Palestrante
Descrição
A esquistossomose é uma doença parasitária causada pelo trematódeo
Schistosoma mansoni, associada a condições de saneamento básico inadequadas.
A transmissão ocorre quando indivíduos infectados eliminam ovos do parasito por
meio das fezes, contaminando corpos d’água, como rios e lagoas. Nesses
ambientes, os ovos liberam formas infectantes que atingem moluscos do gênero
Biomphalaria, hospedeiros intermediários do ciclo, possibilitando posteriormente a
infecção do hospedeiro definitivo. Diante disso, a doença está relacionada com as
condições socioambientais, o contato com água contaminada e a deficiência de
saneamento básico. O presente estudo teve como objetivo analisar a distribuição
dos casos de esquistossomose no Brasil, no período de 2020 a 2024, com base em
dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). No período
analisado, foram registrados 13.025 casos confirmados, distribuídos em todo o
território nacional. A região Sudeste concentrou o maior número de casos (8.715 -
66,91%), seguida pela Nordeste (3.780 - 29,02%). As demais regiões apresentaram
menor representatividade: Centro-Oeste (197 - 1,51%), Norte (181 - 1,39%) e Sul
(152 - 1,17%). Entre as unidades federativas, destacou-se Minas Gerais,
responsável por 7.302 casos (56,06%), seguido por Bahia (1.445 - 11,09%), São
Paulo (1.076 - 8,26%) e Pernambuco (839 - 6,44%). Em relação ao sexo,
observou-se predominância do sexo masculino em todos os estados analisados,
com maior proporção em Minas Gerais, com 4.744 casos (36,42%), em comparação
ao sexo feminino (2.555 - 19,62%). Portanto, os dados analisados reforçam que a
infecção está fortemente associada à fatores de risco ambientais e
comportamentais, especialmente o contato com água contaminada. Além disso, a
alta concentração de casos em Minas Gerais pode estar relacionada à maior
distribuição e densidade de moluscos do gênero Biomphalaria, contribuindo para a
manutenção do ciclo do parasito na região, favorecendo a permanência da
transmissão. Somando-se a isso, condições socioeconômicas desfavoráveis,
incluindo a ausência de saneamento básico e o acesso limitado à água potável,
contribuem significativamente para a manutenção e disseminação da infecção.
Dessa forma, destaca-se a necessidade de fortalecimento de políticas públicas
voltadas ao saneamento, à educação em saúde e ao controle do parasito S.
mansoni, visando à redução da transmissão e dos impactos da doença.
| Palavras-chave | Schistosoma mansoni, Biomphalaria, Saneamento básico, Fatores socioambientais, Vigilância epidemiológica. |
|---|---|
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