Palestrante
Descrição
A hepatite A é uma doença associada a condições inadequadas de saneamento e ao consumo de água e alimentos contaminados, caracterizada por alta morbidade e potencial de evolução para insuficiência hepática aguda, podendo, em casos mais graves, levar ao óbito. No Brasil, sua magnitude foi reduzida a partir de 2014 com a inclusão da vacina no Calendário Nacional de Vacinação. No entanto, a ocorrência contínua de casos no período pós-vacinal sugere manutenção da transmissão, reforçando a necessidade de investigação. Portanto, objetivou-se analisar a persistência da doença nos municípios do estado do Rio de Janeiro, considerando a cobertura vacinal após a disponibilização da vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, foi realizado um estudo ecológico retrospectivo, baseado em dados de notificação da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (CEP nº 7.253.698) e de cobertura vacinal do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações. A persistência foi definida como a ocorrência de incidência superior a zero em três ou mais anos do período pós-vacinal (2015–2023), sendo classificada em alta (≥7 anos), média (4–6 anos) ou baixa (≤3 anos). Dos 22 municípios com persistência da doença, oito apresentaram persistência alta (≥7 anos), concentrados na região metropolitana. Essas áreas reúnem muitas comunidades com esgotamento sanitário inadequado, podendo favorecer a manutenção e a transmissão da doença. Niterói, apesar de apresentar um dos melhores indicadores de saneamento do país, também apresentou elevada persistência, sugerindo necessidade de estudos de localidade. No período analisado, observou-se queda progressiva da cobertura vacinal, com redução acentuada em 2020 (7,24%) e recuperação parcial nos anos subsequentes. Apesar dessa tendência temporal de diminuição, não foi encontrada significância estatística entre a persistência da doença e a cobertura vacinal nos municípios no período de estudo, tanto pela ANOVA de uma via (F = 0,15; p = 0,86) quanto pelo teste não paramétrico de Kruskal–Wallis (H = 0,38; p = 0,83). Nesse sentido, nota-se que a vacinação isolada pode ser insuficiente para a eliminação da doença, uma vez que a recorrência de casos em grandes aglomerados urbanos, mesmo no cenário pós-vacinal, está associada ao déficit estrutural de saneamento básico e às condições precárias de higiene, evidenciando a necessidade de intervenções intersetoriais voltadas à melhoria da infraestrutura sanitária e ao fortalecimento da vigilância em nível de localidade.
| Palavras-chave | Imunização; Doença Viral; Vigilância. |
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| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Não |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |