Palestrante
Descrição
A hanseníase permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil, frequentemente associada ao diagnóstico tardio e ao desenvolvimento de incapacidades físicas. No município de Carmo de Minas, a ausência recente de casos notificados sugeria controle da doença; entretanto, a identificação de um caso com comprometimento neurológico avançado revelou possível subdiagnóstico na Atenção Primária à Saúde (APS). Soma-se a isso a apresentação clínica inespecífica da doença, o estigma social e o desconhecimento por parte dos profissionais, fatores que dificultam a detecção precoce. O trabalho teve por objetivo relatar a experiência de reorganização do cuidado à hanseníase na APS, com foco na sensibilização dos profissionais para o diagnóstico precoce, fortalecimento do exame dermatoneurológico, organização do fluxo assistencial e vigilância de contatos, visando reduzir o subdiagnóstico e ampliar a resolutividade da atenção básica. A experiência teve início a partir de um caso clínico com evolução desfavorável, que evidenciou fragilidades no manejo da hanseníase e lacunas na formação da equipe. A análise do território identificou outros pacientes com sinais sugestivos da doença, frequentemente não diagnosticados. Como resposta, foi implementado um processo de qualificação profissional, com revisão de protocolos, capacitação teórica e prática e valorização do exame dermatoneurológico. Houve articulação com serviço de referência para apoio diagnóstico e realização de exames, além da padronização de fluxos assistenciais. A vigilância de contatos foi estruturada de forma sistemática. Como resultado, foram investigados 24 pacientes suspeitos, com confirmação de 14 casos e avaliação integral dos contatos, evidenciando subdiagnóstico prévio e ampliando a capacidade de resposta da APS. A experiência demonstra que a ausência de casos notificados não necessariamente reflete controle da doença, mas pode indicar baixa suspeição clínica. A qualificação da equipe e a reorganização do processo de trabalho fortaleceram a APS como coordenadora do cuidado, promovendo diagnóstico mais precoce, vigilância ativa e maior resolutividade. Destaca-se que estratégias baseadas em educação permanente e fortalecimento do olhar clínico são de baixo custo, alto impacto e potencialmente replicáveis, contribuindo para o enfrentamento da hanseníase no SUS.
| Palavras-chave | Hanseníase; doenças negligenciadas; fluxos assistenciais |
|---|---|
| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Apresentação Oral |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Sim |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |