Palestrante
Descrição
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae que atinge pele e nervos, podendo causar incapacidades físicas se não tratada precocemente. Transmitida pelo contato prolongado por vias respiratórias, a doença ainda é um desafio de saúde pública em países em desenvolvimento. No Brasil, sua distribuição é heterogênea, com o estado de Minas Gerais apresentando grande relevância epidemiológica. Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, descritivo e transversal, realizado a partir de dados do SINAN/SUS, por meio do DATASUS/TABNET. Foram incluídos casos novos de hanseníase em residentes do estado de MG no período de 2016–2025, sendo excluídos registros com informações incompletas ou inconsistentes. Procedeu-se à análise do perfil clínico-epidemiológico e demográfico, considerando variáveis como sexo, faixa etária, raça, forma clínica e o método de diagnóstico. Avaliaram-se 13.326 notificações de hanseníase em MG (2016-2025) no banco de dados Sinan/DATASUS. A enfermidade acomete quase exclusivamente adultos (≥15 anos: 12.846 casos) e homens (7.459 contra 5.866 mulheres). Atrelada à vulnerabilidade social, atinge sobretudo pessoas com ensino fundamental incompleto e autodeclaradas pardas (7.023), seguidas por brancos (3.716) e pretos (2.046). O perfil clínico atesta diagnóstico tardio, mantendo a cadeia de transmissão ativa. A maioria é Multibacilar (10.703) contra apenas 2.616 Paucibacilares. As formas prevalentes são Dimorfa (6.487) e Virchowiana (2.999). O retardo também é visível no dano à pele: 5.637 tinham >5 lesões e 3.476 tinham entre 2 e 5 lesões. A detecção ilustra falhas na atenção primária, ocorrendo passivamente por encaminhamentos (5.279) e demanda espontânea (2.991). A busca ativa é irrisória nos exames de contatos (1.643) e coletividade (218), havendo muitos dados ignorados. Por ser um grave problema de saúde, urge capacitar profissionais para o diagnóstico precoce e realizar a vigilância ativa. Conclui-se que a hanseníase em MG se mantém como um grave problema de saúde pública, com detecção majoritariamente em estágios avançados. Para o efetivo controle dessa doença, faz-se urgente o fortalecimento de políticas públicas voltadas à capacitação profissional para o diagnóstico precoce e à intensificação sistemática da busca ativa e vigilância de contatos intramiciliares e sociais.
| Palavras-chave | Hanseníase; Minas Gerais; Epidemiologia. |
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| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
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| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |