Palestrante
Descrição
O complexo teníase-cisticercose (CTC), causado por Taenia solium, é uma das ciclozoonoses mais persistentes e negligenciadas no Brasil. A T. solium apresenta risco dual ao ser humano: como hospedeiro definitivo (teníase intestinal) e como hospedeiro intermediário acidental, desenvolvendo cisticercose tecidual. Esta revisão sintetiza evidências sobre os impactos clínicos, epidemiológicos e os desafios de controle dessa zoonose. A teníase é frequentemente assintomática, dificultando sua detecção e favorecendo a disseminação de ovos no ambiente. Em contraste, a cisticercose apresenta manifestações variadas conforme a localização dos cistos. Destaca-se a neurocisticercose (NCC) como a forma de maior impacto, sendo a principal causa evitável de epilepsia adquirida em países endêmicos. Sua gravidade está associada não apenas à presença do parasita no sistema nervoso central, mas à intensa resposta inflamatória do hospedeiro durante a degeneração dos cisticercos. Casos de cisticercose muscular com aspecto de “grão de arroz” em exames de imagem evidenciam a disseminação sistêmica e a alta carga parasitária, comum em pacientes de regiões mais vulneráveis. A persistência de T. solium está diretamente relacionada à suinocultura de subsistência e à deficiência no saneamento básico. Estudos em matadouros brasileiros indicam que a inspeção sanitária pode falhar na detecção de cisticercos em locais não usuais, permitindo a comercialização de carne contaminada, contudo carnes advindas do abate clandestino e ou que passaram por baixa fiscalização são as que mais causam risco de contaminação para o consumidor. Dados recentes mostram aumento de notificações nas regiões Sul e Sudeste, indicando expansão para áreas periurbanas com infraestrutura precária, ressaltando o aspecto ambiental socioeconômico da infecção. O controle efetivo requer abordagem de Saúde Única. No âmbito humano, a integração entre neuroimagem e sorologia (ELISA/EITB) é essencial para o diagnóstico, o acesso ao saneamento básico e a vigilância sanitária, principalmente das carnes suínas, se tornam imprescindíveis na prevenção das doenças. No âmbito veterinário, o fortalecimento da inspeção sanitária, o incentivo à vacinação suína e o combate à precariedade do sistema de criação são estratégias-chave para interromper o ciclo do parasita. O complexo teníase-cisticercose permanece como marcador de subdesenvolvimento, exigindo políticas públicas integradas que envolvam tratamento de portadores, melhorias no manejo sanitário animal e investimentos em educação, saúde e saneamento, principalmente da população relegada.
| Palavras-chave | Taenia solium; Teníase; Cisticercose; Saneamento Básico; Revisão de literatura. |
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