Palestrante
Descrição
A leishmaniose cutânea é uma doença parasitária negligenciada causada por protozoários do gênero Leishmania, com destaque para Leishmania amazonensis, associada a formas clínicas variadas e, em alguns casos, resistência terapêutica. Nesse cenário, compostos naturais como os taninos condensados têm sido investigados devido às suas propriedades biológicas, incluindo atividade antiparasitária. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a atividade anti-L. amazonensis de taninos condensados isolados da casca de Mimosa tenuiflora, bem como investigar suas interações L-arginase. O estudo foi conduzido in vitro utilizando L. amazonensis (PH8). A atividade antiparasitária foi avaliada em promastigotas por ensaio de viabilidade com MTT após 72 h de incubação, e em amastigotas intracelulares utilizando macrófagos peritoneais de camundongos BALB/c infectados e posterior quantificação da carga parasitária. A citotoxicidade foi determinada em células NIH/3T3 por resazurina, e os valores de IC₅₀ e CC₅₀ foram obtidos por regressão linear. Adicionalmente, foi realizado docking molecular utilizando taninos condensados como ligantes e a enzima L-arginase de Leishmania mexicana como alvo, a fim de prever possível inibição. Os taninos condensados apresentaram atividade contra promastigotas (IC₅₀ ≈ 24,59 µg/mL), enquanto que não foi observado efeito sobre as formas amastigotas dentro do limite de doses testado (IC₅₀ > 50 µg/mL). Entretanto, demonstraram baixa citotoxicidade (CC₅₀ > 1.000 µg/mL) e elevado índice de seletividade (> 40), indicando segurança biológica e permitindo novos estudos com o composto. No docking molecular, observa-se afinidade de ligação favorável (≈ -7,0 kcal/mol), com interações hidrofóbicas do tipo π-π com resíduos His28, His139 e His154, sugerindo possível inibição da L-arginase. Diante dos resultados, conclui-se que os taninos condensados isolados da casca de Mimosa tenuiflora apresentam atividade antiparasitária contra formas promastigotas de L. amazonensis, associada a baixa citotoxicidade. No entanto, a ausência de atividade frente às formas amastigotas, que são clinicamente relevantes, limita seu potencial terapêutico como agente isolado. As interações moleculares observadas sugerem um possível envolvimento da L-arginase como alvo, podendo estar relacionadas a atividade observada in vitro. Contudo, estudos adicionais são necessários para confirmar essa hipótese e elucidar o mecanismo de ação desses compostos.
| Palavras-chave | Leishmania amazonensis; Produtos naturais; Bioprospecção; Leishmaniose cutânea. |
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| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Não |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |