19 – 23 de mai. de 2026
UFLA
Fuso horário America/Sao_Paulo

RAIVA EM EQUINOS NO SUL DE MINAS GERAIS: RELATO DE SURTO

23 de mai. de 2026 12:40
20m
Salão de Convenções (UFLA)

Salão de Convenções

UFLA

Campus Universitário - Aquenta Sol, Lavras - MG, 37200-000
Doenças Negligenciadas - Vírus e bactérias Dia 2 - 23/05/2026

Palestrante

Ana Carolina Vaz Avelino

Descrição

A raiva é uma zoonose importante, causada pelo Vírus da Raiva (RABV), do gênero Lyssavirus. A transmissão do agente ocorre pela saliva de animais infectados, principalmente morcegos hematófagos, com acometimento do sistema nervoso central. A doença tem curso clínico de poucos dias e evolução quase sempre fatal. O objetivo deste trabalho é relatar um surto de raiva em equinos. Foi encaminhado para necrópsia um equino com histórico de sinais neurológicos agudos. Tratava-se do quarto óbito na propriedade. Os animais eram mantidos a pasto e tiveram manifestações clínicas semelhantes, evoluindo para a morte três a quatro dias após o início dos sinais. Após o caso encaminhado, outros três óbitos de equino foram registrados, totalizando sete no plantel em menos de um mês. Havia histórico de vacinação antirrábica, contudo, verificou-se que as vacinas eram armazenadas sob condições inadequadas de refrigeração. O animal necropsiado era uma potra com 30 dias de idade, Mangalarga Marchador, em bom estado corporal. As mucosas conjuntival e oral estavam pálidas e havia edema subcutâneo nas regiões temporal e periorbital esquerdas. O estômago estava vazio, com erosões e espessamento da mucosa acima da margem pregueada. Nos intestinos o conteúdo era escasso, com material fibroso no intestino grosso e material ressecado aderido à mucosa do cólon menor, alterações associadas à ingestão alimentar comprometida por sinais neurológicos graves. Os pulmões estavam difusamente avermelhados. Amostras de encéfalo e medula espinhal foram colhidas e congeladas para imunofluorescência direta (IFD), e amostras de órgãos e tecidos fixadas em formol a 10% e processadas para histopatologia. Em encéfalo, medula espinhal, neuro-hipófise e gânglio trigeminal evidenciaram-se na histopatologia manguitos perivasculares linfoplasmocíticos acentuados associados a inclusões eosinofílicas intracitoplasmáticas em neurônios (corpúsculos de Negri), gliose multifocal e necrose neuronal. Havia hiperemia difusa moderada em leptomeninges, associada a infiltrado linfoplasmocítico acentuado. Os achados histológicos foram característicos de raiva, sendo o diagnóstico confirmado por imunofluorescência direta e imuno-histoquímica. O surto reforça que, mesmo em animais vacinados, fatores como qualidade, armazenamento e aplicação da vacina devem ser considerados. Destaca-se ainda a importância da proteção das pessoas expostas, com adoção imediata de medidas de profilaxia pós-exposição, que foram realizadas.

Palavras-chave Lyssavirus, Zoonose, vacinação, morcegos hematófagos
Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? Pôster
Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? Sim
O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? 3. Saúde e Bem-Estar

Autor

Ana Carolina Vaz Avelino

Co-autores

Ana Luiza Magalhães de Castro (Universidade Federal de Lavras (UFLA)) Ana Paula Cassiano da Silva (Universidade Federal de Lavras) Angélica Terezinha Barth Wouters (UFLA) Bianca Rebouças Ramalho (Universidade Federal de Lavras) Daniel Wouters Flademir Wouters (UFLA) Thiago Henrique Anunciação de Oliveira (Universidade Federal De Lavras)

Materiais de apresentação

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