Palestrante
Descrição
A esquistossomose em Minas Gerais (MG) é moldada pela sinergia entre a favorabilidade biológica climática e a precariedade sanitária. As mudanças climáticas e a urbanização redefinem os nichos do Biomphalaria glabrata, vetor de maior competência no estado. Sob o paradigma de Saúde Única, o controle exige a compreensão de que o clima modula a viabilidade do ciclo, enquanto a falha no saneamento é o evento que o inicia. Desse modo, o presente estudo tem como objetivo avaliar o impacto das variáveis climáticas na distribuição do B. glabrata e discutir a dependência entre o aquecimento global e a infraestrutura sanitária nas metas de eliminação da doença em Minas Gerais até 2030. Para isso, foi realizada uma Revisão integrativa nas bases PubMed, SciELO e repositórios institucionais. Aplicaram-se os descritores: “Schistosomiasis”, “Climate Change”, “Minas Gerais”, “Biomphalaria glabrata”, “One Health” e “Environmental RNA”. Critérios de inclusão: artigos originais (2022-2026) sobre Minas Gerais ou modelos bioclimáticos nacionais. Excluíram-se estudos pré-2022 ou sem análise ambiental. A amostra final consistiu em 6 artigos científicos. Observou-se que a temperatura da água é o modulador central da viabilidade da infecção, com ótimo térmico de 21,7º C. Altas temperaturas aceleram o desenvolvimento intra molusco, reduzindo o período pré-patente para menor que 20 dias a 35º C, embora elevem a mortalidade vetorial. Modelagens indicam que o clima impulsiona deslocamentos geográficos amplos, enquanto a urbanização gera habitats estáveis em canais de drenagem . Projeções para o Norte de MG (2021-2060) sugerem aquecimento que favorece a expansão para áreas indenes. Entre 2018 e 2023, MG registrou 9.239 casos, e a letalidade subiu para 7,82% em 2020 devido ao impacto da COVID-19 na vigilância. No eixo Saúde Única, roedores silvestres (Holochilus sciureus) foram confirmados como reservatórios ativos que sustentam o ciclo ambiental. Em 2026, a validação do RNA ambiental (eRNA) permitiu a detecção de cercárias com sensibilidade superior à malacologia clássica. Sendo assim, conclui-se que o clima atua como modulador da viabilidade e velocidade de transmissão, tornando a esquistossomose um "alvo móvel". Contudo, a precariedade do saneamento é a causa estrutural que permite a manutenção do ciclo. A eliminação da doença até 2030 exige integrar modelagens preditivas e vigilância sanitária à universalização sanitária, rompendo a relação entre vulnerabilidade climática e pobreza.
| Palavras-chave | Biomphalaria glabrata; Mudanças Climáticas; Esquistossomose; Saúde Única; Minas Gerais. |
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| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
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| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 13. Ação Contra a Mudança Global do Clima |