19 – 23 de mai. de 2026
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ZONAS DE SOMBRA E SILÊNCIO EPIDEMIOLÓGICO: TIPOLOGIAS TERRITORIAIS COMO ESTRATÉGIA PARA SUPERAR A INVISIBILIDADE DA INFESTAÇÃO POR TRIATOMÍNEOS EM MINAS GERAIS (2007-2025)

23 de mai. de 2026 11:00
5m
Salão de Convenções (UFLA)

Salão de Convenções

UFLA

Campus Universitário - Aquenta Sol, Lavras - MG, 37200-000
Doenças Negligenciadas - Protozoários Apresentação oral - 23/05/2026

Palestrante

Gustavo Libério de Paulo (Programa de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais)

Descrição

A persistência da doença de Chagas (DC) revela negligência territorial, onde a segregação impõe distinção da capilaridade e do acesso à vigilância e serviços de saúde, criando zonas de sombra que mascaram a real distribuição do risco vetorial. Este estudo objetivou analisar a distribuição espacial e os padrões de infestação por triatomíneos em Minas Gerais entre 2007 e 2025, período pós-certificação da interrupção da transmissão da DC por Triatoma infestans no Brasil, que em 2026 completa duas décadas de vigência. Nessa perspectiva, realizou-se um estudo exploratório e retrospectivo integrando dados de vigilância entomológica da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), viabilizados pelo esforço contínuo dos serviços e profissionais de saúde em suas diversas instâncias operacionais, e bases cartográficas (shapefiles) municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de Macrorregiões de Saúde da SES-MG. Assim, a Análise Espacial foi subsidiada por Estatística Espacial e Geoprocessamento (Sistemas de Informações Geográficas), utilizando-se o software ArcMap 10.8 (Esri®). Os mapeamentos revelaram um "afunilamento": a presença do vetor é ampla no Norte e Noroeste, mas a colonização é geograficamente seletiva. Utilizando as tipologias territoriais do IBGE (2017 e 2023) como eixo, aplicou-se análise de autocorrelação espacial (Moran/LISA) para abundância, proporção e colonização intradomiciliar. Os resultados confirmaram dependência espacial significativa. O cruzamento dos agrupamentos do tipo Alto-Alto com as tipologias territoriais evidenciou que a abundância vetorial se concentra em espaços de transição e municípios rurais adjacentes, que se configuram como franjas urbanas frequentemente invisibilizadas. Em contraste, a colonização intradomiciliar apresentou maior frequência relativa em áreas classificadas como urbanas consolidadas, sugerindo um paradoxo operacional onde a visibilidade é potencializada pela maior capilaridade da rede de saúde urbana, enquanto a ausência de clusters em municípios rurais remotos sugere a existência de “zonas de sombra” por subnotificação. Conclui-se que o uso de tipologias territoriais refinadas é um esforço para superar a negligência histórica, revelando dinâmicas que transcendem a dicotomia rural-urbana. Identificar essas zonas críticas é crucial para que a vigilância atue sobre a real vulnerabilidade, garantindo o direito à saúde de forma equânime e contribuindo para as metas do ODS 3.

Palavras-chave Doença de Chagas, Triatoma infestans, Vigilância Entomológica, Análise Espacial, Geoprocessamento.
Em qual formato você prefere apresentar seu trabalho? Apresentação Oral
Deseja concorrer à premiação de melhores trabalhos? Sim
O seu trabalho se encaixa em qual dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs)? 3. Saúde e Bem-Estar

Autor

Gustavo Libério de Paulo (Programa de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais)

Co-autor

RICARDO ALEXANDRINO GARCIA (UFMG)

Materiais de apresentação

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