Palestrante
Descrição
A Doença de Chagas (DC) é uma infecção parasitária crônica, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. O principal vetor da DC é o Triatoma infestans, popularmente conhecido como barbeiro. Na fase crônica da enfermidade, pode-se observar complicações gastrointestinais, as quais apresentam-se como um grande desafio para o acompanhamento clínico na atenção primária à saúde. Analisar os desafios relacionados ao diagnóstico e manejo do megaesôfago e megacólon chagásicos na atenção primária à saúde, com base em dados epidemiológicos nacionais e na literatura científica, destacando a magnitude da subnotificação, o perfil clínico dos pacientes e os impactos dessas limitações na condução adequada dos casos. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, realizado a partir da coleta de dados secundários por meio eletrônico do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) hospedado na plataforma do DATASUS. Ademais, foram utilizadas bases de dados científicas como o PubMed e Fiocruz para delinear os dados acerca das formas clínicas da Doença de Chagas. A partir da análise de estudos brasileiros recentes, é possível estabelecer o seguinte panorama: dos pacientes chagásicos com a forma digestiva da doença, 60,2% apresentavam a forma com megaesôfago ou megacólon, 18,6% com ambas as formas e 2,6% sem forma clínica digestiva específica. Vale ressaltar que a forma combinada, cardiodigestiva, representa 47,7% dos casos totais. Pacientes diagnosticados com megaesôfago e megacólon apresentavam idade média acima dos 65 anos. Em um período de 11 anos de estudo, foram registradas 54.236 mortes decorrentes da doença de Chagas. O comprometimento do sistema digestório representou 11% das mortes (5.994 de 54.236). Entretanto, entre o início e o final da pesquisa, a taxa de mortalidade foi reduzida em 32,4%. Uma exceção é a região Norte do país, em que essa taxa foi ampliada em 1,6%. Essa redução tem ligação com a inclusão da doença de Chagas na lista nacional de doenças de notificação compulsória do Ministério da Saúde em 2020. Contrariamente ao cenário positivo da diminuição da mortalidade, a subnotificação de casos ainda persiste no Brasil. Segundo o SINAN, até o ano de 2023, foram diagnosticados 17.049 casos crônicos de DCC, mas de acordo com o levantamento do Global Burden of Disease (GBD) exposto na revista The Lancet Infectious Diseases, existem aproximadamente 4 milhões de pessoas com a doença de Chagas, o que expõe a negligência e falta de diagnóstico no Brasil. O megaesôfago e megacólon chagásicos apresentam-se como complicações crônicas da DC que representam desafios significativos na atenção primária à saúde. A faixa etária da população afetada é predominantemente >65 anos e a subnotificação é alarmante. Embora a mortalidade nacional tenha caído 32,4%, impulsionada pela implementação da notificação compulsória em 2020, há disparidades regionais e persistência de falhas diagnósticas que comprometem o manejo clínico. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias integradas em saúde, como protocolos padronizados de rastreio sorológico e formação continuada de equipes do SUS para otimizar o controle da Doença de Chagas no Brasil.
| Palavras-chave | Doença de Chagas; Megaesôfago; Megacólon; |
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| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
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| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |