Palestrante
Descrição
A toxoplasmose congênita, resultante da infecção pelo Toxoplasma gondii durante a gestação, constitui um relevante agravo em saúde pública, especialmente devido ao risco de desfechos como abortamento, natimortalidade e sequelas neurológicas e oculares nos recém-nascidos. A ocorrência da doença pode estar associada a condições socioeconômicas desfavoráveis, limitações aos serviços de saúde e fragilidades nas ações de prevenção e diagnóstico precoce. Nesse contexto, a análise do comportamento da doença em diferentes áreas geográficas e ao longo do tempo torna-se fundamental para o planejamento de intervenções mais eficazes. Portanto, objetivou-se analisar a incidência da toxoplasmose congênita nas regiões do Brasil entre 2019 e 2024. Tratou-se de um estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, com dados secundários obtidos por meio do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Foram analisados casos confirmados e nascidos vivos por região, calculando-se a incidência por 10.000 nascidos vivos. As regiões Sul (18,8) e Centro-Oeste (14,26) apresentaram maiores taxas, enquanto Norte (8,79), Nordeste (8,76) e Sudeste (8,85) exibiram valores semelhantes. Observou-se aumento da incidência em todas as regiões, concomitante à redução dos nascidos vivos (16,1%), sugerindo que as mudanças não se explicam apenas pela variação demográfica. A maior incidência no Sul e Centro-Oeste pode refletir melhor capacidade de detecção e registro dos casos. No Norte, observou-se redução de 15,3% nos nascimentos e aumento de 411% nos casos, com elevação da incidência em 503% (de 4,05 para 24,43/10.000). Esse cenário pode refletir maior vulnerabilidade socioeconômica, barreiras no acesso ao pré-natal e diagnóstico tardio, além de possíveis falhas na detecção e notificação. A elevação da incidência, mesmo diante da redução de nascimentos, sugere fragilidades na prevenção da transmissão vertical. Embora o SUS disponha de estratégias como triagem sorológica, protocolos clínicos e iniciativas como a Rede Cegonha, a persistência de taxas elevadas evidencia fragilidades na implementação e na efetividade dessas ações entre as regiões. Esse cenário aponta lacunas na operacionalização das políticas existentes, reforçando a necessidade de qualificação e fortalecimento da vigilância, do diagnóstico e do manejo da infecção na gestação com o acompanhamento pré-natal.
| Palavras-chave | vigilância em saúde; saúde materno-infantil, políticas públicas |
|---|---|
| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Não |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |