Palestrante
Descrição
A Leishmaniose, uma zoonose causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida pela picada do flebotomíneo Lutzomyia longipalpis, tem nos cães o seu principal reservatório urbano. Na espécie canina, a enfermidade frequentemente se manifesta por meio de alopecia, onicogrifose, caquexia, e lesões cutâneas, principalmente nas extremidades auriculares. Nesses animais não se observa cura parasitológica, apenas remissão clínica. Em seres humanos, a doença apresenta cura clínica e parasitológica, podendo manifestar-se nas formas cutânea, mucocutânea e visceral. O presente relato visa descrever a ocorrência de um caso de leishmaniose canina e ressaltar a relevância da patologia no contexto da Saúde Única. O caso refere-se a um cão macho, não castrado, sem raça definida (SRD), com treze anos. Na anamnese, o tutor informou que o animal apresentava emagrecimento progressivo, hiporexia, além de episódios de êmese, diarreia e epistaxe. Ademais, foi relatada infestação crônica por carrapatos. O exame físico revelou alopecia e caquexia. Como exames complementares, foram solicitados hemograma, perfil bioquímico, sorologia para leishmaniose e hemoparasitose, e ultrassonografia abdominal. O hemograma demonstrou anemia normocítica normocrômica e leucopenia. O perfil bioquímico evidenciou elevação dos níveis de ureia, proteínas totais e globulinas. A ultrassonografia revelou alterações esplênicas, hepáticas e renais, estas últimas possivelmente associadas à senescência. A sorologia para leishmaniose detectou títulos de anticorpos elevados (1:160), sugerindo fortemente infecção ativa. Inicialmente, foram prescritos antiparasitário oral e coleira repelente, crucial para a prevenção da disseminação da Leishmania pelos vetores. A confirmação da leishmaniose foi obtida pelo PCR em amostra de medula óssea, e o caso foi devidamente notificado. O responsável optou pelo tratamento após a confirmação. O tratamento consistiu em miltefosina (a cada 24 horas, por 28 dias), domperidona (a cada 12 horas, por 60 dias), alopurinol (a cada 12 horas, por seis meses) e prednisolona (a cada 24 horas, por sete dias). O paciente permanece em tratamento, com acompanhamento periódico por toda a vida. Conclui-se que a leishmaniose representa uma zoonose de significativa importância para a Saúde Única, visto que afeta inúmeros cães, que se tornam reservatórios da Leishmania por longos períodos, se não forem corretamente diagnosticados, tratados ou submetidos à eutanásia.
| Palavras-chave | leishmaniose, cão, zoonose, Saúde Única, Leishmania |
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