Palestrante
Descrição
A leishmaniose visceral (LV) é uma zoonose causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida ao ser humano pela picada da fêmea do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis) infectada. Nas Américas, o principal agente etiológico é Leishmania infantum. Clinicamente, a doença caracteriza-se por febre prolongada, perda de peso, hepatoesplenomegalia, anemia e comprometimento imunológico, podendo evoluir para óbito em decorrência de complicações como hemorragias, infecções bacterianas, anemia grave, diarreia e alterações cardíacas. No Brasil, a vigilância epidemiológica da LV é realizada por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), coordenado pelo Ministério da Saúde, responsável pelo registro e monitoramento de doenças de notificação compulsória. Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição espacial e temporal dos casos confirmados de leishmaniose visceral entre 2015 e 2025, com base em dados do SINAN, identificando os estados mais afetados e discutindo a influência de fatores socioeconômicos na manutenção e expansão da doença. Foram analisadas as variáveis Unidade Federativa de infecção, ano de notificação e casos confirmados no período proposto. Observou-se elevada concentração de novos casos nos estados do Maranhão (4.249 casos), Minas Gerais (3.020), Pará (2.657), Ceará (2.617), Bahia (1.799), Tocantins (1.472) e Piauí (1.430). Em relação aos casos de recidiva, destacaram-se Maranhão (479), Minas Gerais (252), Ceará (223), Tocantins (109), Piauí (106), Bahia (82) e Pará (74). Os dados indicam que a maior incidência nessas regiões está associada a determinantes socioeconômicos, como precariedade habitacional, deficiência de saneamento básico e acesso limitado aos serviços de saúde, fatores que favorecem a manutenção do ciclo de transmissão. Além disso, observa-se crescente urbanização da doença, possivelmente relacionada ao crescimento desordenado das cidades, especialmente em áreas periféricas com infraestrutura inadequada, aliado às mudanças climáticas que favorecem a proliferação do vetor. Conclui-se que a leishmaniose visceral permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, demandando o fortalecimento da vigilância epidemiológica, ampliação do diagnóstico precoce, intensificação das ações de controle vetorial e implementação de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais.
| Palavras-chave | distribuição regional; saúde pública; doenças negligenciadas. |
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| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Não |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |