Palestrante
Descrição
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, classificada como doença tropical negligenciada, ainda relevante no Brasil. Sua persistência está associada a vulnerabilidades sociais e desafios no diagnóstico precoce, tornando essencial a análise do perfil epidemiológico para subsidiar ações no Sistema Único de Saúde. Este estudo objetivou analisar o perfil epidemiológico dos casos novos de hanseníase no Brasil, no período de 2015 a 2024, segundo características sociodemográficas e regionais. Trata-se de estudo ecológico, descritivo, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS. Foram analisados casos novos de hanseníase no Brasil entre 2015 e 2024, segundo sexo, faixa etária, raça/cor e região de residência, por meio de frequências absolutas e relativas. Foram registrados 307.919 casos no período. Observou-se padrão relativamente estável no período pré-pandemia (2015–2019), com valores elevados e pico em 2018 (36.847 casos). Em 2020, houve redução acentuada no número de casos (23.508), seguida de recuperação gradual nos anos subsequentes, alcançando 29.944 casos em 2023. Essa redução coincide com o período da pandemia de COVID-19, sugerindo impacto nas ações de vigilância e possível subdiagnóstico, com posterior retomada da detecção. Verificou-se distribuição regional desigual, com maior concentração no Nordeste (42,1%), seguido do Centro-Oeste (21,9%) e Norte (18,2%). Sudeste (14,5%) e Sul (3,2%)
apresentaram menores proporções. Esse padrão evidencia maior carga da doença em áreas historicamente endêmicas e associadas a condições de vulnerabilidade social. Observou-se predomínio do sexo masculino (56,9%), padrão consistente com a literatura e possivelmente relacionado à maior exposição e ao diagnóstico mais tardio entre homens. Observou-se predomínio de casos entre indivíduos da raça/cor parda (59,3%), seguidos por brancos (23,1%) e pretos (12,7%). Esse padrão evidencia a associação da hanseníase com condições de vulnerabilidade social e desigualdades raciais. A maioria dos casos ocorreu em indivíduos com 15 anos ou mais (95,0%), porém destaca-se a ocorrência em menores de 15 anos (5,0%), indicando transmissão ativa. Portanto, percebe-se que a hanseníase permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, com distribuição desigual, reforçando a necessidade de fortalecimento da vigilância e diagnóstico precoce no Sistema Único de Saúde.
| Palavras-chave | Doença Infecciosa; Desigualdade em Saúde; Sistema Único de Saúde |
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| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
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| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |