Palestrante
Descrição
O tétano, infecção causada por Clostridium tetani, permanece como problema relevante de saúde pública em contextos de vulnerabilidade, apesar de ser amplamente prevenível por vacinação. Entre 1990 e 2019, observou-se redução global aproximada de 88% na mortalidade, conforme estimativas do Global Burden of Disease Study 2019; ainda assim, persistem cerca de 30 a 50 mil óbitos anuais, concentrados sobretudo em países de baixa e média renda. A incidência varia de aproximadamente 0,01 casos/100.000 habitantes em países de alta renda para até 3,4/100.000 em cenários com menor acesso a serviços de saúde, indicando diferença de até 300 vezes associada a desigualdades estruturais. Este estudo objetivou analisar a negligência na prevenção do tétano em sua interface com riscos ocupacionais e determinantes sociais. Trata-se de revisão narrativa da literatura, conduzida por busca estruturada nas bases PubMed e ScienceDirect, utilizando os descritores “tetanus”, “vaccination”, “occupational risk” e “social determinants”. Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2026, em inglês e português, com ênfase em revisões clínicas e epidemiológicas. Adicionalmente, incorporaram-se dados secundários do Global Burden of Disease Study 2019 para análise comparativa da carga global da doença. Os achados demonstram que a maioria dos casos ocorre em indivíduos não vacinados ou com esquemas incompletos, especialmente adultos e idosos, nos quais se observa declínio progressivo da imunidade. Considerando que o tétano não apresenta transmissão interpessoal, o risco de adoecimento resulta da interação entre exposição ambiental e status vacinal. Nesse contexto, trabalhadores informais expostos a solo, resíduos e materiais contaminados, como catadores e operários da construção civil, apresentam maior vulnerabilidade, sobretudo pela frequência de ferimentos, presença de tecido desvitalizado e manejo inadequado das lesões. Associam-se a isso fatores como baixa escolaridade, barreiras de acesso à atenção primária e lacunas na oferta de reforços vacinais, além de evidências de subnotificação que sugerem carga superior à reportada. Conclui-se que o tétano persiste como marcador de iniquidades em saúde, evidenciando a necessidade de estratégias estruturadas, contínuas e intersetoriais voltadas à ampliação da cobertura vacinal ao longo da vida e à proteção de populações ocupacionalmente expostas.
| Palavras-chave | Tétano; Populações Vulneráveis; Saúde Ocupacional; Vacinação; Determinantes Sociais. |
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