Palestrante
Descrição
A esporotricose é caracterizada como uma micose de implantação, provocada por fungos do complexo Sporothrix spp.. Essa doença negligenciada, tornou-se um problema de saúde pública, configurando-se como uma zoonose emergente especialmente no Brasil, onde a principal espécie associada a essa via é S. brasiliensis. Os felinos domésticos se destacam por serem os principais acometidos e transmissores da doença. A transmissão se dá por meio de ferimentos ocasionados por arranhadura, mordedura ou pelo do contato direto de lesões sem proteção e ainda através de gotículas eliminadas durante o espirro dos felinos, podendo comprometer a pele, o sistema linfático e outros órgãos. Nesta perspectiva, o presente estudo objetivou analisar o perfil epidemiológico da esporotricose felina no município de Lavras, com enfase na possível associação entre o sexo dos felinos dométicos e ocorrência de infecção. O estudo de corte transversal e descritivo, analisou dados secundários provenientes da Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) no período de janeiro de 2024 a março de 2026. Foram analisados no total 113 registros de esporotricose, revelando maior ocorrência da doença em gatos machos (61,4%), com as fêmeas compondo (31,6%) dos registros. Em relação à situação de domicílio, verificou-se que a parcela predominante dos animais (62,8%) eram errantes, ao passo que os domiciliados corresponderam a (37,2%) dos casos. Esses indicadores relacionam-se ao comportamento típico da espécie, como o costume de afiar as unhas em troncos e enterrar dejetos com o solo, favorecendo a presença do fungo de baixo das unhas. Ademais, a postura de defesa territorial dos machos os sujeita a confrontos, ocasionando a transmissão do fungo por meio de mordidas e arranhões. No caso das fêmeas, a transmissão ocorre principalmente durante o acasalamento, uma vez que o macho pode morder a região cervical da parceira para imobilizá-la durante a cópula. Com base nestes dados, pode-se concluir que a esporotricose ocorre com maior frequência em gatos machos com acesso à rua, evidenciando a associação entre o sexo dos felinos e a ocorrência da infecção. Assim, ressalta-se a necessidade de estratégias como ações de educação em saúde sobre a zoonose, elaboração de panfletos informativos, campanhas de castração gratuita e orientações para não permitir que os felinos tenham acesso à rua, visando promover a integração de Uma Só Saúde e diminuir a propagação da esporotricose felina no município.
Palavras-chaves: felinos domésticos; machos; errantes; zoonose
Apoio ou financiamento: FAPEMIG, CNPq e UFLA
| Palavras-chave | felinos domésticos; machos; errantes; zoonose |
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