19 – 23 de mai. de 2026
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DOENÇA CHAGÁSICA NA SAÚDE PÚBLICA DO BRASIL: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA, CLÍNICA E SOCIAL (2015-2024)

23 de mai. de 2026 10:35
20m
Salão de Convenções (UFLA)

Salão de Convenções

UFLA

Campus Universitário - Aquenta Sol, Lavras - MG, 37200-000
Doenças Negligenciadas - Protozoários Dia 2 - 23/05/2026

Palestrante

Lucas do Amaral Cherem (UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO)

Descrição

A doença Chagásica, cujo agente etiológico é o protozoário Trypanosoma cruzi, é uma infecção crônica que pode atingir os sistemas cardiovascular e digestivo, levando a sérias complicações em casos de diagnóstico e tratamento tardios. É transmitida, majoritariamente, pelo contato com as fezes do vetor Triatoma infestans, tanto por via oral, quanto por via hematogênica, podendo ocorrer, também, a transmissão vertical. Assim, faz-se necessário analisar os aspectos epidemiológicos, clínicos e sociais atrelados à Doença de Chagas. Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, descritivo e transversal, realizado a partir de dados do SINAN/SUS, por meio do DATASUS/TABNET. Incluíram-se casos novos de Doença de Chagas no Brasil no período 2015-2024, sendo excluídos registros com informações incompletas ou inconsistentes. Procedeu-se à análise do perfil clínico-epidemiológico e demográfico, considerando variáveis como sexo, faixa etária, raça, escolaridade, via de infecção e o método de diagnóstico. O estudo de 3.759 casos confirmados no decênio evidencia severa concentração no Norte, capitaneada pelo Pará (n=3.019), Amapá (n=283) e Amazonas (n=144). Demograficamente, sobressaem homens (n=2.018 vs. n=1.741 mulheres) e indivíduos autodeclarados pardos (n=3.131). O pico de incidência ocorre em adultos de 20-39 (n=1.284) e 40-59 anos (n=942), ressalvando-se relevante contingente infantojuvenil. O baixo nível instrutivo — com prevalência do ensino fundamental incompleto — reitera sua faceta de agravo estritamente atrelado à vulnerabilidade socioeconômica. Clinicamente, a infecção via oral é hegemônica (n=3.232), superando a clássica vetorial (n=231). O rastreio é robusto: 3.558 casos tiveram crivo laboratorial. O prognóstico é majoritariamente favorável (n=3.319 vivos vs. n=49 óbitos diretos pela doença vs. n=16 óbitos por outras causas). Ao se analisar o caráter endêmico da patologia com a sua principal forma de infecção, comprova-se a nítida correlação entre as notificações e o consumo sem moderação de batidas de açaí não pasteurizadas - nesses casos, apesar do processo de trituração, o protozoário permanece vivo e infectante -, comuns na região Norte. Em suma, Chagas persiste como doença negligenciada de perfil endêmico-amazônico e transmissão alimentar, além de apresentar agravos atrelados à pobreza. O controle mitiga-se com urgentes ações de vigilância sanitária no processamento de insumos regionais e contínua educação em saúde, maximizando sua prevenção.

Palavras-chave Doença Chagásica; Saúde pública; Epidemiologia.
Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? Pôster
Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? Não
O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? 3. Saúde e Bem-Estar

Autores

Jose Cherem (Luiz Cherem) Larissa Barbosa Gouveia Fernandes Lucas do Amaral Cherem (UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO) Maria Helena Beltrão Angelin (Universidade de Pernambuco) Paulo Henrique da Silveira Oliveira

Materiais de apresentação

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