Palestrante
Descrição
A babesiose equina é uma hemoparasitose causada pelos protozoários Babesia spp. e Theileria equi, transmitidos por carrapatos, caracterizada pela invasão e destruição de eritrócitos, resultando em anemia hemolítica, febre, icterícia, letargia e redução do desempenho atlético. Em casos mais graves, as alterações sistêmicas decorrentes da hemólise e da resposta inflamatória podem comprometer diferentes sistemas orgânicos. Apesar de amplamente distribuída em regiões tropicais e subtropicais e de seu impacto sanitário e econômico na equideocultura, a enfermidade é frequentemente considerada uma doença negligenciada, em virtude da subnotificação, das limitações diagnósticas em condições de campo e da insuficiente inclusão em programas sanitários. Relata-se o caso de um equino macho, da raça Mangalarga Marchador, com aproximadamente quatro anos de idade, atendido com histórico de desconforto abdominal iniciado no dia anterior, caracterizado por escavação, decúbito e rolamentos. Ao exame clínico observaram-se frequência cardíaca de 56 bpm, frequência respiratória de 18 rpm, temperatura retal de 39 °C, mucosas róseas com fundo ictérico, desidratação estimada em 8% e motilidade intestinal discretamente reduzida. À sondagem nasogástrica houve drenagem abundante de conteúdo fermentado composto por silagem e capim, compatível com compactação gástrica. Logo, inicialmente, instituiu-se tratamento com sondagem nasogástrica, lavagem gástrica, administração de laxante e fluidoterapia intravenosa com solução de ringer com lactato, sendo observada a resolução do quadro de desconforto abdominal. Considerando a presença de febre e icterícia, realizou-se pesquisa de hematozoários por meio de esfregaço sanguíneo, evidenciando inclusões intraeritrocitárias sugestivas de Babesia spp., confirmando o diagnóstico de babesiose. Diante do resultado, foi instituída terapia específica com imidocarb, associada às medidas de suporte já estabelecidas, sendo observada melhora clínica progressiva. O caso ressalta a importância da inclusão de hemoparasitoses no diagnóstico diferencial de síndromes cólicas em equinos, especialmente quando associadas a sinais sistêmicos, e sugere que a babesiose pode predispor a alterações digestivas secundárias, como compactações, possivelmente relacionadas à redução da ingestão alimentar, alterações metabólicas, diminuição da motilidade gastrointestinal e comprometimento do estado geral do animal.
| Palavras-chave | Babesia spp.; carrapato; cólica; hemoparasitose. |
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