19 – 23 de mai. de 2026
UFLA
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TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE TEGUMENTAR NO BRASIL: ANÁLISE DO ACESSO A MILTEFOSINA ENTRE 2021-2024

23 de mai. de 2026 10:35
20m
Salão de Convenções (UFLA)

Salão de Convenções

UFLA

Campus Universitário - Aquenta Sol, Lavras - MG, 37200-000
Doenças Negligenciadas - Protozoários Dia 2 - 23/05/2026

Palestrante

Maria Clara Batista Guedes

Descrição

A leishmaniose tegumentar (LT) é uma doença infecciosa de ampla distribuição no Brasil, fortemente associada a determinantes ambientais, ocupacionais e sociais, configurando relevante problema de saúde pública. A incorporação da miltefosina como alternativa terapêutica oral no Sistema Único de Saúde (SUS) representa avanço no manejo clínico, especialmente em cenários com limitações estruturais para administração de fármacos parenterais e regiões remotas. Estudo transversal descritivo, baseado em dados secundários de fichas de registro de dispensação da miltefosina para tratamento da doença, armazenados no sistema REDCap do Programa Nacional de Leishmanioses do Ministério da Saúde entre 2021-2024. Foram analisadas variáveis relacionadas ao tratamento/dispensação dos pacientes, assim como aspectos dos serviços, acesso e difusão do medicamento. Foram registradas 3.892 dispensações de miltefosina, referentes a 2.203 indivíduos em diferentes regiões brasileiras, com maior concentração no Nordeste (N=813, 36,9%) e Norte (N=684, 31,1%), seguidos pelas regiões Sudeste (N=337, 15,3%), Centro Oeste (N=312, 14,2%) e Sul (N=57, 2,6%) do país. As especialidades médicas prescritoras apresentaram diferenças marcantes entre as regiões brasileiras. A atuação dos infectologistas foi predominante nas regiões Sudeste (57,3%), Sul (57,9%) e Centro-Oeste (68,3%). Nas regiões Norte e Nordeste, observou-se maior participação de profissionais da clínica médica (29,4% e 34,9%, respectivamente), seguida pela atuação de infectologistas (18,9% e 13,4%, respectivamente). Um crescimento progressivo da difusão do medicamento foi observado (2021: 1,4%; 2022: 4,9%; 2023: 5,8%; 2024: 5,1%). No entanto, o valor está muito abaixo do previsto pelo programa, com taxa de difusão média de 4,1%, no país, sendo o pior cenário identificado na região Norte (2,8%). O deslocamento médio dos pacientes do seu município até a unidade dispensadora foi de 98,4 km (DP=230,3 Km). A mediana de tempo para acesso ao medicamento variou entre 1 (regiões Sul e Sudeste) e 15 dias (região Norte). O acesso limitado à miltefosina foi observado no Brasil entre 2021 e 2024. Os resultados revelam desafios no processo de implementação e necessidades de ajustes para ampliação do acesso a esse tratamento oral, a fim de promover descentralização efetiva da assistência farmacêutica para garantir maior equidade no cuidado aos pacientes de LT.

Palavras-chave Leishmaniose tegumentar; Miltefosina; Acesso a Medicamentos Essenciais; Tecnologias em Saúde; Doenças Tropicais Negligenciadas.
Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? Apresentação Oral
Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? Não
O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? 3. Saúde e Bem-Estar

Autores

Maria Clara Batista Guedes Lorenza Dezanet (Departamento de Medicina Preventiva e Social, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais) Beatriz Prado Noronha Sarah Silva (Instituto René Rachou)

Materiais de apresentação

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