19 – 23 de mai. de 2026
UFLA
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CARDIOMIOPATIA CHAGÁSICA: AVANÇOS NO DIAGNÓSTICO E NO MANEJO CLÍNICO

22 de mai. de 2026 12:40
20m
Salão de Convenções (UFLA)

Salão de Convenções

UFLA

Campus Universitário - Aquenta Sol, Lavras - MG, 37200-000
Doenças Negligenciadas - Protozoários Dia 1 - 22/05/2026

Palestrante

Júlia de Souza Lopes (UFLA)

Descrição

A Doença de Chagas corresponde a uma parasitose negligenciada de grande impacto na saúde pública, especialmente em países da América Latina, sendo causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Dentre as suas manifestações crônicas, destaca-se a cardiomiopatia chagásica, considerada a forma mais grave da doença, associada a elevada morbimortalidade. Estima-se que uma parcela significativa dos indivíduos infectados evolua para comprometimento cardíaco ao longo dos anos, caracterizado por alterações estruturais e elétricas do miocárdio. A fisiopatologia da cardiomiopatia chagásica envolve resposta inflamatória crônica, destruição de fibras miocárdicas e desenvolvimento de fibrose, resultando em disfunção ventricular e distúrbios de condução. Clinicamente, os pacientes podem apresentar insuficiência cardíaca, arritmias complexas e risco aumentado de morte súbita, responsável por 55%-60% dos óbitos. O diagnóstico baseia-se na associação de sorologia positiva para Trypanosoma cruzi e na identificação de alterações cardíacas por meio de exames como eletrocardiograma e ecocardiograma. Nos últimos anos, avanços diagnósticos incluem métodos de imagem mais sensíveis, como a ressonância magnética para detecção precoce de fibrose miocárdica, além do desenvolvimento de testes sorológicos mais específicos e da aplicação emergente de inteligência artificial na análise de eletrocardiogramas. O benznidazol é o medicamento de primeira linha para o tratamento da Doença de Chagas, uma vez que é o que apresenta maior tolerância, disponibilidade e eficácia comprovada. Nos casos da doença aguda, as taxas de sucesso são altas, com eliminação do parasita e cura alcançadas em 60% a 90% dos casos. No entanto, na fase crônica da doença não há comprovação da eficácia do benznidazol, apesar de ocorrer a redução da carga parasitária em infecções de longa duração. Nesse contexto, estudos atuais indicam que a terapia antitripanossômica em cardiopatias já estabelecidas provavelmente não altera os desfechos clínicos. Há poucos ensaios clínicos que analisam o tratamento de cardiomiopatias em pacientes com Chagas, portanto, normalmente, utiliza-se fármacos indicados para o tratamento de outras doenças cardíacas, como os inibidores da enzima conversora de angiotensina e os betabloqueadores. Dessa forma, a cardiomiopatia chagásica evidencia a complexidade dessa condição negligenciada, destacando a importância do diagnóstico precoce e da busca por novas abordagens terapêuticas mais eficazes.

Palavras-chave Trypanosoma cruzi; parasitose negligenciada; saúde pública.
Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? Pôster
Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? Sim
O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? 3. Saúde e Bem-Estar

Autor

Júlia de Souza Lopes (UFLA)

Co-autores

KLAUS SOUZA SANTOS (NEWTON RIBEIRO DOS SANTOS E LENY SOUZA SANTOS) Sofia Dias de Oliveira (Marislei Silva Dias) Ianara Castor Soares

Materiais de apresentação

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