Palestrante
Descrição
A dengue apresenta expansão global consistente, com estimativas de 100 a 400 milhões de infecções anuais e metade da população mundial em risco. Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) registraram mais de 14,6 milhões de casos e cerca de 12 mil óbitos, com predomínio nas Américas. O Brasil atingiu incidência superior a 1.300 casos por 100 mil habitantes, triplo do ano anterior, com circulação simultânea dos quatro sorotipos virais. O principal vetor, o Aedes aegypti, é altamente adaptado ao ambiente urbano e sua dispersão é diretamente influenciada por temperatura, umidade e precipitação, representando um dos maiores desafios ao controle da doença em cenários de aquecimento global. Este estudo objetiva analisar a relação entre mudanças climáticas e a expansão da dengue no Brasil, identificando determinantes epidemiológicos, projeções futuras e implicações para a saúde pública. Revisão narrativa sistematizada conduzida no PubMed/MEDLINE com descritores “dengue”, “climate change”, “Aedes” e “arboviruses” e equivalentes em português. Incluíram-se estudos de 2013 a 2024 com foco em modelagem climática, dinâmica vetorial e indicadores epidemiológicos, além de relatórios da OMS e OPAS; excluíram-se estudos sem rigor analítico ou inaplicáveis ao contexto brasileiro. Estima-se que 3,83 bilhões de pessoas vivam em áreas favoráveis à transmissão, podendo ultrapassar 6,1 bilhões até 2080. O aumento das temperaturas, associado à maior umidade e alterações nos regimes de precipitação, reduz o período de incubação extrínseca viral e amplia a sobrevivência e capacidade reprodutiva do vetor, expandindo a dengue para regiões previamente não endêmicas. No Brasil, esses fatores interagem com urbanização acelerada, desigualdade socioespacial e deficiências no saneamento, elevando a magnitude e recorrência das epidemias. Os avanços na vacinação permanecem limitados por elegibilidade restrita, barreiras logísticas e baixa adesão, mantendo o controle vetorial como estratégia central, enquanto surtos recorrentes expõem fragilidades na vigilância epidemiológica e na resposta dos serviços de saúde. A dengue tende a consolidar-se como um dos principais agravos climáticos do século XXI, sobretudo em países tropicais; sem intervenções estruturais e adaptação climática efetiva, projeta-se não apenas expansão territorial, mas a redefinição do impacto epidemiológico da doença no Brasil, exigindo respostas integradas e sustentáveis.
| Palavras-chave | Dengue; Mudanças Climáticas; Aedes aegypti; Arboviroses; Saúde Pública. |
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