Palestrante
Descrição
As florestas ripárias são ecossistemas de transição entre ambientes terrestres e aquáticos, fundamentais para a manutenção da biodiversidade e da integridade ecológica. Essas formações vêm sofrendo intensas pressões antrópicas, como desmatamento, urbanização, poluição e, no caso da bacia do médio Rio Doce (MG), os impactos do desastre da mineração de 2015, que agrava processos históricos de degradação ambiental. Essas alterações afetam diretamente a estrutura das comunidades biológicas e podem favorecer organismos oportunistas, incluindo insetos hematófagos de relevância sanitária. Os culicídeos (Diptera: Culicidae) destacam-se como bioindicadores da qualidade ambiental, uma vez que sua composição e abundância refletem mudanças no habitat e podem sinalizar riscos à saúde pública, devido à capacidade vetorial de diversas espécies. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar a diversidade, abundância e distribuição de culicídeos em florestas ripárias do médio Rio Doce ao longo de um gradiente de degradação ambiental, testando a hipótese de que ambientes mais degradados favorecem espécies oportunistas e potencialmente vetoras. A amostragem foi realizada em seis áreas com diferentes níveis de conservação, previamente definidos com base em métricas de cobertura florestal e inserção na paisagem, por meio de imagens de satélite. Resultados preliminares revelam o registro de múltiplos gêneros, incluindo Culex, Aedes, Anopheles, Mansonia, Coquillettidia, Uranotaenia, Aedeomyia, Haemagogus, Psorophora e Sabethes, evidenciando a coexistência de espécies com diferentes graus de associação ambiental e relevância epidemiológica. As análises ainda em andamento indicam o potencial de simplificação biótica em ambientes mais degradados, com possível favorecimento de espécies oportunistas e vetoras. Esses achados reforçam o papel dos culicídeos como bioindicadores e apontam para implicações diretas na interface entre degradação ambiental e risco epidemiológico. Dessa forma, o estudo pode contribuir para o entendimento das respostas da fauna de Culicidae às perturbações ambientais, além de fornecer subsídios para estratégias integradas de conservação, monitoramento ambiental e vigilância em saúde pública ao entorno da bacia do Rio Doce.
| Palavras-chave | Arbovirose; Culicidae; Degradação ambiental; Rio Doce. |
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