19 – 23 de mai. de 2026
UFLA
Fuso horário America/Sao_Paulo

A INVISIBILIDADE NOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO: AUSÊNCIA DE DADOS SECUNDÁRIOS SOBRE SAÚDE EM COMUNIDADES QUILOMBOLAS

22 de mai. de 2026 13:00
30m
Salão de Convenções (UFLA)

Salão de Convenções

UFLA

Campus Universitário - Aquenta Sol, Lavras - MG, 37200-000
Populações Negligenciadas Dia 1 - 22/05/2026

Palestrante

Sr. Thiago de Oliveira Loures (Terezinha de Oliveira Loures)

Descrição

As comunidades remanescentes de quilombos constituem grupos étnico-raciais que,
segundo critérios de autoatribuição, apresentam trajetória histórica própria e possuem
ancestralidade negra associada à resistência à opressão. Nesse contexto, esses
núcleos seguem enfrentando, ao longo do tempo, processos de exclusão que elevam
o risco de agravos à saúde e reiteram sua condição de povo negligenciado. Diante
dessa realidade, a Análise de Situação de Saúde (ASIS) emerge como ferramenta
estratégica para revelar as iniquidades territoriais e fundamentar políticas públicas
para essas comunidades. Assim, esse trabalho teve como objetivo avaliar a
disponibilidade de dados secundários em plataformas governamentais, para a
realização de ASIS em populações quilombolas. Trata-se de um estudo descritivo, de
natureza exploratória, com abordagem qualitativa, fundamentado na análise da
disponibilidade e completude de dados secundários de acesso público. O
levantamento foi realizado por meio de plataformas oficiais, com destaque para o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Departamento de Informática
do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram evidenciadas limitações estruturais
relevantes relacionadas à disponibilidade de dados específicos para quilombolas nos
Sistemas de Informação oficiais. Apenas em 2022, o IBGE realizou seu primeiro
levantamento censitário para identificar a população quilombola, estimada em
1.330.186 pessoas, das quais 12,6% (167.769) estavam domiciliadas em 495
comunidades remanescentes. No âmbito dos Sistemas de Informação em Saúde, por
meio do Tabnet/DATASUS, foi observada a ausência de filtros específicos para essa
categoria, o que impede o cruzamento de dados necessários para a realização de
uma ASIS direcionada, restringindo os estudos ao recorte genérico de raça/cor “preta”
ou “parda”, reiterando a condição de povo negligenciado. A inexistência do quesito
“comunidades tradicionais” com opção de seleção “quilombola” nas fichas de
notificação do SINAN, não apenas evidencia uma lacuna estrutural, mas também
sinaliza a tendência de permanência da invisibilidade desses dados no médio prazo.
A falta de registros específicos sobre comunidades remanescentes de quilombos,
somada à inexistência de uma estrutura organizacional própria no campo da saúde,
aprofunda as limitações informacionais, compromete a formulação de políticas
públicas adequadas e perpetua a condição dessas populações como grupos
historicamente negligenciados.

Palavras-chave Comunidades tradicionais; Iniquidades em saúde; Sistemas de informação em saúde; Dados secundários
Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? Apresentação Oral
Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? Sim
O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? 20. Povos Originários e Comunidades Tradicionais

Autor

Sr. Thiago de Oliveira Loures (Terezinha de Oliveira Loures)

Co-autores

Thaina Aparecida Pereira Moura Cerqueira (Fundação Oswaldo Cruz) Maria Angélica Ferreira Manuela Novaes Melilo (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Giovana Côrtes Tiago Marques dos Santos (Luís Antônio dos Santos e Eva Marques Pedrosa dos Santos) Prof. Isabele da Costa Angelo Cheryl Gouveia (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ)

Materiais de apresentação