Palestrante
Descrição
A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) permanece como uma das principais Doenças Tropicais Negligenciadas no Brasil, associada a contextos de vulnerabilidades e desigualdades socioambientais e desafios persistentes para a vigilância em saúde. O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos casos de LTA notificados no país no período de 2007 a 2022, identificando padrões temporais, espaciais e sociodemográficos associados à ocorrência da doença. Realizou-se estudo descritivo retrospectivo com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo DATASUS. Foram avaliadas variáveis relacionadas à distribuição temporal e espacial dos casos, sexo, escolaridade, raça/cor autodeclarada, formas clínicas e evolução dos casos. As associações foram analisadas pelo teste qui-quadrado de Pearson, adotando-se nível de significância de 95%. No período analisado, foram notificados 318.998 casos de LTA no país, evidenciando persistência da endemicidade e ampla distribuição territorial. Observou-se concentração expressiva nas regiões Norte e Nordeste, responsáveis por aproximadamente 73% das notificações, confirmando a manutenção histórica de áreas prioritárias de transmissão. Pará, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná responderam por mais da metade absoluta dos casos nacionais, demonstrando importante heterogeneidade espacial. Observou-se predominância de casos em indivíduos do sexo masculino, sugerindo associação com atividades ocupacionais e exposição ambiental em áreas rurais e periurbanas. A maior frequência entre indivíduos com menor escolaridade e em populações socialmente vulneráveis reforça o papel dos determinantes sociais na dinâmica da LTA. A forma clínica cutânea foi predominante, com elevada proporção de cura registrada, embora persistam desafios relacionados à subnotificação e ao diagnóstico precoce, acesso desigual ao diagnóstico e manutenção de cadeias de transmissão em áreas endêmicas. Os resultados evidenciam que a LTA permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil, caracterizada por forte concentração regional e influência de determinantes socioambientais e ocupacionais. A análise longitudinal de dados reforça a necessidade de estratégias integradas de vigilância epidemiológica, fortalecimento da atenção primária e implementação de ações territoriais direcionadas, capazes de reduzir a transmissão e mitigar o impacto da LTA em populações vulneráveis.
| Palavras-chave | Leishmaniose Tegumentar Americana; Saúde Pública; Doenças Tropicais Negligenciadas; Vigilância Epidemiológica. |
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