Palestrante
Descrição
A Leishmaniose Visceral Canina (LVC) e a Erliquiose Canina representam importantes desafios para a saúde pública e para a medicina veterinária, especialmente em regiões tropicais, onde a interação entre vetores, reservatórios e hospedeiros favorece a disseminação dessas enfermidades. A LVC, causada por Leishmania infantum, é considerada pela OMS uma das principais doenças tropicais negligenciadas. O cão atua como principal reservatório doméstico, sendo o controle da infecção animal fundamental para a prevenção da transmissão humana. A erliquiose, por sua vez, é uma zoonose de baixa incidência causada por Ehrlichia canis, que compromete o sistema imunológico, e quando associada à LVC, pode agravar o quadro clínico, dificultar o diagnóstico do animal e consequentemente a notificação da doença. Relata-se o caso de um cão, macho, sem raça definida, 8 anos, domiciliado em área urbana, atendido no Hospital Veterinário da UFLA, com queixa de apatia, edema articular e lesão cutânea por lambedura persistente. O diagnóstico de LVC foi confirmado por sorologia (teste rápido seguido de ELISA), enquanto a erliquiose foi identificada por alterações hematológicas compatíveis e teste sorológico. Os exames laboratoriais evidenciaram anemia não regenerativa persistente (hematócrito entre 24% e 32%) e proteinúria acentuada (+++) indicando comprometimento sistêmico. A ultrassonografia abdominal revelou esplenomegalia, hepatomegalia e alterações compatíveis com nefropatia crônica. O tratamento instituído incluiu Miltefosina (2%) por 28 dias, Alopurinol de uso contínuo e Domperidona para LVC, além de Doxiciclina para erliquiose. Para controle da dor e manejo das lesões, foram utilizados Gabapentina e curativos especializados. Durante o acompanhamento, observou-se discreta melhora clínica, com estabilização do quadro geral, embora a proteinúria tenha persistido, indicando necessidade de monitoramento contínuo da função renal. O caso evidencia a importância do diagnóstico precoce e multimodal em coinfecções, bem como da abordagem terapêutica integrada. Ressalta-se ainda a relevância do controle ambiental, sobretudo dos vetores (carrapato e mosquito-palha) e do acompanhamento clínico prolongado, uma vez que o prognóstico permanece reservado, especialmente diante do comprometimento renal. A gestão eficaz da LVC em áreas urbanas é essencial para interromper o ciclo de transmissão e reduzir os riscos à saúde pública, principalmente para idosos, crianças e imunossuprimidos, os grupos mais propensos a se infectarem por essas zoonoses.
| Palavras-chave | Leishmaniose Visceral Canina; Erliquiose; Saúde Única; Zoonose; Relato. |
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