Palestrante
Descrição
A hantavirose é uma zoonose causada por vírus do gênero Orthohantavirus,
transmitida principalmente por roedores silvestres infectados. A infecção humana
ocorre, pela inalação de aerossóis contendo partículas virais provenientes de
excretas, como urina, fezes e saliva desses reservatórios. No Brasil, a doença
apresenta distribuição espacial heterogênea, associada a fatores ecológicos,
ocupacionais e ambientais, com ocorrência predominante em áreas rurais e
periurbanas. Caracteriza-se por elevada taxa de letalidade, especialmente nos
casos de síndrome cardiopulmonar, sendo importante agravo à saúde pública.
Nesse contexto, a vigilância epidemiológica desempenha papel fundamental na
detecção precoce, notificação, investigação e monitoramento dos casos,
subsidiando a implementação de medidas de prevenção e controle. Diante disso,
este estudo objetiva analisar o perfil epidemiológico da hantavirose no Brasil. Tratase de um estudo descritivo com abordagem qualitativa, baseado em revisão
narrativa da literatura. Foram utilizados dados secundários provenientes do Sistema
de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e relatórios de vigilância
epidemiológica do Brasil e do estado de Minas Gerais. A literatura evidencia que a
hantavirose no Brasil apresenta distribuição regional heterogênea, com maior
concentração de casos nas regiões Sudeste e Sul. Esse padrão está relacionado a
características ambientais, presença de roedores silvestres e atividades
agropecuárias, que aumentam a exposição humana ao agente etiológico. O perfil
epidemiológico envolve predominantemente indivíduos do sexo masculino, adultos
jovens e com histórico de exposição ocupacional ou em ambiental de risco. Dados
de Minas Gerais demonstram discrepância entre notificações e casos confirmados,
sugerindo limitações diagnósticas e possível subnotificação. Além disso, observa-se
elevada letalidade entre os casos confirmados, reforçando a gravidade clínica da
doença. Esse cenário corrobora a existência de padrões semelhantes na série
histórica nacional, além de evidenciar fragilidades na consolidação e na vigilância
dos dados epidemiológicos. Conclui-se que a hantavirose permanece como uma
zoonose de relevância epidemiológica no Brasil, marcada por elevada letalidade,
distribuição regional heterogênea e desafios relacionados ao diagnóstico e à
vigilância epidemiológica. Esses aspectos indicam a necessidade de fortalecimento
dos sistemas de notificação e vigilância com vistas à detecção precoce e à redução
da morbimortalidade associada à doença.
| Palavras-chave | Agravos; Hantavírus; Epidemiologia; Zoonoses; Saúde Pública. |
|---|---|
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