Palestrante
Descrição
A doença Chagásica, cujo agente etiológico é o protozoário Trypanosoma cruzi, é uma infecção crônica que pode atingir os sistemas cardiovascular e digestivo, levando a sérias complicações em casos de diagnóstico e tratamento tardios. É transmitida, majoritariamente, pelo contato com as fezes do vetor Triatoma infestans, tanto por via oral, quanto por via hematogênica, podendo ocorrer, também, a transmissão vertical. Assim, faz-se necessário analisar os aspectos epidemiológicos, clínicos e sociais atrelados à Doença de Chagas. Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, descritivo e transversal, realizado a partir de dados do SINAN/SUS, por meio do DATASUS/TABNET. Incluíram-se casos novos de Doença de Chagas no Brasil no período 2015-2024, sendo excluídos registros com informações incompletas ou inconsistentes. Procedeu-se à análise do perfil clínico-epidemiológico e demográfico, considerando variáveis como sexo, faixa etária, raça, escolaridade, via de infecção e o método de diagnóstico. O estudo de 3.759 casos confirmados no decênio evidencia severa concentração no Norte, capitaneada pelo Pará (n=3.019), Amapá (n=283) e Amazonas (n=144). Demograficamente, sobressaem homens (n=2.018 vs. n=1.741 mulheres) e indivíduos autodeclarados pardos (n=3.131). O pico de incidência ocorre em adultos de 20-39 (n=1.284) e 40-59 anos (n=942), ressalvando-se relevante contingente infantojuvenil. O baixo nível instrutivo — com prevalência do ensino fundamental incompleto — reitera sua faceta de agravo estritamente atrelado à vulnerabilidade socioeconômica. Clinicamente, a infecção via oral é hegemônica (n=3.232), superando a clássica vetorial (n=231). O rastreio é robusto: 3.558 casos tiveram crivo laboratorial. O prognóstico é majoritariamente favorável (n=3.319 vivos vs. n=49 óbitos diretos pela doença vs. n=16 óbitos por outras causas). Ao se analisar o caráter endêmico da patologia com a sua principal forma de infecção, comprova-se a nítida correlação entre as notificações e o consumo sem moderação de batidas de açaí não pasteurizadas - nesses casos, apesar do processo de trituração, o protozoário permanece vivo e infectante -, comuns na região Norte. Em suma, Chagas persiste como doença negligenciada de perfil endêmico-amazônico e transmissão alimentar, além de apresentar agravos atrelados à pobreza. O controle mitiga-se com urgentes ações de vigilância sanitária no processamento de insumos regionais e contínua educação em saúde, maximizando sua prevenção.
| Palavras-chave | Doença Chagásica; Saúde pública; Epidemiologia. |
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| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Não |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |