Palestrante
Descrição
A Zika, arbovirose causada pelo vírus ZIKV e transmitida principalmente pelo Aedes aegypti, permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil. Embora frequentemente apresente curso clínico leve e autolimitado, sua importância epidemiológica decorre das complicações neurológicas associadas, sobretudo a síndrome congênita do Zika, que amplia o impacto do agravo no contexto da saúde materno-infantil. Diante das dificuldades históricas no controle do vetor e da dinâmica variável de transmissão, torna-se fundamental compreender o comportamento epidemiológico da doença ao longo do tempo.
Nesse contexto, analisou-se o panorama epidemiológico da infecção pelo vírus Zika no Brasil entre 2020 e 2025, por meio de estudo ecológico de série temporal baseado em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram avaliadas variáveis demográficas, espaciais e temporais, incluindo sexo, faixa etária, localidade, distribuição mensal dos casos e condição gestacional, com análise descritiva das notificações registradas no período.
A análise evidenciou redução dos casos em 2020 e 2021, seguida de aumento progressivo até 2024 e nova queda em 2025, indicando comportamento oscilatório da transmissão. Observou-se predominância no sexo feminino (61,3%), especialmente entre indivíduos de 20 a 39 anos, faixa etária correspondente ao período reprodutivo. Quanto à distribuição regional, verificou-se maior concentração de casos nas regiões Nordeste e Sudeste, enquanto a avaliação temporal demonstrou padrão sazonal, com maior incidência entre fevereiro e maio, com pico em março. Por último, no que se refere à condição gestacional, foram identificados 14.988 casos em gestantes (8,3%), com maior frequência no segundo e terceiro trimestres.
Dessa forma, os achados demonstram que a circulação do vírus Zika no Brasil permanece influenciada por determinantes demográficos, ambientais e sazonais. A maior ocorrência em mulheres em idade fértil reforça a relevância do agravo para a saúde materno-infantil, enquanto a concentração regional e o aumento nos meses iniciais do ano sugerem relação com condições climáticas favoráveis à proliferação vetorial. Assim, evidencia-se a necessidade de fortalecimento contínuo da vigilância epidemiológica, aprimoramento dos sistemas de notificação e implementação de estratégias regionalizadas de controle do vetor, com especial atenção às populações mais vulneráveis.
| Palavras-chave | Zika vírus; arboviroses; epidemiologia; |
|---|---|
| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Não |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |