Palestrante
Descrição
A hanseníase, causada por Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica e negligenciada que permanece como relevante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais e limitações no acesso aos serviços de saúde. Sua persistência está associada à manutenção da transmissão ativa e a desafios na detecção precoce dos casos, sobretudo em populações vulnerabilizadas. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo analisar a ocorrência de hanseníase no estado do Rio de Janeiro no período de 2015 a 2024, com ênfase na comparação entre a população indígena e a população geral. Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram analisadas as taxas de incidência (por 100 mil habitantes). A população indígena foi estimada pela média dos Censos do IBGE de 2010 e 2022, enquanto a população geral foi obtida por meio de projeções anuais do DATASUS/IBGE. No período analisado, foram registrados 8 casos de hanseníase na população indígena e 7.886 casos na população geral. A incidência acumulada na população indígena foi de 50 casos por 100 mil habitantes, superior à da população geral (45 casos por 100 mil habitantes). A incidência média anual foi estimada em aproximadamente 5,0 casos por 100 mil habitantes/ano na população indígena e 4,6 casos por 100 mil habitantes/ano na população geral. Observou-se acentuada instabilidade nas taxas anuais na população indígena, com ausência de registros em 2021, seguida de aumento em 2022 e 2023, com valores superiores a 6 casos por 100 mil habitantes. Esse padrão pode estar relacionado à redução das ações de vigilância durante a pandemia de COVID-19, com subnotificação e represamento de casos, sugerindo cenário de endemia oculta. A população indígena apresentou variações ao longo do período, enquanto a população geral apresentou menor variabilidade nas taxas anuais, o que pode sugerir diferenças na regularidade da detecção dos casos. A ausência de registros em 2024 na população indígena pode refletir dados preliminares e fragilidades na vigilância. Os achados evidenciam a manutenção da hanseníase como endemia no estado, com maior frequência em populações específicas, reforçando a necessidade de fortalecer a vigilância ativa e passiva, ampliar o diagnóstico precoce e intensificar estratégias territorializadas para interrupção da transmissão.
| Palavras-chave | mycobacterium leprae; incidência; vigilância epidemiológica |
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