Palestrante
Descrição
A Mieloencefalite Protozoária Equina (EPM) é uma doença neurológica causada pelo protozoário Sarcocystis neurona e Neospora hughesi transmitida pelas fezes do gambá (Didelphis albiventris), com a espécie equina sendo o hospedeiro acidental. Essa afecção ocasiona sinais clínicos como ataxia, paresia, atrofia muscular assimétrica e, nos casos graves, decúbito permanente, que progride ao óbito. Ainda que não seja classificada pela OMS como doença negligenciada, na prática clínica e epidemiológica brasileira, ela se enquadra nesse contexto: subnotificação expressiva, diagnóstico definitivo dependente de necropsia, ausência de vacina disponível no Brasil, escassez de dados epidemiológicos e impacto econômico desproporcionalmente elevado em populações rurais vulneráveis. Mediante o exposto, o objetivo deste trabalho é relatar um caso de EPM em equino, atendido no Hospital Veterinário da UFLA. Tratou-se de um macho, 5 anos, da raça Mangalarga Marchador, com 275 kg, sem histórico prévio de doença, proveniente de uma propriedade rural em Luminárias - MG, utilizado para passeio e cavalgada. Aproximadamente 30 dias antes da internação, o animal apresentou ataxia, sendo incapaz de sustentar-se durante a manipulação. O quadro se agravou após 15 dias, apresentando incoordenação e fraqueza nos membros posteriores. A partir do exame neurológico, observou atrofia de garupa e de membros posteriores, além de hipersensibilidade no músculo glúteo lateral. O diagnóstico de EPM foi estabelecido com base nos sinais clínicos, após o afastamento dos principais diagnósticos diferenciais: herpesvirose equina, Síndrome de Wobbler e compressão medular. O protocolo terapêutico inicial foi composto por DMSO, dexametasona, vitamina B1, antitóxico, sulfa-trimetoprim e, posteriormente, diclazuril. A fisioterapia foi realizada duas semanas após a chegada do cavalo. Nesse viés, obteve-se uma resposta positiva ao protocolo instituído, sendo que o paciente permaneceu internado por 47 dias, com melhora do quadro e estabilidade progressiva ao longo dos dias. Em conclusão, o caso ilustra o perfil negligenciado da EPM na realidade brasileira: animal de trabalho, criado por proprietário com poucos recursos, sem diagnóstico sorológico precoce ou vacina, atendido após evolução tardia da afecção. A ausência de políticas públicas de vigilância epidemiológica contribui para a invisibilidade do seu real impacto na equideocultura nacional.
| Palavras-chave | Doença negligenciada; Doença neurológica; Sarcocystis neurona. |
|---|---|
| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Sim |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |