Palestrante
Descrição
A Leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é uma doença tropical negligenciada de grande impacto em saúde pública, sendo causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida por flebotomíneos. O Brasil concentra cerca de 90% dos casos de leishmaniose visceral nas Américas, estando estes associados a condições socioeconômicas desfavoráveis, acometendo principalmente populações de baixa renda, com acesso limitado a serviços de saúde. Entre os principais entraves ao controle da doença, destacam-se a dificuldade no diagnóstico precoce, à subnotificação de casos, a limitada eficácia das medidas de controle vetorial e os desafios relacionados ao manejo dos reservatórios, como cães infectados. Estima-se que, na ausência de tratamento, a leishmaniose visceral apresenta letalidade superior a 95%, fato que está fortemente relacionado ao diagnóstico tardio e a subnotificação da doença. Nesse sentido,evidencia-se que sua persistência está mais relacionada a desigualdades estruturais do que à ausência de conhecimento. Fatores ambientais e socioeconômicos desempenham papel central na transmissão, como condições precárias de moradia, ausência de saneamento básico e urbanização desordenada, que favorecem a proliferação do vetor e aproximam o ciclo de transmissão do ambiente domiciliar. Observa-se, ainda, que apenas 6% dos municípios brasileiros concentram cerca de 80% dos casos da doença, evidenciando a sua distribuição desigual e fortemente relacionada a áreas de maior vulnerabilidade social. Indivíduos nessas condições costumam residir em regiões periféricas, em que a densidade vegetal propicia a presença de vetores e reservatórios silvestres. O impacto da leishmaniose vai além do quadro clínico, incluindo prejuízos sociais e econômicos. Indivíduos acometidos podem apresentar redução da capacidade laboral, estigmatização e piora da qualidade de vida. Esses fatores reforçam um ciclo em que a vulnerabilidade social favorece a doença, que, por sua vez, contribui para o agravamento dessas condições. Diante desse cenário, evidencia-se a fragilidade das políticas públicas no enfrentamento da leishmaniose visceral, que configura-se como um importante desafio social e econômico, especialmente no que se refere à integração entre vigilância epidemiológica, controle vetorial e assistência à saúde.
| Palavras-chave | Leishmania; saúde pública; vulnerabilidade social. |
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