Palestrante
Descrição
A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução crônica, curável, mas que ainda representa um grande desafio de saúde pública no Brasil, especialmente por sua forte associação com a pobreza e a vulnerabilidade social. O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno constituem as ferramentas mais eficazes para interromper a cadeia de transmissão do Mycobacterium leprae na comunidade e prevenir o desenvolvimento de incapacidades físicas e danos neurais irreversíveis.Pelo fato da hanseníase ser reconhecida como um problema latente da saúde pública, este estudo objetivou levantar e analisar o perfil epidemiológico dessa doença negligenciada, com as atualizações mais recentes dos órgãos de saúde federais, correspondentes aos últimos 20 anos, a fim de servir de conteúdo nacional, visto que embora haja inúmeros estudos sobre os aspectos clínicos e tratamento da hanseníase, existem poucos relatórios epidemiológicos dessa condição. Foi realizado um estudo descritivo, transversal e quantitativo, desenvolvido a partir de dados secundários obtidos do departamento de informática do Sistema Único de Saúde do Ministério da Saúde (DATASUS/MS). Verificou-se que no Brasil, entre 2005 e 2025 houve uma queda de 49,19% na incidência de internações por hanseníase, entretanto é preponderante ressaltar que nos últimos 5 anos houve um crescimento de 17,49% na prevalência de casos. Nesse contexto, as regiões que obtiveram maior prevalência de hanseníase foram o Sul e o Centro-oeste, enquanto a unidade da federação com maior prevalência nos últimos 20 anos foi o Acre. Nesse perfil, houve maior prevalência de casos no sexo masculino, com uma diferença de 13,42% e também na população parda, com diferença de 45,42% em relação a população branca e de 58,63% para a população preta. Dentro disso, a maior prevalência de internações se deu na faixa etária de 60 anos de idade, seguida pela de 15 a 59 anos e por fim pela faixa de 0 a 14 anos. O Brasil é o segundo país do mundo em número de casos, atrás da Índia e é o primeiro em incidência, ou seja, tem maior proporção de casos novos. Assim, o mapeamento realizado surge como ferramenta ímpar no auxílio da tomada de ações de saúde pública, a qual pode ser feita de forma mais rápida e eficaz em conjunto com os dados epidemiológicos existentes.
| Palavras-chave | Saúde pública; Vigilância epidemiológica; Doenças negligenciadas; Determinantes sociais; Mycobacterium leprae. |
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