Palestrante
Descrição
A leishmaniose tegumentar (LT) é uma zoonose tropical causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida ao ser humano pela picada de flebotomíneos, conhecidos popularmente como mosquito-palha. A doença manifesta-se principalmente na forma cutânea, caracterizada por úlceras de bordas elevadas, e forma mucosa, marcada por lesões destrutivas nas vias aéreas superiores. Este estudo analisou o perfil epidemiológico da LT na região Norte de Minas Gerais, com base em dados do SINAN/DATASUS referentes ao período de 2007 a 2025. No intervalo avaliado, foram confirmados 8.220 casos, predominando a forma cutânea (7.694; 93,6%) sobre a mucosa (526; 6,4%). A série histórica revela flutuações cíclicas marcantes, com picos de incidência em 2010 (n= 605) e 2011 (n= 594), seguidos por um novo aumento expressivo exatamente uma década depois, em 2020 (n= 695) e 2021 (n= 691). Este intervalo decenal sugere um padrão de periodicidade epidemiológica, possivelmente influenciado pela dinâmica de populações de reservatórios silvestres e pelos ciclos climáticos de longa duração. O crescimento dos casos dos anos 2020-2021, especificamente, pode ter sido potencializado pelo isolamento social durante a pandemia, que alterou o comportamento humano e ampliou a exposição peridomiciliar em áreas rurais. Em 2025, registraram-se 266 notificações; embora o número seja inferior aos picos anteriores, a persistência da transmissão reafirma a endemia regional. Entre os municípios mais afetados destacaram-se Montes Claros (n 1.777 casos), Januária (n 1.270), São João das Missões (n 521) e Varzelândia (n 519). Montes Claros, como polo regional, reflete tanto a urbanização da doença quanto a eficiência do sistema de saúde na captação de casos. Já São João das Missões e Varzelândia evidenciam vulnerabilidade socioeconômica e a presença de comunidades tradicionais e indígenas, onde o contato com o ambiente silvestre é parte da subsistência. Nessas localidades, a precariedade do saneamento e o descarte inadequado de resíduos favorecem a formação de microambientes propícios ao vetor. A transmissão ocorre de forma acidental quando o ciclo silvestre é rompido pela ocupação humana desordenada, transformando a LT em importante problema de saúde pública regional. No Norte de Minas, a doença mantém caráter endêmico, com picos cíclicos relacionados a fatores climáticos e sociais. Apesar da redução observada em 2024, permanece a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e as políticas públicas. Estratégias voltadas ao manejo ambiental e à educação em saúde são fundamentais para reduzir de forma sustentável os casos e proteger populações vulneráveis.
| Palavras-chave | Leishmaniose Tegumentar; Perfil Epidemiológico; Norte de Minas Gerais; Saúde Pública; Vigilância em Saúde. |
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