Palestrante
Descrição
A febre amarela é uma arbovirose de elevada gravidade e relevância em saúde pública no Brasil, associada à ocorrência de surtos e elevada letalidade. Apesar da disponibilidade de vacina eficaz e gratuita no âmbito do Sistema Único de Saúde, a persistência de casos e óbitos indica fragilidades na vigilância, especialmente na detecção oportuna de casos leves e moderados. A análise conjunta de incidência e letalidade pode evidenciar inconsistências na sensibilidade do sistema de vigilância, uma vez que a coexistência de baixa incidência com elevada letalidade sugere subdetecção de casos, permitindo utilizar a letalidade como indicador indireto da capacidade de detecção. O objetivo deste estudo foi analisar o descompasso entre incidência e letalidade da febre amarela no Brasil, no período de 2015 a 2024, utilizando a letalidade como indicador indireto da detecção de casos pelo sistema de vigilância epidemiológica. Trata-se de estudo ecológico, descritivo, com abordagem temporal, utilizando dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no DATASUS. Foram analisados casos humanos confirmados de febre amarela no Brasil, agregados por ano de início dos sintomas. Foram calculados o número de casos e óbitos, a taxa de incidência por 100.000 habitantes, utilizando estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e a taxa de letalidade. Realizou-se análise descritiva dos indicadores ao
longo do período. Observou-se aumento expressivo de casos entre 2017 e 2018 (1.224 e 1.330 casos), com incidência de 0,59 e 0,63 casos por 100.000 habitantes e redução da letalidade para cerca de 34%. Em contraste, anos com baixa incidência, como 2015 (0,004), 2021 (0,004) e 2023 (0,003), apresentaram elevadas taxas de letalidade, superiores a 50%. Após o período epidêmico, verificou-se redução progressiva da incidência, com valores inferiores a 0,01 a partir de 2020, acompanhada de oscilações na letalidade ao longo da série temporal. Os resultados evidenciam o descompasso entre incidência e letalidade da febre amarela no Brasil, com elevadas taxas de letalidade em períodos de baixa incidência, sugerindo subdetecção de casos leves. A letalidade mostrou-se um indicador indireto útil da sensibilidade da vigilância epidemiológica, reforçando a necessidade de aprimoramento na detecção precoce, qualificação dos sistemas de informação e fortalecimento das ações de vigilância no Sistema Único de Saúde.
| Palavras-chave | Estudos Ecológicos; Monitoramento Epidemiológico; Sistemas de Informação em Saúde |
|---|---|
| Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? | Pôster |
| Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? | Sim |
| O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? | 3. Saúde e Bem-Estar |