Palestrante
Descrição
O uso de inseticida para o controle de Aedes aegypti vem se traduzindo na seleção de populações resistentes que precisam ser melhor compreendidas para serem enfrentadas. Nesse contexto, o presente estudo conduziu uma revisão sistemática sobre a resistência de populações brasileiras de A. aegypti a inseticidas. A estratégia de busca foi delineada de acordo com as diretrizes do PRISMA, contemplando publicações em Inglês, Português e Espanhol no período 1995 a 2025. As buscas foram realizadas em seis bases de dados. Foram utilizados descritores previamente definidos com base no DeCS e MeSH, empregados isoladamente ou em combinações associadas aos operadores booleanos “AND” e “OR”. Os termos incluíram: “resistência a inseticidas”, “organoclorados (OC)”, “carbamatos (CB)”, “organofosforados (OP)”, “piretróides (PI)”, “neonicotinoides”, “reguladores de crescimento de insetos (IGR)”, “A. aegypti” e “Brasil”. O processo de identificação, triagem, elegibilidade dos estudos e extração dos dados, foi conduzido por dois pesquisadores independentes, com resolução de eventuais divergências pela consulta a um terceiro pesquisador. Foram selecionados 3583 estudos para comporem a revisão; após triagem, 63 atenderam aos critérios de inclusão e fizeram parte desta revisão. Os estudos avaliaram a resistência de 832 populações, distribuídas pelas 5 regiões: Sudeste (422 - 50,7%), Nordeste (198 - 23,7%), Norte (95 - 11,4%), Centro-Oeste (74 - 8,9%), Sul (26 - 3,1%) e Distrito Federal (20 - 2,4%). Dos 63 trabalhos, 50 realizaram bioensaios, sendo que 7 (14%) realizaram testes qualitativos, 18 (36%) testes quantitativos e 25 (50%) ambos. A resistência aos inseticidas foi investigada em: OP (40 – 80%), PI (27 – 54%), IGR (17 – 34%), CB (3 – 6%) e OC (1 – 2%), dos quais 42 (84%) eram grau técnico e 18 (36%) eram produto formulado. Ao todo, 601 populações de A. aegypti foram classificadas como resistentes para OP (72,2%), 398 para PI (47,8%), 108 a IGR (13%), 1 a CB (0,12%) e 1 a OC (0,12%). Do total de trabalhos, 24 (38%) investigaram os mecanismos de resistência, dos quais 4 (16,7%) avaliaram alterações bioquímicas, 10 (41,6%) mutações de sítio-alvo e 10 ambas (41,6%). A análise temporal dos dados sugere aumento do fenótipo da resistência em A. aegypti no Brasil com possível impacto na incidência das arboviroses a ele relacionadas, revelando necessidade urgente de novas alternativas para o seu enfrentamento.
| Palavras-chave | Aedes aegypti, resistência, inseticidas, Brasil |
|---|---|
| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Sim |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 15. Vida Terrestre |