenças infecciosas humanas sejam de origem zoonótica, assim como aproximadamente 75% das doenças emergentes. Nesse contexto, as doenças tropicais negligenciadas acometem e expõem milhões de indivíduos, sobretudo populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica, reforçando sua importância no contexto da saúde pública. O Médico-Veterinário atua na identificação e análise de fatores de risco, integrando vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental, contribuindo para o planejamento, execução e avaliação de ações de promoção, prevenção e controle de doenças. Destaca-se ainda sua atuação na orientação quanto à notificação de zoonoses e agravos, assegurando a adequada alimentação dos sistemas de informação em saúde. A análise desses dados permite compreender o perfil epidemiológico e subsidiar estratégias mais eficazes para o planejamento e a implementação de ações em saúde. O diagnóstico epidemiológico, associado a esse processo, é essencial para o planejamento e tomada de decisões. Já a educação em saúde, especialmente por meio de visitas domiciliares, favorece a identificação de riscos e a adoção de medidas preventivas. A atuação do Médico Veterinário na APS é estratégica para o enfrentamento das zoonoses negligenciadas, ao integrar vigilâncias, qualificar o diagnóstico epidemiológico e subsidiar a tomada de decisão. Sua participação na notificação de agravos, análise de dados e educação em saúde contribui para a definição de prioridades e implementação de ações eficazes, consolidando seu papel na operacionalização da Saúde Única.

        Palestrante: Gabriel Henrique Rodrigues Pereira
    • 10:35 10:55
      Dia 2 - 23/05/2026: Bloco 2 - Exposição Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 10:35
        ACHADOS CLINICOPATOLÓGICOS NA CRIPTOSPORIDIOSE EM BEZERROS NEONATOS SUBMETIDOS A NECRÓPSIA (2023–2025) 20m

        A criptosporidiose é uma enteroparasitose causada por protozoários do gênero Cryptosporidium, que apresenta distribuição cosmopolita e elevada capacidade de infectar diversos hospedeiros, incluindo humanos. O agente apresenta relevância mundial em saúde pública, principalmente para crianças e indivíduos imunocomprometidos. Os oocistos de Cryptosporidium spp. liberados nas fezes apresentam resistência ambiental elevada, podendo sobreviver por longos períodos no solo e serem disseminados por cursos d’água. Em bovinos, a enfermidade acomete principalmente bezerros jovens, enquanto animais mais velhos permanecem com infecção subclínica e podem atuar como fontes de infecção para o rebanho. Objetivou-se descrever os achados anatomopatológicos da criptosporidiose em bezerros de até 30 dias de idade, aqui classificados como neonatos, submetidos a necropsia de 2023 a 2025. Foram necropsiados 44 bezerros neonatos no período, sete deles (15,9%), positivos para Cryptosporidium sp. na técnica de Ziehl-Neelsen modificada em esfregaços de conteúdo intestinal. Em todos os casos havia histórico de diarreia aquosa, desidratação e evolução clínica rápida. Além disso foram identificados fatores de risco como densidade animal elevada, falhas na colostragem e condições sanitárias favoráveis à sobrevivência e disseminação do agente. As lesões macroscópicas foram inespecíficas, incluindo conteúdo intestinal líquido ou mucoide e desidratação. Na histopatologia foram observados atrofia de vilosidades intestinais, infiltrado inflamatório mononuclear na mucosa intestinal e estruturas compatíveis com Cryptosporidium sp. aderidas ao epitélio intestinal. Conclui-se que a criptosporidiose em bezerros está associada a quadros entéricos relevantes e a achados microscópicos característicos, mesmo na ausência de lesões macroscópicas específicas. A eliminação elevada de oocistos por animais infectados, aliada ao manejo ambiental incorreto, favorece a persistência e disseminação do agente e reforça sua importância para a saúde animal e humana.

        Palestrante: Letícia Eduarda de Castro Sousa (UFLA)
      • 10:35
        ANÁLISE DA RESPOSTA IMUNOLÓGICA NO TRATAMENTO EXPERIMENTAL DA LEISHMANIOSE VISCERAL CAUSADA POR Leishmania infantum UTILIZANDO COMPOSTO HIDRAZÔNICO NANOENCAPSULADO 20m

        A leishmaniose visceral, causada por Leishmania infantum, é uma doença
        negligenciada de elevada morbimortalidade, com limitações terapêuticas
        relacionadas à toxicidade, custo e resistência parasitária. Nesse contexto, o
        derivado hidrazônico LASSBio-1736 surge como candidato promissor, e sua
        nanoencapsulação em nanopartículas de albumina sérica bovina pode melhorar a
        biodisponibilidade oral e influenciar a resposta imune do hospedeiro. Neste estudo,
        hamsters dourados (Mesocricetus auratus) foram infectados experimentalmente e
        tratados com LASSBio-1736 nas formas livre ou nanoencapsulada. Os resultados
        indicaram ausência de redução significativa da carga parasitária. Entretanto, a
        formulação nanoencapsulada promoveu aumento da expressão de IL-10 e redução
        de IFN-γ no fígado, sugerindo perfil imunorregulador com potencial redução de dano
        tecidual que pode atuar como estratégia terapêutica adjuvante na leishmaniose
        visceral.

        Palestrante: Maria Luiza Silva De Jesus
      • 10:35
        ANÁLISE IN SÍLICO DE PEPTÍDEOS DAS PROTEÍNAS MIC8, GRA7, MAG2 E OWP1 COMO POTENCIAIS FERRAMENTAS NO DIAGNÓSTICO DA TOXOPLASMOSE 20m

        Toxoplasma gondii é um parasito conhecido por causar a doença chamada toxoplasmose. A infecção pode ser assintomática, ou causar sintomas brandos e inespecíficos em indivíduos considerados imunocompetentes. Por sua vez, em indivíduos imunossuprimidos e em gestantes não imunes podem acontecer consequências devastadoras. O diagnóstico correto apresenta grande relevância, principalmente em casos de toxoplasmose congênita e indivíduos com o sistema imunológico comprometido. A eficácia dos testes sorológicos para detecção e diferenciação do diagnóstico das fases aguda e crônica da infecção pelo parasito mostra-se com limitações, podendo gerar resultados falsos negativos ou falsos positivos. Isso pode levar, respectivamente, à falta ou atraso no início do tratamento, em caso que é necessário ou uma situação em que não existiria necessidade de terapia para indivíduos não infectados. Com o intuito de buscar melhorias no teste para diagnóstico, o presente trabalho utilizou ferramentas de bioinformática para avaliar proteínas antigênicas do parasito T. gondii em busca de peptídeos que apresentem potencial para imunoensaio. Inicialmente foi realizada uma revisão bibliográfica focando em algumas proteínas imunodominantes do parasita que já haviam sido descritas como potenciais ferramentas no diagnóstico da infecção, sendo escolhidas as proteínas MIC8, GRA7, MAG2 e OWP1. As sequências de aminoácidos destas proteínas foram recuperadas através do banco de dados do ToxoDB e avaliadas com diferentes ferramentas computacionais, entre elas: métodos de análise de predição de epítopo linear, acessibilidade de superfície e antigenicidade. Além disso, parâmetros como características físico-químicas dos peptídeos também foram analisadas, bem como a modelagem 3D. A partir da análise da predição de epítopo linear, acessibilidade de superfície e antigenicidade foram escolhidos peptídeos de comprimento de aproximadamente 10 aminoácidos que apresentaram melhores scores nestas análises. Os peptídeos escolhidos foram avaliados em relação a estrutura 3D de cada proteína total apresentando formatos de α-hélice ou folha-β . Em relação as características físico-químicas. Por fim, todos os peptídeos apresentaram termoestabilidade e hidrofilicidade. Desta forma, a partir das análises foram selecionados peptídeos com características de bons marcadores a serem utilizados no diagnóstico da toxoplasmose.

        Palestrante: Letícia Carolinne de Alencar Santos
      • 10:35
        Avaliação da citotoxicidade e atividade anti-Leishmania amazonensis do B-glucano (1,3-1,6) 20m

        A leishmaniose cutânea (LC) é uma doença infecto-parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania, sendo a Leishmania amazonensis responsável por cerca de 12% dos casos na América Latina, com manifestações cutâneas, difusas, mucosas e viscerais. A resistência aos tratamentos convencionais reforça a necessidade de novos fármacos. Nesse contexto, produtos naturais, como o β-glucano (1,3–1,6), destacam-se pelo potencial terapêutico, especialmente devido à sua capacidade de ativar macrófagos e modular a resposta imune inata. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a atividade anti-Leishmania amazonensis do β-glucano (1,3–1,6) e sua citotoxicidade. Para isso, o estudo foi conduzido in vitro utilizando L. amazonensis (PH8) para avaliar a atividade do β-glucano (1,3–1,6). A atividade antiparasitária foi investigada nas formas promastigota, por meio de ensaio de viabilidade com MTT após 72 horas de incubação com diferentes concentrações dos compostos, e amastigota intracelular, utilizando macrófagos peritoneais extraído de camundongos BALB/c e infectados com L. amazonensis, seguido pela quantificação dos parasitos por célula. A citotoxicidade foi avaliada em células NIH/3T3 por ensaio com resazurina, enquanto os valores de IC₅₀ e CC₅₀ foram determinados por regressão linear. Como resultado, observa-se que o β-glucano (1,3–1,6) não apresentou atividade contra a forma promastigota de L. amazonensis (IC₅₀ > 50 µg/mL), porém demonstrou efeito significativo contra amastigotas intracelulares, reduzindo a carga parasitária em macrófagos com IC₅₀ de 17,94 µg/mL. Além disso, apresentou baixa citotoxicidade em células NIH/3T3 (CC₅₀ > 1.000 µg/mL) e elevado índice de seletividade (SI > 55), indicando maior especificidade para a forma intracelular do parasito. Esses resultados sugerem que sua atividade não é direta sobre o parasita, mas provavelmente mediada por mecanismos imunomoduladores sobre a célula hospedeira. Diante desses resultados, pode concluir que o β-glucano (1,3–1,6) demonstrou um perfil promissor como candidato terapêutico, especialmente por sua eficácia contra a forma amastigota associada à baixa toxicidade. Seu potencial pode estar relacionado à modulação da resposta imune, destacando-se como uma alternativa ou adjuvante no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas e abrindo portas para pesquisas futuras avaliando seu perfil imunomodulador frente a infecção por Leishmania spp.

        Palestrante: CAROLINA NOVATO GONDIM (Departamento de Medicina veterinária. Faculdade de Zootecnia e Medicina Vterinária, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, Minas Gerais, Brasil.)
      • 10:35
        AVALIAÇÃO DA SUBSTÂNCIA TERPÊNICA TAS08.2HCl ISOLADA E COMBINADA AO BENZNIDAZOL NO TRATAMENTO DA INFECÇÃO AGUDA POR *Trypanosoma cruzi* EM MODELO MURINO 20m

        A Doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, integra o grupo das doenças tropicais negligenciadas e permanece como um relevante problema de saúde pública. As limitações terapêuticas do benznidazol (Bz), especialmente sua eficácia reduzida na fase crônica e a elevada taxa de abandono associada aos efeitos adversos, reforçam a necessidade de novas estratégias terapêuticas. Neste contexto, o presente estudo avaliou a eficácia de um terpeno sintético inédito, TAS08.2HCl (Tas), administrado em monoterapia e combinado ao Bz, em modelo murino de infecção por T. cruzi. Os animais foram distribuídos em grupos controles e experimentais, incluindo infectados tratados com Bz (25, 50 e 75 mg/kg), Tas (25, 50 e 75 mg/kg) e suas combinações. Os tratamentos foram realizados por 20 dias, via gavagem. Foram analisados parâmetros parasitológicos e clínicos, incluindo parasitemia, variação de peso corporal e escore de apatia. Ao final, foram avaliados peso relativo de órgãos, carga parasitária por qPCR em tecido cardíaco e perfil de citocinas (IL-10, IL-4 e IFN-γ). Os resultados demonstraram que o Tas em monoterapia, na dose de 25 mg/kg, apresenta baixa atividade antiparasitária e não foi capaz de mitigar os efeitos sistêmicos da infecção. A dose de 50 mg/kg promoveu redução da parasitemia, porém sem grande impacto na carga de DNA parasitário tecidual ou no controle das alterações sistêmicas. Já a dose de 75 mg/kg mostrou-se tóxica, com aumento da apatia e mortalidade, o que levou à descontinuação desse grupo experimental. Em contraste, os animais submetidos à terapia combinada (Tas 25mg + Bz 75mg; Tas 50mg + Bz 50mg), apresentaram atividade antiparasitária relevante, com controle da parasitemia e redução da carga de DNA parasitário no tecido cardíaco, além de prevenção das alterações sistêmicas, como o aumento do peso relativo dos órgãos. O perfil de citocinas indicou ação do tratamento, sem evidência de hiperativação inflamatória. Conclui-se que o Tas apresenta atividade tripanocida relevante, porém insuficiente quando utilizado isoladamente. Em associação ao Bz, entretanto, observa-se um efeito promissor, permitindo a redução da dose do fármaco padrão sem perda de eficácia. Esses achados reforçam o potencial da terapia combinada como uma estratégia inovadora para o tratamento da Doença de Chagas, contribuindo para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.

        Palestrante: Giovana Aparecida Lamim (Universidade Federal de Alfenas)
      • 10:35
        AVALIAÇÃO DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA MALÁRIA EM REGIÃO EXTRA-AMAZÔNICA-MINAS GERAIS, 2014-2024 20m

        Parasitos do gênero Plasmodium, agente etiológico da malária, são transmitidos principalmente pela picada da fêmea infectada do mosquito anofelino (gênero Anopheles) e apesar dos esforços para erradicação da malária, ainda há regiões na África, Ásia e América do Sul, incluindo a Amazônia brasileira, que sofrem com o aumento de casos dessa protozoose. Essa doença provoca cefaléia, cansaço e mialgia, sendo caracterizada pela febre da malária, apresentando picos febris intercalados com períodos afebris, podendo evoluir para formas graves e até fatais. Tal cenário torna necessária a análise detalhada da evolução epidemiológica da doença. Dessa forma, o objetivo do trabalho foi avaliar o panorama da malária em Minas Gerais, região extra-amazônica, entre 2014 e 2024, com ênfase na distribuição espacial e perfil populacional afetado. Foram utilizados dados provenientes do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), considerando variáveis como sexo, faixa etária, raça e escolaridade. Ao todo, foram registrados 432 casos de malária no período analisado. A maioria dos casos corresponde a pessoas que viajaram para regiões de alta incidência da malária e, ao retornarem, foram diagnosticadas em Minas Gerais, caracterizando casos importados. Entre os 10 anos analisados, houve maior ocorrência em 2016, com 58 casos importados e 9 autóctones, quando o indivíduo é infectado dentro do próprio município, e em 2017, com 52 casos importados e 5 autóctones. A distribuição espacial concentrou-se na macrorregião Centro, com 154 casos, associada à maior densidade populacional, urbanização e fluxos migratórios. A análise da sazonalidade evidenciou maior número de casos entre dezembro e janeiro, período em que há elevação da temperatura e chuvas frequentes, favorecendo a proliferação vetorial. Além disso, esse período coincide com a temporada de férias, potencializando o risco de turismo em regiões endêmicas. Do ponto de vista demográfico, observou-se a predominância em homens, adultos entre 20 e 59 anos, de raça branca e indivíduos alfabetizados. Os resultados evidenciaram incidência desigual da doença em relação ao sexo, faixa etária, raça, escolaridade e região geográfica. Desse modo, destaca-se a importância da vigilância em saúde na detecção precoce da doença, tratamento adequado e controle do vetor para evitar novos casos autóctones, além da promoção de ações de orientação e monitoramento de viajantes que se deslocam para regiões endêmicas e retornam delas.

        Palestrante: Sra. Maria Clara Rezende Simões (Aluna da UFLA)
      • 10:35
        Avaliação in vitro e in sílico da atividade anti-Leishmania amazonensis de taninos condensados de Mimosa tenuiflora 20m

        A leishmaniose cutânea é uma doença parasitária negligenciada causada por protozoários do gênero Leishmania, com destaque para Leishmania amazonensis, associada a formas clínicas variadas e, em alguns casos, resistência terapêutica. Nesse cenário, compostos naturais como os taninos condensados têm sido investigados devido às suas propriedades biológicas, incluindo atividade antiparasitária. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a atividade anti-L. amazonensis de taninos condensados isolados da casca de Mimosa tenuiflora, bem como investigar suas interações L-arginase. O estudo foi conduzido in vitro utilizando L. amazonensis (PH8). A atividade antiparasitária foi avaliada em promastigotas por ensaio de viabilidade com MTT após 72 h de incubação, e em amastigotas intracelulares utilizando macrófagos peritoneais de camundongos BALB/c infectados e posterior quantificação da carga parasitária. A citotoxicidade foi determinada em células NIH/3T3 por resazurina, e os valores de IC₅₀ e CC₅₀ foram obtidos por regressão linear. Adicionalmente, foi realizado docking molecular utilizando taninos condensados como ligantes e a enzima L-arginase de Leishmania mexicana como alvo, a fim de prever possível inibição. Os taninos condensados apresentaram atividade contra promastigotas (IC₅₀ ≈ 24,59 µg/mL), enquanto que não foi observado efeito sobre as formas amastigotas dentro do limite de doses testado (IC₅₀ > 50 µg/mL). Entretanto, demonstraram baixa citotoxicidade (CC₅₀ > 1.000 µg/mL) e elevado índice de seletividade (> 40), indicando segurança biológica e permitindo novos estudos com o composto. No docking molecular, observa-se afinidade de ligação favorável (≈ -7,0 kcal/mol), com interações hidrofóbicas do tipo π-π com resíduos His28, His139 e His154, sugerindo possível inibição da L-arginase. Diante dos resultados, conclui-se que os taninos condensados isolados da casca de Mimosa tenuiflora apresentam atividade antiparasitária contra formas promastigotas de L. amazonensis, associada a baixa citotoxicidade. No entanto, a ausência de atividade frente às formas amastigotas, que são clinicamente relevantes, limita seu potencial terapêutico como agente isolado. As interações moleculares observadas sugerem um possível envolvimento da L-arginase como alvo, podendo estar relacionadas a atividade observada in vitro. Contudo, estudos adicionais são necessários para confirmar essa hipótese e elucidar o mecanismo de ação desses compostos.

        Palestrante: Romeu Machado Custodio
      • 10:35
        AÇÃO EDUCATIVA EM SAÚDE SOBRE DOENÇA DE CHAGAS E POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA EM COMUNIDADE RURAL DE MONTES CLAROS, MINAS GERAIS, BRASIL 20m

        A educação em saúde e a popularização da ciência são estratégias fundamentais para ampliar o conhecimento da sociedade sobre doenças negligenciadas e promover o cuidado e o bem-estar individual e coletivo. Em comunidades rurais, onde o acesso à informação científica e aos serviços de saúde é frequentemente limitado, ações educativas desempenham papel relevante na disseminação de informações, no fortalecimento da prevenção e no estímulo à busca por diagnóstico. Sendo assim, o objetivo do trabalho é relatar uma ação educativa em saúde sobre doença de Chagas (DC), direcionada à comunidade rural de São João da Vereda, município de Montes Claros, Minas Gerais, com o intuito de esclarecer a população acerca da DC, promover a popularização da ciência e ampliar o acesso ao diagnóstico da DC crônica. Trata-se de um relato de experiência referente a uma ação educativa realizada em outubro de 2025 na comunidade rural de São João da Vereda, Montes Claros. A atividade foi planejada por profissionais da Atenção Primária à Saúde, com apoio do Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias (LADIP) e do projeto CUIDA Chagas. O público-alvo incluiu crianças, adolescentes, adultos e idosos da comunidade. O evento contou com palestras educativas, exposição de materiais ilustrativos sobre o ciclo de transmissão da DC, orientações sobre prevenção, condições de moradia associadas ao risco de transmissão, sinais e sintomas e importância do diagnóstico precoce. A investigação sorológica da DC foi ofertada com apoio do Projeto CUIDA Chagas, respeitando os critérios éticos e as orientações da equipe responsável. Participaram da ação aproximadamente 50 pessoas, entre crianças, adolescentes (incluindo estudantes da educação básica), adultos e idosos. Durante a exposição do mostruário de barbeiros, alguns moradores relataram já ter visto o inseto em suas residências e mencionaram possuir familiares com diagnóstico de DC que não realizavam acompanhamento médico regular ou desconheciam sobre o tratamento. Muitos participantes demonstraram interesse e realizaram o exame diagnóstico. A experiência evidenciou o potencial de ações educativas comunitárias para a promoção da saúde e popularização da ciência, contribuindo para ampliar o acesso à informação em saúde em áreas rurais. Iniciativas dessa natureza estimulam a busca pelo diagnóstico e fortalecem estratégias de prevenção e cuidado relacionadas à DC.

        Palestrante: Núbia Nunes de Souza (Universidade Estadual de Montes Claros)
      • 10:35
        DISTRIBUIÇÃO DE TOXOPLASMOSE CONGÊNITA NAS REGIÕES DO BRASIL (2019-2024) 20m

        A toxoplasmose congênita, resultante da infecção pelo Toxoplasma gondii durante a gestação, constitui um relevante agravo em saúde pública, especialmente devido ao risco de desfechos como abortamento, natimortalidade e sequelas neurológicas e oculares nos recém-nascidos. A ocorrência da doença pode estar associada a condições socioeconômicas desfavoráveis, limitações aos serviços de saúde e fragilidades nas ações de prevenção e diagnóstico precoce. Nesse contexto, a análise do comportamento da doença em diferentes áreas geográficas e ao longo do tempo torna-se fundamental para o planejamento de intervenções mais eficazes. Portanto, objetivou-se analisar a incidência da toxoplasmose congênita nas regiões do Brasil entre 2019 e 2024. Tratou-se de um estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, com dados secundários obtidos por meio do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Foram analisados casos confirmados e nascidos vivos por região, calculando-se a incidência por 10.000 nascidos vivos. As regiões Sul (18,8) e Centro-Oeste (14,26) apresentaram maiores taxas, enquanto Norte (8,79), Nordeste (8,76) e Sudeste (8,85) exibiram valores semelhantes. Observou-se aumento da incidência em todas as regiões, concomitante à redução dos nascidos vivos (16,1%), sugerindo que as mudanças não se explicam apenas pela variação demográfica. A maior incidência no Sul e Centro-Oeste pode refletir melhor capacidade de detecção e registro dos casos. No Norte, observou-se redução de 15,3% nos nascimentos e aumento de 411% nos casos, com elevação da incidência em 503% (de 4,05 para 24,43/10.000). Esse cenário pode refletir maior vulnerabilidade socioeconômica, barreiras no acesso ao pré-natal e diagnóstico tardio, além de possíveis falhas na detecção e notificação. A elevação da incidência, mesmo diante da redução de nascimentos, sugere fragilidades na prevenção da transmissão vertical. Embora o SUS disponha de estratégias como triagem sorológica, protocolos clínicos e iniciativas como a Rede Cegonha, a persistência de taxas elevadas evidencia fragilidades na implementação e na efetividade dessas ações entre as regiões. Esse cenário aponta lacunas na operacionalização das políticas existentes, reforçando a necessidade de qualificação e fortalecimento da vigilância, do diagnóstico e do manejo da infecção na gestação com o acompanhamento pré-natal.

        Palestrante: Thalita Gonçalves (Discente do curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)
      • 10:35
        DOENÇA CHAGÁSICA NA SAÚDE PÚBLICA DO BRASIL: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA, CLÍNICA E SOCIAL (2015-2024) 20m

        A doença Chagásica, cujo agente etiológico é o protozoário Trypanosoma cruzi, é uma infecção crônica que pode atingir os sistemas cardiovascular e digestivo, levando a sérias complicações em casos de diagnóstico e tratamento tardios. É transmitida, majoritariamente, pelo contato com as fezes do vetor Triatoma infestans, tanto por via oral, quanto por via hematogênica, podendo ocorrer, também, a transmissão vertical. Assim, faz-se necessário analisar os aspectos epidemiológicos, clínicos e sociais atrelados à Doença de Chagas. Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, descritivo e transversal, realizado a partir de dados do SINAN/SUS, por meio do DATASUS/TABNET. Incluíram-se casos novos de Doença de Chagas no Brasil no período 2015-2024, sendo excluídos registros com informações incompletas ou inconsistentes. Procedeu-se à análise do perfil clínico-epidemiológico e demográfico, considerando variáveis como sexo, faixa etária, raça, escolaridade, via de infecção e o método de diagnóstico. O estudo de 3.759 casos confirmados no decênio evidencia severa concentração no Norte, capitaneada pelo Pará (n=3.019), Amapá (n=283) e Amazonas (n=144). Demograficamente, sobressaem homens (n=2.018 vs. n=1.741 mulheres) e indivíduos autodeclarados pardos (n=3.131). O pico de incidência ocorre em adultos de 20-39 (n=1.284) e 40-59 anos (n=942), ressalvando-se relevante contingente infantojuvenil. O baixo nível instrutivo — com prevalência do ensino fundamental incompleto — reitera sua faceta de agravo estritamente atrelado à vulnerabilidade socioeconômica. Clinicamente, a infecção via oral é hegemônica (n=3.232), superando a clássica vetorial (n=231). O rastreio é robusto: 3.558 casos tiveram crivo laboratorial. O prognóstico é majoritariamente favorável (n=3.319 vivos vs. n=49 óbitos diretos pela doença vs. n=16 óbitos por outras causas). Ao se analisar o caráter endêmico da patologia com a sua principal forma de infecção, comprova-se a nítida correlação entre as notificações e o consumo sem moderação de batidas de açaí não pasteurizadas - nesses casos, apesar do processo de trituração, o protozoário permanece vivo e infectante -, comuns na região Norte. Em suma, Chagas persiste como doença negligenciada de perfil endêmico-amazônico e transmissão alimentar, além de apresentar agravos atrelados à pobreza. O controle mitiga-se com urgentes ações de vigilância sanitária no processamento de insumos regionais e contínua educação em saúde, maximizando sua prevenção.

        Palestrante: Lucas do Amaral Cherem (UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO)
      • 10:35
        DOENÇA DE CHAGAS NO BRASIL: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E IMPLICAÇÕES EM SAÚDE PÚBLICA 20m

        A Doença de Chagas é uma enfermidade causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitida por insetos hematófagos do grupo dos triatomíneos. Classificada como doença negligenciada, possui elevada relevância em saúde pública, sendo uma das principais parasitoses nas Américas. Estima-se que cerca de 7 milhões de pessoas estejam infectadas, com maior concentração na América Latina. Apesar dos avanços no controle vetorial, a doença mantém caráter endêmico, especialmente em áreas vulneráveis. O presente trabalho tem como objetivo analisar o perfil epidemiológico da Doença de Chagas no Brasil, considerando sua distribuição temporal, espacial e os principais grupos populacionais afetados. Trata-se de uma revisão de literatura baseada em estudos epidemiológicos nacionais, com dados secundários provenientes de sistemas de vigilância, como o SINAN, além de artigos científicos. A análise demonstra que a região Norte concentra a maior proporção de casos de Doença de Chagas Aguda, com percentuais superiores a 90%, cenário associado principalmente à transmissão oral, responsável por cerca de 80% dos casos. Essa via está relacionada ao consumo de alimentos contaminados, especialmente o açaí, além de caldo de cana e frutas manipuladas em condições sanitárias inadequadas. O perfil dos indivíduos acometidos evidencia predominância do sexo masculino (cerca de 54%), possivelmente devido à maior exposição ocupacional, e maior frequência na faixa etária de 20 a 39 anos, correspondente à população economicamente ativa. Observam-se oscilações no número de casos, com picos em 2018 e 2019. Entretanto, há limitações importantes devido à subnotificação, estimando-se que apenas 10 a 20% dos casos sejam registrados. A elevada proporção de assintomáticos e falhas nos sistemas de informação contribuem para a subestimação da doença. A mortalidade registrada é baixa, mas também pode estar subestimada. As estratégias de controle incluem combate ao vetor, melhorias habitacionais, triagem em bancos de sangue e controle da transmissão vertical. Destaca-se a necessidade de fortalecer ações contra a transmissão oral, como fiscalização sanitária na produção de alimentos, especialmente o açaí, além do aprimoramento da vigilância e da educação em saúde. Dessa forma, o fortalecimento de políticas públicas é essencial para reduzir o impacto da doença no país.

        Palestrante: Bruno Correa Montes (Centro Universitário de Lavras)
      • 10:35
        OCORRÊNCIA DE LEISHMANIOSE VISCERAL HUMANA NA REGIÃO SUDESTE DO BRASIL, 2016-2025. 20m

        A Leishmaniose Visceral (LV) é uma zoonose parasitária de elevada relevância para a saúde pública, podendo evoluir para formas graves na ausência de diagnóstico precoce e tratamento adequado. Portanto, a identificação de áreas de maior ocorrência da doença permite a compreensão de seu comportamento epidemiológico e contribui para o estudo dos fatores que influenciam sua dinâmica de transmissão, auxiliando no direcionamento mais eficaz das ações de vigilância e controle. Assim, este estudo ecológico de série temporal objetivou analisar e comparar a ocorrência de casos humanos de LV notificados no período de 2016 a 2025 nos estados do sudeste brasileiro, a fim de compreender a magnitude da doença na região. Para isso foram utilizados dados secundários disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). As taxas de incidência anuais da doença em cada estado foram calculadas e então comparadas por meio da análise de variância (ANOVA), obtendo-se diferença estatisticamente significativa (p = 0,003), o que indica a existência de heterogeneidade na distribuição da LV humana na região Sudeste do país. Dentre os estados, Minas Gerais apresentou a maior taxa de incidência anual média de LV ao longo do período de estudo (15,93/1.000.000 hab.), com tendência de redução nos anos mais recentes. Já o Espírito Santo demonstrou elevada variabilidade nas taxas anuais de incidência da doença, com incidência média no período de 1,75/1.000.000 hab. e ocorrência de picos expressivos especialmente nos anos finais da série temporal. Em contraste, as taxas de incidência anual médias mais baixas e relativamente estáveis durante o período analisado foram observadas no Rio de Janeiro (0,62/1.000.000 hab.) e São Paulo (2,68/1.000.000 hab.), indicando menor variação na ocorrência da doença nesses territórios. Esses resultados refletem importantes variações na magnitude da LV entre as unidades federativas da região Sudeste do Brasil, reforçando a necessidade de fortalecimento contínuo das estratégias de vigilância epidemiológica, bem como da implementação de medidas de controle direcionadas e sensíveis às especificidades locais, sobretudo em áreas de maior magnitude, variação temporal irregular ou incremento recente nas taxas de incidência da doença.

        Palestrante: Gabriella Caetano
      • 10:35
        OCORRÊNCIA DE Panstrongylus megistus INFECTADO POR Trypanosoma cruzi EM AMBIENTE DOMICILIAR URBANO NO MUNICÍPIO DE LAVRAS, MINAS GERAIS 20m

        A Doença de Chagas (DC) permanece como uma das principais enfermidades negligenciadas da América Latina, mantendo relevância epidemiológica no Brasil e exigindo vigilância contínua frente às diferentes formas de transmissão. Sendo assim, a vigilância entomológica é uma ferramenta importante para a identificação precoce de triatomíneos, especialmente em áreas urbanas e periurbanas, onde mudanças ambientais podem favorecer a presença desses vetores próximos às residências humanas. O presente trabalho relata a ocorrência de um exemplar de Panstrongylus megistus infectado em ambiente domiciliar urbano no município de Lavras, Minas Gerais. Em 17 de outubro de 2025, o inseto foi localizado na sala de uma residência situada no bairro Dona Irene e capturado pela moradora. Posteriormente, em 06 de novembro de 2025, o espécime foi encaminhado para análise laboratorial no Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas), sendo identificado taxonomicamente como P. megistus. O exame molecular (PCR) apresentou resultado positivo para Trypanosoma cruzi. Em seguida, realizou-se vistoria no imóvel, sem identificação de novos triatomíneos, bem como a entrega de material educativo aos moradores. O bairro onde ocorreu o registro apresenta ocupação recente, com diversos lotes ainda vagos, áreas de preservação permanente, vale de transição com a zona rural e corredores ecológicos que podem favorecer a circulação de mamíferos hospedeiros. A espécie é reconhecida como um dos mais importantes vetores da DC no país, em razão de sua elevada capacidade de invasão domiciliar, adaptação a ecótopos artificiais e infecção natural em diferentes contextos epidemiológicos. O achado de exemplar infectado em área urbana reforça a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância ativa e passiva, investigação ambiental e educação em saúde. Além disso, evidencia a importância da participação comunitária na notificação de insetos suspeitos e na prevenção de potenciais casos humanos. Conclui-se que registros dessa natureza são relevantes sentinelas epidemiológicas e podem orientar estratégias locais de monitoramento e controle da doença.

        Palestrante: Julia Lobato Campos Gomes (Bacharela em Medicina Veterinária, UFLA)
      • 10:35
        PERFIL E ANÁLISE DO CONHECIMENTO SOBRE A DOENÇA DE CHAGAS NA COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFVJM 20m

        A doença de Chagas (DC) é uma doença tropical endêmica em 21 países, com estimativa de 14 mil mortes anuais em todo o mundo, principalmente na américa latina. A DC retrata um grupo de doenças infecciosas, é considerada como enfermidade negligenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil as doenças negligenciadas ainda representam um importante desafio para a saúde pública, estima-se que aproximadamente um milhão de pessoas estejam infectadas, com prevalência em Minas Gerais, mais precisamente no norte de minas onde está localizada a sede e os três polos da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Este trabalho tem como objetivo estudar o conhecimento da comunidade acadêmica da UFVJM, incluindo discentes, docentes, técnicos e terceirizados. Para a realização deste trabalho foi enviado um questionário por e-mail contendo 15 questões sobre a DC para um total de 256 pessoas. Foram assinalados o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) pelos responsáveis dos discentes e o Termo de Assentimento Livre Esclarecido pelos próprios participantes. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética em Pesquisa da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), sob parecer de número 45394421.8.0000.5108. Dos 256 entrevistados, 52,34% são do sexo feminino, 47,27% do sexo masculino. Em relação à faixa etária, 37,89% dos participantes têm entre 19 a 29 anos, 28,91% participantes têm entre 30 a 40 anos e 23,44% participantes têm entre 41 á 50 anos. Em relação ao que fazer quando encontrar um vetor 69,53% responderam corretamente levar o inseto vivo ou morto a um posto de informação sobre triatomíneo (PIT), e quando questionado quem transmite o agente causador da DC 63,67% afirmam ser o triatomíneo. Ao questionar se o participante viu o inseto, 54,30% afirmaram que sim, mas ao mostrar a imagem do inseto 86,72% afirmaram ser o transmissor da DC. Com os dados analisados mostra que a comunidade acadêmica conhece o básico sobre a DC, mas que ainda precisa de mais informações sobre a DC, Com isso, ainda é necessário ações educativas em saúde sobre a DC nos cursos de graduação, principalmente nas regiões endêmicas, enfatizando a importância do projeto de extensão “Conhecendo a Doença de Chagas na Serra Geral, no Norte de Minas Gerais”.

        Palestrante: Max Pereira GONÇALVES
      • 10:35
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS CASOS CONFIRMADOS DE LEISHMANIOSE VISCERAL EM MINAS GERAIS NO PERÍODO DE 2015 A 2025. 20m

        A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença infecciosa grave, causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida por flebotomíneos, constituindo importante problema de saúde pública no Brasil. Apresenta elevada letalidade quando não tratada da forma adequada e está associada a condições socioeconômicas desfavoráveis, urbanização e presença de reservatórios domésticos, favorecendo sua expansão em áreas urbanas. Assim, a análise epidemiológica é essencial para compreender sua dinâmica e subsidiar estratégias de controle. Diante deste cenário, avaliou-se o perfil epidemiológico dos casos confirmados de LV em Minas Gerais entre 2015 e 2025, destacando tendências temporais e variações regionais. Foi utilizada a metodologia de estudo ecológico de série temporal, com análise descritiva de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), por meio do recurso TabNet. Foram analisados indicadores como casos confirmados, sexo, distribuição regional, faixa etária e evolução para óbito. A análise revelou aumento de casos entre 2015 e 2017, seguido de redução progressiva até 2025. Além disso, o sexo masculino foi o mais acometido em todos os anos, representando cerca de dois terços dos casos. As faixas etárias mais atingidas foram de 40-59 anos e 20-39 anos, com destaque para crianças de 1 a 4 anos de 2015 a 2018. A letalidade manteve-se elevada na maior parte dos anos, com redução em 2020 (5,44%), aumento gradual até 2024 (14,9%) e queda em 2025. Quanto à distribuição regional, houve maior concentração de casos nas macrorregiões Centro e Norte, seguidas por Vale do Aço e Jequitinhonha. Deste modo, a LV apresentou redução na incidência ao longo dos anos, porém com manutenção de elevada letalidade, especialmente nos anos mais recentes. A predominância em homens e adultos sugere possível associação com fatores ocupacionais e maior exposição ambiental, enquanto a ocorrência em crianças pequenas reforça a vulnerabilidade desse grupo. A concentração nas macrorregiões Centro e Norte evidencia o papel de determinantes regionais, como desigualdades socioeconômicas, urbanização e condições ambientais favoráveis ao vetor. A redução em 2020 pode estar relacionada aos impactos da pandemia de COVID-19 na vigilância e no acesso aos serviços de saúde. Esse cenário evidencia a necessidade de fortalecimento das ações de diagnóstico precoce, tratamento apropriado e vigilância epidemiológica, com foco em populações mais vulneráveis.

        Palestrante: Maria Letícia Ferreira Antunes (Departamento de Medicina, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Lavras)
      • 10:35
        PLANEJAMENTO, SÍNTESE E AVALIAÇÃO BIOLÓGICA DE NOVAS XANTONAS COM POTENCIAL ANTI Tripanosoma cruzi 20m

        As xantonas correspondem a uma família de substâncias naturais produzidas por distintas espécies vegetais e micro-organismos, caracterizadas por um sistema tricíclico diversamente funcionalizado. São também obtidas sinteticamente, o que ampliou o número de exemplares conhecidos. As xantonas demonstram potencial biológico e farmacológico bem estabelecidos, como as atividades antibacteriana, antifúngica, anti-inflamatória e antiparasitária. Essa família de substâncias tem sido explorada como candidatas ao combate de infeciosas, a exemplo da doença de Chagas, causada pelo parasito Trypanosoma cruzi. Outra classe de compostos naturais com ampla diversidade de efeitos biológicos, inclusive antiparasitários, são os fenilpropanoides. Dentre eles, destaca-se o eugenol, conhecido há muito tempo pelos seus efeitos antimicrobianos, antiparasitários, anti-inflamatórios e anestésicos. Neste trabalho, foi aventado que híbridos que envolvessem as estruturas de fenilpropanoides e xantonas pudessem ser potencialmente bioativos contra o T. cruzi, tendo em vista o efeito aditivo ou de potencialização das ações dos compostos individuais. A partir disso, uma série preliminar de novas xantonas foi preparada pela reação de eugenol e fenóis correlatos com 2-nitrobenzaldeído em condições previamente descritas. As substâncias foram caracterizadas por determinação de faixa de fusão e por espectroscopia no infravermelho e de RMN. Até o momento, cinco destas xantonas sintetizadas foram submetidas a ensaio de triagem in vitro contra o parasito citado, utilizando o método colorimétrico com a cepa Tulahuen em células L929 (MOI 10:1), sob incubação de 96 h a 37 °C. Dentre as substâncias avaliadas foram encontradas três substâncias com atividade tripanossomicida moderada e uma clara relação qualitativa entre as estruturas químicas e a atividade antiparasitária, com destaque para a xantona derivada do diidroeugenol, análogo saturado do eugenol. Entretanto, este estudo ainda carece de dados de citotoxicidade destas substâncias. Mesmo assim, visando a otimização da atividade antiparasitária encontrada e seguimento em novas etapas de avaliação biológica, esta xantona mais ativa foi escolhida como protótipo para alterações moleculares.

        Palestrante: Matheus Vinicius Abreu
      • 10:35
        PLANEJAMENTO, SÍNTESE E AVALIAÇÃO BIOLÓGICA PRELIMINAR DE HÍBRIDOS BENZOILBENZOFURÂNICOS COMO CANDIDATOS A AGENTES LEISHMANICIDAS E TRIPANOSSOMICIDAS 20m

        As doenças tropicais negligenciadas (DTNs) representam grande problema de saúde pública, especialmente em países de baixa renda. As DTNs são encontradas em aproximadamente 150 países, atingindo 1,7 bilhão de pessoas, cerca de um sexto da população mundial. As limitações das terapias atuais, incluindo toxicidade, baixa eficácia, longos períodos de tratamento e resistência antiparasitária, evidenciam a urgência por novos agentes terapêuticos. Compostos benzofurânicos têm despertado interesse devido ao amplo espectro de atividades biológicas, incluindo antiparasitária. Em paralelo, fenilpropaoides como eugenol e seus análogos compartilham de expressivo potencial farmacológico. Assim, uma série de derivados benzoilbenzofurânicos foi obtida por meio de hibridação molecular com fenilpropanoides para exploração de seu potencial antiparasitário. Os compostos foram obtidos por síntese em duas etapas por formilação do eugenol e diidroeugenol seguido de ciclo-condensação com 2-bromoacetofenonas funcionalizadas. Os dezesseis compostos sintetizados foram obtidos com rendimentos na faixa de 13- 85% e caracterizados por determinação de faixa de fusão e análises espectroscópicas no IV e de RMN. Estes produtos foram submetidos a triagem quanto ao potencial inibitório frente a Leishmania infantum e Trypanosoma cruzi. Os resultados preliminares destacaram que, nas concentrações de 50 e 25 g mL-1, seis compostos foram ativos (inibição >60%) contra Leishmania infantum e doze contra Trypanosoma cruzi. Entretanto, a avaliação preliminar de citotoxicidade apontou que a maioria deles tem baixo índice de seletividade. Embora estes resultados apontem limitação quanto à toxicidade seletiva, os compostos mais ativos estão no momento em processos de modificação molecular na tentativa de obtenção de análogos de perfil biológico otimizado, especialmente visando a redução da toxicidade.

        Palestrante: Alfredo Salomão Dique (Florencia Mungaza Marrengula e Salomão Heli Dique)
      • 10:35
        Relato de caso: avaliação sorológica de residentes após identificação de Panstrongylus megistus infectado 20m

        A doença de Chagas (DC) é uma infecção zoonótica causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Em sua fase aguda, pode ser sintomática ou assintomática; na fase crônica, manifesta-se nas formas indeterminada, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva. O principal mecanismo de transmissão é vetorial através dos triatomíneos, popularmente chamados de barbeiros. No município de Lavras, Minas Gerais, foi confirmada a presença de Panstrongylus megistus infectado, um dos principais vetores de T. cruzi no Brasil, em uma residência no bairro Dona Irene. Isto posto, este trabalho teve como objetivo investigar a infecção pelo agente etiológico da doença de Chagas entre os moradores do domicílio onde o vetor foi identificado. O diagnóstico sorológico da DC foi realizado por meio da detecção de anticorpos IgG anti-T. cruzi em amostras de soro dos indivíduos avaliados. Foram coletadas duas amostras de sangue: a primeira em 02 de dezembro de 2025 e a segunda em 29 de janeiro de 2026. As amostras foram analisadas na Fundação Ezequiel Dias (FUNED), utilizando dois métodos sorológicos baseados em princípios distintos, conforme recomendado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença de Chagas. Os métodos empregados foram o Enzimaimunoensaio (ELISA), utilizando o kit Biolisa (Bioclin), e a Imunofluorescência Indireta (IFI), com kit Bio-Manguinhos. Em ambas as coletas, os testes foram realizados em amostras de soro (1ª e 2ª amostras), com resultados não reagentes em todos os métodos aplicados. A utilização de duas metodologias distintas e concordantes permitiu maior confiabilidade na exclusão da infecção por T. cruzi nos indivíduos analisados. Apesar dos resultados negativos, a presença de vetor infectado indica a circulação de T. cruzi, evidenciando a necessidade de intensificação das ações de vigilância, controle e prevenção na região, além de trabalhos informativos voltados à comunidade local.

        Palestrante: ALEXANDRE Olveira Santos (12º período de Ciências Biológicas (Licenciatura Plena) - Universidade Federal de Lavras - UFLA)
      • 10:35
        SÉRIE TEMPORAL DE CASOS DE MALÁRIA EM TRABALHADORES DE CAMPO NA REGIÃO DO MATOPIBA ENTRE 2003-2023 20m

        A malária é uma enfermidade endêmica na Amazônia Brasileira, com ocorrência em outras regiões associada à mobilidade populacional e a alterações ambientais. Nesse contexto, a região do MATOPIBA, composta por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, tem passado por intensa expansão agrícola e mudanças no uso do solo, fatores que podem influenciar a dinâmica de transmissão. Este estudo teve como objetivo avaliar a correlação temporal da frequência absoluta de casos de malária na região, entre 2003 e 2023, por meio de análise de séries temporais por estado.
        Trata-se de um estudo com dados secundários de indivíduos do sexo masculino, entre 15 e 60 anos, com foco em trabalhadores rurais. As análises foram realizadas no software Gretl, utilizando dados do SIVEP-Malária (DATASUS: 2003–2011; Painel do Ministério da Saúde: 2012–2023) e do SINAN (2003–2023).
        No Maranhão, observaram-se divergências entre as bases, exigindo análise separada: entre 2003 e 2011, identificou-se tendência crescente de 1,52 casos/ano, com melhor ajuste pelo modelo ARIMA (6,0,0); entre 2012 e 2023, verificou-se correlação significativa com o tempo e tendência de redução de 32,21 casos, ajustada pelo modelo ARIMA (2,3,0,2). Para Tocantins, a série única (2003–2023) não apresentou tendência significativa, com média de 3 casos/ano e pico em 2017 (18 casos). No Piauí, não houve sazonalidade, porém foram identificados quatro pontos de intervenção (junho/julho de 2004, julho de 2005, julho de 2010 e abril de 2011), com aumentos de 14, 9, 10 e 5 casos em relação à média, respectivamente; o modelo ajustado foi ARIMA (1,3,1), sem tendência significativa. Na Bahia, também não foi observada sazonalidade significativa, mas identificou-se discreta tendência de redução de 0,009 casos/mês, ajustada pelo modelo ARIMA (1,1,0), além de quatro pontos de intervenção (julho de 2003, maio de 2010, janeiro/fevereiro de 2018 e junho/julho de 2021), com incrementos de 21, 8, 15 e 2 casos, respectivamente.
        Os resultados indicam um padrão heterogêneo e ausência de tendência temporal consistente na região, sugerindo um perfil de risco intermitente associado a fatores locais e à exposição ocupacional.

        Palestrante: Hoxana Kattah (UFLA)
      • 10:35
        SÍNTESE, CARACTERIZAÇÃO E AVALIAÇÃO BIOLÓGICA DE AURONAS HALOGENADAS E METOXILADAS COMO AGENTES ANTIMICOBACTERIANOS 20m

        Micobactérias não tuberculosas (MNTs) é a denominação de um grupo de bactérias emergentes na epidemiologia global. Em sua maioria, as MNTs provocam infecções oportunistas, como as causadas em hospitais e cirurgias ou casos peculiares, como a espécie M. ulcerans, responsável pela doença negligenciada conhecida por Úlcera de Buruli, cuja epidemiologia indica maior incidência em áreas ribeirinhas do Oeste da África. Além disso, as MNTs possuem uma alta resistência às opções terapêuticas mais comuns no mercado, a exemplo da espécie M. abscessus. Essa característica, em conjunto com seu caráter oportunista, cria uma necessidade de busca de novos compostos que incrementem o arsenal terapêutico para os mais diversos casos. Nesse contexto há as auronas, classe de produtos naturais e sintéticos que foram o alvo desta pesquisa por serem candidatas promissoras ao combate às MNTs, por suas propriedades antimicrobianas de destaque, além de antitumorais e anti-inflamatórias. Assim, foram sintetizados dez derivados aurônicos a partir da condensação aldólica ácido-catalisada de 6-hidroxibenzofuran-3(2H)-ona com diversos aldeídos aromáticos funcionalizados com halogênios ou grupo metoxila. Os compostos foram obtidos com rendimentos na faixa 39-98% e foram caracterizados por análises espectroscópicas no IV e de RMN, além da determinação da faixa de fusão e fator de retenção cromatográfico. Posteriormente, os compostos obtidos foram submetidos a triagem quanto ao seu potencial bioativo contra três espécies de micobactérias: Mycobacterium fortuitum, M. massiliense e M. abscessus. Os resultados preliminares mostraram valores discretos de concentração inibitória mínima, variando de 200 a 25 μg mL-1, com destaque para três compostos mais ativos, de natureza halogenada. Com estes resultados, concluiu-se que três dos produtos obtidos possuem atividade promissora contra micobactérias, enquanto os demais apresentam atividade mediana. Dessa forma, os estudos estão em continuidade para a otimização estrutural das auronas mais ativas com o objetivo de potencializar a ação ou revelar novas promessas dentre os mesmos compostos e, em breve, investigar seu potencial com M. ulcerans.

        Palestrante: Bruno Vieira Lima
      • 10:35
        TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR NO BRASIL: ANÁLISE DO ACESSO A MILTEFOSINA ENTRE 2021-2024 20m

        A leishmaniose tegumentar (LT) é uma doença infecciosa de ampla distribuição no Brasil, fortemente associada a determinantes ambientais, ocupacionais e sociais, configurando relevante problema de saúde pública. A incorporação da miltefosina como alternativa terapêutica oral no Sistema Único de Saúde (SUS) representa avanço no manejo clínico, especialmente em cenários com limitações estruturais para administração de fármacos parenterais e regiões remotas. Estudo transversal descritivo, baseado em dados secundários de fichas de registro de dispensação da miltefosina para tratamento da doença, armazenados no sistema REDCap do Programa Nacional de Leishmanioses do Ministério da Saúde entre 2021-2024. Foram analisadas variáveis relacionadas ao tratamento/dispensação dos pacientes, assim como aspectos dos serviços, acesso e difusão do medicamento. Foram registradas 3.892 dispensações de miltefosina, referentes a 2.203 indivíduos em diferentes regiões brasileiras, com maior concentração no Nordeste (N=813, 36,9%) e Norte (N=684, 31,1%), seguidos pelas regiões Sudeste (N=337, 15,3%), Centro Oeste (N=312, 14,2%) e Sul (N=57, 2,6%) do país. As especialidades médicas prescritoras apresentaram diferenças marcantes entre as regiões brasileiras. A atuação dos infectologistas foi predominante nas regiões Sudeste (57,3%), Sul (57,9%) e Centro-Oeste (68,3%). Nas regiões Norte e Nordeste, observou-se maior participação de profissionais da clínica médica (29,4% e 34,9%, respectivamente), seguida pela atuação de infectologistas (18,9% e 13,4%, respectivamente). Um crescimento progressivo da difusão do medicamento foi observado (2021: 1,4%; 2022: 4,9%; 2023: 5,8%; 2024: 5,1%). No entanto, o valor está muito abaixo do previsto pelo programa, com taxa de difusão média de 4,1%, no país, sendo o pior cenário identificado na região Norte (2,8%). O deslocamento médio dos pacientes do seu município até a unidade dispensadora foi de 98,4 km (DP=230,3 Km). A mediana de tempo para acesso ao medicamento variou entre 1 (regiões Sul e Sudeste) e 15 dias (região Norte). O acesso limitado à miltefosina foi observado no Brasil entre 2021 e 2024. Os resultados revelam desafios no processo de implementação e necessidades de ajustes para ampliação do acesso a esse tratamento oral, a fim de promover descentralização efetiva da assistência farmacêutica para garantir maior equidade no cuidado aos pacientes de LT.

        Palestrante: Maria Clara Batista Guedes
      • 10:35
        USO INTRALESIONAL DO ANTIMONIATO DE MEGLUMINA NA LEISHMANIOSE CUTÂNEA: REVISÃO DE EFICÁCIA, TÉCNICA E APLICABILIDADE CLÍNICA 20m

        A leishmaniose cutânea (LC) representa um espectro amplo de manifestações clínicas determinado pela interação entre a espécie de Leishmania e a resposta imunológica do hospedeiro. Nesse contexto, o tratamento representa um desafio clínico em razão da toxicidade dos fármacos sistêmicos disponíveis, principalmente os antimoniais pentavalentes por via parenteral devido aos efeitos adversos relevantes como a cardiotoxicidade, pancreatite e hepatotoxicidade. Diante disso, a infiltração intralesional com antimoniato de meglumina (Glucantime) surge como uma estratégia terapêutica eficaz e segura para lesões simples e localizadas. Objetivou-se revisar as evidências sobre o uso de Glucantime intralesional no tratamento da LC, abordando a técnica de administração, sua eficácia, indicações e vantagens frente às demais modalidades terapêuticas disponíveis. A infiltração intralesional de Glucantime consiste na aplicação direta na lesão sob anestesia, distribuída em até 5 pontos, com volumes que variam de 0,2 a 5 mL por sessão, repetida a cada 3 a 7 dias até a completa cicatrização. Por elevar a concentração do fármaco no sítio parasitário e com absorção sistêmica mínima, essa abordagem reduz significativamente os efeitos adversos em comparação à via parenteral sistêmica. Essa modalidade está indicada prioritariamente para lesões únicas ou em pequeno número, com até 3 cm de diâmetro, em localizações não especiais, sendo especialmente recomendada para crianças com peso abaixo de 10 kg, idosos e pacientes com contraindicações a outros tratamentos. Além disso, uma revisão sistemática publicada demonstrou eficácia global de aproximadamente 75% para o uso de antimoniais intralesionais em lesões simples de LC. Por outro lado, situações envolvendo lesões múltiplas, extensas, com risco de acometimento mucoso ou espécies do subgênero Viannia, as demais opções como antimoniais sistêmicos, miltefosina, anfotericina B lipossomal, pentamidina, crioterapia e termoterapia, permanecem indicadas a depender da espécie, da extensão das lesões e da clínica do paciente. Diante deste cenário, a infiltração intralesional com Glucantime é a opção terapêutica eficaz, segura e de baixo custo para casos de LC simples. Assim, deve ser considerada primeira escolha em pacientes elegíveis, uma vez que sua utilização reduz a toxicidade sistêmica do fármaco, favorece a adesão e contribui para o controle da doença, principalmente em contextos de recursos limitados e atenção primária de saúde.

        Palestrante: PABLO JOSÉ CELESTINO (UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS)
      • 10:35
        VETOR INFECTADO POR Trypanosoma cruzi: POSSÍVEL CICLO DE TRANSMISSÃO DA DOENÇA DE CHAGAS EM ZONA URBANA 20m

        A doença de Chagas (DC) é uma antropozoonose de elevada prevalência e expressiva morbimortalidade. Representa uma condição crônica que integra o grupo de Doenças Tropicais Negligenciadas da Organização Mundial de Saúde, fortemente associada à vulnerabilidade social. A transmissão da doença no Brasil alcançou êxitos, principalmente na década de 70, no que tange o controle vetorial. Entretanto, o cenário sofre alterações constantes devido, principalmente, ao impacto ambiental antropogênico que reflete na reemergência de doenças e agravos antes controlados. Em maio de 2024, um Panstrongylus megistus foi positivo para infecção por Trypanosoma cruzi, pelo método de compressão abdominal. O laudo foi emitido pela Fiocruz Minas que também orientou o município em requisitos pertinentes. O triatomíneo foi capturado por um morador no interior da residência localizada na zona urbana e levado até à sede da Vigilância em Saúde (VS). A equipe da VS seguiu o protocolo preconizado pelo Ministério da Saúde. Foi realizada visita intra e peridomiciliar, questionamentos ao morador sobre contato de algum membro familiar com o triatomíneo, sobre sinais e sintomas característicos da DC. Além da coleta dos exames laboratoriais dos membros da família que tiveram resultados negativos. Uma ação educativa foi desenvolvida na região. Por meio do Google Maps, a equipe da VS observou a existência de um corredor de mata acompanhando os últimos loteamentos, construídos na região, que termina na área de proteção ambiental. O corredor passa por uma propriedade que há anos encontra-se fechada. Foi possível acessá-la e foram encontrados vestígios, mas não triatomíneos. Cumpre ressaltar que em novembro de 2022, outro P. megistus fora encontrado em outra residência na mesma região, porém o laudo emitido pela Regional de Varginha foi negativo. Sendo assim, reforça-se à necessidade da contínua atuação da VS quanto ao risco de transmissão da DC cuja magnitude permanece relevante no Brasil.

        Palestrante: Alexandra Chagas (Governo Municipal de Lavras)
    • 10:55 11:05
      Apresentação oral - 23/05/2026: Flash talk 2

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade oral.

      • 10:55
        DETECÇÃO DE TRIPANOSSOMATÍDEOS EM ANIMAIS SILVESTRES VÍTIMAS DE ATROPELAMENTO EM ESTRADAS DO BRASIL 5m

        As leishmanioses e a doença de Chagas são enfermidades que assolam grande parte da população mundial e o Brasil apresenta os mais altos índices de casos destas moléstias. A fauna silvestre pode representar importante fonte de informações, evidenciando os desequilíbrios no ambiente e demonstrando, através dos agentes que albergam, suas condições de saúde. Além disso, a busca por tripanossomatídeos em mamíferos de médio e grande porte são escassas, muito devido à dificuldade de manejo desses animais, incluindo pessoal treinado para esse fim. A Coleção de Mastozoologia do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas possui grande acervo de mamíferos em sua coleção, incluindo cerca de cinco mil amostras de tecidos. Além destas amostras depositadas, a coleção recebe carcaças de animais de várias regiões do país, grande parte fruto de atropelamento. A curadora da coleção colocou esse material à disposição do Grupo de Estudos em Leishmanioses da Fiocruz Minas, na busca de tripanossomatídeos, possibilitando a investigação da ocorrência de tripanossomatídeos e ampliando o uso de materiais de coleções biológicas. Este estudo tem como objetivo determinar a ocorrência de tripanossomatídeos em mamíferos silvestres depositados na coleção, identificar os parasitos detectados e associar a presença de infecção com a ocorrência de casos humanos de leishmanioses e doença de Chagas nas respectivas localidades. Até o momento, foram processadas 250 amostras, com extração de DNA seguido da análise molecular por Nested-PCR, dirigida a região SSU do gene 18S e PCR para detecção de DNA de Leishmania e Trypanosoma, por meio da amplificação da região ITS1 do rDNA. Desse total, quatro amostras apresentaram resultado positivo para tripanossomatídeos, com confirmação por sequenciamento pelo método de Sanger. Foram identificados: Callicebus personatus infectado por Leishmania infantum, amostra depositada desde 2010; Callicebus sp. positivo para Trypanosoma minasense; e dois espécimes de Puma concolor infectados por Vickermania sp. e Leishmania (Mundinia) enrietti, provenientes de coletas recentes. Como etapa seguinte, será realizada análise espacial em QGIS, correlacionando a distribuição dos mamíferos positivos com a ocorrência de casos humanos dessas enfermidades. Espera-se ampliar o conhecimento sobre a distribuição de tripanossomatídeos em mamíferos silvestres, contribuindo para a compreensão da dinâmica ecológica desses agentes e subsidiando ações de vigilância em saúde.

        Palestrante: Marcela Elisa Vaz (Instituto René Rachou)
      • 11:00
        ZONAS DE SOMBRA E SILÊNCIO EPIDEMIOLÓGICO: TIPOLOGIAS TERRITORIAIS COMO ESTRATÉGIA PARA SUPERAR A INVISIBILIDADE DA INFESTAÇÃO POR TRIATOMÍNEOS EM MINAS GERAIS (2007-2025) 5m

        A persistência da doença de Chagas (DC) revela negligência territorial, onde a segregação impõe distinção da capilaridade e do acesso à vigilância e serviços de saúde, criando zonas de sombra que mascaram a real distribuição do risco vetorial. Este estudo objetivou analisar a distribuição espacial e os padrões de infestação por triatomíneos em Minas Gerais entre 2007 e 2025, período pós-certificação da interrupção da transmissão da DC por Triatoma infestans no Brasil, que em 2026 completa duas décadas de vigência. Nessa perspectiva, realizou-se um estudo exploratório e retrospectivo integrando dados de vigilância entomológica da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), viabilizados pelo esforço contínuo dos serviços e profissionais de saúde em suas diversas instâncias operacionais, e bases cartográficas (shapefiles) municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de Macrorregiões de Saúde da SES-MG. Assim, a Análise Espacial foi subsidiada por Estatística Espacial e Geoprocessamento (Sistemas de Informações Geográficas), utilizando-se o software ArcMap 10.8 (Esri®). Os mapeamentos revelaram um "afunilamento": a presença do vetor é ampla no Norte e Noroeste, mas a colonização é geograficamente seletiva. Utilizando as tipologias territoriais do IBGE (2017 e 2023) como eixo, aplicou-se análise de autocorrelação espacial (Moran/LISA) para abundância, proporção e colonização intradomiciliar. Os resultados confirmaram dependência espacial significativa. O cruzamento dos agrupamentos do tipo Alto-Alto com as tipologias territoriais evidenciou que a abundância vetorial se concentra em espaços de transição e municípios rurais adjacentes, que se configuram como franjas urbanas frequentemente invisibilizadas. Em contraste, a colonização intradomiciliar apresentou maior frequência relativa em áreas classificadas como urbanas consolidadas, sugerindo um paradoxo operacional onde a visibilidade é potencializada pela maior capilaridade da rede de saúde urbana, enquanto a ausência de clusters em municípios rurais remotos sugere a existência de “zonas de sombra” por subnotificação. Conclui-se que o uso de tipologias territoriais refinadas é um esforço para superar a negligência histórica, revelando dinâmicas que transcendem a dicotomia rural-urbana. Identificar essas zonas críticas é crucial para que a vigilância atue sobre a real vulnerabilidade, garantindo o direito à saúde de forma equânime e contribuindo para as metas do ODS 3.

        Palestrante: Gustavo Libério de Paulo (Programa de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais)
    • 12:40 13:00
      Dia 2 - 23/05/2026: Bloco 3 - Avaliação Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 12:40
        ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E O IMPACTO DAS AÇÕES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO ENFRENTAMENTO DA LEISHMANIOSE VISCERAL EM LAVRAS-MG ( 2016- 2025 ) 20m

        A Leishmaniose Visceral (LV) é uma zoonose crônica sistêmica que, sem intervenção terapêutica oportuna, apresenta letalidade superior a 90%. No contexto brasileiro, o flebotomíneo Lutzomyia longipalpis configura-se como o principal vetor. O controle da enfermidade demanda ações integradas de vigilância entomológica, manejo ambiental e, primordialmente, estratégias de educação em saúde para a conscientização populacional. Analisar o perfil epidemiológico da LV no município de Lavras, Minas Gerais, entre 2016 e 2025, correlacionando a dinâmica dos dados com as intervenções locais de saúde pública e extensão universitária. Realizou-se um estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo utilizando dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/MS) e relatórios da Secretaria de Saúde de Minas Gerais. A análise foi complementada por uma revisão bibliográfica nas bases PubMed e SciELO, focada em ações de enfrentamento e educação em saúde desenvolvidas no período. Os dados indicam uma redução expressiva na incidência da LV no município, decrescendo de 5 casos confirmados em 2017 para 1 caso em 2022, ano de última atualização de dados da LV em Lavras . Esse declínio temporal coincide com o fortalecimento de parcerias entre as Vigilâncias Ambiental e Epidemiológica e o setor acadêmico, com protagonismo da Universidade Federal de Lavras (UFLA) via Laboratório de Biologia Parasitária (BIOPAR). Projetos como o “Somar para Crescer” foram fundamentais ao promoverem a educação em saúde em escolas públicas, capacitando o público infanto-juvenil como multiplicadores de práticas preventivas. Simultaneamente, a educação continuada dos profissionais da rede básica otimizou o diagnóstico precoce e o manejo clínico. A redução dos indicadores epidemiológicos em Lavras reflete a eficácia da integração entre vigilância e extensão universitária. Contudo, deve-se considerar que a queda na curva de incidência pode estar associada não apenas às intervenções, mas também a uma subnotificação de casos, acentuada por possíveis lacunas na busca ativa e flutuações no sistema de registro durante o período estudado. Portanto, a manutenção dos avanços exige vigilância constante e aporte financeiro contínuo. Conclui-se que o engajamento comunitário, aliado a um suporte governamental robusto e ao combate à subnotificação, é o pilar indispensável para o controle sustentável dessa doença negligenciada no território.

        Palestrante: Maria Rita Oliveira Nogueira (UFLA - Universidade Federal de Lavras)
      • 12:40
        ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA: LEISHMANIOSE TEGUMENTAR NO NORTE DE MINAS GERAIS (2007- 2025) 20m

        A leishmaniose tegumentar (LT) é uma zoonose tropical causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida ao ser humano pela picada de flebotomíneos, conhecidos popularmente como mosquito-palha. A doença manifesta-se principalmente na forma cutânea, caracterizada por úlceras de bordas elevadas, e forma mucosa, marcada por lesões destrutivas nas vias aéreas superiores. Este estudo analisou o perfil epidemiológico da LT na região Norte de Minas Gerais, com base em dados do SINAN/DATASUS referentes ao período de 2007 a 2025. No intervalo avaliado, foram confirmados 8.220 casos, predominando a forma cutânea (7.694; 93,6%) sobre a mucosa (526; 6,4%). A série histórica revela flutuações cíclicas marcantes, com picos de incidência em 2010 (n= 605) e 2011 (n= 594), seguidos por um novo aumento expressivo exatamente uma década depois, em 2020 (n= 695) e 2021 (n= 691). Este intervalo decenal sugere um padrão de periodicidade epidemiológica, possivelmente influenciado pela dinâmica de populações de reservatórios silvestres e pelos ciclos climáticos de longa duração. O crescimento dos casos dos anos 2020-2021, especificamente, pode ter sido potencializado pelo isolamento social durante a pandemia, que alterou o comportamento humano e ampliou a exposição peridomiciliar em áreas rurais. Em 2025, registraram-se 266 notificações; embora o número seja inferior aos picos anteriores, a persistência da transmissão reafirma a endemia regional. Entre os municípios mais afetados destacaram-se Montes Claros (n 1.777 casos), Januária (n 1.270), São João das Missões (n 521) e Varzelândia (n 519). Montes Claros, como polo regional, reflete tanto a urbanização da doença quanto a eficiência do sistema de saúde na captação de casos. Já São João das Missões e Varzelândia evidenciam vulnerabilidade socioeconômica e a presença de comunidades tradicionais e indígenas, onde o contato com o ambiente silvestre é parte da subsistência. Nessas localidades, a precariedade do saneamento e o descarte inadequado de resíduos favorecem a formação de microambientes propícios ao vetor. A transmissão ocorre de forma acidental quando o ciclo silvestre é rompido pela ocupação humana desordenada, transformando a LT em importante problema de saúde pública regional. No Norte de Minas, a doença mantém caráter endêmico, com picos cíclicos relacionados a fatores climáticos e sociais. Apesar da redução observada em 2024, permanece a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e as políticas públicas. Estratégias voltadas ao manejo ambiental e à educação em saúde são fundamentais para reduzir de forma sustentável os casos e proteger populações vulneráveis.

        Palestrante: Srta. Laura HENRIQUE (Universidade Federal de Lavras)
      • 12:40
        COINFECÇÃO ENTRE LEISHMANIOSE VISCERAL E HIV: DESAFIOS CLÍNICOS E IMPACTO NA MORBIMORTALIDADE 20m

        A Leishmaniose visceral é uma doença negligenciada de elevada letalidade quando não tratada e a associação com o HIV tem se mostrado como um importante desafio para o controle da doença, uma vez que ambas interagem de forma sinérgica, agravando a evolução clínica e dificultando o manejo terapêutico. Diante desse cenário, o presente trabalho visa analisar como a coinfecção de Leishmaniose e HIV impactam na morbimortalidade dos indivíduos infectados. Para isso, foi realizada uma revisão narrativa da literatura, com buscas nas bases de dados PubMed e no portal de periódicos CAPES, utilizando os descritores “leishmaniasis”, “HIV”, “coinfection”, “impact” e “Brazil”. Foi usado um filtro temporal de 2016 e 2026, incluindo artigos em inglês, português e espanhol, sendo encontrados 14 trabalhos e selecionados àqueles que abordassem fatores associados aos desafios clínicos e impacto na morbimortalidade. Os achados indicam que a coinfecção entre leishmaniose visceral e HIV está associada a um importante agravamento do quadro clínico e a um pior prognóstico. A interação entre os dois patógenos compromete a resposta imunológica, favorecendo a progressão da infecção por Leishmania spp. e acelerando a evolução da infecção pelo HIV. Assim, indivíduos vivendo com HIV apresentam maior risco de desenvolver formas sintomáticas da leishmaniose visceral, visto que a redução de linfócitos CD4+ favorece a replicação parasitária. De forma paralela, a infecção por Leishmania spp. pode aumentar a replicação viral do HIV, acelerando sua evolução para formas mais graves. Do ponto de vista clínico, pacientes coinfectados apresentam manifestações atípicas e maior dificuldade diagnóstica. Além disso, a coinfecção também está associada a maior risco de recaídas e menor resposta terapêutica, mesmo com o uso de terapia antirretroviral e esquemas combinados. Evidências indicam que pacientes coinfectados apresentam menor taxa de cura, maior toxicidade aos tratamentos e necessidade de profilaxia secundária prolongada. Ainda, dados epidemiológicos indicam maior letalidade entre indivíduos coinfectados em comparação aos casos de leishmaniose isolada. Sendo assim, a coinfecção está associada a piores desfechos clínicos e aumento da mortalidade. Frente a essa realidade, o manejo clínico integrado, com preparo dos médicos para lidar com essa coinfecção, são essenciais para reduzir a morbimortalidade e melhorar os desfechos desses pacientes.

        Palestrante: Leticia Santos Villar
      • 12:40
        DESAFIOS NO ACESSO AO CUIDADO E TRATAMENTO DA DOENÇA DE CHAGAS CRÔNICA NO BRASIL 20m

        A Doença de Chagas (DC) é dividida em fase aguda e crônica. Após a fase aguda, na maioria das vezes assintomática, a maior parte dos indivíduos evolui para uma fase crônica indeterminada e estes ainda podem desenvolver formas clínicas definidas, com manifestações cardíacas, gastrointestinais ou neurológicas. Assim, é recomendado que indivíduos com DC sejam acompanhados longitudinalmente pela atenção primária e, se necessário, encaminhados a serviços de saúde especializados. Desse modo, o presente trabalho visa analisar os desafios no acesso ao cuidado e tratamento da doença de Chagas crônica no Brasil. Para isso, foi realizada uma revisão narrativa da literatura, com buscas nas bases de dados PubMed e no portal CAPES, utilizando os descritores “chronic Chagas disease”, “access to care”, “treatment” e “Brazil”. Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2026, em inglês, português e espanhol, que abordassem fatores associados ao acesso ao cuidado e tratamento da doença de Chagas. A literatura indica que a dificuldade de manejo da DC crônica decorre de uma combinação entre limitações estruturais e de acesso ao tratamento. A notificação compulsória dessa condição representa um avanço importante, no entanto, a vasta diversidade geográfica e demográfica do país prejudica a detecção e o registro dos casos, interferindo diretamente na organização da assistência e na alocação de recursos. Mesmo em regiões com boa cobertura da atenção primária, persistem dificuldades no cuidado dos pacientes, inclusive associadas ao treinamento médico insatisfatório. O acesso ao tratamento também é dificultado pela necessidade de confirmação diagnóstica por métodos sorológicos por vezes indisponíveis em serviços de menor complexidade e pela disponibilidade limitada de Benznidazol, o antiparasitário de escolha para tratar a DC. Além disso, a escassez de serviços especializados, principalmente para avaliação cardiológica, é um importante entrave no acompanhamento da doença. Ainda, há influência dos aspectos sociais, visto que a doença permanece concentrada em populações historicamente vulnerabilizadas, marcadas por baixa renda e menor escolaridade, o que pode comprometer a compreensão dos pacientes sobre a doença e suas complicações. Sendo assim, os desafios no acesso ao cuidado da DC crônica no Brasil evidenciam a necessidade de fortalecimento da atenção primária, integração das redes assistenciais e educação em saúde, voltada tanto para os profissionais quanto para a população.

        Palestrante: Leticia Santos Villar
      • 12:40
        DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO E MANEJO DAS FORMAS DIGESTIVAS DA DOENÇA DE CHAGAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA 20m

        A Doença de Chagas (DC) é uma infecção parasitária crônica, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. O principal vetor da DC é o Triatoma infestans, popularmente conhecido como barbeiro. Na fase crônica da enfermidade, pode-se observar complicações gastrointestinais, as quais apresentam-se como um grande desafio para o acompanhamento clínico na atenção primária à saúde. Analisar os desafios relacionados ao diagnóstico e manejo do megaesôfago e megacólon chagásicos na atenção primária à saúde, com base em dados epidemiológicos nacionais e na literatura científica, destacando a magnitude da subnotificação, o perfil clínico dos pacientes e os impactos dessas limitações na condução adequada dos casos. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, realizado a partir da coleta de dados secundários por meio eletrônico do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) hospedado na plataforma do DATASUS. Ademais, foram utilizadas bases de dados científicas como o PubMed e Fiocruz para delinear os dados acerca das formas clínicas da Doença de Chagas. A partir da análise de estudos brasileiros recentes, é possível estabelecer o seguinte panorama: dos pacientes chagásicos com a forma digestiva da doença, 60,2% apresentavam a forma com megaesôfago ou megacólon, 18,6% com ambas as formas e 2,6% sem forma clínica digestiva específica. Vale ressaltar que a forma combinada, cardiodigestiva, representa 47,7% dos casos totais. Pacientes diagnosticados com megaesôfago e megacólon apresentavam idade média acima dos 65 anos. Em um período de 11 anos de estudo, foram registradas 54.236 mortes decorrentes da doença de Chagas. O comprometimento do sistema digestório representou 11% das mortes (5.994 de 54.236). Entretanto, entre o início e o final da pesquisa, a taxa de mortalidade foi reduzida em 32,4%. Uma exceção é a região Norte do país, em que essa taxa foi ampliada em 1,6%. Essa redução tem ligação com a inclusão da doença de Chagas na lista nacional de doenças de notificação compulsória do Ministério da Saúde em 2020. Contrariamente ao cenário positivo da diminuição da mortalidade, a subnotificação de casos ainda persiste no Brasil. Segundo o SINAN, até o ano de 2023, foram diagnosticados 17.049 casos crônicos de DCC, mas de acordo com o levantamento do Global Burden of Disease (GBD) exposto na revista The Lancet Infectious Diseases, existem aproximadamente 4 milhões de pessoas com a doença de Chagas, o que expõe a negligência e falta de diagnóstico no Brasil. O megaesôfago e megacólon chagásicos apresentam-se como complicações crônicas da DC que representam desafios significativos na atenção primária à saúde. A faixa etária da população afetada é predominantemente >65 anos e a subnotificação é alarmante. Embora a mortalidade nacional tenha caído 32,4%, impulsionada pela implementação da notificação compulsória em 2020, há disparidades regionais e persistência de falhas diagnósticas que comprometem o manejo clínico. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias integradas em saúde, como protocolos padronizados de rastreio sorológico e formação continuada de equipes do SUS para otimizar o controle da Doença de Chagas no Brasil.

        Palestrante: Maria Rita Oliveira Nogueira (UFLA - Universidade Federal de Lavras)
      • 12:40
        DETECÇÃO MOLECULAR DE Brucella spp. EM TECIDOS DE ANIMAIS SILVESTRES E EXÓTICOS EM MINAS GERAIS 20m

        A brucelose é uma zoonose bacteriana causada por Brucella spp., com impacto econômico e relevante importância para a saúde pública global, especialmente na bovinocultura. Segundo a OMS é uma doença tropical negligenciada e reemergente, associada a baixa conscientização e investimento insuficiente em vigilância e controle. Em animais silvestres pode ocorrer por spillover de rebanhos infectados ou como infecção mantida em populações suscetíveis. Diante disso, este estudo investigou a ocorrência de Brucella spp. em animais silvestres no estado de Minas Gerais, utilizando a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) convencional. Foi realizada a coleta de fragmentos teciduais de animais silvestres e exóticos encaminhados para necrópsia de abril de 2023 a dezembro de 2024, totalizando 232 indivíduos, sendo 129 aves, 95 mamíferos, sete anfíbios e um réptil. As amostras foram submetidas à extração de DNA genômico utilizando o Wizard® Genomic DNA Purification Kit (Promega, EUA), com quantificação por espectrofotometria em NanoDrop e avaliação da integridade por eletroforese em gel de agarose a 0,8%. Em seguida foram armazenadas a -20º e, posteriormente, submetidas à técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) convencional para detecção de Brucella spp., por meio da amplificação do gene bcsp31, utilizando os primers B4 e B5, gerando um fragmento de 223 pb. Foram incluídos controle positivo (ATCC 2308 – RB51) e controle negativo em todos os ensaios. Dentre as amostras analisadas, 19 foram positivas, sendo cinco mamíferos e 14 aves. Os resultados obtidos mostram-se consistentes, contudo, serão posteriormente confirmados por PCR em tempo real, visando aumentar a confiabilidade dos resultados. Dessa forma, destaca-se a relevância da vigilância de agentes zoonóticos em animais silvestres no contexto da Saúde Única, evidenciando seu potencial como reservatórios e ressaltando a PCR como ferramenta de diagnóstico direto, auxiliar no monitoramento epidemiológico.

        Palestrante: Ana Carolina Vaz Avelino
      • 12:40
        DETERMINANTES SOCIAIS E ATRASO DIAGNÓSTICO NA HANSENÍASE: IMPACTOS NA MORBIDADE E INCAPACIDADES FÍSICAS 20m

        A hanseníase é uma das principais causas de incapacidade evitável no mundo, visto que as deformidades causadas por essa condição são, em grande parte, evitáveis com detecção precoce. Assim, o atraso diagnóstico, além de comprometer o controle da doença, impacta na morbidade. Desse modo, o presente trabalho visa discutir a influência dos determinantes sociais no atraso diagnóstico da hanseníase e seus impactos na morbidade, principalmente com relação às incapacidades físicas. Para isso, foi conduzida uma revisão narrativa da literatura, com buscas nas bases de dados PubMed e no portal de periódicos CAPES, utilizando os descritores “leprosy”, “diagnostic delay”, “social determinants”, “disability” e “Brazil”. Foi usado um filtro temporal de 2015 e 2026, incluindo artigos em inglês, português e espanhol, sendo selecionados àqueles que abordassem fatores associados ao atraso no diagnóstico da hanseníase e suas consequências. A literatura aponta que o atraso no diagnóstico da Hanseníase resulta de uma interação entre determinantes sociais e limitações dos serviços de saúde. Entre os fatores individuais, há o baixo nível de conhecimento sobre a doença, que dificulta o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas e contribui para a demora na busca por atendimento, e o estigma associado à hanseníase, que atua como uma barreira na procura por cuidado e propicia a progressão da doença. Nos determinantes sociais, aspectos como baixa escolaridade e pobreza também estão relacionados ao diagnóstico tardio. Além disso, dificuldades na suspeição clínica e falhas na organização da atenção primária contribuem para o prolongamento do tempo até o diagnóstico, mesmo após o primeiro contato com o sistema de saúde. Ainda, contextos de crise sanitária, como a pandemia de COVID-19, podem agravar o atraso no diagnóstico, visto que cursam com interrupções nos serviços de saúde e na vigilância epidemiológica. Durante a COVID-19, foi observada uma redução na detecção de novos casos de hanseníase no Brasil, refletindo não uma diminuição da incidência, mas o acúmulo de casos não diagnosticados, aumentando o risco de progressão e desenvolvimento de incapacidades físicas. Sendo assim, o atraso no diagnóstico está diretamente relacionado a determinantes sociais e problemas nos serviços de saúde, contribuindo para a ocorrência de incapacidades físicas evitáveis. Diante desse contexto, a educação em saúde é fundamental para identificação precoce dos casos.

        Palestrante: Leticia Santos Villar
      • 12:40
        DIVERGÊNCIAS NAS ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NO BRASIL E SUA RELAÇÃO COM OS DADOS DE TUBERCULOSE NO SINAN NO PERÍODO DE 2015 A 2022 20m

        A tuberculose, doença negligenciada segundo a Organização Mundial da Saúde, apresenta elevada incidência em pessoas em situação de rua (PSR), cuja invisibilidade estatística compromete indicadores epidemiológicos e políticas públicas. Nesse contexto, este estudo descritivo exploratório fundamentou-se em uma análise comparativa de base secundária e teve por objetivo comparar a incidência média da tuberculose em PSR, no período de 2015 a 2022, tendo como base populacional as estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e os registros do Cadastro Único (CadÚnico), existentes concomitantemente apenas nesse intervalo. A taxa de incidência média (TIM) da doença no período de estudo foi calculada a partir da notificação de diagnósticos confirmados de tuberculose em PSR disponibilizada pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foi observada TIM mais elevada para a doença utilizando a base populacional do CadÚnico em comparação à do IPEA (t = 5,07; p = 0,001), com tamanho de efeito muito grande (dz = 1,79) e diferença média entre as TIM de 172,6 unidades (DP = 96,3). Esse resultado sugere que a diferença observada entre as TIM não é apenas estatisticamente significativa, mas também substancialmente relevante. Essa divergência pode ser explicada pelas diferentes estratégias metodológicas aplicadas pelas fontes, uma vez que o CadÚnico reflete a população em situação de rua a partir da quantidade de PSR cadastrada, o que é influenciado por estratégias locais de busca ativa; enquanto o IPEA aplica modelos estatísticos para estimar dados consolidados relacionados a essa população. A ambivalência dos dados demográficos relativos a esta categoria populacional representa um grande entrave à fidedignidade dos dados utilizados pela vigilância epidemiológica de agravos negligenciados para monitorar a magnitude da tuberculose em PSR. Esse cenário ilustra a necessidade de serem pensadas estratégias que permitam o estabelecimento de processos oficiais padronizados para o censo dessa parcela da população, uma vez que bases populacionais divergentes podem super ou subestimar indicadores de agravos em saúde impactando diretamente nas políticas públicas direcionadas. A inconsistência dos dados indica que sanar tal lacuna é um ato de justiça social vital para subsidiar políticas equitativas que rompam a negligência e a invisibilidade histórica deste grupo social.

        Palestrante: Manuela Novaes Melilo (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)
      • 12:40
        ESQUISTOSSOMOSE HEPATOESPLÊNICA: COMPLICAÇÕES CLÍNICAS E MANEJO DA HIPERTENSÃO PORTAL 20m

        A esquistossomose hepatoesplênica é uma condição clínica grave que resulta da resposta inflamatória crônica à infecção causada por Schistosoma spp. presentes nas veias mesentéricas, gerando fibrose periportal e hipertensão portal. Ao contrário da cirrose, a função hepatocelular costuma ser preservada, mas as complicações decorrentes da hipertensão portal causam elevada morbidade. Desse modo, o presente trabalho visa analisar as complicações clínicas da esquistossomose hepatoesplênica e o manejo da hipertensão portal. Para isso, foi realizada uma revisão narrativa da literatura, com buscas na base de dados PubMed, utilizando os descritores “hepatosplenic schistosomiasis”, “clinical complications”, “portal hypertension” e “management OR treatment”. Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2026, em inglês, português e espanhol, que abordassem a esquistossomose hepatoesplênica e fatores associados a complicações clínicas e manejo da hipertensão portal. Os estudos analisados evidenciam que a esquistossomose hepatoesplênica é caracterizada, principalmente, pela presença de hipertensão portal não cirrótica, decorrente da fibrose periportal (fibrose de Symmers), que gera aumento da resistência ao fluxo sanguíneo portal. Esse aumento leva ao desenvolvimento de circulação colateral, esplenomegalia e gastropatia hipertensiva, podendo também estar associada a hiperesplenismo e consequentes citopenias. As principais complicações da esquistossomose hepatoesplênica são relacionadas à hipertensão portal, com destaque para as varizes esofágicas e o risco de hemorragia digestiva alta, uma das principais causas de óbito nesses casos. Ainda, podem ocorrer ascite e formação de shunts portossistêmicos. O tratamento antiparasitário com praziquantel funciona para interromper a progressão da infecção, mas não reverte completamente as alterações fibróticas de todas as espécies de Schistosoma spp.. No controle das complicações, há destaque para o uso de betabloqueadores não seletivos para redução da pressão portal e a ligadura elástica endoscópica para prevenção e tratamento de sangramentos das varizes. Em casos mais graves ou refratários, procedimentos como derivação portossistêmica podem ser indicados. Portanto, no contexto da esquistossomose hepatoesplênica, a hipertensão portal é o principal determinante das complicações clínicas e da morbidade e o manejo correto, com tratamento antiparasitário e controle das complicações, é essencial para melhores desfechos.

        Palestrante: Leticia Santos Villar
      • 12:40
        FORMULAÇÃO OTIMIZADA CONTENDO PAPAÍNA TEM AÇÃO SOBRE Aedes aegypti 20m

        Aedes aegypti é vetor de arboviroses como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, representando um grave problema de saúde pública. Contudo, o controle convencional, baseado no uso de inseticidas sintéticos, apresenta ineficiência. Nesse contexto, alternativas sustentáveis como o uso de produtos biológicos e bioquímicos ganham destaque. O presente trabalho buscou elaborar e otimizar através do uso do Delineamento Composto Central Rotacional (DCCR) e da Metodologia de Superfície de Resposta (MSR), uma formulação contendo papaína, cisteína e maltodextrina, e também testar sua eficiência sobre larvas de terceiro estádio de A. aegypti. O DCCR foi utilizado a fim de se determinar as proporções ótimas das variáveis estudadas (cisteína e maltodextrina) para a formulação. Dessa forma, cinco níveis experimentais foram definidos através do software utilizado para cada uma das variáveis, sendo, para cisteína: 0%, 0,1%, 0,5%, 1% e 1,18% (m/m), e para a maltodextrina: 21%,30%, 50%, 70% e 78,3% (m/m). Um ensaio contendo 25 larvas de estádio L3 de A. aegypti e 25 mL da formulação já otimizada a 0,8%, 1,5% e 4% (m/v) foi preparado. Além dos grupos de tratamento, dois grupos controles também foram preparados, um contendo apenas água declorada e outro contendo uma solução apenas de maltodextrina e cisteína. Os grupos foram mantidos em BOD a 27 ± 1 °C, as larvas foram alimentadas diariamente e sua mortalidade foi avaliada em 24, 48 e 72 h. A mortalidade das larvas foi avaliada estatisticamente por ANOVA com níveis de significância de 1 e 5%, e a diferença entre as médias foi avaliada pelo teste de Tukey com nível de probabilidade de 1%. Apenas a cisteína apresentou significância para a resposta avaliada (atividade proteolítica). As proporções ideais de cisteína e maltodextrina utilizadas para otimização foram de 1,18% (m/m) e 50% (m/m), respectivamente. As formulações contendo a papaína a 0,8%, 1,5% e 4% (m/v) apresentaram, respectivamente, porcentagens de redução das larvas L3 de A. aegypti de 34, 40 e 90% (após 24h); 91, 96 e 100% (após 48h) e 100% para todas as concentrações após 72h de incubação. Todos os tratamentos diferiram (p< 0,01) do controle contendo apenas água. O modelo gerado por meio do Delineamento Composto Central apresentou elevada significância, com valor de R² igual a 0,98. Tais resultados demonstram que a papaína formulada pode ser uma alternativa promissora contra as larvas de A. aegypti.

        Palestrante: Jhennifer Cristina Alves
      • 12:40
        Fungi-Based Bioproducts: A Review in the Context of One Health 20m

        Entomopathogenic fungus-based biopesticides are an excellent alternative to synthetic pesticides and are widely used in insect pest control. With the transformations of the agri-food system, it is important to consider the One Health approach, which recognizes that health threats are shared at the interface between people, animals, plants, and the environment. The safety and environmental impact of fungi-based insecticides should be assessed comprehensively, taking into account not only their effects on non-target organisms and human health but also their environmental fate. This includes how these substances degrade, persist, or dissipate in soil, water, and air and their potential to bioaccumulate or leach into groundwater. Such assessments are essential to ensure that long-term use does not pose unintended risks to ecosystems or public health. This systematic review aims to identify and analyze studies on the potential One Health hazards associated with fungal biopesticides. A total of 134 articles were selected: 84 bioassay articles (63%), 36 case reports (27%), 10 field studies (7%), and 4 other types (3%). Of these, 59 were studies on vertebrate animals and 65 on invertebrate animals, 6 on diverse organisms, 2 focused on risk assessment for non-target organisms, and 2 on toxicological hazards from human exposure to fungal metabolites in air. The United States had the highest number of publications (33). Beauveria bassiana and Metarhizium anisopliae, followed by Cordyceps fumosorosea and B. brongniartii, were the most prevalent species. Case reports of infections in humans and vertebrates were not related to the use of fungal biopesticides. A predominance of studies with bees was identified due to their importance as pollinators. The findings indicate that fungal biopesticides pose minimal risks when used appropriately. Nevertheless, standardized safety assessments are essential. Unified protocols and bioassays with specific risk indicators aligned with the One Health approach are needed, evaluating effects on pollinators, vertebrate toxicity, and environmental persistence of metabolites. Future research should develop integrated guidelines considering human, animal, and environmental health simultaneously.

        Palestrante: Débora Castro Toledo de Souza (UFLA)
      • 12:40
        LEISHMANIOSE VISCERAL: FALHAS NO CONTROLE E IMPACTO SOCIAL 20m

        A Leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é uma doença tropical negligenciada de grande impacto em saúde pública, sendo causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida por flebotomíneos. O Brasil concentra cerca de 90% dos casos de leishmaniose visceral nas Américas, estando estes associados a condições socioeconômicas desfavoráveis, acometendo principalmente populações de baixa renda, com acesso limitado a serviços de saúde. Entre os principais entraves ao controle da doença, destacam-se a dificuldade no diagnóstico precoce, à subnotificação de casos, a limitada eficácia das medidas de controle vetorial e os desafios relacionados ao manejo dos reservatórios, como cães infectados. Estima-se que, na ausência de tratamento, a leishmaniose visceral apresenta letalidade superior a 95%, fato que está fortemente relacionado ao diagnóstico tardio e a subnotificação da doença. Nesse sentido,evidencia-se que sua persistência está mais relacionada a desigualdades estruturais do que à ausência de conhecimento. Fatores ambientais e socioeconômicos desempenham papel central na transmissão, como condições precárias de moradia, ausência de saneamento básico e urbanização desordenada, que favorecem a proliferação do vetor e aproximam o ciclo de transmissão do ambiente domiciliar. Observa-se, ainda, que apenas 6% dos municípios brasileiros concentram cerca de 80% dos casos da doença, evidenciando a sua distribuição desigual e fortemente relacionada a áreas de maior vulnerabilidade social. Indivíduos nessas condições costumam residir em regiões periféricas, em que a densidade vegetal propicia a presença de vetores e reservatórios silvestres. O impacto da leishmaniose vai além do quadro clínico, incluindo prejuízos sociais e econômicos. Indivíduos acometidos podem apresentar redução da capacidade laboral, estigmatização e piora da qualidade de vida. Esses fatores reforçam um ciclo em que a vulnerabilidade social favorece a doença, que, por sua vez, contribui para o agravamento dessas condições. Diante desse cenário, evidencia-se a fragilidade das políticas públicas no enfrentamento da leishmaniose visceral, que configura-se como um importante desafio social e econômico, especialmente no que se refere à integração entre vigilância epidemiológica, controle vetorial e assistência à saúde.

        Palestrante: Ianara Castor Soares
      • 12:40
        MODELAGEM ESPACIAL DE CASOS DE HANSENÍASE EM MINAS GERAIS UTILIZANDO REGRESSÃO GEOGRAFICAMENTE PONDERADA (GWR) 20m

        A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium leprae, uma micobactéria com tropismo por pele e nervos periféricos, levando a alterações patológicas principalmente nessas estruturas. É classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma doença tropical negligenciada, acometendo predominantemente populações de baixa renda. Apesar disso, atualmente apresenta tratamento eficaz e possibilidade de cura, independente do momento em que é diagnosticada. Quanto mais precoce o início do tratamento, menor a ocorrência de incapacidades. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo analisar a distribuição espacial da hanseníase no estado de Minas Gerais, a fim de identificar fatores associados à sua ocorrência. Foram utilizados dados de casos de hanseníase referentes ao ano de 2025, obtidos no portal de dados abertos do Governo de Minas Gerais, disponibilizados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Foram ajustados modelos de Regressão Geograficamente Ponderada (GWR) para analisar a incidência de hanseníase (taxa por 100 mil habitantes) em função de variáveis socioeconômicas, demográficas e ambientais. As variáveis explicativas foram selecionadas por procedimento stepwise, com base no critério de informação de akaike corrigido (AICc). As análises foram realizadas no software R. Conclui-se que os efeitos das variáveis socioeconômicas, ambientais e demográficas sobre a incidência da hanseníase variam espacialmente em Minas Gerais. Regiões com maior PIB per capita apresentam menores taxas da doença, enquanto áreas com presença de depressões e serras, bem como municípios de maior extensão territorial, apresentam maiores índices. Em relação à população urbana aglomerada, a análise global indicou baixa influência, porém análises locais evidenciaram associação relevante em áreas com maior aglomeração populacional. A modelagem por GWR mostrou-se eficiente para identificar padrões espaciais da hanseníase, permitindo identificar áreas de maior risco e fatores associados.

        Palestrante: Gean Pereira Damaceno
      • 12:40
        MONITORAMENTO DO Aedes aegypti POR MEIO DE OVITRAMPAS NO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA COMPUTAÇÃO DA UFLA 20m

        Devido ao elevado número de casos de dengue ocorridos no Brasil, a identificação de possíveis locais de reprodução do mosquito Aedes aegypti é frequentemente estudada. Variáveis ambientais, sociais e culturais contribuem para a proliferação de vetores. Soma-se a isso a gestão inadequada de resíduos sólidos que, quando descartados de forma irregular, tornam-se locais ideais para a reprodução do mesmo. Este trabalho objetivou-se, portanto, avaliar a presença de ovos depositados em ovitrampas instaladas no departamento de Ciências da Computação, localizado na Universidade Federal de Lavras (UFLA), na cidade de Lavras (MG). As ovitrampas foram confeccionadas a partir de uma garrafa de polietileno tereftalato (PET) previamente higienizada com detergente e água, com capacidade de 2 litros, cortada ao meio e revestida com plástico adesivo de coloração preta, além de placa de chapa de fibra de madeira de média densidade (MDF), medindo cerca de 4,9 cm x 13 cm. A solução de feno foi preparada com 6 litros de água declorada e 60 gramas de feno, mantida dentro de um saco plástico preto e colocada em uma incubadora (BOD) a 28 ºC por aproximadamente 24 horas, para que ocorresse a fermentação. Em seguida, o recipiente foi preenchido com 20% de água declorada (cerca de 200 mL) e 80% de solução de infusão de feno (cerca de 600 mL), a qual possui odor característico que atrai os mosquitos. Foram analisadas três amostras das ovitrampas, com intervalo de aproximadamente 7 dias entre elas. Na primeira avaliação, a solução apresentava-se concentrada e não foi observada a presença de ovos de A. aegypti, o que motivou a diluição da solução nas semanas subsequentes. A partir da segunda semana, utilizou-se metade da solução de feno, com adição de 200 mL de água declorada. Na segunda avaliação, a ausência de ovos se manteve. Já na terceira, foram identificados 22 ovos. Conclui-se que o departamento estudado apresenta condições ambientais potencialmente favoráveis à reprodução do mosquito, possivelmente relacionadas ao clima e à localização. O vetor tende a se associar a ambientes urbanos e domésticos, especialmente aqueles com disponibilidade de água parada, limpa e pouco poluída. No entanto, após uma vistoria simples, não foram identificadas irregularidades no local que favorecessem a proliferação do vetor.

        Palestrante: Sabrina Fagundes (Estudante)
      • 12:40
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA DOENÇA DE CHAGAS CRÔNICA NO ESTADO DE MINAS GERAIS APÓS A IMPLANTAÇÃO DO E-SUS NOTIFICA 20m

        A doença de Chagas crônica (DCC) permanece como um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões historicamente endêmicas como Minas Gerais. Após a implantação do sistema e SUS Notifica, tornou-se possível sistematizar o registro e o monitoramento dos casos no estado. O presente estudo teve como objetivo avaliar o perfil epidemiológico da DCC em Minas Gerais após a implantação do sistema e-SUS Notifica. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, utilizando notificações compulsórias da DCC. Foram analisados dados secundários da SES-MG no Painel Temático Power BI de DCC, referentes ao período de maio de 2023 a setembro de 2025. Variáveis sociodemográficas, clínicas e formas de detecção foram organizadas e analisadas, enquanto a distribuição espacial dos casos foi representada em mapas temáticos elaborados no QGIS. Entre maio de 2023 e setembro de 2025, foram notificados 6.232 casos suspeitos, dos quais 4.913 foram confirmados e 224 evoluíram para óbito. A macrorregião Norte concentrou a maior parte dos casos (79,5%) e óbitos (61,6%). Dentro dessa região, destacam-se as microrregiões de Montes Claros, com 1.486 casos (38,0%) e 135 óbitos (97,8%), e Janaúba/Monte Azul, com 1.788 casos (45,8%) e ausência de óbitos, que juntos representaram 83,8% das ocorrências registradas na macrorregião. A macrorregião Triângulo do Norte, com 494 casos confirmados (10,1% em relação ao total de casos no período) e 51 óbitos (22,8% em relação ao total de óbitos no período), todos concentrados em Uberlândia/Araguari. Adultos de meia-idade e idosos foram os mais acometidos, predominando mulheres (59,8%), pessoas pardas (55,1%) e indivíduos com baixa escolaridade. O rastreamento ativo foi responsável por 47,8% das detecções, e a sorologia IgG confirmou 99% dos casos. Quanto à forma clínica, os casos indeterminados foram os mais frequentes (31,7%), seguidos pelas formas cardíacas leve a moderada (27,9%) e avançada (24,0%). Observou- se a presença de comorbidades, especialmente hipertensão arterial isolada (40,9%) e associada a outras doenças (12,6%). A maioria dos registros (71,6%) estava classificada como ignorada ou em branco quanto ao status de encerramento. Os resultados evidenciam forte concentração da DCC no Norte de Minas, com predomínio em adultos e idosos, e elevada associação com doenças crônicas, reforçando a importância de estratégias direcionadas de rastreamento, diagnóstico e acompanhamento clínico.

        Palestrante: Dr. Nayara Dornela Quintino (Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais/Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis (nayara.dornela@saude.mg.gov.br))
      • 12:40
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA TOXOPLASMOSE GESTACIONAL EM MINAS GERAIS (2024-2026) 20m

        A toxoplasmose é uma zoonose causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, de ciclo de vida heteroxeno facultativo. Os felídeos atuam como hospedeiros definitivos, enquanto humanos, outros mamíferos e aves são hospedeiros intermediários. A infecção humana ocorre pela ingestão de oocistos esporulados presentes em água e vegetais contaminados, bem como pela ingestão de cistos teciduais encontrados em carnes cruas ou mal cozidas. No contexto gestacional, a toxoplasmose assume grande relevância clínica e epidemiológica devido ao risco de transmissão vertical, podendo causar severas sequelas fetais. Nesse sentido, esse trabalho objetiva analisar o perfil epidemiológico da toxoplasmose gestacional em Minas Gerais entre 2024 e 2026. Foram utilizados dados do SINAN/DataSUS, considerando as variáveis faixa etária e escolaridade. No período, registraram-se 2.408 casos, evidenciando a relevância do rastreio pré-natal. Observou-se prevalência acentuada na faixa etária de 20 a 39 anos, responsável por 79,94% (1.925) das notificações. A segunda mais expressiva foi a de adolescentes (15 a 19 anos), com 15,70% (n= 378). Quanto à escolaridade, 30,85% (n= 743) possuíam Ensino Médio Completo, enquanto apenas 5,23% (n= 126) tinham Ensino Superior. Destaca-se, contudo, a limitação dos dados devido ao elevado percentual de informações ignoradas que atingiu 35,55% (n= 856). A predominância de casos na faixa de 20 a 39 anos coincide com o período de maior atividade reprodutiva, sugerindo que a infecção ocorre, majoritariamente, de forma aguda durante a gestação. Além disso, a análise indica que a menor escolaridade pode atuar como barreira à adesão de medidas profiláticas, como o manejo adequado de alimentos e a higiene sanitária. Entretanto, o elevado índice de dados ignorados evidencia fragilidades na qualidade dos registros epidemiológicos e na assistência à saúde, comprometendo ações preventivas direcionadas. Dessa forma, não é possível estabelecer com precisão se a prevalência observada está relacionada ao desconhecimento da doença ou à compreensão insuficiente sobre as medidas de prevenção. Conclui-se que a qualificação dos registros epidemiológicos, associada à disseminação de medidas preventivas, constitui uma estratégia importante para subsidiar ações mais eficazes de vigilância e controle. Ademais, o fortalecimento de políticas voltadas à educação em saúde, aliado à capacitação das equipes de atenção primária, é fundamental para a prevenção da toxoplasmose gestacional.

        Palestrante: Laura HENRIQUE (Universidade Federal de Lavras)
      • 12:40
        RAIVA EM EQUINOS NO SUL DE MINAS GERAIS: RELATO DE SURTO 20m

        A raiva é uma zoonose importante, causada pelo Vírus da Raiva (RABV), do gênero Lyssavirus. A transmissão do agente ocorre pela saliva de animais infectados, principalmente morcegos hematófagos, com acometimento do sistema nervoso central. A doença tem curso clínico de poucos dias e evolução quase sempre fatal. O objetivo deste trabalho é relatar um surto de raiva em equinos. Foi encaminhado para necrópsia um equino com histórico de sinais neurológicos agudos. Tratava-se do quarto óbito na propriedade. Os animais eram mantidos a pasto e tiveram manifestações clínicas semelhantes, evoluindo para a morte três a quatro dias após o início dos sinais. Após o caso encaminhado, outros três óbitos de equino foram registrados, totalizando sete no plantel em menos de um mês. Havia histórico de vacinação antirrábica, contudo, verificou-se que as vacinas eram armazenadas sob condições inadequadas de refrigeração. O animal necropsiado era uma potra com 30 dias de idade, Mangalarga Marchador, em bom estado corporal. As mucosas conjuntival e oral estavam pálidas e havia edema subcutâneo nas regiões temporal e periorbital esquerdas. O estômago estava vazio, com erosões e espessamento da mucosa acima da margem pregueada. Nos intestinos o conteúdo era escasso, com material fibroso no intestino grosso e material ressecado aderido à mucosa do cólon menor, alterações associadas à ingestão alimentar comprometida por sinais neurológicos graves. Os pulmões estavam difusamente avermelhados. Amostras de encéfalo e medula espinhal foram colhidas e congeladas para imunofluorescência direta (IFD), e amostras de órgãos e tecidos fixadas em formol a 10% e processadas para histopatologia. Em encéfalo, medula espinhal, neuro-hipófise e gânglio trigeminal evidenciaram-se na histopatologia manguitos perivasculares linfoplasmocíticos acentuados associados a inclusões eosinofílicas intracitoplasmáticas em neurônios (corpúsculos de Negri), gliose multifocal e necrose neuronal. Havia hiperemia difusa moderada em leptomeninges, associada a infiltrado linfoplasmocítico acentuado. Os achados histológicos foram característicos de raiva, sendo o diagnóstico confirmado por imunofluorescência direta e imuno-histoquímica. O surto reforça que, mesmo em animais vacinados, fatores como qualidade, armazenamento e aplicação da vacina devem ser considerados. Destaca-se ainda a importância da proteção das pessoas expostas, com adoção imediata de medidas de profilaxia pós-exposição, que foram realizadas.

        Palestrante: Ana Carolina Vaz Avelino
      • 12:40
        SARNA EM MAMÍFEROS: ACHADOS EPIDEMIOLÓGICOS E LESÕES 20m

        As sarnas, particularmente a sarcóptica, são classificadas como doenças que afetam tanto a saúde animal quanto a humana, apresentando sérios desafios em Saúde Única. Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil de ocorrência de lesões por ácaros causadores de sarna em diferentes espécies de mamíferos, através de achados de necrópsia e exame histopatológico. Foram analisados nove casos, incluindo animais de companhia, de produção e silvestres. A sarna sarcóptica, causadas por Sarcoptes sp. foi identificada em animais silvestres de vida livre, sendo duas jaguatiricas e um lobo-guará, associada a quadros severos de caquexia, hiperqueratose difusa acentuada e ulcerações na pele, indicando o impacto dessa parasitose na conservação da fauna. Em caninos domésticos observou-se a predominância da sarna demodécica (Demodex canis), mas foi observado também um caso de sarna sarcóptica em um cão com Tumor Venéreo Transmissível, reforçando a associação da doença com estados de imunodepressão. Adicionalmente foram registrados casos de sarna demodécica em suíno e psoróptica (Psoroptes ovis var. cuniculi) em coelho, este último manifestando-se como otite crostosa acentuada. Microscopicamente, as lesões variaram de dermatite pustular a granulomas com células gigantes multinucleadas fagocitando restos parasitários, além de acantose e hiperqueratose. A diversidade de hospedeiros e a gravidade das lesões, especialmente em animais silvestres e imunocomprometidos, indicam que a sarna permanece como enfermidade negligenciada que requer vigilância ativa. A compreensão da distribuição desses parasitos é crucial para mitigar riscos de transmissão zoonótica e promover o bem-estar animal, destacando a relevância do diagnóstico histopatológico na identificação de lesões da doença.

        Palestrante: Thainá Neri
    • 13:00 13:30
      Dia 2 - 23/05/2026: Bloco 4 - Avaliação Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 13:00
        RANGELIOSE EM CANÍDEOS NO BRASIL: REVISÃO DE LITERATURA 20m

        A rangeliose, doença causada pelo protozoário Rangelia vitalii, é transmitida pelo carrapato Amblyomma aureolatum, vetor identificado com maior incidência em áreas da Mata Atlântica e Pampa no Brasil, com predomínio em zonas rurais ou periurbanas. Evidências atuais apontam os canídeos silvestres como os reservatórios naturais do protozoário, enquanto os cães domésticos atuam na condição de hospedeiros acidentais. Embora não conste oficialmente no rol de doenças negligenciadas da OMS, tal patologia apresenta um perfil epidemiológico característico de negligência no território nacional. A detecção é frequentemente subdiagnosticada devido à semelhança clínica com a babesiose e à inviabilidade econômica de métodos moleculares (PCR) em áreas rurais. Consequentemente, o diagnóstico definitivo ocorre predominantemente de forma tardia ou post-mortem. O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão de literatura narrativa com enfoque no diagnóstico e epidemiologia da rangeliose no Brasil. Os principais sinais clínicos cursam com anemia, icterícia, hipertermia, esplenomegalia, linfadenomegalia generalizada, epistaxe, hematêmese, hemorragia ao longo do trato gastrointestinal e sangramento persistente pelas pontas das orelhas. Na maioria dos casos, o hemograma sugere anemia hemolítica imunomediada com predomínio de achados de anemia regenerativa, tais como anisocitose, policromasia, metarrubrícitos e corpúsculos de Howell-Jolly além de leucocitose, linfocitose, neutrofilia e monocitose. Atualmente, a confiabilidade do diagnóstico via esfregaço sanguíneo permanece incerta, estabelecendo-se a PCR e o sequenciamento genético como protocolos padrão- ouro. A interface urbano-silvestre, assim como a prevalência de canídeos errantes e /ou ferais, configura-se como o principal fator de risco para a transmissão entre canídeos silvestres e domésticos e investigações sobre o ciclo biológico do agente e a implementação de políticas de vigilância epidemiológica contribuirão para mitigar o subdiagnóstico e mensurar o real impacto da enfermidade no cenário nacional.

        Palestrante: Laura Quintão Rezende (Estudande de Medicina Veterinária na Universidade Feseral de Lavras)
      • 13:10
        ANÁLISE RETROSPECTIVA DE CASOS SUSPEITOS E CONFIRMADOS DE LEISHMANIOSE CANINA POR Leishmania spp. EM LAVRAS-MG 20m

        A leishmaniose canina é uma zoonose de relevância em saúde pública, causada por protozoários do gênero Leishmania spp e transmitida por flebotomíneos do gênero Lutzomyia sp. No ciclo urbano de transmissão, os cães atuam como principais reservatórios, desempenhando papel central na manutenção do agente no ambiente. A afecção em cães apresenta caráter sistêmico e sinais clínicos como linfadenomegalia, perda de peso progressiva, dermatite esfoliativa, onicogrifose, anemia não regenerativa e hiperglobulinemia. Sendo assim, torna-se fundamental o diagnóstico e o monitoramento dos animais infectados devido ao risco zoonótico, uma vez que o cão atua como importante sentinela epidemiológica para a infecção humana. O objetivo deste trabalho foi realizar uma análise retrospectiva dos casos suspeitos e confirmados de leishmaniose canina no município de Lavras - MG, correlacionando os dados ao perfil epidemiológico local. No ano de 2025, foram registradas 373 notificações de casos suspeitos de leishmaniose canina pela Prefeitura Municipal de Lavras, em que 139 animais apresentaram resultado reagente em pelo menos um dos testes diagnósticos utilizados para identificação de Leishmania spp., incluindo o teste imunocromatográfico rápido (DPP®), o ensaio imunoenzimático (ELISA) e a Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI). Isso corresponde a um percentual de positividade de 37,27% entre os casos notificados. Segundo registros no Laboratório de Patologia Clínica Veterinária da Universidade Federal de Lavras, foram quantificados 187 pacientes com suspeita ou realizando o controle do protozoário durante o ano, evidenciando uma demanda expressiva relacionada a esse agente. Quanto à localização, a incidência se concentra na Zona Rural (22 casos) e no bairro Jardim Glória (9 casos), com distribuição das notificações equilibrada ao longo das estações do ano. A elevada positividade no município de Lavras indica circulação ativa do parasita, contrastando com a recente redução de casos em âmbito nacional. Evidencia-se a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica, com foco no controle de cães errantes, diagnóstico precoce e adoção de medidas preventivas para animais e humanos. A leishmaniose permanece como desafio à saúde pública local, demandando estratégias integradas entre poder público, médicos veterinários e comunidade, visando à saúde única e a redução da disseminação do agente.

        Palestrante: Tarsila Miki Gofinet Pasoto (Universidade Federal de Lavras)
      • 13:10
        AÇÕES DE CONTROLE E VIGILÂNCIA DE TRIATOMÍNEOS NO MUNICÍPIO DE CONTAGEM, MINAS GERAIS, BRASIL, POR MEIO DA PERSPECTIVA ÓTICA DOS AGENTES DE COMBATE DE ENDEMIAS 20m

        A doença de Chagas (DC) permanece sendo um desafio para saúde pública em áreas endêmicas, sendo o controle vetorial a principal estratégia de prevenção e redução da transmissão. Nesse cenário, a vigilância entomológica (VE) desempenha papel fundamental na detecção de triatomíneos e na implementação de medidas de controle. Os Agentes de Combate a Endemias (ACEs) constituem-se atores estratégicos nesse processo, uma vez que participam diretamente no monitoramento das áreas de risco e na orientação da população, contribuindo de forma decisiva para o fortalecimento das ações de vigilância e controle da doença. Nesse sentido, o objetivo do estudo foi compreender o funcionamento das ações de controle e vigilância de triatomíneos, no município de Contagem, em Minas Gerais (MG), haja vista que é uma área de médio risco de reinfestação domiciliar de triatomíneos, por meio da perspectiva e ótica dos ACEs. Foram encaminhados questionários on-line, via Google forms, para 161 ACEs do município. Verificou-se que 45 responderam, representando 28,0% do todo. Destes, 60,0% informaram que não trabalhavam com ações de vigilância da DC, 26,7% afirmaram que trabalhavam e 13,3% que já trabalharam com a DC. No questionário havia uma lista de 12 opções de ações de controle/vigilância para que os ACEs escolhessem as que eram realizadas no município. As três alternativas mais citadas foram: “Palestra e outras ações educativas” com 31,1%; “Atendimento de notificação de insetos suspeitos de serem triatomíneos (barbeiros)” com 26,7%, e “Borrifação das UDs com inseticida” com 22,2%. Em contrapartida, as três menos indicadas foram: “Exame de triatomíneo (barbeiro)” e“Auxílio ao digitador na correção de inconsistências de dados” com zero respondentes e 2,2% em “Análise de relatórios do sistema PCDCh”. Acerca do conhecimento dos ACEs sobre o triatomíneo, 68,9% dos participantes responderam que conheciam o barbeiro. Em relação aos cursos de capacitação relacionados à DC e vetores, 24,4% informaram que já participaram e 75,6% disseram que nunca haviam realizado nenhum curso sobre o assunto. A partir da análise das experiências de ACEs atuantes no território, foi possível identificar limitações e desafios relacionados às ações de vigilância da DC na vigilância à saúde. Os resultados sugerem a necessidade de fortalecer processos de integração, capacitação e apoio institucional às ações de vigilância, contribuindo para o controle da doença em área de médio risco de reinfestação domiciliar.

        Palestrante: Sra. Heloísa Vitória Ferreira de JESUS¹ (¹Grupo de pesquisa Triatomíneos – FIOCRUZ Minas- Belo Horizonte/MG, Brasil)
      • 13:10
        Circulação de tripanossomatídeos em pequenos mamíferos de Brumadinho (MG) no cenário pós-rompimento da barragem 20m

        O rompimento da barragem no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), resultou em intensas alterações ambientais, com potencial impacto sobre a ecologia e a epidemiologia de tripanossomatídeos.Com o objetivo de caracterizar a fauna de pequenos mamíferos e investigar a ocorrência de infecção por tripanossomatídeos, foi realizado um esforço amostral de 1.408 armadilhas/dia, resultando na captura de 21 indivíduos pertencentes a quatro espécies. A espécie Didelphis albiventris foi a mais abundante (n=13), seguida por Marmosops incanus (n=3), Rattus rattus (n=3) e Cerradomys subflavus (n=2), distribuídas entre ambientes de peridomicílio e mata. A hemocultura, realizada em 16 espécimes, revelou positividade em um indivíduo de D. albiventris, com isolamento de formas flageladas identificadas como Trypanosoma cruzi (DTU TcI), proveniente de área de peridomicílio. A análise molecular por PCR convencional, direcionada ao gene HSP70, não detectou infecção nos animais amostrados. Entretanto, a aplicação de nested PCR dirigida a região SSU do gene 18S evidenciou infecção por tripanossomatídeos em seis indivíduos. A infecção foi detectada em três espécies (D. albiventris, C. subflavus e R. rattus), com identificação molecular de T. cruzi (DTU TcI) em quatro espécimes e Leishmania braziliensis em indivíduos pertencentes às três espécies. Casos de coinfecção por ambos os parasitos foram observados em dois indivíduos, pertencentes às espécies D. albiventris e C. subflavus.Os resultados evidenciam a circulação de diferentes tripanossomatídeos em pequenos mamíferos de ambientes antropizados e naturais, destacando o papel dessas espécies na manutenção desses parasitos e reforçando sua relevância epidemiológica em áreas impactadas

        Palestrante: Debora Cristina Capucci (Fiocruz Minas)
      • 13:10
        EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE DENGUE EM FEIRA DE CIÊNCIAS NA ESCOLA CURUMIM, NO MUNICÍPIO DE NEPOMUCENO, MINAS GERAIS. 20m

        A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito fêmea da espécie
        Aedes aegypti, sendo classificada como uma arbovirose. O agente etiológico
        pertence à família Flaviviridae e apresenta quatro sorotipos distintos, cada um com
        sua variação genética. Dessa forma, uma pessoa pode ser infectada mais de uma
        vez, já que a imunidade adquirida contra um sorotipo não protege contra os demais.
        No Brasil, ela representa uma relevância quando se trata de saúde pública, devido
        ao elevado número de casos e à recorrência de surtos em diferentes regiões do
        país. Esse cenário reforça a importância da adoção de estratégias voltadas à
        prevenção, com destaque para ações de educação em saúde que promovam a
        conscientização da população. Nesse contexto, o presente estudo teve como
        objetivo descrever uma ação de educação em saúde organizada pelo NEP (Núcleo
        de Estudos em Parasitologia), realizada no município de Nepomuceno, Minas
        Gerais, em outubro de 2025. A ação educacional foi conduzida por 7 extensionistas
        do NEP, em formato de feira de ciências na instituição educacional e social
        Curumim, direcionada a alunos da educação infantil e do ensino fundamental.
        Houve a participação de muitos estudantes; dentre eles, 58 tiveram participação
        ativa no stand, tendo como registro uma lista de assinatura. Para promover a
        conscientização foram utilizados recursos didáticos como jogos infantis sobre a
        dengue, além da exposição de materiais biológicos como os mosquitos adultos
        vivos devidamente presos em um recipiente e os estádios larvais L1, L2, L3, L4 e
        pupas. A metodologia empregada contribuiu para a participação ativa dos alunos, e
        no decorrer da exposição, houve constante interação por meio de perguntas e
        esclarecimentos. Com a utilização de linguagem clara e adequada para a faixa
        etária infantil, observou-se satisfação e engajamento por parte dos estudantes. Além
        da interação entre os organizadores da ação e as crianças, houve a interação entre
        os próprios alunos discutindo sobre os materiais expostos, tornando a atividade
        ainda mais enriquecedora e atrativa.

        Palestrante: Jacqueline Inácio / Gerente DNs - Protozoários
      • 13:10
        IMPACTO DA ALTA DENSIDADE DE ANIMAIS ERRANTES NA EPIDEMIOLOGIA DA PARVOVIROSE CANINA: DESAFIOS PARA O CONTROLE SANITÁRIO 20m

        Parvovirose é uma infeção viral de grande importância em cães, acometendo principalmente filhotes. Causada pelo Parvovírus Canino (CPV), com duas variantes principais — CPV-1 e CPV-2 —, a doença é a maior causa de morbilidade e mortalidade em cães com menos de seis meses de idade. Apesar de a prevalência ser superior em animais jovens, adultos também podem ser acometidos pela enfermidade. A Parvovirose apresenta alta transmissibilidade, visto que o seu agente etiológico é um patógeno de elevada resistência ambiental, permanecendo viável em superfícies e solos por períodos que variam de seis meses a dois anos, dependendo das condições a que é submetido. Em um panorama de animais errantes, a epidemiologia da doença agrava-se, uma vez que o ambiente das ruas representa um grande desafio para o controle sanitário. Animais infectados libertam uma elevada carga viral no ambiente; este fato, associado à alta resistência do capsídeo viral a fatores ambientais e desinfetantes, transforma áreas públicas em reservatórios virais, cenário que é potenciado pelo hábito de vaguear dos cães errantes. Além disso, é comum que animais em situação de rua não sejam submetidos a um protocolo vacinal adequado, o que impede a formação da “imunidade de grupo”, que poderia colaborar para a diminuição da circulação viral na população. Com base neste panorama, é evidente que filhotes provenientes de progenitoras errantes possuem maior probabilidade de infecção e, na maioria dos casos, evoluem para o óbito. Isto ocorre porque o tratamento de suporte para a Parvovirose possui um elevado custo financeiro, impossibilitando que centros de controle de zoonoses e a vigilância sanitária local prestem as medidas de socorro necessárias aos animais em situação de rua. Portanto, o controle da Parvovirose em locais de alta densidade de animais errantes exigem medidas de âmbito coletivo, como a elaboração de protocolos de vacinação em massa e políticas de controle populacional para a redução do número de animais abandonados.

        Palestrante: Jacqueline Antunes Ramos (Universidade Federal de Lavras)
      • 13:10
        LEPTOSPIROSE EM VOLUNTÁRIA DE ABRIGO DE ANIMAIS: RELATO DE CASO HUMANO NO SUL DE MINAS GERAIS 20m

        A leptospirose é uma zoonose de distribuição mundial causada por bactérias do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com urina de animais infectados, especialmente roedores, ou com água contaminada. Em regiões tropicais com deficiências em saneamento básico, a doença se apresenta como um importante problema de saúde pública. Apesar de endêmica, sua casuística no estado de Minas Gerais permanece relativamente baixa, com média de 167,1 casos anuais na última década. Este relato descreve um caso de leptospirose humana atendido em unidade básica de saúde no município de Perdões (MG), destacando aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais relevantes ao diagnóstico e conduta precoce. Trata-se de paciente do sexo feminino, 24 anos, voluntária em abrigo de animais com histórico de infestação de roedores, que procurou atendimento médico com queixas de diarreia, mialgia em panturrilhas e região lombar, calafrios, fotofobia e cefaleia. Os sintomas iniciaram no dia 1 e se intensificaram no dia 3, motivando a busca por atendimento. Foi realizado teste rápido para dengue, com resultado negativo. A médica solicitou RT-PCR para dengue e PCR para leptospirose, além de exames laboratoriais: hemograma, ureia, creatinina, bilirrubinas, CPK, fosfatase alcalina, gama GT, eletrólitos, transaminases, gasometria e urinálise. O tratamento instituído incluiu amoxicilina 500 mg por sete dias, hidratação oral com sais e dipirona 500 mg. A paciente foi orientada a evitar o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Os exames foram coletados no dia 4. O hemograma evidenciou leucocitose com neutrofilia; os demais parâmetros estavam dentro dos limites de normalidade. A coleta para confirmação de arbovirose foi encaminhada à FUNED. A paciente apresentou melhora clínica progressiva a partir do dia 6 de sintomas. No dia 8, o resultado do PCR para leptospirose foi positivo, confirmando o diagnóstico. Este caso reforça a importância do diagnóstico diferencial em pacientes com síndrome febril aguda inespecífica, especialmente em contextos de exposição a fatores de risco epidemiológico. A forma leve da leptospirose pode mimetizar outras doenças infecciosas, dificultando o diagnóstico inicial. Ressalta-se a necessidade de anamnese detalhada, coleta precoce de exames laboratoriais e início imediato de tratamento empírico, diante de suspeita clínica e epidemiológica compatível, com o objetivo de evitar progressão para formas graves, potencialmente letais.

        Palestrante: YASMIN BICALHO (UFLA)
      • 13:10
        MANEJO CLÍNICO E DESAFIOS TERAPÊUTICOS NA COINFECÇÃO POR LEISHMANIA INFANTUM E EHRLICHIA CANIS EM CANINO: RELATO DE CASO 20m

        A Leishmaniose Visceral Canina (LVC) e a Erliquiose Canina representam importantes desafios para a saúde pública e para a medicina veterinária, especialmente em regiões tropicais, onde a interação entre vetores, reservatórios e hospedeiros favorece a disseminação dessas enfermidades. A LVC, causada por Leishmania infantum, é considerada pela OMS uma das principais doenças tropicais negligenciadas. O cão atua como principal reservatório doméstico, sendo o controle da infecção animal fundamental para a prevenção da transmissão humana. A erliquiose, por sua vez, é uma zoonose de baixa incidência causada por Ehrlichia canis, que compromete o sistema imunológico, e quando associada à LVC, pode agravar o quadro clínico, dificultar o diagnóstico do animal e consequentemente a notificação da doença. Relata-se o caso de um cão, macho, sem raça definida, 8 anos, domiciliado em área urbana, atendido no Hospital Veterinário da UFLA, com queixa de apatia, edema articular e lesão cutânea por lambedura persistente. O diagnóstico de LVC foi confirmado por sorologia (teste rápido seguido de ELISA), enquanto a erliquiose foi identificada por alterações hematológicas compatíveis e teste sorológico. Os exames laboratoriais evidenciaram anemia não regenerativa persistente (hematócrito entre 24% e 32%) e proteinúria acentuada (+++) indicando comprometimento sistêmico. A ultrassonografia abdominal revelou esplenomegalia, hepatomegalia e alterações compatíveis com nefropatia crônica. O tratamento instituído incluiu Miltefosina (2%) por 28 dias, Alopurinol de uso contínuo e Domperidona para LVC, além de Doxiciclina para erliquiose. Para controle da dor e manejo das lesões, foram utilizados Gabapentina e curativos especializados. Durante o acompanhamento, observou-se discreta melhora clínica, com estabilização do quadro geral, embora a proteinúria tenha persistido, indicando necessidade de monitoramento contínuo da função renal. O caso evidencia a importância do diagnóstico precoce e multimodal em coinfecções, bem como da abordagem terapêutica integrada. Ressalta-se ainda a relevância do controle ambiental, sobretudo dos vetores (carrapato e mosquito-palha) e do acompanhamento clínico prolongado, uma vez que o prognóstico permanece reservado, especialmente diante do comprometimento renal. A gestão eficaz da LVC em áreas urbanas é essencial para interromper o ciclo de transmissão e reduzir os riscos à saúde pública, principalmente para idosos, crianças e imunossuprimidos, os grupos mais propensos a se infectarem por essas zoonoses.

        Palestrante: Heloísa Ferreira Prock (Universidade federal de lavras)
      • 13:10
        O COMPLEXO TENÍASE-CISTICERCOSE POR TAENIA SOLIUM SOB A ÓTICA DA SAÚDE ÚNICA 20m

        O complexo teníase-cisticercose (CTC), causado por Taenia solium, é uma das ciclozoonoses mais persistentes e negligenciadas no Brasil. A T. solium apresenta risco dual ao ser humano: como hospedeiro definitivo (teníase intestinal) e como hospedeiro intermediário acidental, desenvolvendo cisticercose tecidual. Esta revisão sintetiza evidências sobre os impactos clínicos, epidemiológicos e os desafios de controle dessa zoonose. A teníase é frequentemente assintomática, dificultando sua detecção e favorecendo a disseminação de ovos no ambiente. Em contraste, a cisticercose apresenta manifestações variadas conforme a localização dos cistos. Destaca-se a neurocisticercose (NCC) como a forma de maior impacto, sendo a principal causa evitável de epilepsia adquirida em países endêmicos. Sua gravidade está associada não apenas à presença do parasita no sistema nervoso central, mas à intensa resposta inflamatória do hospedeiro durante a degeneração dos cisticercos. Casos de cisticercose muscular com aspecto de “grão de arroz” em exames de imagem evidenciam a disseminação sistêmica e a alta carga parasitária, comum em pacientes de regiões mais vulneráveis. A persistência de T. solium está diretamente relacionada à suinocultura de subsistência e à deficiência no saneamento básico. Estudos em matadouros brasileiros indicam que a inspeção sanitária pode falhar na detecção de cisticercos em locais não usuais, permitindo a comercialização de carne contaminada, contudo carnes advindas do abate clandestino e ou que passaram por baixa fiscalização são as que mais causam risco de contaminação para o consumidor. Dados recentes mostram aumento de notificações nas regiões Sul e Sudeste, indicando expansão para áreas periurbanas com infraestrutura precária, ressaltando o aspecto ambiental socioeconômico da infecção. O controle efetivo requer abordagem de Saúde Única. No âmbito humano, a integração entre neuroimagem e sorologia (ELISA/EITB) é essencial para o diagnóstico, o acesso ao saneamento básico e a vigilância sanitária, principalmente das carnes suínas, se tornam imprescindíveis na prevenção das doenças. No âmbito veterinário, o fortalecimento da inspeção sanitária, o incentivo à vacinação suína e o combate à precariedade do sistema de criação são estratégias-chave para interromper o ciclo do parasita. O complexo teníase-cisticercose permanece como marcador de subdesenvolvimento, exigindo políticas públicas integradas que envolvam tratamento de portadores, melhorias no manejo sanitário animal e investimentos em educação, saúde e saneamento, principalmente da população relegada.

        Palestrante: Heloísa Ferreira Prock (Universidade federal de lavras)
      • 13:10
        PAPEL DOS FELÍDEOS NA TOXOPLASMOSE: DESMISTIFICANDO CONCEITOS ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO EM SAÚDE ÚNICA 20m

        Toxoplasmose é uma das zoonoses (doenças infecciosas que podem ser transmitidas entre animais e humanos) mais comuns no mundo. A infecção é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, um parasito intracelular obrigatório que possui, como hospedeiros definitivos, felinos domésticos e selvagens. Embora os felinos ocupem papel central no ciclo biológico do parasito, a educação em Saúde Única demonstra que o convívio com esses animais apenas apresenta risco de transmissão da doença quando seu manejo é negligenciado. Apesar de o parasito ter sido isolado em 1908 e o primeiro caso em humanos ter sido registrado em 1923, persistem muitos mitos e desinformações acerca do modo de transmissão e infecção. A zoonose possui três principais formas de contágio para humanos: via oral, congênita e formas raras. A via oral caracteriza-se, principalmente, pela ingestão de alimentos e água contaminados com oocistos esporulados do parasito. A transmissão congênita ocorre quando a gestante contrai a infecção primária por T. gondii durante a gravidez, o que permite que o parasito atravesse a placenta e infecte o feto, caracterizando a transmissão vertical. Já as formas raras, que são as menos registradas, podem surgir por inalação de aerossóis contaminados, transfusão de sangue, transplante de órgãos ou até mesmo inoculação acidental. Logo, o contato direto com felinos não causa a toxoplasmose, já que estes eliminam oocistos somente uma vez na vida (por um período curto, de cerca de uma a três semanas). O risco real reside no manejo indevido das fezes de animais infectados, o que pode contaminar alimentos e água. Medidas preventivas de higiene e manejo ambiental — como a utilização de luvas, a limpeza diária das caixas de areia, a higienização correta de verduras, a lavagem das mãos após o manejo de terra e o cozimento adequado de carnes — reduzem drasticamente as chances de contaminação pelo Toxoplasma gondii.

        Palestrante: Jacqueline Antunes Ramos (Medicina Veterinária na Universidade Federal de Lavras)
      • 13:10
        POTENCIAL REPELENTE DE ESPÉCIES DO GÊNERO Zingiber NO CONTROLE DE Aedes aegypti: INFLUÊNCIA DA EXTRAÇÃO E DAS FORMULAÇÕES NA EFICÁCIA BIOLÓGICA - UMA REVISÃO DE LITERATURA 20m

        O aumento da incidência de arboviroses e as limitações associadas ao uso contínuo de inseticidas sintéticos, como resistência e impacto ambiental, têm impulsionado a busca por alternativas naturais no controle vetorial. Espécies do gênero Zingiber destacam-se pela presença de compostos voláteis bioativos, com potencial de interferir nos mecanismos de orientação e alimentação de insetos hematófagos. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente o potencial repelente de extratos e óleos essenciais de espécies do gênero Zingiber, com ênfase na influência dos métodos de extração e das formulações na eficácia observada. Foram avaliados estudos que empregaram óleos essenciais obtidos por destilação por arraste de vapor, posteriormente incorporados em veículos oleosos para aplicação tópica. Observou-se que formulações contendo óleo essencial em baixas concentrações (≈4%) foram capazes de reduzir significativamente a taxa de picadas de Aedes aegypti, evidenciando atividade repelente relevante. Esse efeito está associado à presença de metabólitos voláteis capazes de modular estímulos olfativos e comportamentais dos insetos. Adicionalmente, verificou-se que variáveis como tipo de solvente, estabilidade da formulação e condições de armazenamento influenciam diretamente a eficácia do produto. A ausência de padronização metodológica entre os estudos limita a comparação dos resultados e a definição de parâmetros ideais. Dessa forma, a sistematização dessas variáveis é fundamental para o desenvolvimento de formulações mais estáveis e eficazes, contribuindo para a aplicação de produtos naturais como alternativas sustentáveis no controle de vetores.

        Palestrante: Lucas Vilela Reis COELHO (Discente, Departamento de Medicina, Universidade Federal de Lavras (UFLA))
      • 13:10
        PRODUTIVIDADE DOS POSTOS DE INFORMAÇÕESDE TRIATOMÍNEOS – PITS – NOS MUNICÍPIOS DA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE SAÚDE DE DIVINÓPOLIS, MINAS GERAIS, NO PERÍODO DE 2020 A 2025 20m

        A vigilância popular é ação priorizada no Brasil, em vista de baixa densidade de triatomíneos nas residências. Essa modalidade aumenta a probabilidade de detecção de triatomíneos, comparada a outras estratégias adotadas no Sistema Único de Saúde (SUS), e está estruturada na notificação de insetos suspeitos nos Postos de Informação de Triatomíneos (PITs). Portanto, objetivou-se analisar a produção dos PITs nos 53 municípios da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis - área de médio risco de reinfestação de triatomíneos. Foi enviado um formulário aos coordenadores dos 40 municípios que desenvolviam ações de controle da doença de Chagas, contendo 13 perguntas sobre o uso dos PITs no período de 2020 a 2025. Foram entregues e notificados 1983 insetos nos 375 PITs ativos, média de 396,6 insetos por ano. Destes, 793 em PITs urbanos (40%) e 1190 em PITs rurais (60%). Dentre os insetos recebidos foram identificados 611 triatomíneos (30,81%), média de 101,8 por ano. Em 2020 foram notificados 264 insetos, sendo 93 triatomíneos (35,2%). Em 2021, 302 insetos, sendo 101 triatomíneos (33,4%). Em 2022, 354 insetos e 86 eram triatomíneos (24,3%). Em 2023, 449 insetos, sendo 150 triatomíneos (33,4%). Em 2024, 314 insetos e 87 eram triatomíneos (27,7%). Em 2025, 300 insetos, sendo 94 triatomíneos (31,3%). Foram entregues 279 triatomíneos em PITs urbanos (45,7%), e 332 em PITs rurais (54,3%). Em 22 dos 40 municípios (55%) houve identificação de cinco espécies de triatomíneos. Os demais triatomíneos eram ninfas, não sendo possível identificar a espécie, mas eram todos do gênero Panstrongylus. Em 21 municípios (95,5%) foi notificada a espécie Panstrongylus megistus, em nove municípios (40,9%) foi identificado Panstrongylus diasi; em três (13,6%) foi notificado Rhodinus neglectus; em um município foi identificado Triatoma sordida (4,5%) e em um Triatoma pseudomaculata (4,5%). Entre os anos de 2022-2023 foi observado recebimento de insetos acima da média, mas só em 2023 houve aumento de entrega de triatomíneos. A população rural foi a que mais procurou os PITs, sendo a maioria dos triatomíneos entregues em PITs rurais, prevalecendo a espécie P. megistus. Conclui-se que na maioria dos municípios os PITs eram procurados pela população, contribuindo à notificação de importante fauna triatomínica. Logo, manter PITs ativos em área rural é importante para a região, e a manutenção de PITs urbanos é relevante, considerando-se o aumento da notificação de triatomíneos.

        Palestrante: Rogério Rocha (Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis – Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais)
      • 13:10
        PROJETO “MC AEDES: CIÊNCIA CIDADÃ NAS ESCOLAS COMO FERRAMENTA DE LETRAMENTO CIENTÍFICO.” 20m

        As arboviroses, como a dengue, representam um desafio de saúde pública no Brasil, dadas as condições climáticas, geográficas e sanitárias que potencializam a disseminação de espécies de Aedes invasores. Paralelamente, o desempenho dos estudantes de ensino médio no Brasil está abaixo da média de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em ciências. Projetos de ciência cidadã, onde não-cientistas participam de pesquisas científicas, possibilitam uma educação fundamentada no pensamento crítico investigativo proposta pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com base na CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade). O presente relato objetiva apresentar o projeto “MC Aedes: Ciência cidadã nas escolas como ferramenta de letramento científico”. O projeto teve início em novembro de 2025 em uma escola estadual situada em um bairro popular do município de Montes Claros - MG. Os estudantes de duas turmas do Ensino Médio, com idade entre 15 e 17 anos, participaram de seis encontros semanais: 1. Apresentação do projeto e convite para voluntariado; 2. Origem e ecologia dos Aedes invasores no brasil; 3. Construção de hipóteses e mapeamento de áreas de risco para oviposição do mosquito Aedes; 4. Confecção e instalação de armadilhas artesanais de garrafa pet (ovitrampet) pelos estudantes em seus domicílios; 5. Coleta das armadilhas e treinamento de contagem dos ovos de Aedes. 6. Devolutiva, análise e aplicação dos dados obtidos. Um teste foi aplicado, antes e depois dos encontros, para acompanhamento do desempenho dos estudantes quanto às habilidades de “Avaliação de intervenções”, “Métodos e fenômenos científicos” e “Biologia do Aedes”. Um total de 23 estudantes participaram do projeto, desses 69,6% foram do gênero feminino e 30,4% masculino. A análise comparativa entre os resultados dos testes de desempenho dos estudantes apontou melhora de 10% no desempenho dos estudantes, com melhoria nas habilidades “Métodos e fenômenos científicos” e “Biologia do Aedes”. Cerca de 80% dos estudantes retornaram dos domicílios com as ovitrampets e três estudantes, que foram contemplados com bolsas de iniciação científica júnior, continuaram contribuindo com o monitoramento no período de férias escolares. Os resultados do projeto serão apresentados pelos estudantes na próxima Feira de Ciências da escola. Conclui-se que o projeto apresenta potencial para melhoria do letramento científico e do engajamento dos estudantes no monitoramento comunitário do Aedes.

        Palestrante: Dr. GUILHERME DE SOUZA (Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES))
      • 13:10
        RELATO DE CASO DE MIELOENCEFALITE PROTOZOÁRIA EQUINA NO HOSPITAL VETERINÁRIO DA UFLA 20m

        A Mieloencefalite Protozoária Equina (EPM) é uma doença neurológica causada pelo protozoário Sarcocystis neurona e Neospora hughesi transmitida pelas fezes do gambá (Didelphis albiventris), com a espécie equina sendo o hospedeiro acidental. Essa afecção ocasiona sinais clínicos como ataxia, paresia, atrofia muscular assimétrica e, nos casos graves, decúbito permanente, que progride ao óbito. Ainda que não seja classificada pela OMS como doença negligenciada, na prática clínica e epidemiológica brasileira, ela se enquadra nesse contexto: subnotificação expressiva, diagnóstico definitivo dependente de necropsia, ausência de vacina disponível no Brasil, escassez de dados epidemiológicos e impacto econômico desproporcionalmente elevado em populações rurais vulneráveis. Mediante o exposto, o objetivo deste trabalho é relatar um caso de EPM em equino, atendido no Hospital Veterinário da UFLA. Tratou-se de um macho, 5 anos, da raça Mangalarga Marchador, com 275 kg, sem histórico prévio de doença, proveniente de uma propriedade rural em Luminárias - MG, utilizado para passeio e cavalgada. Aproximadamente 30 dias antes da internação, o animal apresentou ataxia, sendo incapaz de sustentar-se durante a manipulação. O quadro se agravou após 15 dias, apresentando incoordenação e fraqueza nos membros posteriores. A partir do exame neurológico, observou atrofia de garupa e de membros posteriores, além de hipersensibilidade no músculo glúteo lateral. O diagnóstico de EPM foi estabelecido com base nos sinais clínicos, após o afastamento dos principais diagnósticos diferenciais: herpesvirose equina, Síndrome de Wobbler e compressão medular. O protocolo terapêutico inicial foi composto por DMSO, dexametasona, vitamina B1, antitóxico, sulfa-trimetoprim e, posteriormente, diclazuril. A fisioterapia foi realizada duas semanas após a chegada do cavalo. Nesse viés, obteve-se uma resposta positiva ao protocolo instituído, sendo que o paciente permaneceu internado por 47 dias, com melhora do quadro e estabilidade progressiva ao longo dos dias. Em conclusão, o caso ilustra o perfil negligenciado da EPM na realidade brasileira: animal de trabalho, criado por proprietário com poucos recursos, sem diagnóstico sorológico precoce ou vacina, atendido após evolução tardia da afecção. A ausência de políticas públicas de vigilância epidemiológica contribui para a invisibilidade do seu real impacto na equideocultura nacional.

        Palestrante: Laura Quintão Rezende (Departamento de Medicina Veterinária (DMV), Faculdade de Zootecnia e Medicina Veterinária, Universidade Federal de Lavras (FZMV - UFLA))
      • 13:10
        USO DE OVITRAMPAS COMO MÉTODO DE DETECÇÃO DE OVOS DE Aedes aegypti EM AMBIENTE ACADÊMICO - UFLA 20m

        Arboviroses são doenças causadas por agentes etiológicos transmitidos por vetores, como mosquitos do gênero Aedes aegypti, responsáveis pela disseminação de enfermidades como dengue, zika e chikungunya. No Brasil, a principal afecção detectada é a Dengue, localizada especialmente em áreas rurais e locais com condições de saneamento básico precário. As ovitrampas, armadilhas utilizadas para a identificação de áreas com presença de Aedes, têm sido destaque como um método eficaz no monitoramento desses vetores e pelo seu baixo custo. O presente estudo teve como objetivo realizar a busca e captura de ovos de Aedes aegypti no Departamento de Medicina (DME), por meio de uma ovitrampa. Para isso, foi preparada a infusão de feno composta por 6 litros de água declorada e 60 gramas de feno, mistura utilizada como atrativo para mosquitos fêmeas. A solução foi acondicionada em recipiente selado com saco plástico preto e mantida em estufa BOD a 28 °C por 24 horas para fermentação. Posteriormente, a armadilha foi produzida a partir de uma garrafa PET de 2 litros higienizada com água, cortada a 13 cm de altura e revestida externamente com papel contact preto, com o objetivo de simular um ambiente propício para a fêmea depositar os ovos. No interior, foi inserida uma palheta de eucatex, cujo diâmetro foi de 13 cm de altura e 4,9 cm de largura e foi parcialmente submersa, para servir de superfície para a oviposição. A ovitrampa foi preenchida com 80% de água e 20% da solução fermentada e instalada em uma janela do lado de fora do banheiro feminino. Após um período de sete dias, a armadilha foi recolhida para análise laboratorial, com observação de seis ovos, mas, nenhuma larva ou mosquito adulto. De acordo com as características morfológicas, foi possível classificar a espécie como Aedes aegypti. Também foi realizada inspeção ambiental por meio de checklist no ambiente externo, onde foi encontrada uma garrafa plástica com acúmulo de água, porém vedada com a tampa. Ao realizar a inspeção no banheiro feminino, observou-se vasos sanitários sem tampa, representando um possível risco de criadouro. Nesse contexto, é recomendável a incorporação de tampas aos vasos sanitários e evitar o acúmulo de resíduos em condições propícias ao inseto no meio ambiente. Os achados indicam presença do vetor no local, confirmando a eficácia da ovitrampa como ferramenta de monitoramento.

        Palestrante: Yasmin Sant’Ana
      • 13:10
        VIGILÂNCIA ENTOMOLÓGICA DE VETORES COM USO DE OVITRAMPAS NO CENTRO DE INTEGRAÇÃO UNIVERSITÁRIA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS 20m

        As arboviroses são causadas por vírus e transmitidas por artrópodes, como Aedes aegypti. Afetam principalmente populações de regiões tropicais e em desenvolvimento, sendo consideradas de grande relevância para a saúde pública.. Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo realizar uma análise entomológica para identificar a presença de estágios imaturos de Aedes aegypti no ambiente do Centro de Integração Universitária (CIUNI) por meio da utilização de ovitrampas. Para o preparo da ovitrampa, foi feita uma infusão de feno utilizando água declorada e feno misturados em recipiente vedado com um saco preto e mantida em BOD para fermentação por 24 horas a 28 ºC, a fim de ocorrer a fermentação e gerar um odor atrativo para as fêmeas. As ovitrampas foram confeccionadas com garrafas PET higienizadas com água e sabão, revestidas externamente com papel contact preto para simular locais de oviposição. Internamente, foi inserida uma palheta de eucatex 13x5cm parcialmente submersa, utilizada como substrato para deposição de ovos. A armadilha foi preenchida com solução composta por 20% água e 80% infusão de feno fermentada, sendo instalada no CIUNI, em área interna próxima à cozinha. A cada sete dias, a armadilha foi recolhida e analisada em laboratório, verificando a possível presença de ovos, larvas e mosquitos adultos. Paralelamente, foi realizada inspeção ambiental do local. Foram conduzidas quatro coletas, sendo que nas duas primeiras não houve registro de amostras. Na terceira semana, foram identificadas três larvas de A. aegypti em estádios L2 e L3. Na quarta semana, foram observadas 15 larvas de uma espécie não identificada mas que não se assemelhavam a larvas de mosquitos. Durante a inspeção, não foram observados possíveis criadouros. Os resultados indicaram baixa presença dos vetores analisados no local estudado. Dessa forma, destaca-se a importância da continuidade do monitoramento para confirmar a ausência de criadouros e contribuir para o controle de arboviroses na área avaliada.

        Palestrante: YASMIN BICALHO (UFLA)
    • 13:30 14:00
      Apresentação oral - 23/05/2026: Flash talk 3

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade oral.

      • 13:30
        POTENCIAL DO SOFTWARE QGIS COMO FERRAMENTA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DA DENGUE EM CARMO DA MATA (MG) 5m

        A dengue permanece como importante desafio de saúde pública, sobretudo em municípios de pequeno porte e com estrutura hospitalar limitada, como Carmo da Mata (MG). Este estudo analisou a distribuição espacial e temporal dos casos de dengue no município, utilizando o QGIS para elaboração de mapas de calor, com o objetivo de identificar áreas de risco e subsidiar ações de vigilância e controle vetorial. Trata-se de estudo ecológico, descritivo, fundamentado em dados clínico-epidemiológicos e de focos do Aedes obtidos junto à vigilância municipal, referentes ao ano de 2024 e ao primeiro semestre de 2025, incluindo endereços georreferenciados, características sociodemográficas, focos do vetor e cobertura dos agentes de endemias. Os endereços foram geocodificados por meio do Google Planilhas, com uso da API do Google Maps, e posteriormente importados para o QGIS, no qual foram elaborados mapas temáticos mensais e anuais de densidade por bairro, perfil epidemiológico e focos do vetor. Com a finalidade de complementar a interpretação dos mapas, foram produzidos relatórios mensais e anuais contendo a sistematização das principais informações identificadas. No período, foram elaborados 181 mapas e registrados 2.913 casos de dengue, sendo 2.409 em 2024 e 504 em 2025, com forte sazonalidade, picos em março de 2024 e abril de 2025 e redução de quase 80% entre os anos. Houve concentração superior a 90% dos casos na área urbana, com destaque para o bairro Centro, responsável por cerca de metade das notificações. Também se observou predomínio de focos domiciliares, maior acometimento de adultos entre 20 e 49 anos, maior frequência entre indivíduos autodeclarados brancos, seguidos por pardos e pretos, e maior incidência entre pessoas com ensino médio completo. A análise laboratorial indicou circulação simultânea de múltiplos sorotipos, com predomínio de DENV-1 e DENV-2, reforçando a necessidade de vigilância contínua. O geoprocessamento permitiu identificar hotspots de transmissão, fragilidades na qualidade dos dados, como incompletude de informações, inconsistências em bases governamentais e classificação incorreta de bairros, além de subsidiar recomendações para intensificar visitas dos agentes, qualificar notificações e otimizar recursos. Conclui-se que a análise espacial em QGIS é ferramenta acessível e estratégica para o monitoramento da dengue em contextos de recursos limitados, com potencial de aplicação em localidades semelhantes.

        Palestrante: LUCAS SILVA DOS REIS (UFLA)
      • 13:35
        AVALIAÇÃO DO EFEITO INSETICIDA DE “COMPOSTOS de X” DE FORMA ISOLADA E COMBINADA SOBRE LARVAS DE Aedes aegypti: EFICÁCIA, EFEITO RESIDUAL E ALTERAÇÕES HISTOLÓGICAS NO INTESTINO MÉDIO DE LARVAS 5m

        A crescente resistência de Aedes aegypti aos inseticidas, aliada à expansão das arboviroses relacionadas ao mosquito, impõe a necessidade de prospecção de novos compostos bioativos com propriedades inseticidas e/ou de impacto no desenvolvimento do inseto. Nesse sentido, avaliamos o efeito larvicida de 4 compostos sintéticos de X (patente, CL5o = 0,33 mg.mL⁻¹), solubilizados em DMSO e etanol 1%, isolados e combinados, utilizando metodologia padrão-ouro OMS, a saber: composto 1 a 6,09 g.mg-1, composto 2 a 4,5 g.mg-1, composto 3 a 0,019 g.mg-1 e composto 4 a 0,012 g.mg-1. Os insetos do grupo controle foram expostos apenas aos solventes. Verificou-se: i) baixo (C1 17,8%, C2 7,8%) ou nenhum efeito inseticida (C3 e C4) dos compostos isolados, ii) aumento significativo na mortalidade frente as associações binárias contendo C1, em especial "C1+C2" (46,7%), iii) redução da mortalidade frente as combinações ternárias frente a combinação de “C1+C4” e iv) mortalidade de 35,6% frente a associação de todos os 4 compostos. A curva dose-resposta revelou CL50 de 0,56 mg.mL⁻¹ (IC 95%: 0,27–1,39) para C1, de 1,27 mg.mL⁻¹ (IC 95%: 1,16–1,38) para C2 e de 0,43 mg.mL⁻¹ (IC 95%: 0,39–0,45) para “C1+C2”, sugerindo sinergismo. Ensaios de efeito residual demonstraram que as soluções de C2 mantiveram efeito inseticida por até 9 meses (protegida da luz e mantida refrigerada ou a temperatura ambiente até o momento do uso). Ensaios com “C1+C2” encontram-se em andamento. A avaliação histológica de larvas expostas a CL99 de C1 (1,9 mg.mL-1) ou de “C1+C2” (1,95 mg.mL-1) revelaram aumento da vacuolização e desorganização tecidual no epitélio do intestino médio, de forma mais pronunciada frente a C1. Os resultados sugerem melhor efeito inseticida, de forma sinérgica, de C1+C2, com possível mecanismo de ação na destruição intestinal do inseto, contudo, não excluindo outros sítios alvo. Encontra-se em andamento estudos investigando o efeito inseticida sobre populações resistentes a inseticida e a relação de C1+C2 sobre as enzimas detoxificativas e os receptores de adenosina.

        Palestrante: Pedro Castro / Gerente DNs - Artrópodes (UFMG)
      • 13:40
        AVALIAÇÃO DO USO DE OVITRAMPAS COMO FERRAMENTA PARA A VIGILÂNCIA ENTOMOLÓGICA E PARA O MAPEAMENTO DE ESTRATOS COM MAIOR RISCO DE TRANSMISSÃO DE ARBOVIROSES NO MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS (RJ) NOS ANOS DE 2025 E 2026. 5m

        O Aedes aegypti é o principal vetor dos arbovírus causadores das principais arboviroses urbanas no Brasil. Em Três Rios-RJ, o monitoramento vetorial baseava-se exclusivamente no Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Em 2025, iniciou-se a implantação de ovitrampas como ferramenta complementar de vigilância. Para uma implementação mais eficiente, propusemos a realização de uma qualificação dos Agentes de Controle de Endemias (ACEs), com treinamento prático e produção de um mapa mental sobre o assunto. Realizamos o treinamento para a qualificação dos ACEs em dois dias. Foram convidados 40 profissionais, com retorno de 28 (70%). A produção do mapa mental pré e pós treinamento foi utilizada para a avaliação quali-quantitativa. O mapa mental foi iniciado a partir da palavra ovitrampa, considerada o conceito central. A correção seguiu a associação dessa palavra e para a análise dos mapas foi estabelecido um gabarito, que chamamos de rubrica. Em relação às ovitrampas, 60 delas foram instaladas em 21 bairros, distribuídas em sete estratos geográficos com gradeamento de 200x200m, posicionadas em domicílios e setores públicos. Em laboratório, os ovos presentes nas palhetas coletadas, foram contados e os dados foram inseridos no programa ContaOvos, que gera automaticamente mapas de calor e índices de densidade de ovos (IDO), índice de positividade de ovos (IPO) e índice da média de ovos (IMO). Os resultados demonstram que as ovitrampas constituem estratégia sensível, de baixo custo e fácil aplicação, fortalecendo o monitoramento vetorial no município. A integração com o ContaOvos ampliou a capacidade analítica da vigilância, permitindo detecção precoce e respostas operacionais mais precisas. O uso dos mapas mentais permitiu que os agentes reconhecessem conexões entre o monitoramento vetorial, os determinantes ambientais e as estratégias de controle, fortalecendo a compreensão ampliada do processo saúde-doença no contexto das arboviroses. A continuidade do projeto permitirá consolidar o banco de dados de ovitrampas, possibilitando análises mais robustas, sobre padrões de infestação e comparações entre estratos. O projeto fortalece as ações de prevenção e controle de arboviroses no âmbito municipal. A articulação entre a formação técnica, coleta sistemática de dados e análise integrada permite a obtenção de resultados confiáveis e as recomendações práticas para a gestão da vigilância.

        Palestrante: Mx Josiane da Silva Figueira (Prefeitura Municipal de Três Rios)
      • 13:45
        CARTILHA "UMA SÓ SAÚDE EM COMUNIDADES TRADICIONAIS": EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA AUTONOMIA E PREVENÇÃO DE ZOONOSES E AGRAVOS EM TERRITÓRIOS INDÍGENAS 5m

        A saúde dos povos indígenas e comunidades tradicionais está profundamente articulada ao território, à cultura e às relações com animais e meio ambiente. No Brasil, mais de 1,6 milhões de pessoas vivem em mais de 8 mil localidades indígenas, em sua maioria marcados por ausência de saneamento básico, acesso limitado à água potável e exclusão de serviços de saúde, condições que amplificam a vulnerabilidade a zoonoses e outros agravos. Estima-se que mais de 60% das doenças infecciosas humanas sejam de origem zoonótica, com impacto desproporcional sobre populações em situação de vulnerabilidade socioambiental. Diante desse cenário, este trabalho teve como objetivo desenvolver uma cartilha educativa intercultural, baseada nos princípios da Saúde Única, voltada ao fortalecimento da autonomia territorial, à prevenção de doenças e ao cuidado coletivo em territórios tradicionais. A metodologia adotada foi qualitativa, participativa e interdisciplinar, ancorada na educação popular em saúde e na pesquisa participativa, com escuta ativa de lideranças, agentes de saúde e membros das comunidades de MG: Xucuru-Kariri, Kamakã-Mongoió, Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Maxakali e Xakriabá. O processo envolveu rodas de conversa, levantamento bibliográfico, validação técnica e cultural do material produzido e ações de medicina veterinária do coletivo desde 2022. O resultado é a cartilha "Uma Só Saúde em Comunidades Tradicionais", com 87 páginas, ilustrações originais produzidas com participação indígena e linguagem acessível. O conteúdo abrange: fundamentos da Saúde Única e da Medicina Veterinária do Coletivo; zoonoses prioritárias (raiva, leishmaniose, doença de Chagas, leptospirose, esquistossomose, hantavirose, entre outras); doenças transmitidas por carrapatos; micoses e dermatoses; arboviroses; verminoses; bem-estar animal e guarda responsável; acidentes com animais peçonhentos; saneamento básico; água potável; serviços de saúde e direitos territoriais. A cartilha constitui uma tecnologia social alinhada ao Plano Nacional de Uma Só Saúde, com potencial de uso em formação de agentes comunitários, ações de vigilância participativa e processos educativos em territórios tradicionais. Ao integrar saberes científicos e tradicionais, o material fortalece a autonomia das comunidades e contribui para a construção de territórios mais saudáveis, seguros e justos.

        Palestrante: tatiana Giacoia (UFMG)
    • 13:30 14:00
      Dia 2 - 23/05/2026: Bloco 5 - Avaliação Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 13:30
        AÇÃO DE PROTEASES SOBRE OOCISTOS DE Cryptosporidium spp. 20m

        A criptosporidiose é uma zoonose de elevada relevância global, caracterizada pela persistência de oocistos de Cryptosporidium spp. no ambiente. A resistência dessa espécie aos desinfetantes químicos convencionais, pode levar a impactos ecológicos devido ao uso indiscriminado desses produtos, impondo a necessidade de novas formas de controle. Nesse contexto, este estudo investigou a eficácia destrutiva in vitro de duas proteases, isoladas e em concomitância, de oocistos de Cryptosporidium spp.. As enzimas (vegetal - papaína e microbiana – Bacillus liqueniforms) utilizadas neste estudo foram obtidas comercialmente pelas empresas Dinâmica® e Prozyn®, respectivamente. Para os experimentos, inicialmente, os oocistos foram isolados de fezes de animais naturalmente infectados na Universidade Federal de Minas Gerais. Em seguida, os grupos foram separados em: controle negativo (G1); controle positivo (G2); tratamento com a protease vegetal 15% (m/v) (G3); tratamento com a protease microbiana 15% (m/v) (G4); e tratamento com ambas as enzimas na concentração de 15% (m/v) (G5). Utilizou-se o hipoclorito de sódio (0,04% v/v) como controle positivo. Os resultados revelaram que a protease microbiana apresentou uma taxa de destruição de 93%, valor estatisticamente semelhante (p>0,01) ao controle positivo convencional (95%). Por outro lado, o tratamento concomitante também atingiu 93% de eficácia, enquanto a papaína isoladamente demonstrou um desempenho inferior aos demais tratamentos (65%), embora ainda significativo (p<0,01). Um estudo de compatibilidade enzimática, realizado por até 72h de incubação, revelou que as enzimas em concomitância não somam suas atividades proteolíticas, ou seja, a ação isolada das proteases revela um potencial biotecnológico mais promissor. Além disso, a elevada performance da enzima de B. licheniformis destaca a sua viabilidade como uma tecnologia verde. Ao promover a degradação bioquímica das proteínas constituintes da parede dos oocistos sem gerar resíduos tóxicos, o método investigado alinha-se aos preceitos da Saúde Única e à Agenda 2030 da ONU. Por fim, este estudo conclui que o uso de proteases, especialmente de origem microbiana, constitui uma estratégia com grande potencial e ecologicamente correta para mitigar a persistência ambiental desse protozoário.

        Palestrante: Roberta Elisa Meierjurgen Mascarenhas (UFLA - Universidade Federal de Lavras)
      • 13:40
        CARACTERIZAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA E VALIDAÇÃO DO MALDI – TOF MS PARA IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES DE Sporothrix EM ISOLADOS DA COLEÇÃO CCSLACAZ 20m

        A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos dimórficos do gênero Sporothrix e constitui um problema de saúde pública, especialmente na América Latina. No Brasil, surtos urbanos associados à transmissão zoonótica têm sido cada vez mais relatados, levando à inclusão da doença na Lista Nacional de Notificação Compulsória devido ao aumento do número de casos e ao seu potencial de disseminação entre animais e humanos. Nesse contexto, a identificação rápida e precisa das espécies de Sporothrix é fundamental para a vigilância epidemiológica e o controle da doença. Este estudo teve como objetivo caracterizar 48 isolados de Sporothrix spp. provenientes da Coleção de Culturas de Fungos Patogênicos Prof. Carlos da Silva Lacaz (CCSLACAZ), analisar seu perfil epidemiológico e avaliar o desempenho diagnóstico do MALDI-TOF MS, utilizando a identificação molecular como padrão-ouro. A maioria dos isolados foi obtida de amostras clínicas (44/48; 92%), com predominância de indivíduos do sexo feminino (24/44; 50%) e faixa etária entre 20 e 60 anos (26/44; 54%). Também foram incluídos isolados de origem ambiental e felina (2/48; 4,2% cada). A identificação molecular foi realizada por PCR utilizando primers espécie - específicos direcionados ao gene da calmodulina, revelando predominância de Sporothrix brasiliensis (40/48; 83,5%), seguida por Sporothrix schenckii (6/48; 12,3%) e Sporothrix globosa (2/48; 4,2%). O MALDI-TOF MS identificou 33 isolados (68,8%) com confiabilidade em nível de espécie (score ≥ 2,0), enquanto 10 isolados não foram identificados e 5 apresentaram identificação apenas em nível de gênero (score < 2,0). Conclui-se que o MALDI-TOF MS apresentou acurácia limitada para identificação em nível de espécie quando comparado ao método molecular. No entanto, sua rapidez diagnóstica destaca a necessidade de otimização dos protocolos de extração proteica e expansão dos bancos de dados de referência, visando melhorar seu desempenho diagnóstico.

        Palestrante: Milena Coelho (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP))
      • 13:40
        CARACTERIZAÇÃO FUNCIONAL DA FOSFOLIPASE TIPO PATATINA (PNPLA) EM Leishmania infantum E SEU POTENCIAL COMO ALVO QUIMIOTERÁPICO 20m

        As leishmanioses são doenças negligenciadas causadas por parasitos do gênero Leishmania. Os tratamentos disponíveis apresentam limitações, como toxicidade elevada, número restrito de fármacos e surgimento de resistência, evidenciando a necessidade de novos alvos terapêuticos. A fosfolipase do tipo patatina (PNPLA), foi identificada como diferencialmente expressa em linhagens de L. infantum resistentes ao antimônio. A PNPLA atua na hidrólise de fosfolipídios de membrana, podendo influenciar processos relacionados à adaptação, infectividade e resistência a fármacos. Diante disso, este trabalho tem como objetivo avaliar o impacto da deleção e da superexpressão do gene PNPLA em L. infantum, caracterizando o genótipo e o fenótipo dos parasitos mutantes quanto ao crescimento, susceptibilidade a fármacos, resposta ao estresse e infectividade in vitro. Para a deleção do gene de cópia única PNPLA (LINF_340035800) em L. infantum por CRISPR/Cas9 foi utilizada a linhagem Li::Cas9::tdTomato, que expressa SpCas9, RNA polimerase T7 e a proteína fluorescente vermelha tdTomato. A linhagem Li::Cas9::tdTomato foi transfectada com cassetes de DNA doador e moldes de sgRNA direcionados ao gene PNPLA. Todos os iniciadores necessários para essas amplificações foram desenhados usando o LeishGEdit. As modificações genéticas dos parasitos transfectados foram confirmadas por PCR. As tentativas de obtenção de mutantes nocaute para o gene PNPLA não foram bem-sucedidas. Os parasitos transfectados sobreviveram após a seleção com neomicina (NEO) e puromicina e, embora tenha sido confirmada a integração dos marcadores de resistência no locus alvo, observou-se a manutenção do gene PNPLA. Esse resultado sugere que PNPLA é essencial para a viabilidade do parasito, sendo provável que cópias adicionais do gene tenham sido mantidas por aneuploidia ou amplificação gênica, mecanismos frequentemente associados à plasticidade genômica em Leishmania. Foi possível obter parasitos com deleção de apenas um alelo, evidenciada pela integração do marcador de resistência NEO no locus de PNPLA, caracterizando linhagens heterozigotas. As próximas etapas incluem a caracterização genotípica e fenotípica desses mutantes, bem como uma nova tentativa de deleção completa por meio de estratégia de complementação epissomal do gene previamente à edição gênica por CRISPR/Cas9. Esses resultados contribuirão para elucidar a função biológica da PNPLA e avaliar seu potencial como alvo terapêutico em Leishmania.

        Palestrante: Karla Ferreira Costa
      • 13:40
        ESPOROTRICOSE COMO UMA ZOONOSE NEGLIGENCIADA NO CONTEXTO DE SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA: REVISÃO DE LITERATURA 20m

        A esporotricose é uma doença de distribuição mundial, prevalente em regiões de climas quentes e úmidos que favorecem as condições de crescimento e replicação do microrganismo, sendo o Brasil um importante reservatório da condição.A doença é causada pelo complexo fúngico dimórficos e geofílicos do complexo Sporothrix schenckii, que apresenta em sua forma clínica lesões cutâneas pruriginosas, exsudativas e dolorosa, linfonodomegalia e possível evolução sistêmica que acometem não somente os animais mas também os humanos. A transmissão ocorre a partir da incorporação do microorganismo por arranhaduras ou mordeduras de animais infectados, sendo o principal o gato doméstico que em razão do hábito de acesso à rua e brigas com outros animais infectados, ampliam a disseminação da doença. Apesar do alto potencial zoonótico e do aumento exponencial no número de casos de esporotricose no Brasil, as políticas públicas de controle e prevenção ainda são insuficientes e pouco efetivas na proteção de animais e humanos. Por isso, objetiva-se por meio deste trabalho analisar a relevância da esporotricose como zoonose negligenciada e discutir lacunas nas estratégias de controle. Para isso, foi realizada revisão de artigos científicos, publicados dos anos de 2016 a 2026, disponíveis nas bases Periódicos CAPES, Scopus, PubMed e documentos oficiais do Ministério da Saúde. Os documentos mostram um aumento expressivo na disseminação da esporotricose, nesse contexto a esporotricose deixou de ser uma micose restrita a ambientes rurais e passou a se configurar como uma zoonose urbana emergente. Ademais há uma dificuldade diagnóstica, sendo frequentemente confundida com outras dermatoses, o que favorece a subnotificação e evolução clínica mais grave. O tratamento, embora disponível, enfrenta barreiras como custo elevado, adesão limitada e escassez de serviços especializados. Além disso, a ausência de políticas integradas de vigilância e controle populacional de animais contribui para a persistência da transmissão. Por isso, conclui-se que a esporotricose é uma zoonose negligenciada no Brasil que afeta comunidades vulneráveis com maior exposição e menor acesso a cuidados médicos, e reforça a necessidade de abordagem intersetorial baseada no conceito de Saúde Única pelos órgão de saúde animal e humana.

        Palestrante: Dandara Mariana Pinheiro Nascimento (Departamento de Medicina Veterinária UFLA)
      • 13:40
        HÍBRIDO MOLECULAR INÉDITO MNPI REDUZ CARGA PARASITÁRIA E PREVINE DANOS NO CORAÇÃO DE ANIMAIS INFECTADOS COM A DOENÇA DE CHAGAS 20m

        A Doença de Chagas (DCh) é uma parasitose ocasionada pelo agente etiológico Trypanosoma cruzi, o sucesso evolutivo da doença ocorre por inúmeros motivos, sendo um deles a adaptação do parasito em diferentes microambientes, modificando sua forma evolutiva. Atingindo milhões de pessoas no mundo, inicialmente esteve restrita apenas a região das Américas, atualmente é relatada em países da Europa, África, Mediterrâneo Oriental e Pacífico Ocidental. Os únicos tratamentos disponíveis são os fármacos benznidazol (Bz) e nifurtimox, no entanto, possuem baixa eficácia na fase crônica tardia e cepas resistentes. Uma das estratégias bastante explorada em química medicinal é a hibridação molecular, que consiste no acoplamento de duas ou mais substâncias bioativas em um único composto híbrido, podendo aumentar a eficácia e reduzir os efeitos tóxicos, uma vez que passará por apenas uma via metabólica. Com base nesta problemática, um estudo anterior feito por nosso grupo de pesquisa teve como objetivo sintetizar híbridos moleculares do fármaco metronidazol com eugenol ou análogos. Foram realizados teste in vitro contra todas as formas evolutivas da cepa Y de T. cruzi e toxicidade contra cardiomiócitos. O melhor composto dos testes in vitro e triagem in vivo foi selecionado para testes in vivo prolongados. Com notáveis índices de seletividade, o MNPI apresentou os seguintes índices de seletividade nos testes in vitro: 13,35 µM e 72,28 µM para epimastigotas e tripomastigotas, respectivamente. Além disso, o híbrido apresentou resultados anti amastigotas (forma mais comum na fase crônica) superiores aos do fármaco Bz. Nos estudos in vivo prolongado, os camundongos foram divididos em grupos de dez animais, recebendo a administração de MNPI nas doses de 50 e 100 mg/Kg/dia por camundongos em monoterapia e terapia combinada com Bz. O híbrido MNPI foi eficaz na redução da carga parasitária, miocardite e preveniu a morte dos animais, apesar de não ter curado os animais infectados. Essas descobertas são altamente relevantes, uma vez que atenuar ou prevenir danos cardíacos e consequentemente retardar a progressão da DCh são os principais objetivos da quimioterapia antiparasitária. Além disso, a terapia combinada de MNPI e Bz aumentou os efeitos tripanocidas e atenuou a resposta imune humoral sem induzir a toxicidade. Sendo assim, o controle de manifestações patológicas e da progressão da infecção para forma sintomática da DCh é um objetivo terapêutico tão importante quanto a cura parasitológica.

        Palestrante: Monique Dias Benedetti (Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG))
      • 13:40
        INFECÇÃO POR ESPOROTRICOSE EM GATO MACHO: RELATO DE CASO 20m

        A esporotricose é caracterizada por uma micose subcutânea, que acomete diversas espécies animais, potencialmente zoonótica, causada por fungos dimórficos e geofílicos do complexo Sporothrix schenckii. A transmissão está ligada em geral pela inoculação de esporos por arranhaduras e lesões traumas que culminam em quadros de lesões cutâneas pruriginosas, exsudativas e dolorosas, e que pode haver evolução sistêmica. A preocupação em relação ao quadro advém não só do controle da disseminação da doença entre os animais, mas também devido à dificuldade de controle e risco para a população humana. Por isso, objetiva-se por meio deste trabalho, relatar a conduta clínica de um caso de esporotricose em um gato. Um felino macho, SRD, de 6 anos, com histórico de acesso à rua, foi atendido no hospital veterinário de animais de companhia da UFLA, deu entrada na clínica após o tutor alegar uma ferida na região temporal há 5 dias. Ao exame físico, o animal apresentava 220 bpm, 32 ipm, temperatura 38,5 C°, com mucosas normocoradas e boa condição corporal. Posteriormente foi realizada hemograma e bioquímico, e em seguida a citologia da região da lesão na região temporal, por técnica de imprinting. O hemograma do animal demonstrou presença moderada de neutrófilos tóxicos, com corpúsculo de Döhler, discreta basófilos; neutrófilos hipersegmentados e monocitose. Enquanto o bioquímico demonstrou discreto aumento de globulinas. O laudo da citologia revelou a presença do agente Sporothrix schenckii, revelando se tratar de lesões causadas por esporotricose. Após o diagnóstico a equipe veterinária notificou a vigilância em saúde da prefeitura de Lavras MG. Subsequentemente iniciou-se o tratamento utilizando Sporanox 100 mg, SID, por 30 dias; Iodeto de Potássio 7,5 mg até o retorno; Cronidor 12 mg, BID, por 7 dias e Agemoxi 50 mg, BID, por 7 dias, com indicação de isolamento do animal de outros animais, manipulação do paciente apenas com utilização de luvas e realizar limpeza diária do ambiente do animal com hipoclorito de sódio. Após o tratamento, a infecção foi debelada e o paciente retornou a condição saudável. Por fim, ratifica-se que a esporotricose é uma condição grave que afeta animais e humanos e deve ser diagnosticada efetivamente para evitar a disseminação da doença.

        Palestrante: Dandara Mariana Pinheiro Nascimento (Departamento de Medicina Veterinária UFLA)
      • 13:40
        MONITORAMENTO DE Aedes aegypti COM OVITRAMPA NO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS 20m

        Mosquitos vetores como o Aedes, transmissores de arboviroses, representam um problema de saúde pública, especialmente em regiões tropicais, onde as condições ambientais favorecem sua proliferação. Nesse contexto, o monitoramento desses insetos é essencial para a vigilância entomológica. Entre os métodos disponíveis, as ovitrampas destacam-se pelo baixo custo e facilidade de aplicação, sendo amplamente utilizadas para detectar e acompanhar populações de mosquitos vetores. Este estudo teve como objetivo avaliar a ocorrência de vetores no DEG (Departamento de Engenharia) por meio da instalação de uma ovitrampa. Para a preparação da infusão de feno, utilizada como atrativo para oviposição, foram empregados 6 litros de água declorada e 60 gramas de feno, mantidos em recipiente fechado com saco plástico preto e incubados a 28,2 ºC por 24 horas, permitindo a fermentação. A ovitrampa foi confeccionada com garrafa PET de 2 litros higienizada com água declorada e também álcool 70% (etanol ou isopropanol/IPA), cortada a 17 cm e revestida externamente com papel preto, simulando um ambiente favorável à oviposição. No interior, foi inserida uma palheta de eucatex parcialmente submersa, servindo como substrato para deposição de ovos. As armadilhas foram preenchidas com solução contendo 80% de água e 20% da infusão fermentada. Instaladas no DEG, eram recolhidas semanalmente para análise. Paralelamente, foi realizada inspeção ambiental com checklist padronizado, avaliando ambientes internos e externos. Não foram identificados recipientes com água acumulada nem condições estruturais favoráveis à proliferação dos mosquitos. Após três semanas de coleta, realizadas em período sem ocorrência de chuvas e em ambiente de baixa circulação de alunos e professores,não foram observados ovos, larvas ou mosquitos adultos. Os resultados indicam baixa ou ausência de vetores no período analisado e reforçam o uso de ovitrampas como ferramenta de vigilância. Destaca-se a importância do monitoramento contínuo e da integração de métodos simples com intervenções ambientais para reduzir a incidência dessas doenças e seus impactos na população.

        Palestrante: Maria Fernanda França (Estudante)
      • 13:40
        MONITORAMENTO DE Aedes aegypti POR OVITRAMPAS NO DEPARTAMENTO DE MEDICINA DA UFLA 20m

        Patógenos transmitidos por dípteros representam risco à saúde pública, destacando-se Aedes aegypti como vetor do DENV. A dengue apresenta alta incidência e rápida disseminação em áreas urbanas, com potencial para casos graves. A vigilância entomológica é fundamental para monitorar vetores e orientar ações de controle. Nesse contexto, a vigilância entomológica é essencial para monitorar populações vetoriais e orientar medidas de controle. Este estudo teve como objetivo monitorar a ocorrência de estágios imaturos de mosquitos vetores no Departamento de Medicina (DME) por meio de ovitrampa. Para isso, foi confeccionada uma ovitrampa com garrafa PET de 2 litros higienizada com água e sabão, cortada na altura de 17 cm e revestida externamente com papel contact preto, a fim de simular o ambiente de oviposição e aumentar a atratividade do dispositivo. No interior, inseriu-se uma palheta de Eucatex com 4,9 cm de largura por 12,9 cm de comprimento parcialmente submersa para servir de suporte à oviposição. A armadilha foi preenchida com uma solução de 80% de água e 20% de infusão fermentada de feno. Para o preparo da infusão, utilizou-se 6 L de água declorada e 60 g de feno, mantidos em recipiente vedado em câmara BOD a 28 ºC por 24 horas. A ovitrampa foi instalada no DME e, a cada 7 dias, foram recolhidas para análise laboratorial. Paralelamente, realizou-se a inspeção ambiental baseado em um checklist padronizado, onde foram observados focos gerados pelo descarte incorreto de lixo nos estacionamentos e em áreas gramadas entorno do prédio, ausência de tela nos ralos, tampas de vasos sanitários abertas e entulhos gerados pela obra do prédio de enfermagem e terapia ocupacional, localizado ao lado do prédio onde foi realizada o estudo. A coleta durou 4 semanas, sendo que nenhum ovo ou larva foi coletado entre a primeira e a terceira semana. Já na quarta semana verificou-se a presença de 60 ovos e 23 larvas, mas nenhum adulto. Através das características morfológicas, identificou-se a espécie A. aegypti. Conclui-se que o monitoramento contínuo é fundamental para o controle vetorial, nesse cenário a ovitrampa foi um recurso simples, barato e eficaz para monitorar a ocorrência de vetores. Para análises futuras mais abrangentes, recomenda-se a instalação de ovitrampas em pontos estratégicos adjacentes do campus, também convém diminuir semanalmente a concentração da solução feita com o feno, visto que só após a terceira diluição foram observados ovos de A. aegypti.

        Palestrante: Heitor macedo (Aniezia de Moura Macedo Ribeiro)
      • 13:40
        MONITORAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DA COVID-19 EM PROFISSIONAIS DA SAÚDE: EFEITOS DA VACINAÇÃO NO CENÁRIO HOSPITALAR 20m

        Desde o surgimento dos primeiros casos em 2019, profissionais da saúde (PS) do mundo mobilizam esforços para o enfrentamento à COVID-19, doença causada pela infecção do vírus SARS-CoV-2. As atividades laborais destes profissionais contribuem sobremaneira para uma maior exposição ao vírus. Diante do afastamento de PS infectados, os recursos humanos na área da saúde se tornaram escassos, culminando em remanejamentos frequentes, sobrecarga de trabalho e estresse para os profissionais substitutos, o que em alguns casos levou ao maior risco de infecção. Ante o exposto, este estudo teve como objetivo monitorar os casos de infecção pelo SARS-CoV-2 em PS no ambiente hospitalar antes e após a vacinação contra à COVID-19, entre junho de 2020 à novembro de 2022. Trata-se de um estudo longitudinal observacional que foi conduzido em uma unidade hospitalar credenciada para o atendimento ambulatorial, internação clínica e de terapia intensiva de pacientes com COVID-19 em toda microrregião de Lavras. Foi realizada uma pesquisa documental no Serviço de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (SVEH) para identificar os PS que foram infectados pelo SARS-CoV-2. Dos 420 PS da instituição, 197 testaram positivo (46,9%), sendo esses convidados a responderem um questionário que objetivava obter dados sociodemográficos, histórico de saúde e informações sobre a evolução da infecção pelo SARS-CoV-2. Uma coorte de 123 profissionais respondeu ao questionário e foram incluídos na presente análise. A idade variou de 21 a 69 anos entre os PS. Um total de 94 (76,4%) PS eram do sexo feminino. O perfil profissional mais afetado foi o de enfermeiros (58,6%), seguido dos auxiliares de limpeza (37,5%) e técnicos de enfermagem (31,5%). Os setores de Síndromes Gripais e UTI adulto obtiveram maior proporção de PS positivos. Em relação ao estado vacinal contra à COVID-19, 113 (91,9%) PS receberam as três doses e 2 (1,6%) não foram vacinados. Seis PS (4,9%) evoluíram para um quadro clínico grave e foram hospitalizados, sendo 3 (2,4%) em UTI, com 1 óbito por COVID-19, todos no período anterior à vacinação. A alta adesão à imunização contribuiu para a ausência de casos graves, internações e óbitos no período pós-vacinação, embora não tenha prevenido a ocorrência de novos casos de infecção. O desenvolvimento de vacinas foi crucial para o enfrentamento à pandemia, entretanto, o surgimento de novas variantes tem imposto desafios aos sistemas de saúde.

        Palestrante: Talita / Gerente DNs - Vírus e Bactérias
      • 13:40
        ONICOMICOSE: DA INFECÇÃO UNGUEAL AO IMPACTO PSICOSSOCIAL 20m

        Onicomicose é a infecção fúngica das unhas, causada em sua maioria (~60 a 70%) por dermatófitos – predominantemente Trichophyton rubrum (>50%) e Trichophyton mentagrophytes(~20%) – seguida por fungos filamentosos não dermatófitos e leveduras. Os sinais clínicos mais frequentes são:onicólise, amarelamento das unhas e hiperceratose subungueal. Pode estar associada a dor, dificuldade para calçar sapatos econstrangimento social, causando impacto negativo na qualidade de vida.Apesar de ser a doença ungueal mais comum no mundo, com prevalência de 5,5%, ainda é negligenciada por profissionais de saúde e pacientes devido a sua relativa baixa morbidade. Realizou-se um estudo de coorte consecutiva para coleta de dados socio epidemiológicose de qualidade de vida de uma população atendida (n=98) em um ambulatório dermatológico de um hospital terciário em São Paulo, de 2023 a 2025, cujo diagnóstico para onicomicose foi positivo baseado no exame direto.Entre os 98 pacientes avaliados, 59% eram mulheres com faixa etária predominante de 36 a 65 anos (47%), seguida por maiores de 65 anos (44%) e de 18 a 35 anos (9%). De acordo com classificação de cor/raça autorreferida, a população do estudo foi majoritariamente composta por indivíduos brancos (68%).A onicomicose subungueal distal lateral foi a apresentação clínica mais frequente (72%), seguida pela onicomicose distrófica total (28%). Tinea pedis foi observada em 59% dos casos e dor foi relatada por 32% dos pacientes, variando de leve (15%), moderada (15%) a intensa (2%). O impacto funcional relacionado ao vestuário e calçadosfoi relevante, visto que 63% dos pacientes relataram desconforto a maioria classificado como moderado (38%),com predomínio pelo sexo feminino (77,6% vs. 42,5%).O impacto social e constrangimento foi elevado, acometendo a maioria dos pacientes. Dificuldades ao procurar tratamento foram relatadas por 32% dos pacientes e 35% pacientes relataram hábitos de vida que poderiam contribuir para a persistência da doença.A onicomicose deve ser compreendida como uma condição de natureza não apenas infecciosa, mas também funcional e psicossocial, que demanda abordagem prolongada e centrada no paciente, considerando impactos que ultrapassam os achados clínicos objetivos e interferem na percepção individual e na integração social.

        Palestrante: Milena Coelho (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP))
      • 13:40
        PERCEPÇÃO DOS AGENTES DE COMBATE A ENDEMIAS ACERCA DA VIGILÂNCIA ATIVA E DA VIGILÂNCIA COM PARTICIPAÇÃO POPULAR DA DOENÇA DE CHAGAS EM MUNICÍPIOS DA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE SAÚDE DE JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS 20m

        O estudo teve como objetivo apreender a percepção e o conhecimento dos Agentes de Combate a Endemias (ACEs) sobre os serviços e ações de vigilância entomológica da doença de Chagas (DC), com ênfase na vigilância com participação popular. Foram enviados questionários semiestruturados on-line, via e-mail, aos 398 ACEs pertencentes aos 37 municípios da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Juiz de Fora, área classificada como de baixo risco de reinfestação domiciliar de triatomíneos nas unidades domiciliares (UDs). O questionário continha 26 perguntas distribuídas em três eixos estruturantes: perfil sociodemográfico; doença de Chagas (DC) e vetores; e vigilância com participação popular. Houve um retorno de 24,6% dos questionários (n=98) de ACEs de 33 municípios. Quanto à escolaridade dos profissionais, 43,1% possuíam ensino médio completo e 30,6% ensino superior completo. Dentre eles, 27,6% afirmaram trabalhar ou já terem trabalhado com as ações de controle da DC. Destes, 33,3% possuíam entre 1 e 5 anos de experiência; 22,2% possuíam entre 5 e 10 anos; e 18,5% menos de 1 ano de experiência. As atividades desenvolvidas nos territórios e mais apontadas pelos ACEs foram educação em saúde (44,9%), pesquisa de triatomíneos nas UDs (19,4%), visita aos PITs (18,4%), borrifação das UDs (17,3%) e atendimento de notificações de insetos suspeitos de serem triatomíneos (16,3%). Todavia, 87,8% afirmaram nunca ter recebido capacitação para atuarem nessas ações. Os ACEs expressaram um bom conhecimento acerca da DC e seus vetores. Ademais, 31,6% conheciam o que era PIT e sua função e 46,6% compreendiam corretamente o conceito de vigilância popular. Em relação à existência de PITs, 43,9% afirmaram não possuir PITs instalados e 58,2% apontaram a necessidade de instalação de novos PITs. Para os participantes, os principais fatores facilitadores para a manutenção dos PITs eram: promoção da educação em saúde voltada à população (31,6%), ocorrência de triatomíneo (13,3%), engajamento popular e articulação com a vigilância em saúde (12,2%). Em contrapartida, a falta desses elementos foi citada como determinante para a inoperância dos PITs, além de serem justificativas para o baixo engajamento popular. Os dados evidenciaram a necessidade de aprimoramento organizacional da vigilância entomológica da DC, com enfoque na educação em saúde e incentivo à participação popular, visando à reestruturação e sustentabilidade da estratégia de vigilância baseada no uso dos PITs.

        Palestrante: Millena Vieira Simões de Freitas (IRR/Fiocruz Minas)
      • 13:40
        SÍNTESE DE GLICOCOMPOSTOS DO TIPO EUGENOL-LIKE COM POTENCIAL AÇÃO ANTIBACTERIANA 20m

        Em um cenário caracterizado pelo crescente aumento de casos de resistência bacteriana ao redor do mundo, surge a necessidade de desenvolvimento de novos fármacos com potencial bactericida e bacteriostático. Nesse contexto, os carboidratos destacam-se como uma classe relevante de compostos com potencial atividade antibacteriana, em função de sua ampla distribuição na natureza, participação em ciclos bioquímicos e possibilidade de modificação química, o que permite a obtenção de novas propriedades farmacológicas. De forma complementar, derivados fenólicos do tipo eugenol também apresentam atividade antibacteriana descrita na literatura, reforçando o interesse nessas classes de compostos. A exploração dessas estruturas pode ser potencializada por estratégias de planejamento racional, como a hibridização molecular, que consiste na combinação de dois fragmentos bioativos em uma única entidade química, visando à obtenção de compostos com propriedades otimizadas em relação aos seus precursores. Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo a síntese e caracterização de 12 compostos obtidos a partir de D-glicose, D-galactose e N-acetilglicosamina acoplados diretamente a moléculas do tipo eugenol-like, com posterior avaliação antibacteriana.

        Palestrante: Izabelli Vitória Sapatini
      • 13:40
        TUBERCULOSE ZOONÓTICA EM ANIMAIS DE PRODUÇÃO: UMA ABORDAGEM EM SAÚDE ÚNICA 20m

        A tuberculose é uma enfermidade infectocontagiosa crônica, causada por bactérias
        do gênero Mycobacterium, com destaque para Mycobacterium bovis em animais de
        produção, apresentando relevância zoonótica e impacto na saúde pública. Este
        trabalho tem como objetivo analisar a tuberculose zoonótica sob a perspectiva da
        Saúde Única, com ênfase nos aspectos epidemiológicos, vias de transmissão e
        implicações sanitárias. Foi realizada uma revisão de literatura com base em estudos
        científicos sobre a doença em humanos e animais de produção. A análise evidencia
        que a transmissão ocorre principalmente por via respiratória, por meio de aerossóis,
        e por via oral, pela ingestão de leite e água contaminados, destacando a interface
        entre saúde animal, humana e ambiental. A elevada resistência do agente no
        ambiente, com capacidade de persistência em matéria orgânica e recursos hídricos,
        contribui para a manutenção da doença. Após a infecção, o agente multiplica-se em
        macrófagos, levando à formação de granulomas e, em casos avançados, à
        disseminação sistêmica. Nos animais, observam-se emagrecimento progressivo,
        sinais respiratórios e queda na produção leiteira, enquanto em humanos a doença
        pode apresentar maior gravidade, especialmente em indivíduos imunossuprimidos.
        No Brasil, a maior ocorrência em rebanhos leiteiros está associada à alta densidade
        animal, falhas no manejo sanitário e ausência de testagem na reposição, fatores
        que favorecem a disseminação do agente. O diagnóstico baseia-se na
        tuberculinização associada a métodos laboratoriais, embora apresente limitações
        quanto à sensibilidade e especificidade. O controle fundamenta-se na testagem
        sistemática, abate sanitário, controle do trânsito animal e medidas de
        biossegurança, uma vez que não há tratamento nem vacinação eficaz amplamente
        aplicada para tuberculose bovina. Conclui-se que a tuberculose zoonótica
        permanece como um desafio sanitário relevante, diretamente relacionado à
        interação entre fatores animais, humanos e ambientais. A adoção de estratégias
        integradas no contexto da Saúde Única é necessária para reduzir a transmissão e
        os impactos produtivos e em saúde pública.

        Palestrante: Kamilly Vitória
    • 16:05 16:15
      Apresentação oral - 23/05/2026: Flash talk 4

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade oral.

      • 16:05
        O DESPERTAR PARA A HANSENÍASE NA APS: QUALIFICAÇÃO DO DIAGNÓSTICO E DO CUIDADO 5m

        A hanseníase permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil, frequentemente associada ao diagnóstico tardio e ao desenvolvimento de incapacidades físicas. No município de Carmo de Minas, a ausência recente de casos notificados sugeria controle da doença; entretanto, a identificação de um caso com comprometimento neurológico avançado revelou possível subdiagnóstico na Atenção Primária à Saúde (APS). Soma-se a isso a apresentação clínica inespecífica da doença, o estigma social e o desconhecimento por parte dos profissionais, fatores que dificultam a detecção precoce. O trabalho teve por objetivo relatar a experiência de reorganização do cuidado à hanseníase na APS, com foco na sensibilização dos profissionais para o diagnóstico precoce, fortalecimento do exame dermatoneurológico, organização do fluxo assistencial e vigilância de contatos, visando reduzir o subdiagnóstico e ampliar a resolutividade da atenção básica. A experiência teve início a partir de um caso clínico com evolução desfavorável, que evidenciou fragilidades no manejo da hanseníase e lacunas na formação da equipe. A análise do território identificou outros pacientes com sinais sugestivos da doença, frequentemente não diagnosticados. Como resposta, foi implementado um processo de qualificação profissional, com revisão de protocolos, capacitação teórica e prática e valorização do exame dermatoneurológico. Houve articulação com serviço de referência para apoio diagnóstico e realização de exames, além da padronização de fluxos assistenciais. A vigilância de contatos foi estruturada de forma sistemática. Como resultado, foram investigados 24 pacientes suspeitos, com confirmação de 14 casos e avaliação integral dos contatos, evidenciando subdiagnóstico prévio e ampliando a capacidade de resposta da APS. A experiência demonstra que a ausência de casos notificados não necessariamente reflete controle da doença, mas pode indicar baixa suspeição clínica. A qualificação da equipe e a reorganização do processo de trabalho fortaleceram a APS como coordenadora do cuidado, promovendo diagnóstico mais precoce, vigilância ativa e maior resolutividade. Destaca-se que estratégias baseadas em educação permanente e fortalecimento do olhar clínico são de baixo custo, alto impacto e potencialmente replicáveis, contribuindo para o enfrentamento da hanseníase no SUS.

        Palestrante: Isabel Aparecida Pereira de Souza (Terezinha Donizete da Silva Pereira e Jose de Jesus Pereira)
      • 16:10
        CAPACITAÇÃO INTERSETORIAL NO SUAS PARA O ENFRENTAMENTO DA HANSENÍASE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROJETO CMI ITINERANTE NO PIAUÍ 5m

        A hanseníase permanece como um problema de saúde pública no Brasil, associada às desigualdades sociais e marcada por estigmas que difi cultam o diagnóstico precoce, o tratamento e a inclusão social das pessoas acometidas. Nesse contexto, o enfrentamento da doença exige estratégias intersetoriais que articulem diferentes políticas públicas. O projeto desenvolvido em 2024 teve como objetivo capacitar profi ssionais do Sistema Único de Assistência Social para o enfrentamento da hanseníase, com ênfase na desmistifi cação de conceitos e na redução das desigualdades sociais. Trata-se de um relato de experiência realizado no município de Teresina, a partir de encontros presenciais com profi ssionais dos Centros de Referência de Assistência Social das regiões norte e sul. As atividades utilizaram metodologias participativas, como rodas de conversa e construção coletiva de estratégias, abordando aspectos relacionados à hanseníase, estigma e acesso a direitos sociais. Destaca-se a participação de pessoa acometida pela hanseníase, atuando como liderança, que contribuiu com relatos de vivência, fortalecendo o processo formativo e a sensibilização dos profissionais. Como resultados, observou-se ampliação do conhecimento dos profi ssionais, maior sensibilização quanto ao estigma e fortalecimento do papel da assistência social no acolhimento e encaminhamento das demandas. Verifi cou-se também melhoria no acesso ao Cadastro Único e a benefícios sociais, além da incorporação da temática nas atividades dos serviços. Conclui-se que a capacitação intersetorial constitui estratégia relevante para o enfrentamento da hanseníase, contribuindo para a redução das desigualdades no acesso à informação, aos serviços e aos direitos, fortalecendo a atuação da assistência social no território.

        Palestrante: Paulo Araujo (MNDN)
    • 16:15 16:40
      Dia 2 - 23/05/2026: Bloco 6 - Exposição Pôsteres

      Sessão destinada aos trabalhos aprovados na modalidade pôster.

      • 16:15
        FREQUÊNCIA E PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE INFECÇÕES PARASITÁRIAS EM ESCOLARES DE COMUNIDADES RURAIS DE PACATUBA, SERGIPE, BRASIL 20m

        As enteroparasitoses permanecem entre os principais agravos que acometem populações socialmente vulneráveis, especialmente em áreas com acesso limitado à água tratada e ao saneamento básico. No Brasil, as regiões Norte e Nordeste concentram elevada ocorrência dessas infecções. Este estudo objetivou avaliar a frequência e o perfil epidemiológico das infecções parasitárias em crianças e adolescentes em idade escolar do município de Pacatuba, Sergipe. Trata-se de estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe (parecer nº 8.000.492). Foram selecionados cinco povoados da zona rural (Areia Branca, Campinas, Estiva do Raposo, Fazenda Nova e Ponta de Areia), com inclusão de uma escola por localidade. Participaram indivíduos de 6 a 17 anos, de ambos os sexos, mediante assinatura dos termos de assentimento e consentimento livre e esclarecido e fornecimento de amostra fecal única. As amostras foram analisadas em duplicata pelos métodos de Kato-Katz (KK) e sedimentação espontânea (HPJ). Os dados foram analisados no SPSS v.25, adotando-se nível de significância de 5%. Das 270 amostras avaliadas, 140 (51,8%) foram positivas para ovos de helmintos e/ou cistos de protozoários, considerando-se ambas as técnicas diagnósticas. A positividade foi observada em 74 (56,1%) indivíduos do sexo masculino e em 66 (47,8%) do sexo feminino, sem diferença estatisticamente significativa (p = 0,176). Pelo método HPJ, 138 amostras foram positivas, sendo 97 (70,3%) monoparasitadas, 32 (23,2%) biparasitadas e 9 (6,5%) poliparasitadas. Entre os protozoários, Blastocystis sp. foi o mais frequente, com 86 (62,3%) amostras, seguido de Entamoeba coli em 43 (31,2%), Entamoeba histolytica/E. dispar em 27 (19,6%) e Giardia duodenalis em 13 (9,4%). Entre os helmintos detectados pelo HPJ, foram observados ancilostomídeos em 5 (3,6%) amostras, Enterobius vermicularis em 2 (1,4%) e Schistosoma mansoni em 1 (0,7%). Pelo método KK, 12 amostras (4,4%) foram positivas para helmintos, das quais 11 eram monoparasitadas, sendo 7 (58,3%) para S. mansoni, 2 (16,6%) para Ascaris lumbricoides e 2 (16,6%) para Trichuris trichiura, além de 1 (8,3%) amostra biparasitada por S. mansoni e T. trichiura. Os achados revelam elevada frequência de infecções parasitárias na população estudada e reforçam a necessidade de intervenções comunitárias voltadas à ampliação do acesso à água tratada, ao saneamento básico e à promoção de práticas adequadas de higiene.

        Palestrante: Mikael Almeida Santos Silva (Universidade Federal de Sergipe)
      • 16:20
        ANÁLISE DA OCORRÊNCIA DA RAIVA EM BOVINOS NO BRASIL (2005 E 2024) 20m

        A raiva é uma das doenças mais importantes da pecuária nacional, com impactos na saúde pública e no agronegócio. No Brasil, o Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH) atua na redução de casos em herbívoros domésticos por meio da vacinação, do controle do morcego Desmodus rotundus, considerado o principal reservatório, além de ações de vigilância epidemiológica e de extensão rural. Contudo, limitações na adesão às medidas podem influenciar o comportamento da doença, reforçando a necessidade de sua compreensão ao longo do tempo e entre regiões. Assim, objetivou-se analisar o coeficiente de incidência da raiva em bovinos nas cinco regiões do Brasil nos anos de 2005 e 2024, a fim de identificar mudanças no padrão de ocorrência. Foram utilizados dados do PNCRH e informações sobre o efetivo de rebanho bovino provenientes da Produção da Pecuária Municipal (PPM), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2005, as regiões Sudeste e Centro-Oeste apresentaram os maiores coeficientes de incidência, com 1,12 e 1,09 casos de raiva por 100.000 bovinos, respectivamente, seguidas pelo Nordeste (1,02). O Sul apresentou coeficiente intermediário (0,68), enquanto o Norte registrou o menor valor (0,29). Em 2024, houve mudança nesse padrão, com a região Sul apresentando o maior coeficiente (1,22), seguida pelo Sudeste (0,41). As regiões Nordeste (0,12) e Centro-Oeste (0,10) apresentaram valores mais baixos, enquanto a região Norte manteve o menor coeficiente (0,05). Ao comparar os anos de 2005 e 2024, observa-se que a região Sul apresentou aumento de 79,4% no coeficiente de incidência, passando a apresentar o maior valor entre todas as regiões nos dois anos analisados. As demais regiões apresentaram queda: Sudeste (-63,4%), Centro-Oeste (-90,8%), Nordeste (-88,2%) e Norte (-82,8%). No Brasil, verificou-se também redução expressiva do coeficiente (-60,9%), de 0,87 em 2005 para 0,34 casos por 100.000 bovinos em 2024. Os achados evidenciam heterogeneidade na ocorrência da doença, sugerindo dinâmicas regionais distintas, possivelmente associadas à adesão às medidas de controle, fatores ambientais e à ecologia do reservatório. Considerando a alta letalidade da doença em animais e humanos, destaca-se a vacinação de animais como estratégia essencial para a redução dos casos, especialmente frente às perdas econômicas e aos impactos na saúde pública.

        Palestrante: Thalita Gonçalves (UFRRJ)
      • 16:20
        Análise epidemiológica da infecção pelo vírus Zika no Brasil, entre 2020 a 2025. 20m

        A Zika, arbovirose causada pelo vírus ZIKV e transmitida principalmente pelo Aedes aegypti, permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil. Embora frequentemente apresente curso clínico leve e autolimitado, sua importância epidemiológica decorre das complicações neurológicas associadas, sobretudo a síndrome congênita do Zika, que amplia o impacto do agravo no contexto da saúde materno-infantil. Diante das dificuldades históricas no controle do vetor e da dinâmica variável de transmissão, torna-se fundamental compreender o comportamento epidemiológico da doença ao longo do tempo.

        Nesse contexto, analisou-se o panorama epidemiológico da infecção pelo vírus Zika no Brasil entre 2020 e 2025, por meio de estudo ecológico de série temporal baseado em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram avaliadas variáveis demográficas, espaciais e temporais, incluindo sexo, faixa etária, localidade, distribuição mensal dos casos e condição gestacional, com análise descritiva das notificações registradas no período.

        A análise evidenciou redução dos casos em 2020 e 2021, seguida de aumento progressivo até 2024 e nova queda em 2025, indicando comportamento oscilatório da transmissão. Observou-se predominância no sexo feminino (61,3%), especialmente entre indivíduos de 20 a 39 anos, faixa etária correspondente ao período reprodutivo. Quanto à distribuição regional, verificou-se maior concentração de casos nas regiões Nordeste e Sudeste, enquanto a avaliação temporal demonstrou padrão sazonal, com maior incidência entre fevereiro e maio, com pico em março. Por último, no que se refere à condição gestacional, foram identificados 14.988 casos em gestantes (8,3%), com maior frequência no segundo e terceiro trimestres.

        Dessa forma, os achados demonstram que a circulação do vírus Zika no Brasil permanece influenciada por determinantes demográficos, ambientais e sazonais. A maior ocorrência em mulheres em idade fértil reforça a relevância do agravo para a saúde materno-infantil, enquanto a concentração regional e o aumento nos meses iniciais do ano sugerem relação com condições climáticas favoráveis à proliferação vetorial. Assim, evidencia-se a necessidade de fortalecimento contínuo da vigilância epidemiológica, aprimoramento dos sistemas de notificação e implementação de estratégias regionalizadas de controle do vetor, com especial atenção às populações mais vulneráveis.

        Palestrante: Maria Letícia Ferreira Antunes (Departamento de Medicina, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Lavras)
      • 16:20
        BRUCELOSE EM BOVINO: ACHADOS PATOLÓGICOS E IMPLICAÇÕES EM SAÚDE PÚBLICA 20m

        A brucelose é uma zoonose de distribuição mundial, causada por bactérias do gênero Brucella sp., de grande impacto sanitário, econômico e de relevância em saúde pública, nesta última frequentemente subdiagnosticada. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de brucelose em feto bovino encaminhado para necrópsia, com foco nos achados patológicos e na saúde pública. O feto foi remetido de propriedade localizada no município de Heliodora, Minas Gerais, com um plantel de bovinos leiteiros (aproximadamente 100 animais) e um de corte (aproximadamente 70 animais). O histórico é de abortamentos nos últimos três meses, em vacas e novilhas do plantel leiteiro, principalmente no terço final de gestação. O rebanho leiteiro é mantido em sistema semi-intensivo, com vacinação regular contra Brucelose, IBR, BVD e leptospirose, sem histórico de introdução recente de bovinos, ou de alterações em manejo. A mãe encontrava-se em lote com outras gestantes e não manifestou hipertermia. O feto era fêmea, cerca de sete meses, raça Holandesa, pelagem preta e branca, em bom estado corporal. Macroscopicamente, a cavidade torácica continha camada espessa de material friável, opaco e róseo-amarelado sobre a porção caudal dos pulmões e livre na cavidade, próxima ao diafragma. No exame histopatológico do pulmão foram observados edema, deposição de fibrina e infiltrado inflamatório neutrofílico moderado em região interlobular e pleura, e no encéfalo havia congestão difusa acentuada. A análise molecular por PCR foi positiva para Brucella sp. O histórico, os achados de necrópsia e histopatologia, aliados à detecção do agente na PCR confirmam o diagnóstico de brucelose bovina e evidenciam falhas em manejo e medidas sanitárias. Assim, ressalta-se a brucelose bovina como doença ainda presente e negligenciada, mesmo em propriedades com protocolo vacinal estabelecido. Destaca-se a necessidade da adoção de medidas de biossegurança, eliminação de animais acometidos, vigilância contínua e diagnóstico precoce, visando à redução da disseminação do agente e manutenção da enfermidade no rebanho, bem como à mitigação do risco à saúde pública.

        Palestrante: Martha Talita Ferreira Mendes (Universidade Federal de Lavras)
      • 16:20
        CENÁRIO ATUAL DA DENGUE NO BRASIL: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E IMPACTOS EM SAÚDE PÚBLICA 20m

        A dengue é uma arbovirose causada por vírus do gênero Flavivirus, transmitida principalmente pelos vetores Aedes aegypti e Aedes albopictus, sendo a arbovirose urbana de maior incidência nas Américas. Sua ampla distribuição em regiões tropicais e subtropicais está associada a fatores climáticos, ambientais e sanitários, como deficiências no saneamento básico, urbanização desordenada e manejo inadequado de resíduos, que favorecem a proliferação dos vetores e a reemergência da doença. O presente trabalho possui o objetivo de descrever o perfil epidemiológico da dengue no Brasil e analisar seus impactos nos serviços de saúde e nas ações de vigilância. Trata-se de um estudo descritivo, baseado na análise de dados epidemiológicos sobre dengue no Brasil, com enfoque na caracterização da distribuição dos casos e impactos na saúde pública. A dengue apresenta, na maioria dos casos, curso clínico autolimitante. Contudo, uma parcela dos pacientes pode evoluir para formas graves, caracterizadas por alterações hemostáticas e orgânicas, podendo cursar com manifestações hemorrágicas e neurológicas, como encefalite, meningite, mielite e síndrome de Guillain-Barré. Diante da variabilidade clínica, destaca-se a necessidade de diagnóstico diferencial com outras causas de síndrome febril aguda, incluindo arboviroses e infecções, bacterianas e virais, sistêmicas. No atual cenário epidemiológico, nota-se elevada incidência e ampla distribuição geográfica da doença, com acometimento significativo de populações residentes em áreas urbanas periféricas, caracterizadas por maior vulnerabilidade socioeconômica. Nesses locais, fatores como alta densidade populacional, irregularidade no abastecimento de água, armazenamento domiciliar inadequado e deficiência no saneamento básico favorecem a proliferação dos vetores e a manutenção da transmissão viral. Além disso, limitações no acesso aos serviços de saúde podem contribuir para atraso no diagnóstico e manejo dos casos clínicos, potencializando a ocorrência de formas graves e a sobrecarga dos serviços assistenciais. Conclui-se que a dengue permanece como relevante desafio à saúde pública, exigindo o fortalecimento da vigilância epidemiológica ativa e passiva, bem como a qualificação da atenção primária à saúde para detecção precoce e manejo oportuno dos casos, com vistas à redução da morbimortalidade e controle de vetores.

        Palestrante: Bruno Correa Montes (Centro Universitário de Lavras)
      • 16:20
        CINOMOSE EM CACHORRO-DO-MATO (Cerdocyon thous) - RELATO DE DOIS CASOS 20m

        A cinomose é uma doença viral multissistêmica causada pelo vírus da cinomose canina (CDV), de alta morbidade e mortalidade, que acomete canídeos domésticos e silvestres. A transmissão ocorre por contato com secreções ou excreções de animais infectados. Este trabalho descreve dois casos de cinomose em canídeos silvestres sob a perspectiva da saúde única. Tratava-se de dois cachorros-do-mato (Cerdocyon thous), um macho filhote e uma fêmea adulta. Em ambos os casos, devido ao prognóstico desfavorável realizou-se eutanásia e foram encaminhados para necrópsia, na qual foram coletados fragmentos de tecidos, fixados em formol a 10% tamponado e processados por técnica histológica de rotina para análise em microscópio óptico. O primeiro caso foi encaminhado para atendimento veterinário com sinais neurológicos importantes, instabilidade hemodinâmica e teste rápido positivo para cinomose. À necropsia, foram observados bom estado corporal, linfonodos aumentados de volume e efusão cavitária discreta. A avaliação histológica do cerebelo evidenciou desmielinização com malácia focalmente extensa, inclusões virais eosinofílicas intracitoplasmáticas em algumas células, gliose reativa e nos pulmões havia congestão e edema. No segundo caso, a fêmea manifestava apatia, incapacidade de manter-se em estação e também testou positivo para CDV. Na necrópsia destacaram-se linfonodos aumentados de volume, baço reduzido e pulmões vermelho-escuros, firmes e com áreas esbranquiçadas. Histologicamente, evidenciou-se pneumonia intersticial difusa moderada, com congestão, edema e hemorragia. No tronco encefálico foram observados desmielinização focal com cavitações no parênquima e aumento de celularidade em áreas esparsas. Em ambos os casos, as alterações histopatológicas foram compatíveis com infecção por CDV e evidenciam o caráter neurotrópico e imunodepressor da doença. Em canídeos silvestres, a cinomose permanece à margem de programas sanitários, dependendo indiretamente do controle em cães domésticos. A ausência de tratamento específico limita o suporte clínico, sendo a vacinação a principal medida preventiva. A ocorrência em canídeos silvestres demonstra a circulação viral na interface com cães domésticos, destacando a vulnerabilidades dessas populações silvestres e a carência de estratégias específicas para fauna, reforçando a necessidade de vigilância integrada e ampliação da cobertura vacinal.

        Palestrante: Aila Passos Santos (Graduanda do 6⁰ módulo de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Lavras - UFLA)
      • 16:20
        COLEÇÃO DIDÁTICA DE PARASITOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ: DA CATALOGAÇÃO AO ACESSO 20m

        Coleções Biológicas são um arcabouço de espécimes que norteiam estudos nas mais diversas áreas. Na Saúde Única elas contribuem para estudos epidemiológicos, fornecendo informações taxonômicas e o perfil da distribuição das espécies. O compartilhamento e acesso aos dados contidos nas coleções é requisito obrigatório. Dentro deste contexto a Coleção de Parasitologia do Departamento de Patologia Básica (ColPar/DPAT) da Universidade Federal do Paraná que integra a Rede Taxonline abriga 3.216 espécimes de parasitos montados entre lâmina e lamínula. Assim este estudo visou organizar e catalogar estes espécimes, disponibilizar o seu acesso, ao público em geral, para fins educativos e didáticos. Após todo processo de curadoria as lâminas foram subdivididas em Helmintos (37,94%), Artrópodes (24,04%), Protozoários (10,26%), Bactérias & vírus (2,36%). Um total de 25,41% não pôde ser identificado dado a condições do material e ausência de etiquetas nas lâminas. Originalmente, todo material encontrava-se disperso pela em placas de madeira e foram realocados para novos laminários, catalogando sua posição e agora organizados alfabeticamente dentro de cada grupo. As lâminas presentes na ColPar/DPAT datam de material coletado ou adquirido entre 1942 e 2013, apontado para seu valor histórico. Não foi possível encontrar um livro de tombo desse material e nem todas as etiquetas continham informações suficientes para torná-la uma coleção científica. Dessa forma optou-se por determiná-la como uma coleção didática. Como uma forma de prevenir que futuras perdas de informações se repitam foram elaborados Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) visando a manutenção, identificação, empréstimo, organização e registro de recebimento. Padronizou-se assim as práticas, visando garantir a integridade do acervo e assegurar a rastreabilidade das informações, especialmente considerando a rotatividade de estudantes envolvidos. Os próximos passos visarão avaliar a viabilidade dos POPs e a digitalização do desse importante acervo que poderá ser utilizado em atividades de Educação em Saúde, de diferentes instituições de ensino.

        Palestrante: Mateus Tokarski Lima (Universidade Federal do Paraná)
      • 16:20
        ESTRATÉGIA DE PREVENÇÃO AO HIV: IMPLANTAÇÃO DE ROTINA DE TESTAGEM RÁPIDA PARA IST E PROFILAXIA PRÉ EXPOSIÇÃO AO HIV (PREP) NO SISTEMA PRISIONAL REFERÊNCIA EM POPULAÇÃO PRIVADA DE LIBERDADE LGBTQIA+, LOCALIZADO NO MUNICÍPIO DE NOVA ERA, MINAS GERAIS 20m

        Muitos são os desafios enfrentados frente ao controle da transmissão do vírus da imunodeficiência adquirida (HIV). No Brasil, as estratégias de prevenção combinada ao HIV, adotam uma abordagem centrada na saúde integral das pessoas, considerando as particularidades de cada indivíduo. A Profilaxia Pre-Exposicao ao HIV (PrEP), e a oferta efetiva de testagem rápida para as Infecções sexualmente transmissíveis (TR - IST) , se constituem como uma importante ferramenta para a eficácia desta estratégia, principalmente para as populações vulneráveis.
        Objetivos: Identificar novos casos de IST e prevenir a transmissão do HIV no presídio de referência em População Privada de Liberdade (PPL) LGBTQIA+ localizado no município de Nova Era, região central de MG.
        Material e Métodos: O presídio de Nova Era é uma unidade de vivência específica, atendendo exclusivamente a população LGBTQIA+ que atualmente conta com 95 PPL e possui uma taxa de infecção de HIV em torno de 10 a 15%. No ano de 2023 foi implantada uma rotina de TR para IST, a partir de uma parceria entre a secretaria municipal de saúde (SMS) de Nova Era, Gerência Regional de Saúde (GRS) de Itabira, o Serviço de atenção especializada (SAE/CTA/UDM) de João Monlevade e Secretaria de Segurança Pública (SEJUSP). A partir desta implantação, estabeleceu-se uma rotina de TR do PPL no momento de sua admissão na unidade, e anualmente em toda a população carcerária.
        No ano de 2025 foi iniciada a oferta de PrEP para os PPL, que são encaminhados ao SAE/CTA/UDM de João Monlevade em grupos de 10 pessoas, onde são acolhidos e passam por atendimento médico, de enfermagem e farmacêutico.

        Resultados: A partir das ações rotineiras de TR, foram realizados dois diagnósticos de HIV na instituição. Atualmente, 10 pacientes se encontram em uso de PrEP, com previsão de mais 10 atendimentos para início da profilaxia em abril de 2026. A perspectiva é de que 100% dos PPL que tiverem interesse em aderir ao tratamento, recebam a PrEP e todo o acompanhamento necessário o mais breve possível.
        Observou-se uma boa adesão desta população nas ações de prevenção e controle das IST na instituição.

        Conclusão: Conclui-se que o esforço cooperativo entre as diversas instâncias de gestão e assistência a saúde, é um fator fundamental para a oferta equânime dos serviços de saúde e sua adesão, principalmente, ao se tratar de populações vulneráveis, sendo necessária a implementação de políticas públicas que o fortaleçam.

        Palestrante: Fernanda FERREIRA SOARES PIRES (1- Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES/MG), Unidade Regional de Itabira;)
      • 16:20
        HANSENÍASE UMA ENDEMIA OCULTA: CASOS NOVOS EM MUZAMBINHO/MG 20m

        A Hanseníase é uma doença negligenciada e silenciosa, conhecida pelo estigma e preconceito social. Manifesta um período de incubação de 2 a 7 anos e pode causar incapacitações irreversíveis. Os sintomas observáveis são lesões (manchas pigmentares ou discrômicas), placas, tubérculos, e nódulos apresentando alterações da sensibilidade local. O Brasil ocupa atualmente o segundo país no ranking mundial de casos, depois da Índia. Não conseguindo atingir a meta de eliminação de casos da doença, um caso para cada 10 mil habitantes. A Promoção da Saúde é definida como uma prática educativa sistemática de capacitar e instrumentalizar os indivíduos com conhecimentos sobre os determinantes sociais que possam prejudicar o seu modo de nascer, viver, trabalhar e adoecer com qualidade de vida na comunidade ao qual está inserido. Sendo de fundamental importância o conhecimento da população por parte dos profissionais que compõem as equipes de saúde da atenção primária, bem como o processo saúde-doença aos quais estas pessoas estão envolvidas. O objetivo deste trabalho consiste em instrumentalizar a atenção primária do município de Muzambinho/MG, através de ferramentas didático-pedagógicas, capacitando e aprimorando os conhecimentos de todos os Agentes Comunitários de Saúde, Enfermeiros, e Médicos, através de treinamentos e ações práticas na identificação, rastreamento e diagnóstico da Hanseníase. A metodologia consiste na capacitação teórica/prática das 06 unidades de Programa de Saúde da Família sobre a Hanseníase, aplicação do Questionário de Suspeição de Hanseníase, aplicação do Programa de Inteligência Artificial MALESQ, consultas médicas e avaliação neurodermatológica através do departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – FMRP/USP, além dos achados imunológicos por meio do índice anti-PGL-I e anti-Mce1A, e ultrassom. O período de estudo ocorreu de 02/01/2025 a 30/12/2025. Após o rastreamento através da aplicação do QSH totalizou-se 1420 possíveis casos de Hanseníase encaminhados para as demais etapas, 200 consultas, 54 ultrassons e diagnóstico de 25 casos positivos de Hanseníase. Destes, 24 casos de munícipes e 01 caso do município de Alterosa. Esse resultado destaca que a doença é endêmica no município até os dias atuais, pela falta de conhecimento por parte da comunidade referente à sua causa, cura e forma de contágio, evidenciando a importância da implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável junto à Agenda 2030 e da ação prática de promoção da saúde.

        Palestrante: Fabricio Santos Rita (IFSULDEMINAS- Campus Muzambinho)
      • 16:20
        NOVOS DERIVADOS CHALCÔNICOS DO NIFURTIMOX COMO AGENTES DE COMBATE A DOENÇAS BACTERIANAS NEGLIGENCIADAS 20m

        Parte das doenças bacterianas está incluída no grupo das doenças tropicais negligenciadas e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, são enfermidades que afetam principalmente populações em condições socioeconômicas vulneráveis. Elas comprometem significativamente a qualidade de vida e atingem mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, refletindo desigualdades no acesso a saneamento, diagnóstico e tratamento adequados. Sabendo disso, este trabalho visa a síntese e avaliação biológica de um fragmento do Nifurtimox, visando acesso sintético e a projeção de futuros híbridos destes materias com cetonas de interesse terapêutico, obtidos por condensação aldólica em meio ácido, com potencial aplicação no combate a doenças bacterianas negligenciadas. O Nifurtimox é um derivado nitrofurânico; essa molécula foi usada clinicamente pela primeira vez em 1969, no tratamento da infecção aguda pelo Trypanosoma cruzi e, apesar de bons resultados na fase aguda, em fase crônica a efetividade é relativamente mais variável. O tratamento com Nifurtimox é prolongado e outro agente pode ser usado devido aos seus efeitos tóxicos, os quais geralmente são reversíveis. Considerando as propriedades biológicas do Nifurtimox, o acoplamento desse fragmento por meio da formação de chalconas mostra-se promissor. Essa classe de compostos tem despertado grande interesse científico devido à ampla gama de atividades biológicas e farmacológicas descritas na literatura, incluindo ações anti-inflamatória, antioxidante, antitumoral, antimicrobiana, antianginosa, analgésica, antipirética, antiviral, antimalárica, antileishmanial e antialérgica. Além disso, com os avanços da química orgânica sintética, tornou-se possível não apenas modificar chalconas de origem natural, mas também desenvolver novas estruturas a partir de moléculas de interesse, ampliando seu potencial terapêutico e aplicações farmacológicas. Com esse trabalho, espera-se que os compostos obtidos contribuam para a identificação de novas entidades bioativas, reforçando a relevância da modificação molecular como estratégia para o desenvolvimento de alternativas terapêuticas voltadas ao enfrentamento de doenças bacterianas negligenciadas.

        Palestrante: Ana Laura Prado Felipe
      • 16:20
        PERFIL DOS MÉTODOS DIAGNÓSTICOS DA DENGUE NO BRASIL: UMA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA (2015-2025) 20m

        A dengue é uma infecção viral causada por um flavivírus da família Flaviviridae, transmitida principalmente pela fêmea do mosquito Aedes aegypti (Guzman et al., 2010). Segundo o Ministério da Saúde (2026), trata-se de uma doença febril aguda e sistêmica, com ampla distribuição em áreas tropicais e subtropicais. Na maioria dos casos, os indivíduos evoluem para recuperação completa; entretanto, há risco de progressão para formas graves, que podem levar ao óbito, especialmente quando não há reconhecimento precoce dos sinais de alarme, o que reforça a importância do diagnóstico oportuno e da adequada condução clínica (Gubler & Meltzer, 1999). Diante desse cenário, o presente estudo analisa o panorama epidemiológico da dengue no Brasil no período de 2015 a 2025, considerando a distribuição dos casos prováveis e o uso de diferentes métodos diagnósticos. O objetivo foi descrever o perfil da confirmação laboratorial e identificar padrões regionais e estruturais do sistema de vigilância. Trata-se de uma análise baseada em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), abrangendo um total de 18.022.345 casos. Foram avaliados os exames RT-PCR, isolamento viral, sorologia (ELISA e IgM), histopatologia e imuno-histoquímica, considerando suas frequências absolutas e relativas por região e unidade federativa. Os resultados demonstraram forte concentração de casos na região Sudeste, com destaque para os estados de São Paulo e Minas Gerais, além de elevada proporção de registros sem confirmação laboratorial, variando entre 70% e 99%. Esse achado evidencia a predominância do diagnóstico clínico-epidemiológico no país. Entre os métodos diagnósticos, a sorologia (ELISA e IgM) apresentou maior utilização, enquanto exames como RT-PCR, isolamento viral, histopatologia e imuno-histoquímica mostraram uso reduzido e restrito a situações específicas. Conclui-se que, apesar da ampla capacidade de notificação e vigilância da dengue no Brasil, persistem limitações relevantes na confirmação laboratorial, bem como desigualdades regionais no acesso aos métodos diagnósticos, o que pode comprometer a precisão das análises epidemiológicas e o monitoramento adequado da doença.

        Palestrante: Adrieli Alves Vieira (Mestranda em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)
      • 16:20
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA TUBERCULOSE NO ESTADO DE SÃO PAULO: UMA ANÁLISE RETROSPECTIVA (2015-2024) 20m

        A tuberculose, causada por Mycobacterium tuberculosis, é uma doença infecciosa que afeta predominantemente os pulmões, mas pode atingir qualquer órgão do corpo. Transmitida predominantemente por via aérea, a tuberculose possui fatores de risco associados à vulnerabilidade social, configurando-se como um grande desafio para países em desenvolvimento. No Brasil, essa condição apresenta distribuição heterogênea, com maior incidência no estado de São Paulo (SP). Dessa forma, a análise do perfil epidemiológico desses casos figura como ferramenta essencial para a articulação de políticas públicas efetivas. Trata-se de um estudo ecológico descritivo e retrospectivo, realizado a partir de dados secundários obtidos no SINAN/SUS, via DATASUS/TABNET. Foram incluídos novos diagnósticos de tuberculose em residentes de SP no período de 2016-2024. As variáveis coletadas incluíram sexo, faixa etária, raça, forma clínica e fatores de risco, como coinfecção por HIV, pessoa privada de liberdade (PPL) e situação de rua. Entre janeiro de 2015 e dezembro de 2024, ocorreram 220.416 casos de tuberculose em SP. A forma pulmonar foi a mais prevalente (83,46%; n=183.965), seguida pela extrapulmonar (13,27%; n=29.241) e pela associação entre ambas (3,27%; n=7.200). Observou-se tendência crescente no número de casos entre 2015 (n=20.344) e 2024 (n=25.832). A incidência foi maior no sexo masculino (72,49%; n=159.770) do que no feminino (27,51%; n=60.646). Em relação à idade, destaca-se a faixa etária de 20-39 anos, com 108.037 casos. Quanto ao critério raça, observou-se maior número de diagnósticos em pardos (38,54%; n=84.949), seguidos por brancos (38,42%; n=84.683). Dos 220.416 casos, 11,83% (n=26.080) ocorreram em PPL, 5,31% (11.703) em pessoas em situação de rua e 9,33% (n=20.573) em pessoas vivendo com o HIV. Conclui-se que houve um leve crescimento no número de casos de tuberculose em SP, afetando sobretudo homens jovens, pardos e brancos, com predomínio da forma pulmonar. Tendo em vista a expressiva incidência em populações vulneráveis (PPL, situação de rua e HIV +), é fundamental articular políticas públicas de saúde e assistência a esses grupos para o controle efetivo da doença.

        Palestrante: Lucas do Amaral Cherem (UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO)
      • 16:20
        PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E CLÍNICO DA HANSENÍASE EM MINAS GERAIS (2016-2025): EVIDÊNCIAS DE DIAGNÓSTICO TARDIO E DESAFIOS NA BUSCA ATIVA 20m

        A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae que atinge pele e nervos, podendo causar incapacidades físicas se não tratada precocemente. Transmitida pelo contato prolongado por vias respiratórias, a doença ainda é um desafio de saúde pública em países em desenvolvimento. No Brasil, sua distribuição é heterogênea, com o estado de Minas Gerais apresentando grande relevância epidemiológica. Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, descritivo e transversal, realizado a partir de dados do SINAN/SUS, por meio do DATASUS/TABNET. Foram incluídos casos novos de hanseníase em residentes do estado de MG no período de 2016–2025, sendo excluídos registros com informações incompletas ou inconsistentes. Procedeu-se à análise do perfil clínico-epidemiológico e demográfico, considerando variáveis como sexo, faixa etária, raça, forma clínica e o método de diagnóstico. Avaliaram-se 13.326 notificações de hanseníase em MG (2016-2025) no banco de dados Sinan/DATASUS. A enfermidade acomete quase exclusivamente adultos (≥15 anos: 12.846 casos) e homens (7.459 contra 5.866 mulheres). Atrelada à vulnerabilidade social, atinge sobretudo pessoas com ensino fundamental incompleto e autodeclaradas pardas (7.023), seguidas por brancos (3.716) e pretos (2.046). O perfil clínico atesta diagnóstico tardio, mantendo a cadeia de transmissão ativa. A maioria é Multibacilar (10.703) contra apenas 2.616 Paucibacilares. As formas prevalentes são Dimorfa (6.487) e Virchowiana (2.999). O retardo também é visível no dano à pele: 5.637 tinham >5 lesões e 3.476 tinham entre 2 e 5 lesões. A detecção ilustra falhas na atenção primária, ocorrendo passivamente por encaminhamentos (5.279) e demanda espontânea (2.991). A busca ativa é irrisória nos exames de contatos (1.643) e coletividade (218), havendo muitos dados ignorados. Por ser um grave problema de saúde, urge capacitar profissionais para o diagnóstico precoce e realizar a vigilância ativa. Conclui-se que a hanseníase em MG se mantém como um grave problema de saúde pública, com detecção majoritariamente em estágios avançados. Para o efetivo controle dessa doença, faz-se urgente o fortalecimento de políticas públicas voltadas à capacitação profissional para o diagnóstico precoce e à intensificação sistemática da busca ativa e vigilância de contatos intramiciliares e sociais.

        Palestrante: Lucas do Amaral Cherem (UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO)
      • 16:20
        PERSISTÊNCIA DA HEPATITE A NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, 2015-2023. 20m

        A hepatite A é uma doença associada a condições inadequadas de saneamento e ao consumo de água e alimentos contaminados, caracterizada por alta morbidade e potencial de evolução para insuficiência hepática aguda, podendo, em casos mais graves, levar ao óbito. No Brasil, sua magnitude foi reduzida a partir de 2014 com a inclusão da vacina no Calendário Nacional de Vacinação. No entanto, a ocorrência contínua de casos no período pós-vacinal sugere manutenção da transmissão, reforçando a necessidade de investigação. Portanto, objetivou-se analisar a persistência da doença nos municípios do estado do Rio de Janeiro, considerando a cobertura vacinal após a disponibilização da vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, foi realizado um estudo ecológico retrospectivo, baseado em dados de notificação da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (CEP nº 7.253.698) e de cobertura vacinal do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações. A persistência foi definida como a ocorrência de incidência superior a zero em três ou mais anos do período pós-vacinal (2015–2023), sendo classificada em alta (≥7 anos), média (4–6 anos) ou baixa (≤3 anos). Dos 22 municípios com persistência da doença, oito apresentaram persistência alta (≥7 anos), concentrados na região metropolitana. Essas áreas reúnem muitas comunidades com esgotamento sanitário inadequado, podendo favorecer a manutenção e a transmissão da doença. Niterói, apesar de apresentar um dos melhores indicadores de saneamento do país, também apresentou elevada persistência, sugerindo necessidade de estudos de localidade. No período analisado, observou-se queda progressiva da cobertura vacinal, com redução acentuada em 2020 (7,24%) e recuperação parcial nos anos subsequentes. Apesar dessa tendência temporal de diminuição, não foi encontrada significância estatística entre a persistência da doença e a cobertura vacinal nos municípios no período de estudo, tanto pela ANOVA de uma via (F = 0,15; p = 0,86) quanto pelo teste não paramétrico de Kruskal–Wallis (H = 0,38; p = 0,83). Nesse sentido, nota-se que a vacinação isolada pode ser insuficiente para a eliminação da doença, uma vez que a recorrência de casos em grandes aglomerados urbanos, mesmo no cenário pós-vacinal, está associada ao déficit estrutural de saneamento básico e às condições precárias de higiene, evidenciando a necessidade de intervenções intersetoriais voltadas à melhoria da infraestrutura sanitária e ao fortalecimento da vigilância em nível de localidade.

        Palestrante: Manuela Novaes Melilo (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)
      • 16:20
        QUADRO SEPTICÊMICO SUGESTIVO DE SALMONELOSE EM ÉGUA HOSPITALIZADA APÓS ACIDENTE OFÍDICO: RELATO DE CASO 20m

        A salmonelose é uma enfermidade bacteriana de ampla distribuição, com potencial zoonótico, causada por bactérias do gênero Salmonella. Transmitida principalmente pela via fecal-oral, acomete o trato gastrointestinal e pode evoluir para septicemia, sobretudo em animais debilitados. Este trabalho objetiva descrever um caso de salmonelose hiperaguda em égua previamente acometida por acidente ofídico, evidenciando infecção secundária em paciente hospitalizado. Foi atendida uma égua Mangalarga Marchador, seis anos, 355 kg, com histórico de acidente ofídico e edema facial acentuado, submetida a tratamento intensivo. Durante a evolução clínica, o animal apresentou dispneia grave, sendo necessária traqueostomia de emergência, além de extensas áreas de necrose tecidual, com necessidade de desbridamento cirúrgico e antibioticoterapia. Ao exame físico, observaram-se taquicardia (110 bpm), taquipneia (48 mpm), tempo de preenchimento capilar de 4 segundos, mucosas hiperêmicas com halo toxêmico, desidratação (7%) e alteração do estado de consciência, indicando comprometimento sistêmico. Após período de internação, o animal evoluiu para decúbito e óbito. O diagnóstico de salmonelose hiperaguda foi estabelecido como causa mortis, sendo a evolução compatível com quadro septicêmico associado à endotoxemia severa. A condição clínica prévia, incluindo estresse sistêmico, necrose tecidual e hospitalização prolongada, atuou como fator predisponente para infecção secundária. Apesar de sua relevância clínica e potencial impacto sanitário, a salmonelose ainda representa desafio diagnóstico e de controle em ambientes hospitalares veterinários, especialmente em pacientes imunocomprometidos. Portanto, faz-se necessário reforçar a vigilância epidemiológica e a adoção de medidas rigorosas de biossegurança, considerando o risco ocupacional a profissionais e estudantes, a persistência ambiental do agente e sua importância como zoonose de interesse em saúde pública.

        Palestrante: Aila Passos Santos (Estudante de Medicina Veterinária - UFLA)
      • 16:20
        SÍNTESE E AVALIAÇÃO PRELIMINAR DO POTENCIAL ANTIMICROBIANO DE BENZOILBENZOFURANOS FRENTE A MICOBACTÉRIAS NÃO-TUBERCULOSAS 20m

        As infecções causadas por micobactérias não tuberculosas (MNT), pertencentes ao gênero Mycobacterium, têm apresentado aumento significativo de incidência em todo o mundo. Dentre essas, destaca-se M. ulcerans, causador da doença infecciosa negligenciada conhecida por úlcera de Buruli, que afetou mais de 28 mil indivíduos entre 2012 e 2024 em diferentes continentes, afetando principalmente regiões de baixa renda e com infraestrutura de saúde limitada. Nesse contexto, e por conta do aumento da resistência antimicrobiana, fica evidente a necessidade do desenvolvimento de novos agentes farmacológicos. Compostos fenilpropanoides, como eugenol e diidroeugenol, têm despertado interesse devido ao seu potencial antimicrobiano, especialmente como agentes antibacterianos. De forma complementar, derivados benzofurânicos emergem como uma classe promissora na química medicinal, devido à ampla gama de atividades farmacológicas descritas, com destaque para a atividade antibacteriana. Assim, por meio da estratégia de hibridação molecular entre benzofuranos e fenilpropanoides, neste trabalho foram obtidos híbridos moleculares com o objetivo de identificar potenciais candidatos a hits com atividade antimicrobiana, especialmente contra micobactérias. Foram sintetizadas até o momento sete substâncias por meio de uma rota sintética composta por duas etapas, com rendimentos variando entre 12% e 82%. Os compostos obtidos foram devidamente caracterizados por espectroscopias de RMN e no IV, bem como por determinação de faixa de fusão. Posteriormente, as substâncias foram avaliadas em ensaios de microdiluição seriada quanto à sua atividade contra as espécies M. fortuitum, M. massiliense e M. abscessus. Os resultados preliminares obtidos, com valores de CIM variando de não inibição a 50 µg mL⁻¹ indicaram que as modificações estruturais realizadas conferiram atividade frente às cepas avaliadas. Embora tenham atividade mediana a baixa, os derivados mais ativos encontram-se em processos de otimização estrutural e estudos de citotoxicidade, com o objetivo de se descobrir compostos superiores contra micobactérias, inclusive Mycobacterium ulcerans, previsto em estudos futuros.

        Palestrante: Esthefany Scalco Oliveira (Unifal)
      • 16:20
        TENDÊNCIA TEMPORAL DA INCIDÊNCIA DE TUBERCULOSE NOS ESTADOS BRASILEIROS ENTRE 2012 E 2024. 20m

        Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, a tuberculose(TB) é uma doença infecciosa e transmissível causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Afeta principalmente os pulmões (forma pulmonar), mas pode atingir outros órgãos e sistemas (forma extrapulmonar), sendo esta mais frequente em pessoas vivendo com HIV/aids, especialmente em casos de imunossupressão. Apesar de ser uma doença antiga, a tuberculose permanece como importante problema de saúde pública. Estima-se que, mundialmente, cerca de 10 milhões de pessoas adoecem anualmente, com mais de um milhão de óbitos. No Brasil, são registrados mais de 84 mil casos novos por ano, com aproximadamente 6 mil mortes.A transmissão ocorre por via respiratória, por meio de aerossóis eliminados ao tossir, falar ou espirrar por indivíduos com tuberculose ativa sem tratamento. Estima-se que uma pessoa infectada possa transmitir a doença para 10 a 15 indivíduos ao longo de um ano. Neste estudo, avaliou-se a tendência temporal da incidência de tuberculose nos estados brasileiros entre 2012 e 2024, utilizando dados organizados por unidade federativa. Os dados foram tratados e convertidos para formato longitudinal, permitindo a construção de séries temporais e visualizações por estado. Inicialmente, aplicaram-se modelos de regressão linear e ARIMA para análise exploratória.Para uma abordagem mais robusta, utilizou-se o modelo de Prais-Winsten, adequado para séries com autocorrelação serial, com transformação logarítmica da incidência. Foram estimados coeficientes de tendência (β), valores de significância (p-valor) e a Variação Percentual Anual (APC), permitindo classificar os estados em aumento, queda ou estabilidade.Observou-se predominância de tendência de aumento da incidência, com destaque para Roraima (APC = 9,5%), Amapá (7,09%) e Mato Grosso do Sul (3,69%), todos com significância estatística. Outros estados, como Acre, Sergipe, Pará, Maranhão e Amazonas, também apresentaram crescimento significativo. Em menor proporção, alguns estados mostraram estabilidade ou redução. Evidenciou-se que a heterogeneidade regional na dinâmica da tuberculose. O modelo de Prais-Winsten mostrou-se adequado para captar tendências ao longo do tempo. Os resultados reforçam a necessidade de estratégias diferenciadas de controle, especialmente em áreas com maior crescimento da incidência, subsidiando o planejamento de políticas públicas de forma regionalizada.

        Palestrante: Sandra Valéria Coelho da Silva (EBSERH)
      • 16:20
        ZIKA VÍRUS NO BRASIL: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA SEGUNDO EVOLUÇÃO, ESCOLARIDADE E FAIXA ETÁRIA DOS CASOS NOTIFICADOS NO SINAN (2016-2025) 20m

        O vírus Zika é um vírus pertencente ao gênero Flavivirus. Sua principal forma de transmissão ocorre pela picada das fêmeas do mosquito Aedes aegypti. Além da transmissão vetorial, o vírus também pode ser transmitido por via vertical, da mãe para o feto durante a gestação, e por via sexual (Almeida et al., 2020). No Brasil, o vírus ganhou destaque a partir de 2015, especialmente devido à sua associação com complicações neurológicas e à síndrome congênita (Duarte et al., 2017). Portanto, objetivou-se analisar o perfil epidemiológico dos casos notificados de Zika no Brasil entre 2016 e 2025, considerando a evolução dos casos, a escolaridade e a faixa etária, com ênfase na distribuição regional e na qualidade das informações. Baseando-se em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no qual foram analisados 545.187 casos registrados no período (Brasil, 2026). As variáveis incluíram evolução, escolaridade e faixa etária, estratificadas por regiões e unidades federativas, sendo realizada análise proporcional para identificação de padrões epidemiológicos. Os resultados evidenciaram predomínio de evolução para cura, correspondendo a 67,8% dos casos, e baixa letalidade, com 86 óbitos atribuídos ao Zika. A distribuição regional mostrou maior concentração de casos no Nordeste, com 38% do total, seguido pelo Sudeste, com 33%. Em relação à escolaridade, observou-se elevada proporção de falta de dados, o que limita análises mais detalhadas; entre os registros válidos, predominou o ensino médio completo e incompleto. Quanto à faixa etária, verificou-se forte concentração entre adultos de 20 a 39 anos, representando 41,7% dos casos, seguidos pelo grupo de 40 a 59 anos, com 22,9%, enquanto crianças e idosos apresentaram menor participação relativa. Dessa forma, os achados indicam que, apesar da baixa mortalidade, a Zika apresenta significativo impacto epidemiológico, especialmente em regiões mais vulneráveis. Desse modo, conclui-se que a elevada incompletude dos dados de escolaridade evidencia fragilidades no sistema de vigilância, dificultando análises sociais mais aprofundadas, enquanto a consistência das informações etárias reforça a confiabilidade desse indicador. Assim, o padrão observado sugere que a transmissão do Zika está mais relacionada a fatores ambientais e urbanos do que a características individuais isoladas.

        Palestrante: Adrieli Alves Vieira (Mestranda em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Lavras)