19 – 23 de mai. de 2026
UFLA
Fuso horário America/Sao_Paulo

ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DE CASOS HUMANOS E EPIZOOTIAS DE FEBRE AMARELA NO BRASIL (1994–2024)

23 de mai. de 2026 08:00
25m
Salão de Convenções (UFLA)

Salão de Convenções

UFLA

Campus Universitário - Aquenta Sol, Lavras - MG, 37200-000
Doenças Negligenciadas - Vírus e bactérias Dia 2 - 23/05/2026

Palestrante

Lázaro Santana-Santos (Universidade Federal de Sergipe)

Descrição

A febre amarela é uma arbovirose de grande relevância para a saúde pública devido ao seu potencial epidêmico e elevada letalidade, apresentando um cenário persistente de reemergência e expansão do ciclo silvestre no Brasil desde a década de 1990. Sob essa conjuntura, este estudo teve como objetivo descrever os ciclos epidemiológicos da doença no país entre 1994 e 2024, analisando a ocorrência de casos humanos, epizootias em primatas não humanos, padrões de dispersão espacial e sazonalidade. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e de série temporal, baseado em dados secundários obtidos de sistemas oficiais do Ministério da Saúde, especialmente o Sistema de Informação de Agravos de Notificação e o Sistema de Vigilância de Epizootias. Foram confirmados 2.776 casos humanos, todos associados ao ciclo silvestre, com 1.014 óbitos, resultando em uma taxa média de letalidade de 36,52%. A análise temporal evidenciou ciclos intermitentes de surtos, com destaque para o biênio 2017–2018, responsável por 73% dos casos e que consolidou a região Sudeste, especialmente Minas Gerais e São Paulo, como principal área de transmissão após a expansão do vírus para a Mata Atlântica. O perfil sociodemográfico indicou maior ocorrência em homens em idade produtiva, associados a atividades rurais e baixa cobertura vacinal, evidenciando a vulnerabilidade ocupacional como fator determinante para a infecção e mortalidade. Observou-se ainda forte sazonalidade, com 93,2% dos casos concentrados entre dezembro e maio, coincidindo com períodos de maior atividade vetorial. A vigilância de epizootias mostrou-se essencial como ferramenta preditiva, uma vez que a mortalidade de primatas, especialmente dos gêneros Alouatta e Callithrix, antecedeu os casos humanos, permitindo identificar as áreas de avanço do vírus. Os resultados sugerem que a expansão contínua do vírus para áreas densamente povoadas, anteriormente indenes e com presença de Aedes aegypti, aumenta o risco de surtos urbanos da febre amarela. Em suma, o controle dessa dinâmica de transbordamento zoonótico (spillover) depende do fortalecimento de políticas públicas baseadas em vigilância integrada, controle vetorial eficaz e uso de modelos preditivos, visando otimizar estratégias de vacinação e prevenção.

Palavras-chave Febre amarela; Análise espaço-temporal; Epizootias; Vigilância epidemiológica; Reurbanização.
Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? Pôster
Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? Sim
O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? 3. Saúde e Bem-Estar

Autor

Lázaro Santana-Santos (Universidade Federal de Sergipe)

Co-autores

Manuel Benício Oliveira NETO (Universidade Federal de Sergipe) Camilla Perez MAIA (Universidade Federal de Sergipe) Agostinho NASCIMENTO-PEREIRA (Universidade Federal de Sergipe) Roseli La Corte (Nery Alves dos Santos e Inês La Corte dos Santos)

Materiais de apresentação

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